{"id":196703,"date":"2018-12-05T02:46:38","date_gmt":"2018-12-05T04:46:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=196703"},"modified":"2018-12-05T06:58:18","modified_gmt":"2018-12-05T08:58:18","slug":"paleontologos-identificam-dinossauro-carnivoro-que-viveu-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/paleontologos-identificam-dinossauro-carnivoro-que-viveu-no-brasil\/","title":{"rendered":"Paleont\u00f3logos identificam dinossauro carn\u00edvoro brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>Paleont\u00f3logos acabam de identificar a primeira esp\u00e9cie de dinossauro carn\u00edvoro que viveu no per\u00edodo Cret\u00e1ceo, na regi\u00e3o sudeste do Brasil. Batizado com o nome de Thanos simonattoi, o dinossauro predador foi identificado a partir de f\u00f3sseis da coluna vertebral encontrados na regi\u00e3o de Ibir\u00e1, interior de S\u00e3o Paulo. De acordo com o paleont\u00f3logo Fabiano Vidoi Iori, o dinossauro era um abelissaur\u00eddeo que tinha cerca de 5 metros de comprimento e disputava com os megaraptores o topo da cadeia alimentar na regi\u00e3o, h\u00e1 80 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O conjunto de v\u00e9rtebras que permitiu a identifica\u00e7\u00e3o do esp\u00e9cime foi encontrado por Iori em buscas que duraram 18 anos, com apoio do sitiante S\u00e9rgio Luis Simonatto. Este ano, Iori apresentou o f\u00f3ssil completo ao especialista em dinossauros carn\u00edvoros, Rafael Delcourt, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp). Ap\u00f3s analisar o f\u00f3ssil, ele observou um conjunto de caracteres n\u00e3o presentes em nenhum outro dinossauro, o que tornava aquela v\u00e9rtebra \u00fanica, permitindo atribu\u00ed-la a uma nova esp\u00e9cie e batiz\u00e1-la.<\/p>\n<p>A parceria de Iori e Delcourt resultou em um estudo publicado no m\u00eas passado na revista Historical Biology, onde o ter\u00f3pode Thanos simonattoi \u00e9 apresentado \u00e0 comunidade cient\u00edfica. Thanatos \u00e9 um termo grego que significa morte e que tamb\u00e9m d\u00e1 nome a um vil\u00e3o da Marvel Comics, das hist\u00f3rias em quadrinhos. J\u00e1 simonattoi homenageia o sitiante que ajudou na localiza\u00e7\u00e3o e retirada dos f\u00f3sseis. &#8220;A ajuda desse colaborador foi imprescind\u00edvel para a localiza\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis&#8221;, disse Iori.<\/p>\n<p>Predadores<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de f\u00f3sseis da \u00e9poca dos dinossauros na regi\u00e3o de Ibir\u00e1 (SP) \u00e9 sabida desde a d\u00e9cada de 1960, segundo o paleont\u00f3logo. &#8220;At\u00e9 ent\u00e3o, os principais achados eram de titanossauros, aqueles dinossauros herv\u00edboros, de pesco\u00e7o longo. O Thanos caminhava sobre as patas traseiras e tinha bra\u00e7os curtos, algo pr\u00f3ximo da imagem de um Titanossauro rex.&#8221; Ele conta que entusiastas da cidade de Uchoa coletaram materiais por d\u00e9cadas, assim como professores de v\u00e1rias universidades.<\/p>\n<p>Em 1994, a equipe do Museu de Paleontologia de Monte Alto come\u00e7ou a busca por f\u00f3sseis na regi\u00e3o e contou com o apoio do sitiante S\u00e9rgio Luis Simonatto. Morador do local, Simonatto conhecia muitas localidades com f\u00f3sseis e quando crian\u00e7a brincava com dentes de dinossauros. Em 1995, com a ajuda dele, Iori e a equipe de Monte Alto encontraram um f\u00f3ssil em uma parede rochosa, por\u00e9m a vegeta\u00e7\u00e3o impediu a retirada total e apenas uma parte da v\u00e9rtebra foi coletada.<\/p>\n<p>Iori conta que, em 2006, o paleont\u00f3logo argentino Fernando Novas viu a pe\u00e7a exposta no Museu de Monte Alto e disse se tratar da segunda v\u00e9rtebra cervical de um dinossauro carn\u00edvoro. &#8220;Foi quando passamos a buscar pelo restante da pe\u00e7a, at\u00e9 porque era um osso que ficava muito pr\u00f3ximo do cr\u00e2nio e havia a possibilidade de o cr\u00e2nio estar por ali&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Em 2014, um artigo publicado na Revista Brasileira de Paleontologia descreveu aquele peda\u00e7o de v\u00e9rtebra, entre outros f\u00f3sseis, atribuindo a um predador. Iori conta que a descoberta do conjunto da v\u00e9rtebra aconteceu com a ajuda do acaso. Ainda em 2014, uma forte ventania derrubou algumas \u00e1rvores no s\u00edtio paleontol\u00f3gico. Uma delas ficava pr\u00f3xima \u00e0 parede de origem do f\u00f3ssil, e sua queda permitiu que os raios do sol iluminassem o local. &#8220;Dezoito anos depois, encontramos o restante da v\u00e9rtebra&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Os achados contribu\u00edram para a funda\u00e7\u00e3o, em 2016, do Museu de Paleontologia Pedro Candolo em Uchoa, com a miss\u00e3o de coletar, preparar, expor e estudar os f\u00f3sseis da regi\u00e3o de Ibir\u00e1, Uchoa e Cedral. &#8220;O intuito das pesquisas \u00e9 recriar o cen\u00e1rio pret\u00e9rito e os animais que ocuparam a regi\u00e3o durante o Per\u00edodo Cret\u00e1ceo, para isso s\u00e3o analisados os mat\u00e9rias da regi\u00e3o que est\u00e3o na cole\u00e7\u00e3o de Uchoa e tamb\u00e9m em outras institui\u00e7\u00f5es&#8221;, disse o paleont\u00f3logo.<\/p>\n<p>A descoberta consiste na primeira esp\u00e9cie descrita para a regi\u00e3o de Ibir\u00e1. Os f\u00f3sseis do Thanos simonattoi ser\u00e3o apresentados ao p\u00fablico nesta quarta-feira, 5, no Museu de Uchoa, onde ficar\u00e3o expostos durante uma semana. Em seguida, ser\u00e3o levados de volta para o Museu de Monte Alto. Conforme Iori, a descoberta de uma esp\u00e9cie at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida no interior de S\u00e3o Paulo abre as portas para novas pesquisas. &#8220;Fica cada vez mais evidente que o interior paulista foi um territ\u00f3rio densamente habitado por dinossauros em \u00e9pocas remotas&#8221;, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paleont\u00f3logos acabam de identificar a primeira esp\u00e9cie de dinossauro carn\u00edvoro que viveu no per\u00edodo Cret\u00e1ceo, na regi\u00e3o sudeste do Brasil. Batizado com o nome de Thanos simonattoi, o dinossauro predador foi identificado a partir de f\u00f3sseis da coluna vertebral encontrados na regi\u00e3o de Ibir\u00e1, interior de S\u00e3o Paulo. 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