{"id":196985,"date":"2018-12-10T08:44:08","date_gmt":"2018-12-10T10:44:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=196985"},"modified":"2018-12-10T08:44:08","modified_gmt":"2018-12-10T10:44:08","slug":"planetas-que-orbitam-estrelas-gemeas-do-sol-podem-ter-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/planetas-que-orbitam-estrelas-gemeas-do-sol-podem-ter-vida\/","title":{"rendered":"Planetas que orbitam estrelas &#8216;g\u00eameas&#8217; do Sol podem ter vida"},"content":{"rendered":"<p>O ser humano pode n\u00e3o estar s\u00f3 na gal\u00e1xia da Via L\u00e1ctea. Pelo menos \u00e9 a possibilidade que se abre com os resultados de um estudo com 53 estrelas g\u00eameas do Sol, realizadas por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicado recentemente na publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Monthly Notices of Royal Astronomical Society (MNRAS).<\/p>\n<p>A pesquisa sugere condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas favor\u00e1veis para o surgimento e manuten\u00e7\u00e3o da vida em planetas rochosos que eventualmente orbitam esses astros. E que ela poderia estar espalhada por toda a gal\u00e1xia e ter se originado em qualquer \u00e9poca de sua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o, os cientistas avaliaram a abund\u00e2ncia de t\u00f3rio (232Th) nas g\u00eameas solares pesquisadas, localizadas numa dist\u00e2ncia entre 50 e 300 anos-luz do Sol (um ano-luz \u00e9 a dist\u00e2ncia percorrida em ano pela luz no espa\u00e7o, o que equivale a cerca 9,5 trilh\u00f5es de quil\u00f4metros).<\/p>\n<p>Isso foi feito por meio da an\u00e1lise de espectros \u00f3pticos de alta qualidade e resolu\u00e7\u00e3o em comprimento de onda, coletados utilizando um espectr\u00f3grafo ultraest\u00e1vel, chamado HARPS, que est\u00e1 instalado no telesc\u00f3pio de 3,6 m do European Southern Observatory (ESO), no Chile.<\/p>\n<p>Embora o t\u00f3rio n\u00e3o seja o \u00fanico elemento determinante, esse qu\u00edmico radioativo \u00e9 um dos requisitos para o surgimento, evolu\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da vida num determinado mundo. Para que isso ocorra, al\u00e9m da presen\u00e7a dele, \u00e9 necess\u00e1rio que a \u00f3rbita do planeta esteja na zona habit\u00e1vel ao redor da estrela, ou seja, a uma dist\u00e2ncia dela em que \u00e1gua possa se manter l\u00edquida.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador Andr\u00e9 de Castro Milone, da Divis\u00e3o de Astrof\u00edsica do Inpe, orientador do doutorando Rafael Botelho, primeiro autor do artigo, outros requisitos para o surgimento da vida num planeta \u00e9 a exist\u00eancia de uma atmosfera presa pela gravidade e de um campo magn\u00e9tico para proteg\u00ea-lo do fluxo de part\u00edculas energ\u00e9ticas e nocivas aos seres vivos emitidas por sua estrela hospedeira.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental que ele seja geologicamente ativo, como a Terra, com terremotos e vulc\u00f5es, que proporcionam o chamado ciclo do carbono, que mant\u00e9m a temperatura do nosso mundo adequada \u00e0 vida.&#8221; Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as ao tectonismo de placas.<\/p>\n<p>O globo terrestre \u00e9 feito de camadas como, a grosso modo, uma cebola. No centro fica o n\u00facleo, cujo ponto central est\u00e1 a uma profundidade de cerca de 6.370 quil\u00f4metros, com uma temperatura de 6.000 \u00baC, semelhante a da superf\u00edcie do Sol. Acima dele vem o manto, de consist\u00eancia pastosa, parecida com a de um asfalto quente, com uma espessura de cerca de 2.950 km e 100 \u00baC em sua parte superior e 3.500 \u00baC na mais profunda, na interface com o n\u00facleo. Trata-se do magma, que pode ser visto quando expelido por vulc\u00f5es.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 recoberto pela crosta, a camada mais superficial e menos espessa do planeta, na qual vivemos, com uma m\u00e9dia de 40 km de profundidade. Junto com a parte superior do manto, s\u00f3lida, ela forma a litosfera, com 100 km de espessura, que, por sua vez, est\u00e1 dividida em gigantescas placas rochosas, chamadas tect\u00f4nicas, que flutuam sobre o manto de magma, carregando oceanos e continentes.<\/p>\n<p>Existem 10 dessas grandes jangadas de pedra &#8211; Africana, Ant\u00e1rtica, Ar\u00e1bica, Eurasi\u00e1tica, das Filipinas, Indo-Australiana, de Nazca, Norte-Americana e do Caribe, do Pac\u00edfico e Sul-Americana, &#8211; e v\u00e1rias outras menores. S\u00e3o essas estruturas que modelam a superf\u00edcie da Terra, erguendo montanhas e causando terremotos e tsunamis, quando se chocam. O que faz essas placas flutuarem e se movimentarem sobre o manto \u00e9 um fen\u00f4meno chamado convec\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um movimento ascendente ou descendente de mat\u00e9ria num flu\u00eddo devido ao calor.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra o t\u00f3rio. &#8220;Trata-se de um elemento inst\u00e1vel, cujo decaimento radioativo (transformando-se em outro elemento &#8211; no caso, r\u00e1dio &#8211; e liberando energia no processo), junto com o ur\u00e2nio (U) e o pot\u00e1ssio (K), que tem fornecido e fornecer\u00e1 para o interior da Terra por bilh\u00f5es de anos metade da energia (a outra metade vem do resfriamento secular de todas as camadas internas do planeta) necess\u00e1ria para manter a convec\u00e7\u00e3o do manto e o tectonismo das placas continentais&#8221;, explica Milone.<\/p>\n<p>Isso induz o ciclo de carbono, por meio da libera\u00e7\u00e3o de CO2 (di\u00f3xido de carbono) em grandes quantidades e metano (CH4) em bem menores, que tornam poss\u00edvel a estabilidade t\u00e9rmica na atmosfera do globo, dando condi\u00e7\u00f5es naturais para o aparecimento e evolu\u00e7\u00e3o da vida em escala de bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>&#8220;Portanto, as concentra\u00e7\u00f5es iniciais desses elementos num planeta rochoso contribuem de modo indireto para a habitabilidade em sua superf\u00edcie, especialmente devido aos seus tempos longos de decaimento (escalas de bilh\u00f5es de anos)&#8221;, diz Milone.<\/p>\n<p>As g\u00eameas solares estudadas pela equipe do Inpe t\u00eam diferentes idades bem determinadas desde 500 milh\u00f5es a 8,6 bilh\u00f5es de anos. &#8220;Por isso, podemos acompanhar a abund\u00e2ncia do t\u00f3rio ao longo do tempo de evolu\u00e7\u00e3o da Gal\u00e1xia, como tamb\u00e9m em estrelas similares ao Sol&#8221;, explica Milone.<\/p>\n<p>&#8220;Outro trabalho, realizado por pesquisadores americanos, j\u00e1 havia observado que nosso astro \u00e9 ligeiramente deficiente em t\u00f3rio em compara\u00e7\u00e3o com 13 g\u00eameas suas (sete em comum com nosso estudo), mostrando que tais astros, caso possuam planetas rochosos, proporcionariam reservat\u00f3rios de energia interna a eles suficientes pra o surgimento da vida.&#8221;<\/p>\n<p>Em outras palavras, a pesquisa mostrou que h\u00e1 uma grande quantidade de energia dispon\u00edvel devido ao decaimento de t\u00f3rio para manter a convec\u00e7\u00e3o do manto e o tectonismo em potenciais planetas rochosos que possam existir em torno de g\u00eameas solares.<\/p>\n<p>&#8220;O mais empolgante \u00e9 que parece que esse elemento tamb\u00e9m \u00e9 abundante em g\u00eameas solares velhas, significando que a Gal\u00e1xia pode estar repleto de vida, tanto no espa\u00e7o quanto no tempo&#8221;, diz Botelho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, de acordo com estimativas de Milone e de Jorge Luis Melendez Moreno, do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), devem existir cerca de 100 milh\u00f5es a 1 bilh\u00e3o de estrelas relativamente parecidas ao Sol na Gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 apenas uma ordem de grandeza, baseado em uma extrapola\u00e7\u00e3o do que conhecemos a partir de estudos da vizinhan\u00e7a solar&#8221;, ressalva Melandez.<\/p>\n<p>Outra estimativa do grupo \u00e9 de que cerca 5% das g\u00eameas solares poderiam ter sistemas planet\u00e1rios parecidos com o nosso (planetas rochosos relativamente pr\u00f3ximos ao Sol e gigantes gasosos distantes).<\/p>\n<p>&#8220;Assim, &#8216;chutamos&#8217; que existam entre 5 milh\u00f5es e 50 milh\u00f5es de sistemas planet\u00e1rios similares ao solar na nossa gal\u00e1xia&#8221;, diz Milone. &#8220;Parece que n\u00e3o estamos s\u00f3s nela e consequentemente no Universo. Contudo, \u00e9 bom ressalvar que os resultados do nosso trabalho abrem apenas possibilidades para exist\u00eancia e manuten\u00e7\u00e3o da vida, e n\u00e3o detec\u00e7\u00e3o de vida extraterrestre em si.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ser humano pode n\u00e3o estar s\u00f3 na gal\u00e1xia da Via L\u00e1ctea. Pelo menos \u00e9 a possibilidade que se abre com os resultados de um estudo com 53 estrelas g\u00eameas do Sol, realizadas por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicado recentemente na publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Monthly Notices of Royal Astronomical Society (MNRAS). 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