{"id":196873,"date":"2018-12-08T08:57:42","date_gmt":"2018-12-08T10:57:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=196873"},"modified":"2018-12-08T08:57:42","modified_gmt":"2018-12-08T10:57:42","slug":"mudar-alimentos-processados-nao-vai-reduzir-os-males-do-acucar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mudar-alimentos-processados-nao-vai-reduzir-os-males-do-acucar\/","title":{"rendered":"Mudar alimentos processados n\u00e3o vai reduzir os males do a\u00e7\u00facar"},"content":{"rendered":"<p>Os males provocados pelo consumo excessivo de a\u00e7\u00facar entre os brasileiros motivaram a assinatura de um acordo volunt\u00e1rio entre o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a ind\u00fastria de alimentos, que deve reduzir os percentuais de a\u00e7\u00facar na formula\u00e7\u00e3o de alguns ultraprocessados at\u00e9 2022. Mas ser\u00e1 que as quantidades reduzidas ser\u00e3o suficientes para que os produtos fiquem mais saud\u00e1veis? Ser\u00e1 que essa \u00e9 a melhor forma de lidar com o problema? Para o Idec, Instituto de Defesa do Consumidor, n\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro questionamento do \u00f3rg\u00e3o refere-se \u00e0s quantidades de a\u00e7\u00facar que dever\u00e3o ser reduzidas. As metas foram calculadas de acordo com o teor m\u00e1ximo de a\u00e7\u00facar permitido em cada categoria de alimento. Isso quer dizer que haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o nos valores excessivos de a\u00e7\u00facar, mas n\u00e3o significa que os novos \u00edndices ser\u00e3o saud\u00e1veis, na maioria dos casos, eles continuar\u00e3o sendo altos. De acordo com a nutricionista do Idec, Ana Paula Bortoletto: \u201cNa pr\u00e1tica, apenas o excesso do excesso do a\u00e7\u00facar vai ser eliminado de algumas marcas que nem sabemos o quanto representam no mercado. Na verdade, a maior parte dos produtos j\u00e1 tem menos a\u00e7\u00facar do que a meta estabelecida pelo acordo, ou seja, os benef\u00edcios ser\u00e3o muito modestos e n\u00e3o v\u00e3o contribuir para uma mudan\u00e7a de h\u00e1bitos efetiva, se trata apenas de uma redu\u00e7\u00e3o de danos.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 bom esclarecer que \u2018os produtos que j\u00e1 t\u00eam menos a\u00e7\u00facar do que a meta estabelecida pelo acordo\u2019 n\u00e3o necessariamente t\u00eam pouco a\u00e7\u00facar, o limite m\u00e1ximo da quantidade do ingrediente permitido j\u00e1 \u00e9 muito mais alto do que os valores que seriam considerados saud\u00e1veis pelos nutricionistas, principalmente quando os alimentos se destinam \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Outro ponto importante a ser considerado no an\u00fancio recente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e9 o car\u00e1ter volunt\u00e1rio, que n\u00e3o envolve consequ\u00eancias econ\u00f4micas, administrativas ou legais para os fabricantes. No Reino Unido, por exemplo, ap\u00f3s alguns anos da assinatura de um acordo semelhante para a redu\u00e7\u00e3o de s\u00f3dio, houve um aumento da presen\u00e7a desse nutriente por falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e monitoramento adequados. \u201cPor outro lado, na Argentina e em Portugal, que reduziram de forma obrigat\u00f3ria o s\u00f3dio no p\u00e3o de padaria, os resultados s\u00e3o muito mais consistentes\u201d, explica a nutricionista.<\/p>\n<p>Desde 2011, diversos acordos volunt\u00e1rios foram assinados com o objetivo de reduzir o uso de s\u00f3dio no Brasil. Cerca de 30 categorias da ind\u00fastria aliment\u00edcia adotaram a medida, entre eles os setores de carnes e l\u00e1cteos. O Idec realizou uma<\/p>\n<p>Em uma avalia\u00e7\u00e3o feita com base nos anos de 2011 at\u00e9 2014, foi constatado que grande parte dos produtos envolvidos apresentavam a quantidade de s\u00f3dio dentro da meta para ser reduzido ou estavam muito pr\u00f3xima de atingi-la. Mais uma vez \u00e9 preciso questionar, portanto, os valores permitidos pelas metas.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o quarto maior consumidor de a\u00e7\u00facar do mundo. Apesar da recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) de que esse nutriente corresponda a, no m\u00e1ximo, 10% de todas as calorias ingeridas diariamente (idealmente, espera-se que corresponda a apenas 5%), o brasileiro atinge a marca de 16,3%. Entre outros, o consumo de a\u00e7\u00facar est\u00e1 associado ao desenvolvimento de sintomas e doen\u00e7as como diabetes, obesidade, problemas do cora\u00e7\u00e3o, dist\u00farbios neurocomportamentais entre as crian\u00e7as, como irritabilidade, ansiedade, TDAH, d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e de aprendizagem, enxaquecas, entre tantos outros.<\/p>\n<p>Conforme identificou a \u00faltima POF 2008-2009 (Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), apesar de o a\u00e7\u00facar refinado, ou o \u201ca\u00e7\u00facar de mesa\u201d, ser a principal fonte do consumo dessa subst\u00e2ncia, essa tend\u00eancia tem diminu\u00eddo, enquanto tem crescido o consumo de a\u00e7\u00facares adicionados a alimentos e bebidas pela ind\u00fastria aliment\u00edcia em produtos ultraprocessados, como bebidas a\u00e7ucaradas, balas, biscoitos e chocolates.<\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o do acordo poder\u00e1 trazer uma falsa tranquilidade aos consumidores, que ir\u00e3o se sentir seguros para manter o consumo excessivo de ultraprocessados, que al\u00e9m do a\u00e7\u00facar, t\u00eam tamb\u00e9m outros ingredientes bastante mal\u00e9ficos para a sa\u00fade como gordura hidrogenada, s\u00f3dio e aditivos qu\u00edmicos como corantes, real\u00e7adores de sabor e conservantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os males provocados pelo consumo excessivo de a\u00e7\u00facar entre os brasileiros motivaram a assinatura de um acordo volunt\u00e1rio entre o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a ind\u00fastria de alimentos, que deve reduzir os percentuais de a\u00e7\u00facar na formula\u00e7\u00e3o de alguns ultraprocessados at\u00e9 2022. 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