{"id":195900,"date":"2018-11-22T22:36:01","date_gmt":"2018-11-23T00:36:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=195900"},"modified":"2018-11-22T22:36:01","modified_gmt":"2018-11-23T00:36:01","slug":"brasilia-vira-ponto-de-partida-para-os-medicos-cubanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasilia-vira-ponto-de-partida-para-os-medicos-cubanos\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia vira ponto de partida para os m\u00e9dicos cubanos"},"content":{"rendered":"<p>Os m\u00e9dicos cubanos que integravam o programa Mais M\u00e9dicos come\u00e7aram a deixar o pa\u00eds nesta quinta (22). Um grupo embarcou \u00e0 noite em dois voos fretados pela Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana de Sa\u00fade (Opas), saindo de Bras\u00edlia com destino a Havana.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o da Opas \u00e9 que esse processo dure at\u00e9 o dia 12 de dezembro. A entidade \u00e9 a respons\u00e1vel pelo acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que viabilizou a contrata\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o dos profissionais daquele pa\u00eds no Brasil.<\/p>\n<p>No fim da tarde, uma longa fila se formou no guich\u00ea da companhia a\u00e9rea Cubana de Aviaci\u00f3n. Com bandeiras de Cuba e do Brasil e adesivos escritos \u201csomos mais que m\u00e9dicos\u201d, os profissionais se preparavam para retornar ap\u00f3s o seu governo determinar a volta em raz\u00e3o de novas exig\u00eancias manifestadas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Depois desses voos, outros m\u00e9dicos sair\u00e3o com destino \u00e0 capital Havana na sexta e no s\u00e1bado. Os retornos ocorrer\u00e3o de quatro cidades: Bras\u00edlia, Manaus, Salvador e S\u00e3o Paulo. Os profissionais est\u00e3o se deslocando dos munic\u00edpios onde residiam, muitos no interior do pa\u00eds, para os aeroportos.<\/p>\n<p>Leibes Reys era uma das m\u00e9dicas na fila para voltar ao seu pa\u00eds. Depois de atuar durante quatro anos em Cuba, ela chegou ao Brasil em 2016 e passou a atender no munic\u00edpio de Ibimirim, no estado de Pernambuco. Ela relatou que teve uma \u00f3tima experi\u00eancia e uma boa rela\u00e7\u00e3o com pacientes e outros profissionais das unidades onde atuou.<\/p>\n<p>\u201cDemos atendimento a pessoas que verdadeiramente precisavam de uma sa\u00fade boa. Uma experi\u00eancia que chega no cora\u00e7\u00e3o da gente. A gente fica com muita saudade porque a popula\u00e7\u00e3o fica triste com o nosso retorno.At\u00e9 me falaram: \u00b4Doutora, n\u00e3o vai\u00b4; ficam com aquela tristeza. \u00c0s vezes iam na consulta n\u00e3o s\u00f3 para consultar, mas pra conversar, pedir conselho\u201d, conta.<\/p>\n<p>Isabela Sarmiento tamb\u00e9m chegou em 2016 para um contrato de tr\u00eas anos e foi direcionada para clinicar na cidade de Serra Talhada, em Pernambuco. Ela conta que pacientes pediram para que n\u00e3o voltasse \u00e0 terra natal. Isabela considera que ela e amigos sabiam que teriam de voltar, mas n\u00e3o estavam preparados para que isso ocorresse agora.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 reten\u00e7\u00e3o pelo governo cubano de parte da remunera\u00e7\u00e3o recebida &#8211; um dos itens criticados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro e objeto das exig\u00eancias que terminaram com a recusa do governo cubano -, a m\u00e9dica respondeu que as regras estabelecidas foram explicadas e aceitas por quem decidiu vir atuar no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s assinamos um contrato sabendo as condi\u00e7\u00f5es de vir trabalhar aqui. Cuba d\u00e1 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o sem cobrar nada de ningu\u00e9m. N\u00f3s estamos remunerando o feito de hoje n\u00f3s sermos m\u00e9dicos. Porque conseguimos ser m\u00e9dicos sem pagar nada, s\u00f3 utilizando nossa mente. Agora n\u00f3s nos sentimos orgulhosos de dar essa remunera\u00e7\u00e3o para Cuba\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Uma das profissionais prestes a embarcar, que n\u00e3o quis se identificar, contou que seu plano \u00e9 regressar ao Brasil. Na experi\u00eancia de atender pacientes em um munic\u00edpio no estado do Rio Grande do Sul, que ela tamb\u00e9m optou por n\u00e3o revelar, conheceu um brasileiro, passou a ser relacionar com ele e a hist\u00f3ria terminou em casamento.<\/p>\n<p>\u201cEu pretendo voltar. Olha a minha alian\u00e7a [mostra para a reportagem]. Casei com um brasileiro\u201d, falou, feliz. Perguntada sobre como faria para retornar, j\u00e1 que h\u00e1 regras restritas no pa\u00eds para imigra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deu detalhes. \u201cVou fazer tudo certinho. Ainda n\u00e3o sei, mas vou me informar quando chegar l\u00e1\u201d, complementou.<\/p>\n<p>J\u00e1 Felipe Ramiro gostou da experi\u00eancia, mas comentou que seu desejo era retornar a Cuba. Alocado em unidades m\u00e9dicas na cidade de Camocim de S\u00e3o F\u00e9lix, em Pernambuco, ele relatou que teve \u00f3tima rela\u00e7\u00e3o com pacientes e moradores. Mas que ap\u00f3s o encerramento do contrato, previsto para o ano que vem, iria voltaria \u00e0 ilha.<\/p>\n<p>\u201cSe o contrato n\u00e3o fosse interrompido, eu trabalharia mais um ano. Mas ficar mesmo no Brasil eu n\u00e3o vou ficar n\u00e3o. Eu gosto do meu pa\u00eds, tenho fam\u00edlia l\u00e1, filhos\u201d, justificou.<\/p>\n<p>Ioana Iglesias chegou ao Brasil em 2016 e foi trabalhar na cidade de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. Ela relata que os pacientes \u201csofreram junto a perda da m\u00e9dica cubana\u201d. Ela diz que n\u00e3o sofreu preconceito, ao contr\u00e1rio, teve \u00f3tima acolhida. Natural de Santa Clara, no centro da ilha, vai voltar a atuar como m\u00e9dica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Perguntada se voltaria ao Brasil para uma nova miss\u00e3o do tipo da que se encerra agora, respondeu positivamente. \u201cSe o Brasil quiser de n\u00f3s que fa\u00e7amos como uma miss\u00e3o humanit\u00e1ria, com certeza voltaria. Nunca vamos negar um atendimento para ningu\u00e9m\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>O rompimento do acordo ocorre por decis\u00e3o do governo cubano, que chamou de volta os profissionais por desacordo com condi\u00e7\u00f5es impostas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, para que os m\u00e9dicos permane\u00e7am no programa &#8211; entre elas a realiza\u00e7\u00e3o do exame de revalida\u00e7\u00e3o de diplomas para reconhecimento no pa\u00eds (Revalida) e a n\u00e3o reten\u00e7\u00e3o de parte da remunera\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos, que at\u00e9 ent\u00e3o ficava com a administra\u00e7\u00e3o cubana.<\/p>\n<p>O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, por meio de uma rede social, defendeu os profissionais. Em nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade cubano afirmou que as exig\u00eancias desrespeitam as condi\u00e7\u00f5es acordadas no conv\u00eanio com a Opas.<\/p>\n<p>Dois dias ap\u00f3s a decis\u00e3o, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que as novas exig\u00eancias foram definidas para proteger os m\u00e9dicos de m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, por raz\u00f5es que classificou como \u201chumanit\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p>Nesta semana, o governo brasileiro abriu novo edital para substituir os mais de oito mil m\u00e9dicos cubanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os m\u00e9dicos cubanos que integravam o programa Mais M\u00e9dicos come\u00e7aram a deixar o pa\u00eds nesta quinta (22). Um grupo embarcou \u00e0 noite em dois voos fretados pela Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana de Sa\u00fade (Opas), saindo de Bras\u00edlia com destino a Havana. A previs\u00e3o da Opas \u00e9 que esse processo dure at\u00e9 o dia 12 de dezembro. 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