{"id":196486,"date":"2018-12-02T01:06:59","date_gmt":"2018-12-02T03:06:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=196486"},"modified":"2018-12-02T01:12:56","modified_gmt":"2018-12-02T03:12:56","slug":"brasilia-abre-os-bracos-e-acolhe-nova-leva-de-migrantes-venezuelanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasilia-abre-os-bracos-e-acolhe-nova-leva-de-migrantes-venezuelanos\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia abre os bra\u00e7os e acolhe nova leva de venezuelanos"},"content":{"rendered":"<p>Depois de caminhar mais de mil quil\u00f4metros a p\u00e9, a venezuelana Mariluz Pi\u00f1ero chegou h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas em Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para a fam\u00edlia. Ela saiu do estado de Miranda com seus dois filhos para encontrar o marido, que j\u00e1 vive no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cChegamos no fim da tarde, debaixo de chuva, sem tomar banho por seis dias. Viemos caminhando, pegando carona, passando necessidade. Tudo isso superamos\u201d, contou.<\/p>\n<p>Mariluz est\u00e1 entre os 55 imigrantes venezuelanos que chegaram ontem (29) e hoje (30) a Bras\u00edlia. O grupo deixou Boa Vista em avi\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) e ser\u00e1 mantido em casas alugadas na regi\u00e3o administrativa de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, sob a supervis\u00e3o da C\u00e1ritas Brasileira, entidade de promo\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o social que trabalha na defesa dos direitos humanos.<\/p>\n<p>M\u00e3e de um casal de crian\u00e7as que necessitam de aten\u00e7\u00e3o especial, devido a problemas de sa\u00fade, a venezuelana, de 48 anos, teve que deixar de trabalhar para se dedicar integralmente aos cuidados com os filhos. A menina, de 10 anos, \u00e9 paciente cr\u00f4nica renal e o menino, de 12 anos, tem problemas de vis\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSa\u00edmos pela situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pela sa\u00fade do meu filho, a sa\u00fade da minha fam\u00edlia e minha pr\u00f3pria sa\u00fade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Com a forte crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica que atinge atualmente a Venezuela, a renda j\u00e1 n\u00e3o era suficiente para manter o sustento adequado da fam\u00edlia. Mariluz disse que n\u00e3o conseguia medicamentos para os filhos e nem manter a alimenta\u00e7\u00e3o balanceada exigida pelos m\u00e9dicos. \u201cMeu esposo era o \u00fanico que sustentava o lar, e estava dif\u00edcil. Ele veio para o Brasil h\u00e1 4 meses. Fiquei sozinha na Venezuela e depois nos reunimos aqui no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, Mariluz sonha em trabalhar com crian\u00e7as ou como comerciante, em casa. O marido se disp\u00f4s a trabalhar como oper\u00e1rio ou auxiliar de servi\u00e7os na \u00e1rea de constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>\u201cEstamos esperando uma oportunidade nova, e que meus filhos tenham uma boa aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, boa educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Victor Hernandez Guedes, 29 anos, tamb\u00e9m chegou ontem \u00e0 capital cheio de expectativa. O jovem cruzou a fronteira brasileira h\u00e1 tr\u00eas meses, depois de enfrentar longa jornada de caminhadas e caronas. A viagem durou sete dias, divididas em duas etapas: a primeira, em companhia de um amigo, at\u00e9 o povoado venezuelano \u201cLas Claritas\u201d, e o restante do trajeto, ele fez sozinho at\u00e9 chegar a Boa Vista.<\/p>\n<p>Na capital de Roraima, Victor passou 15 dias na rua, recebendo apoio de um brasileiro e uma venezuelana que j\u00e1 estavam acolhidos em um abrigo de refugiados.<\/p>\n<p>\u201cO in\u00edcio foi um pouco mal, porque fiquei na rua, n\u00e3o tinha comida, meus sapatos rasgaram, fui roubado. Depois de 15 dias, consegui ser abrigado. A\u00ed me senti mais seguro pelos guardas, e me davam comida todos os dias\u201d, disse.<\/p>\n<p>Victor \u00e9 t\u00e9cnico ambiental e pensa em trabalhar logo, no Brasil. Seu objetivo \u00e9 poder trazer sua m\u00e3e e o irm\u00e3o, que ficaram na Venezuela. Mas n\u00e3o descarta voltar a seu pa\u00eds de origem quando a situa\u00e7\u00e3o melhorar por l\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cQuero me estruturar como pessoa, economicamente, e trazer minha m\u00e3e e meu irm\u00e3o no futuro. Quando meu pa\u00eds estiver bem, sim, quero voltar\u201d.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima semana, mais 50 imigrantes venezuelanos devem chegar a Bras\u00edlia. Eles tamb\u00e9m ser\u00e3o levados para a regi\u00e3o administrativa de S\u00e3o Sebasti\u00e3o. O objetivo \u00e9 levar 1325 venezuelanos para a capital federal at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n<p>Segundo o coordenador nacional da C\u00e1ritas Brasileira, Fernando Zamban, a a\u00e7\u00e3o faz parte do projeto Pana, que significa \u201camigo\u201d na l\u00edngua da etnia ind\u00edgena venezuelana Warao. O projeto atua em conjunto com o governo federal no transporte dos refugiados, mas \u00e9 independente na manuten\u00e7\u00e3o da infraestrutura de abrigo.<\/p>\n<p>Os venezuelanos est\u00e3o instalados em 17 casas alugadas com recursos do governo norte-americano. O apoio financeiro ser\u00e1 garantido por cinco meses. Neste per\u00edodo, os imigrantes ter\u00e3o acesso a atividades de forma\u00e7\u00e3o para resgate da autoestima e identifica\u00e7\u00e3o de suas habilidades pessoais e profissionais, al\u00e9m de terem acesso a cursos da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>Dependendo do caso, as fam\u00edlias poder\u00e3o ser inscritas no programa Bolsa Fam\u00edlia ou receber outros benef\u00edcios sociais at\u00e9 terem condi\u00e7\u00f5es de ser inseridas no mercado de trabalho brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cTem alguns di\u00e1logos sendo constru\u00eddos. Vamos trabalhar de duas maneiras com a inser\u00e7\u00e3o deles no mercado de trabalho, uma \u00e9 no mercado formal, em parceria com empresas e, outra, \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o de trabalho coletivo atrav\u00e9s da economia popular solid\u00e1ria, que \u00e9 um mecanismo de gera\u00e7\u00e3o de renda com outros valores de vida na sociedade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra explorat\u00f3ria dessas pessoas\u201d, destacou Zamban.<\/p>\n<p>A C\u00e1ritas tamb\u00e9m vai oferecer suporte psicossocial e pedag\u00f3gico aos imigrantes, al\u00e9m de assist\u00eancia em casos de viola\u00e7\u00e3o de direitos. O atendimento ser\u00e1 feito na chamada Casa de Direitos, instalada no centro comercial Conic, localizado na \u00e1rea central de Bras\u00edlia. Na Casa dos Direitos, os venezuelanos tamb\u00e9m ter\u00e3o apoio para retirada de documentos.<\/p>\n<p>\u201cO atendimento \u00e9 processual, desde o momento em que chegam at\u00e9 a entrada na vida cotidiana da sociedade brasileira. Se ocorrerem situa\u00e7\u00f5es mais graves, a gente acessa os mecanismos do estado de assist\u00eancia social, psicol\u00f3gica ou de direito, para dar um atendimento mais qualificado, o que a nossa equipe n\u00e3o teria condi\u00e7\u00e3o de fazer t\u00e3o sistematicamente\u201d, ressaltou Zamban.<\/p>\n<p>No grupo que chegou na sexta, foram inclu\u00eddos refugiados LGBT, que est\u00e3o recebendo apoio diferenciado para evitar que sejam alvo de discrimina\u00e7\u00e3o e preconceito.<\/p>\n<p>\u201cChegar a um pa\u00eds estranho j\u00e1 \u00e9 um baque cultural, com toda a carga preconceituosa da sociedade. Imagina a situa\u00e7\u00e3o de um grupo LGBT. Isso torna a inser\u00e7\u00e3o um pouco mais complicada, mas temos buscado mecanismos de constru\u00e7\u00e3o para que sejam aceitos e tenham vida normal como em qualquer lugar\u201d, afirmou o coordenador da C\u00e1ritas.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do programa de interioriza\u00e7\u00e3o de venezuelanos coordenado pela Casa Civil, 3.200 refugiados foram levados de Roraima para outros estados brasileiros.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o tem o apoio da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur), entre outras institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil e dos governos federal, estadual e municipal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de caminhar mais de mil quil\u00f4metros a p\u00e9, a venezuelana Mariluz Pi\u00f1ero chegou h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas em Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para a fam\u00edlia. 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