{"id":196061,"date":"2018-11-25T09:10:18","date_gmt":"2018-11-25T11:10:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=196061"},"modified":"2018-11-25T09:10:18","modified_gmt":"2018-11-25T11:10:18","slug":"canta-canta-minha-gente-que-martinho-chegou-aos-80-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/canta-canta-minha-gente-que-martinho-chegou-aos-80-anos\/","title":{"rendered":"Canta, canta minha gente que Martinho chegou aos 80 anos"},"content":{"rendered":"<p>Se fosse por ele mesmo, Martinho da Vila n\u00e3o estaria com um disco novo. N\u00e3o por falta de material novo, n\u00e3o por desinteresse no desafio, mas por j\u00e1 desacreditar do formato. &#8220;Eu n\u00e3o ia mais gravar discos, agora \u00e9 tudo digital. Mas era um ano comemorativo, meus 80 anos de vida, 60 de carreira.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, resolvi fazer.&#8221; E o que ele fez passa por isso, um disco sem a pressa da juventude, sem a euforia dos iniciantes Martinho declama, evita forma\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas do samba, investe em formatos menores e, por algumas vezes, fala com a nostalgia dos homens de 80 anos. O primeiro show em S\u00e3o Paulo para lan\u00e7ar o disco &#8220;Bandeira da F\u00e9&#8221; ser\u00e1 no dia 9 de dezembro, no Teatro Bradesco.<\/p>\n<p>&#8220;Eu mesmo acho que n\u00e3o sou saudoso de nada&#8221;, garante Martinho. &#8220;Que sou o hoje, o futuro. Mas ouvindo de novo algumas letras que gravei, como voc\u00ea est\u00e1 falando, acho que tem raz\u00e3o.&#8221; Ent\u00e3o, vamos ao que canta Martinho. Depois N\u00e3o Sei \u00e9 um t\u00edpico samba martiniano, desses de cad\u00eancia lenta, respira\u00e7\u00f5es longas e poesias desapressadas. Um pandeiro, alguma outra percuss\u00e3o, um viol\u00e3o e bandolim.<\/p>\n<p>Ouvir o homem de Canta Canta, Minha Gente e Mulheres dizendo versos como &#8220;fiquei adulto \/ J\u00e1 estou maduro \/ Fui muito amado \/ E muito amei \/ Se Deus quiser, eu vou \/ Ficar bem velho \/ A morte \u00e9 certa \/ Depois n\u00e3o sei&#8221; n\u00e3o parece t\u00e3o f\u00e1cil. Mais ou menos evidente, a saudade est\u00e1 no centro de Bandeira da F\u00e9. \u00d3 Que Saudade a coloca na frente de tudo. Mas mesmo em O Sonho Continua, que traz Rappin\u2019 Hood rapeando a seu lado, fala, mesmo em forma de protesto, de um sonho.<\/p>\n<p>O samba Bandeira da F\u00e9, de Martinho com Z\u00e9 Catimba, tem um engavetamento curioso. Martinho nunca havia gravado. M\u00fasica com potencial de hit desde a origem, com a exalta\u00e7\u00e3o que explodiu nos anos 1980, chegou a ser lan\u00e7ada por Luiz Carlos da Vila em 1983, sem nenhum barulho, e com mais holofotes por Agep\u00ea, em 1984.<br \/>\nGravando Martinho, Agep\u00ea (morto me 1995) estabeleceu a marca de primeiro sambista a vender mais de 1 milh\u00e3o de c\u00f3pias como o LP Mistura Brasileira. &#8220;Meus discos sempre vinham conceituais e essa m\u00fasica sempre sobrava. Finalmente, consegui grav\u00e1-la&#8221;, recorda.<\/p>\n<p>Minha Nova Namorada, vale o spoiler, \u00e9 inteiramente declamada sobre uma base de cordas e uma percuss\u00e3o suave. Uma sonoridade bastante cabo-verdiana sem tempos marcados. \u00c9 mais um momento em que Martinho deixa a festa, a divis\u00e3o cl\u00e1ssica do samba, e parte para uma narrativa falada.<\/p>\n<p>A &#8220;nova namorada&#8221; \u00e0 qual ele declama seu amor ser\u00e1 revelada no final, a Barra da Tijuca. &#8220;Fiz esse disco assim mesmo, com uma sonoridade para se ouvir mais o lado instrumental mesmo. Nada de ritmo pesado. Sem surdo nem tamborim, mas o suingue est\u00e1 presente&#8221;, ele autoanalisa. &#8220;Fiz tamb\u00e9m um disco para ser declamado, mais do que cantado.&#8221;<\/p>\n<p>Ser Mulher, que come\u00e7a com os toques de terreiro, foi composta com o eu feminino. Quem declama aqui as frases \u00e9 Gl\u00f3ria Maria. Pode ser sim um contraponto \u00e0 infelicidade po\u00e9tica de Voc\u00ea N\u00e3o Passa de Uma Mulher, que Martinho fez e cantou para o disco Maravilha de Cen\u00e1rio, de 1975.<\/p>\n<p>O feminismo \u00e0 \u00e9poca, mesmo despertando, o acusou de machismo. Ou ao supersucesso Mulheres, gravado em 1995 no \u00e1lbum T\u00e1 Del\u00edcia, T\u00e1 Gostoso, embora j\u00e1 haja interpreta\u00e7\u00f5es de que o homem que diz que j\u00e1 teve mulheres de v\u00e1rias idades e muitos amores, ao final, ficaria com um homem se tornando assim, um raro samba com tema gay.<\/p>\n<p>A conversa com Martinho da Vila ganha outro rumo e para em Beth Carvalho. Impossibilitada de ficar de p\u00e9 por s\u00e9rios problemas na coluna, a rainha do samba fez neste ano um show deitada, rodeada pelo grupo Fundo de Quintal. Foi uma das imagens mais fortes e tradutora do esp\u00edrito que Beth mesmo refor\u00e7a de que &#8220;o show n\u00e3o pode parar&#8221;.<\/p>\n<p>Martinho ouve em sil\u00eancio para dizer um sofrido &#8220;Beth n\u00e3o joga o pano&#8221;.<\/p>\n<p>Nascido em Duas Barras, no Estado do Rio, em 12 de fevereiro de 1938, Martinho lembra que quebrou a perna quando gravou o \u00e1lbum Batuqueiro, em 1986. &#8220;Eu estava em casa, de licen\u00e7a, mas resolvi ir ao est\u00fadio para sair um pouco de casa. Cheguei l\u00e1, os caras me colocaram sentado e acabei gravando o disco todo assim.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se fosse por ele mesmo, Martinho da Vila n\u00e3o estaria com um disco novo. N\u00e3o por falta de material novo, n\u00e3o por desinteresse no desafio, mas por j\u00e1 desacreditar do formato. &#8220;Eu n\u00e3o ia mais gravar discos, agora \u00e9 tudo digital. Mas era um ano comemorativo, meus 80 anos de vida, 60 de carreira. 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