{"id":195594,"date":"2018-11-18T06:00:24","date_gmt":"2018-11-18T08:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=195594"},"modified":"2018-11-18T14:15:17","modified_gmt":"2018-11-18T16:15:17","slug":"nozes-cereja-banana-abacaxi-nao-e-natal-e-guerra-ao-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nozes-cereja-banana-abacaxi-nao-e-natal-e-guerra-ao-cancer\/","title":{"rendered":"Nozes, cereja, banana, abacaxi&#8230; N\u00e3o \u00e9 Natal; \u00e9 guerra ao c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>A melatonina \u00e9 comumente conhecida como o horm\u00f4nio do sono, respons\u00e1vel por regular o ciclo da atividade de repouso e vig\u00edlia. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, pesquisadores demonstraram que essa subst\u00e2ncia tamb\u00e9m tem o poder de reduzir o crescimento de tumores e a prolifera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas cancer\u00edgenas.<\/p>\n<p>Por enquanto, os testes foram feitos em animais, ent\u00e3o existe o alerta de que o tratamento em humanos ainda \u00e9 incerto. Mas uma coisa \u00e9 certa &#8211; e isso deve influenciar nos h\u00e1bitos alimentares. Nozes, cereja, banana, abacaxi, cebola, aspargos, gengibre, arroz integral e aveia s\u00e3o ricos em melatonina e seu consumo \u00e9 sempre bem-vindo.<\/p>\n<p>Uma revis\u00e3o cient\u00edfica sobre a atua\u00e7\u00e3o da melatonina na preven\u00e7\u00e3o e tratamento do c\u00e2ncer apontou que o horm\u00f4nio tem papel oncol\u00f3gico nos casos de mama, ov\u00e1rio, gastrite e pr\u00f3stata, por exemplo. A a\u00e7\u00e3o positiva estaria relacionada, principalmente, ao efeito antioxidante do horm\u00f4nio e inibidor da forma\u00e7\u00e3o de vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>&#8220;O tumor cresce e ativa mecanismos de forma\u00e7\u00e3o de vasos sangu\u00edneos [processo chamado de angiog\u00eanese] para poder se alimentar. Percebemos que as c\u00e9lulas [cancer\u00edgenas] n\u00e3o cresciam, pois a melatonina segura o crescimento dos vasos&#8221;, explica Debora Aparecida Zuccari, coordenadora de um grupo de pesquisa sobre o tema da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp).<\/p>\n<p>O time brasileiro trabalhou em parceria com pesquisadores do Hospital Henry Ford, de Michigan, nos Estados Unidos, para verificar os efeitos da melatonina no crescimento tumoral e na angiog\u00eanese em casos de c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>Os cientistas injetaram c\u00e9lulas tumorais de humanos em ratos e, ao fim de 21 dias, as f\u00eameas tratadas com melatonina apresentaram tumores significativamente menores do que as do grupo de controle (sem melatonina). Al\u00e9m disso, o c\u00e2ncer dos roedores que n\u00e3o receberam o tratamento cresceu entre o 14\u00ba e o 21\u00ba dia, enquanto isso n\u00e3o foi observado no grupo tratado.<\/p>\n<p>Debora explica que a melatonina age como uma faxineira que, durante a noite, limpa a &#8216;sujeira&#8217; deixada pelas c\u00e9lulas. Estas sofrem milh\u00f5es de processos metab\u00f3licos durante o dia e acumulam subst\u00e2ncias desnecess\u00e1rias. &#8220;Dessa forma, a melatonina consegue impedir que as c\u00e9lulas se proliferem, isso seria uma a\u00e7\u00e3o preventiva&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>No caso de pessoas com c\u00e2ncer que t\u00eam baixo n\u00edvel de melatonina, a hip\u00f3tese \u00e9 que essa limpeza n\u00e3o ocorra devidamente, o que favorece a prolifera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas cancer\u00edgenas. Segundo o estudo, baixa produ\u00e7\u00e3o dessa subst\u00e2ncia causaria aumento na replica\u00e7\u00e3o de erros e muta\u00e7\u00f5es no DNA. Esse processo tamb\u00e9m estaria relacionado ao c\u00e2ncer metast\u00e1tico, que ocorre quando o tumor se espalha para outros \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>A pesquisa que focou no c\u00e2ncer de mama comparou pacientes rec\u00e9m-diagnosticadas, mulheres passando por quimioterapia e enfermeiras que trabalham \u00e0 noite com mulheres saud\u00e1veis. Os n\u00edveis de melatonina eram ainda menores em mulheres que tinham met\u00e1stase quando comparadas com as que n\u00e3o tinham esse agravante.<\/p>\n<p>Estudos mais recentes conduzidos por Debora mostraram que mulheres com c\u00e2ncer de mama t\u00eam n\u00edveis menores de melatonina no organismo, assim como homens com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata e pacientes com c\u00e2ncer de f\u00edgado. Os resultados sugerem apenas uma correla\u00e7\u00e3o entre a subst\u00e2ncia e a doen\u00e7a, mas ainda n\u00e3o se pode afirmar que o horm\u00f4nio ajuda, de fato, no tratamento.<\/p>\n<p>Segundo Gilberto Amorim, oncologista da Sociedade Brasileira de Oncologia Cl\u00ednica, o poder antitumoral da melatonia, que ainda passa por estudos, \u00e9 pouco conhecido pelos pacientes e, inclusive, por m\u00e9dicos. O E+ consultou tr\u00eas mulheres que est\u00e3o ou j\u00e1 passaram pelo tratamento do c\u00e2ncer de mama. Duas disseram que j\u00e1 ouviram falar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre melatonina e c\u00e2ncer, mas afirmam que o assunto n\u00e3o \u00e9 discutido nos eventos que frequentam sobre a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns m\u00e9dicos sabem da correla\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o tem como falar em algo concreto. H\u00e1 especula\u00e7\u00f5es de que a melatonina poderia ajudar em tratamentos, potencializando os efeitos dos rem\u00e9dios&#8221;, diz Amorim.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico, por\u00e9m, faz um alerta importante. &#8220;O medo que temos \u00e9 que, com essas pesquisas de c\u00e9lulas em laborat\u00f3rio, o paciente comece a tomar [melatonina] achando que vai prevenir ou tratar o c\u00e2ncer. Ou, pior, que deve deixar de fazer tratamento&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O oncologista diz que n\u00e3o se pode desprezar o aparente potencial da melatonina na preven\u00e7\u00e3o ou tratamento do c\u00e2ncer, conforme indicam os estudos, mas o horm\u00f4nio n\u00e3o deve ser consumido sem consultar o m\u00e9dico antes. No Brasil, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) liberou o horm\u00f4nio em 2016 na forma de medicamento manipulado e sob prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Pessoas que trabalham \u00e0 noite t\u00eam baixa produ\u00e7\u00e3o de melatonina, uma vez que a s\u00edntese \u00e9 ativada pela aus\u00eancia de luz. O estudo fala da suplementa\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio por mulheres que atuam no per\u00edodo noturno como forma de reduzir o risco de c\u00e2ncer. No entanto, n\u00e3o existe essa mesma recomenda\u00e7\u00e3o para mulheres em geral.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o temos experi\u00eancia disso ainda. Poderia pegar algumas mulheres e come\u00e7ar a tratar, mas n\u00e3o h\u00e1 par\u00e2metros para analisar se houve benef\u00edcios ou n\u00e3o&#8221;, diz Debora. Entre os motivos para isso estaria o fato de o c\u00e2ncer estar relacionado tamb\u00e9m a h\u00e1bitos de vida e a doen\u00e7a se manifestar de formas diferentes em cada indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 a dosagem. &#8220;Se os estudos chegarem a uma dosagem segura, ser\u00e1 necess\u00e1rio estudar isso em um n\u00famero maior de pessoas. [Atualmente], n\u00e3o posso prescrever uma dosagem para uma paciente, isso pode atrapalhar o tratamento convencional&#8221;, afirma Amorim. Portanto, outras pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias at\u00e9 que se possa atestar que a melatonina \u00e9 segura e age positivamente em pessoas com c\u00e2ncer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A melatonina \u00e9 comumente conhecida como o horm\u00f4nio do sono, respons\u00e1vel por regular o ciclo da atividade de repouso e vig\u00edlia. 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