{"id":197693,"date":"2018-12-21T00:48:42","date_gmt":"2018-12-21T02:48:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=197693"},"modified":"2018-12-21T05:00:01","modified_gmt":"2018-12-21T07:00:01","slug":"brasilia-abre-as-portas-para-uma-nova-leva-de-venezuelanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasilia-abre-as-portas-para-uma-nova-leva-de-venezuelanos\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia abre as portas para uma nova leva de Venezuelanos"},"content":{"rendered":"<p>Veronica Gabriel Casta\u00f1eda, de 19 anos, partiu da Venezuela gr\u00e1vida de cinco meses, por julgar que no pa\u00eds as viola\u00e7\u00f5es de direitos e o colapso econ\u00f4mico que testemunhava n\u00e3o acabariam t\u00e3o rapidamente. Al\u00e9m de interromper a gradua\u00e7\u00e3o de biologia, a jovem, em agosto de 2017, deixou sua m\u00e3e e uma irm\u00e3 para migrar para o Brasil, na companhia do marido, o administrador Robert Antonio Rodrigues, 28 anos, quatro dias depois de celebrar seu casamento.<\/p>\n<p>O casal chegou nesta quinta (20) ao Distrito Federal, em mais uma etapa da chamada interioriza\u00e7\u00e3o de imigrantes, e relatou \u00e0 reportagem da Ag\u00eancia Brasil que o que mais os entristece \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o de seus pais e av\u00f3s, mesmo j\u00e1 tendo formado seu pr\u00f3prio n\u00facleo familiar.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas integram o grupo de 46 migrantes venezuelanos que est\u00e3o sendo transferidos, nesta quinta-feira, de Boa Vista para a capital federal. Todos ser\u00e3o auxiliados por equipes da organiza\u00e7\u00e3o internacional C\u00e1ritas, que, em parceria com o governo federal e o Departamento de Estado dos Estados Unidos, desenvolve o programa Pana, em sete capitais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A vinda da jovem materializou-se com uma dose extra de sofrimento, pois sua m\u00e3e se opunha \u00e0 decis\u00e3o. &#8220;Se fosse por mim, eu traria minha m\u00e3e e minha irm\u00e3. Minha m\u00e3e, por\u00e9m, tem seu trabalho. Ela \u00e9 enfermeira e diz que n\u00e3o deixa seu pa\u00eds nem seu trabalho. Penso em trabalhar bastante, para poder traz\u00ea-la. Faz uma semana, mais ou menos, que liguei para ela e disse que ia vir para Bras\u00edlia. Ela disse: &#8216;Voc\u00ea tem que trazer minha neta&#8217; e s\u00f3. Outro dia, liguei para minha av\u00f3. E ela falou: &#8216;Olha, cuida da tua filha, que eu n\u00e3o vou conhec\u00ea-la.&#8217; Foi uma palavra forte. Forte mesmo. Voc\u00ea pensa que tua fam\u00edlia n\u00e3o vai te ver de novo pela situa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Veronica, enquanto ninava a filha, no interior do Centro de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (Cras) de S\u00e3o Sebasti\u00e3o.<\/p>\n<p>Ver\u00f4nica conta que seu marido e ela est\u00e3o h\u00e1 um ano e quatro meses no Brasil. \u201c\u00c9 dif\u00edcil vir, deixar tuas coisas, tua fam\u00edlia, para ir para outro pa\u00eds. A gente veio para o Brasil porque era o mais perto, n\u00e3o podia ir a outro [pa\u00eds] sen\u00e3o para o Brasil. N\u00e3o foi f\u00e1cil, a gente fez o poss\u00edvel. A gente alugou [im\u00f3vel], comeu, tudo com nosso esfor\u00e7o. Tem pessoas que n\u00e3o t\u00eam sorte de encontrar um brasileiro para ajudar&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Mercado de trabalho<\/strong> &#8211; Segundo o casal, seu plano \u00e9 permanecer no Brasil, com dignidade e uma maior autonomia, conquistada por meio do trabalho. &#8220;Eu estava estudando licenciatura em biologia l\u00e1 e meu marido tamb\u00e9m estava estudando, mas para uma segunda carreira. Ele era administrador em uma ag\u00eancia de turismo, mas estava estudando gest\u00e3o de recursos humanos&#8221;, disse Veronica.<\/p>\n<p>Robert disse que todos que est\u00e3o migrando \u00e9 porque querem algo melhor para si e para a pr\u00f3pria fam\u00edlia. \u201cA gente n\u00e3o vem roubar emprego de outra pessoa, a gente vem fazer a vida com as outras pessoas&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do assessor nacional para Migra\u00e7\u00f5es e Ref\u00fagio da C\u00e1ritas, Wagner Ces\u00e1rio, um dos aspectos essenciais para que os imigrantes e refugiados que v\u00eam ao Brasil sejam, de fato, acolhidos reside, justamente, na conquista de uma coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Eles est\u00e3o sendo acolhidos pelas nossas equipes, que s\u00e3o multidisciplinares. Psic\u00f3logos, educadores sociais, assistentes sociais, advogados que d\u00e3o esse suporte, porque entendemos que \u00e9 mais do que interiorizar, \u00e9 integrar. A partir dos servi\u00e7os de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social e, principalmente, a partir da realidade laboral, porque muitos v\u00eam e querem ser inseridos no mercado de trabalho. Por isso, \u00e9 preciso, por parte da sociedade, essa abertura tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Receptividade<\/strong> &#8211; Foi devido \u00e0 receptividade dos moradores de S\u00e3o Sebasti\u00e3o que a cidade foi definida como base do Pana no Distrito Federal, pois o programa tamb\u00e9m garante acomoda\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias venezuelanas em im\u00f3veis alugados pelos pr\u00f3ximos tr\u00eas meses.<br \/>\n&#8220;No per\u00edodo, aqui em Bras\u00edlia, que antecede a chegada deles, j\u00e1 recebemos 55 pessoas e temos percebido que a comunidade de S\u00e3o Sebasti\u00e3o foi muito acolhedora. Essa comunidade, pelo perfil socioecon\u00f4mico, j\u00e1 favorecia essa integra\u00e7\u00e3o. Depois, fazendo campanhas, mobiliza\u00e7\u00f5es nas par\u00f3quias, nos espa\u00e7os eclesiais, percebemos um envolvimento ainda maior das pessoas oferecendo alimentos, roupas, sapatos e, mais do que isso, na pr\u00f3pria acolhida, elas foram e receberam apoio\u201d.<\/p>\n<p>Ces\u00e1rio disse que a comunidade est\u00e1 presente no processo de integra\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 muito importante para que pessoas que estavam em um quadro de vulnerabilidade possam ganhar autonomia, condi\u00e7\u00f5es melhores de vida.<\/p>\n<p>A respons\u00e1vel pelo setor jur\u00eddico da C\u00e1ritas, Thamyres Lunardi, diz que um quinto do primeiro grupo est\u00e1 empregado, por\u00e9m, embora muitos empregadores estejam procurando a entidade para oferecer vagas, \u00e9 preciso respeitar os direitos trabalhistas vigentes no Brasil e dar o mesmo tratamento aos venezuelanos.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas pessoas procuram a C\u00e1ritas, por conhecer a organiza\u00e7\u00e3o, nos ligam querendo oferecer trabalho, muitas vezes com boa inten\u00e7\u00e3o, mas as condi\u00e7\u00f5es apresentadas n\u00e3o s\u00e3o as indicadas, dentro do nosso direito do trabalho. O programa n\u00e3o visa tutelar as pessoas, mas, se vamos fazer alguma indica\u00e7\u00e3o de trabalho, temos que saber essas condi\u00e7\u00f5es. A gente tenta fazer uma triagem, cuidando para que todas as partes estejam protegidas: o empregador e as pessoas que estamos acolhendo.&#8221;<\/p>\n<p>Embora tenham aproveitado a oportunidade de vir a Bras\u00edlia e tentar amenizar o sentimento de inseguran\u00e7a que persistia, Veronica e Robert dizem que seu plano \u00e9 fixar resid\u00eancia em Curitiba, lugar que, visto somente por fotografias, j\u00e1 os encantou. Sobretudo Veronica, que agora pretende trocar, em definitivo, a litor\u00e2nea Cuman\u00e1 pela capital paranaense.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estou feliz, porque estou falando dois idiomas. E tenho uma filha brasileira. Sim, l\u00e1 em Boa Vista foi um pouco duro para n\u00f3s, viver em um abrigo, vendo muitas pessoas morando na rua, mas penso que tudo isso vai passar.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veronica Gabriel Casta\u00f1eda, de 19 anos, partiu da Venezuela gr\u00e1vida de cinco meses, por julgar que no pa\u00eds as viola\u00e7\u00f5es de direitos e o colapso econ\u00f4mico que testemunhava n\u00e3o acabariam t\u00e3o rapidamente. 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