{"id":196441,"date":"2018-11-30T07:33:13","date_gmt":"2018-11-30T09:33:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=196441"},"modified":"2018-11-30T07:33:13","modified_gmt":"2018-11-30T09:33:13","slug":"mais-um-na-telona-de-quem-rouba-dos-ricos-para-dar-aos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mais-um-na-telona-de-quem-rouba-dos-ricos-para-dar-aos-pobres\/","title":{"rendered":"Mais um na telona de quem rouba dos ricos para dar aos pobres"},"content":{"rendered":"<p>Virou trocadilho infame, que tem sido repetido \u00e0 exaust\u00e3o desde que Robin Hood &#8211; A Origem estreou nos cinemas dos EUA. Explica-se &#8211; o filme teve talvez a pior abertura de um blockbuster do ano. Custou mais de US$ 100 milh\u00f5es, rendeu a mis\u00e9ria de US$ 4,5 milh\u00f5es. A partir da\u00ed, 11 entre dez resenhas t\u00eam feito piadinha.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do ladr\u00e3o que rouba dos ricos para dar aos pobres vai lhe roubar duas horas de vida. Haja mau humor. O diretor Otto Bathurst, que venceu o Bafta, o Oscar brit\u00e2nico, por Peaky Blinders e teve mais duas indica\u00e7\u00f5es por Criminal Minds e Five Days, n\u00e3o merece tanto desprezo. Seu filme possui qualidades.<\/p>\n<p>Bathurst, de 47 anos, compartilha a est\u00e9tica pop de Guy Ritchie. Faz um Robin Hood para o s\u00e9culo 21, com um gostinho de videogame Filma cenas espetaculares. Os arqueiros disparam suas flechas voando nos ares e as carro\u00e7as, quais b\u00f3lidos envenenados, disparam velozes e furiosas pelas pontes e estruturas de madeira da Idade M\u00e9dia. E, como Guy Ritchie, que forjou seu rei Arthur, o poderoso Charlie Hunnam, num bordel, Bathurst filma uma bacanal muito louca &#8211; em homenagem a um prelado. Pecadores, arrependei-vos? N\u00e3o. O lema \u00e9 aumentem sua cota no inferno.<\/p>\n<p>A &#8220;origem&#8221; no t\u00edtulo revela a inten\u00e7\u00e3o. Bathurst n\u00e3o conta apenas a g\u00eanese do her\u00f3i, conta tamb\u00e9m a do vil\u00e3o, que ocorre ser um vil\u00e3o da classe trabalhadora. Bernardo Bertolucci &#8211; Robin Hood incorpora os temas do her\u00f3i e do traidor, uma cortesia, ou influ\u00eancia, do argentino Jorge Luis Borges, que curtia muito os mitos anglo-sax\u00f5es, vale lembrar. Taron Egerton, o garoto de Kingsman &#8211; Servi\u00e7o Secreto, agrega seu entusiasmo juvenil \u00e0 saga do ladr\u00e3o da floresta de Sherwood.<\/p>\n<p>Na trama, Robin \u00e9 convocado pelo xerife de Nottingham para lutar nas Cruzadas. Deixa a bela mulher com quem acaba de casar &#8211; Marian &#8211; e ela, vale destacar, na primeira cena dos dois, est\u00e1 roubando um cavalo pertencente ao futuro marido, que pretende dar a um pobre. A origem da lenda, portanto, \u00e9 ela.<\/p>\n<p>Depois de um duro aprendizado na guerra, inclusive quando tenta, sem \u00eaxito, salvar a vida do filho de um guerreiro mouro, Robin volta para casa. Descobre que sua propriedade foi destru\u00edda, seus bens saqueados e a mulher se casou com outro &#8211; Jamie Dornan \u00e9 o lobo em pele de cordeiro. Will, \u00e9 seu nome, lidera os mineradores, mas n\u00e3o est\u00e1 muito preocupado com a sorte deles. S\u00f3 quer pavimentar sua trajet\u00f3ria para se sentar \u00e0 mesa dos poderosos, um traidor, em suma, logo um vil\u00e3o.<\/p>\n<p>Dornan traz para o lado sombrio do milion\u00e1rio da s\u00e9rie 50 Tons. Um acidente vai expor essa sua ambival\u00eancia. Entre o her\u00f3i e o traidor, a mocinha, Eve Hewson &#8211; filha de Bono, do U2 -, empodera-se como conv\u00e9m a uma mulher contempor\u00e2nea e leva a pr\u00f3pria luta contra o despotismo.<\/p>\n<p>Pelo exagero assumido, ningu\u00e9m \u00e9 louco de fazer uma abordagem a s\u00e9rio de Robin Hood &#8211; A Origem, como Ridley Scott tentou fazer em sua recria\u00e7\u00e3o da lenda, com Russell Crowe e Cate Blanchett. Mas talvez se devesse, porque existe um aspecto n\u00e3o negligenci\u00e1vel e que talvez ajude a explicar o fracasso do filme.<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o tem nada a ver com qualidade, ou falta de, mas na concep\u00e7\u00e3o de Otto Bathurst a Igreja de Roma, por meio de um cardeal corrupto que se aliou ao xerife para implodir a Cruzada, est\u00e1 indo contra o fundamentalismo crist\u00e3o que se constitui na base do presidente Donald Trump. Esse eleitorado n\u00e3o quer ver seu prelado numa bacanal nem comprometendo o valor estrat\u00e9gico\/espiritual de Jerusal\u00e9m para a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental<\/p>\n<p>E ainda falta o mouro, Jamie Foxx. O cinema contou muitas vezes a hist\u00f3ria de Robin Hood &#8211; olhe as fotos -, mas \u00e9 preciso remeter \u00e0 vers\u00e3o de Kevin Reynolds, de 1991, em que Kevin Costner volta da Cruzada com o mouro Morgan Freeman. Jamie Foxx, o \u00e1rabe!, \u00e9 quem forja o her\u00f3i e fornece o eixo moral do novo Robin Hood. Nada menos contr\u00e1rio ao esp\u00edrito do tempo. Independentemente das quest\u00f5es, digamos, pol\u00edticas, a divers\u00e3o imp\u00f5e-se.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Virou trocadilho infame, que tem sido repetido \u00e0 exaust\u00e3o desde que Robin Hood &#8211; A Origem estreou nos cinemas dos EUA. Explica-se &#8211; o filme teve talvez a pior abertura de um blockbuster do ano. 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