{"id":195607,"date":"2018-11-18T07:22:54","date_gmt":"2018-11-18T09:22:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=195607"},"modified":"2018-11-18T07:22:54","modified_gmt":"2018-11-18T09:22:54","slug":"rpm-prepara-volta-aos-palcos-sem-paulo-ricardo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rpm-prepara-volta-aos-palcos-sem-paulo-ricardo\/","title":{"rendered":"RPM prepara volta aos palcos sem Paulo Ricardo"},"content":{"rendered":"<p>A guitarra aparece no front, como esteve poucas vezes. Os teclados, que j\u00e1 reinaram em tempos progressivos, v\u00eam mais equilibrados, \u00e0s vezes mais sujos, outras em fun\u00e7\u00f5es de sustenta\u00e7\u00e3o dos solos. Mas ainda mostram nostalgia e se erguem nos timbres monumentais dos eletr\u00f4nicos anos 1980. H\u00e1 uma sujeira roqueira tamb\u00e9m nos vocais, que submergem de uma massa criada por baixo e bateria bem gravadas, de brilho e pegada forte.<\/p>\n<p>S\u00e3o ainda duas can\u00e7\u00f5es de um projeto de disco que deve ganhar os palcos antes, mas o caminho j\u00e1 parece ter se imposto, mudando a rota sonora de um dos mais fortes DNAs surgidos no rock nacional p\u00f3s ditadura chamado RPM.<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 mais um retorno do grupo com um bom hist\u00f3rico de idas e vindas. Desta vez, no entanto, ele emerge de uma disputa judicial ainda em curso travada para o uso do nome RPM. Sem Paulo Ricardo, o novo integrante \u00e9 o vocalista e baixista Dioy Palone, que assume o baixo e divide a frente do palco e os vocais com o guitarrista Fernando Deluqui. Dioy, que pertencia ao grupo Carr\u00e3o de G\u00e1s, foi recrutado por Deluqui depois de um show que fizeram juntos em S\u00e3o Carlos, no interior de S\u00e3o Paulo, em 2017. De volta a S\u00e3o Paulo, sugeriu o nome aos outros remanescentes, o tecladista Luis Schiavon e o baterista PA.<\/p>\n<p>Deluqui conta que o rompimento com Paulo Ricardo se deu a partir de uma decis\u00e3o do cantor. Depois de um show em um navio de cruzeiro, no litoral rumo a Santa Catarina, em 2017, o guitarrista lembra de que foi at\u00e9 a cabine do colega tentar convenc\u00ea-lo de que a banda deveria continuar. &#8220;T\u00ednhamos um contrato, a previs\u00e3o era de que segu\u00edssemos por mais um ou dois anos.&#8221; Com a negativa de Paulo, os tr\u00eas (Deluqui, PA e Schiavon) decidiram seguir em frente. &#8220;Combinamos refazer o RPM sem ele&#8221;. As partes foram ent\u00e3o parar na Justi\u00e7a. &#8220;Ele registrou o nome sozinho em 2004, mas deveria ter colocado a marca no nome dos quatro integrantes&#8221;, diz Deluqui.<\/p>\n<p>Paulo Ricardo foi procurado pela reportagem, mas preferiu que seu advogado, Carlos Frederico Bentivegna, falasse por ele. Sobre o nome da banda, Bentivegna diz que &#8220;a marca RPM sempre pertenceu a Paulo Ricardo, que sempre foi o principal compositor, o cantor e o baixista do grupo.&#8221; Ele faz uma ressalva e diz que, por um tempo, o nome &#8220;pertenceu a uma empresa de Luiz Schiavon, enquanto a banda estava na ativa, mas ele (Schiavon) renunciou tacitamente \u00e0 marca porque foi chamado ao INPI (\u00f3rg\u00e3o onde se registra os nomes) para recolher a taxa relativa \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da marca e n\u00e3o tomou qualquer provid\u00eancia, deixando-a desprotegida e \u00e0 merc\u00ea do avan\u00e7o de qualquer aventureiro&#8221;.<\/p>\n<p>Bentivegna diz que houve um &#8220;acordo de cavalheiros&#8221; homologado pela Justi\u00e7a em 2007 para que apenas os quatro integrantes originais do grupo pudessem fazer uso da marca conjuntamente. &#8220;Dessa forma&#8221;, diz o advogado, &#8220;estavam todos os integrantes da banda proibidos de utilizar-se do nome RPM a n\u00e3o ser que o fizessem de maneira coletiva, preservando a hist\u00f3ria de um trabalho que foi exitoso e deixou boas lembran\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p>Deluqui diz que ele e seus amigos est\u00e3o respaldados juridicamente para usarem o nome RPM mesmo sem a presen\u00e7a de Paulo. &#8220;De acordo com a \u00faltima decis\u00e3o judicial, n\u00f3s tr\u00eas podemos usar a marca&#8221;. O caso, que n\u00e3o chegou \u00e0s \u00faltimas inst\u00e2ncias, segue na Justi\u00e7a. O advogado do cantor fala mais.<\/p>\n<p>&#8220;Paulo Ricardo est\u00e1 bastante chateado pelo seu p\u00fablico, pelo p\u00fablico do RPM de verdade, contra quem se est\u00e1 armando um verdadeiro estelionato! Um belo 171&#8230; O f\u00e3 do RPM compra um ingresso crente de que ir\u00e1 v\u00ea-lo (ver Paulo Ricardo) e ouvi-lo, mas se depara com um cover e Paulo se sente obrigado a esclarecer ao seu p\u00fablico esse verdadeiro embuste, contr\u00e1rio \u00e0 lei, contr\u00e1rio a decis\u00f5es judiciais e contr\u00e1rio \u00e0 \u00e9tica que deveria nortear a conduta de quem faz arte.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto os pap\u00e9is correm, a nova forma\u00e7\u00e3o do RPM pode surpreender. Ainda sem shows marcados em S\u00e3o Paulo e com um disco novo em fase inicial, a m\u00fasica passa por uma revigorada que n\u00e3o se viu em retornos anteriores. &#8220;Estamos mais coesos&#8221;, diz Schiavon. &#8220;Sei que a palavra est\u00e1 desgastada, mas sinto a banda mais org\u00e2nica. E o Nando (Deluqui) est\u00e1 tocando muito.&#8221; &#8220;A segunda mudan\u00e7a&#8221;, ele diz &#8220;est\u00e1 no conv\u00edvio. Dioy \u00e9 um gentleman, cheio de delicadeza, inteligente. Isso deu uma estabilizada emocional maior ao grupo, algo que nunca tivemos. Nunca soubemos qual seria o pr\u00f3ximo chilique&#8221;, ele fala.<\/p>\n<p>A nova forma\u00e7\u00e3o quer evitar um frontman \u00fanico, dizem os integrantes. &#8220;N\u00e3o queremos mais ter um l\u00edder&#8221;, diz Deluqui. Ele tem dividido vocais das m\u00fasicas novas e de cl\u00e1ssicos do RPM com o novo integrante, como mostra um v\u00eddeo no YouTube gravado durante um show em Ilha Bela, no litoral de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A primeira ruptura do RPM, que trocava a express\u00e3o mec\u00e2nica rota\u00e7\u00f5es por minuto por revolu\u00e7\u00f5es por minuto, segundo a ideia sugerida por uma amiga em um bar da Vila Madalena, em S\u00e3o Paulo, se deu em 1987. &#8220;Ali, Paulo e Schiavon ficaram juntos, mas tamb\u00e9m brigaram depois.&#8221; Por sugest\u00e3o da gravadora, o grupo retoma as atividades para gravar o \u00e1lbum Quatro Coiotes, que sai em 1989. Pararam logo depois e Paulo come\u00e7ou sua carreira solo. Um novo projeto veio em 1993, Paulo Ricardo e RPM, que levaria dois anos.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima volta seria em 2000, com um projeto h\u00edbrido de ac\u00fastico e el\u00e9trico promovido pela MTV. Em 2004, a banda parou de novo para retomar as atividades em 2011, quando fez seu \u00faltimo disco, Elektra, em 2011, at\u00e9 que a banda rompesse novamente. Paulo segue com um novo show, Paulo Ricardo &#8211; Sex on the Beach. O repert\u00f3rio vai incluir uma homenagem a Cazuza e algumas in\u00e9ditas. Os cl\u00e1ssicos do RPM continuam garantindo os melhores momentos de seu show.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guitarra aparece no front, como esteve poucas vezes. Os teclados, que j\u00e1 reinaram em tempos progressivos, v\u00eam mais equilibrados, \u00e0s vezes mais sujos, outras em fun\u00e7\u00f5es de sustenta\u00e7\u00e3o dos solos. Mas ainda mostram nostalgia e se erguem nos timbres monumentais dos eletr\u00f4nicos anos 1980. 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