{"id":197716,"date":"2018-12-21T00:54:34","date_gmt":"2018-12-21T02:54:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=197716"},"modified":"2018-12-21T05:56:10","modified_gmt":"2018-12-21T07:56:10","slug":"brasil-o-pais-continente-que-vive-entre-grandes-cheias-e-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-o-pais-continente-que-vive-entre-grandes-cheias-e-enchentes\/","title":{"rendered":"Brasil, o Pa\u00eds continente que vive entre grandes cheias e enchentes"},"content":{"rendered":"<p>No ano passado, quase 38 milh\u00f5es de brasileiros foram atingidos por secas e 2 milh\u00f5es foram afetados por cheias e inunda\u00e7\u00f5es. Os dados constam da d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio Conjuntura dos Recursos H\u00eddricos no Brasil \u2013 Informe 2018, divulgado pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA). O relat\u00f3rio traz informa\u00e7\u00f5es sobre o volume e a qualidade da \u00e1gua, seus diferentes usos e as a\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o realizadas para minimizar os impactos das crises h\u00eddricas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com o informe, o volume de \u00e1gua sob a forma de chuva recebido pelo Brasil em 2016 correspondeu a 12,9 trilh\u00f5es de metros c\u00fabicos (m\u00b3) e a evapotranspira\u00e7\u00e3o chegou a 10,2 trilh\u00f5es de m\u00b3. Da parcela de chuva restante, parte infiltrou -se no solo, alcan\u00e7ando as reservas subterr\u00e2neas, e parte alcan\u00e7ou rios e c\u00f3rregos por meio de escoamento superficial.<\/p>\n<p>Considerando a contribui\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses amaz\u00f4nicos, 5,7 trilh\u00f5es de m\u00b3 de \u00e1gua escoaram em rios no territ\u00f3rio nacional. Ao todo, sa\u00edram do Pa\u00eds cerca de 7,4 trilh\u00f5es de m\u00b3 de \u00e1gua em 2016.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio reitera que, apesar de o Brasil ser um dos pa\u00edses com maior disponibilidade de \u00e1gua doce do mundo, os recursos h\u00eddricos est\u00e3o distribu\u00eddos de forma desigual no territ\u00f3rio, espacial e temporalmente. Esses fatores, somados aos usos da \u00e1gua pelas diferentes atividades econ\u00f4micas nas bacias hidrogr\u00e1ficas brasileiras e os problemas de qualidade de \u00e1gua geram \u00e1reas de conflito.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, 80% das pessoas atingidas por secas encontravam-se na Regi\u00e3o Nordeste, especialmente no Semi\u00e1rido da Bahia, do Cear\u00e1 e de Pernambuco. Os tr\u00eas estados totalizaram 55,5% dos registros de eventos de seca do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 seca ou estiagem, cerca de 51% (2.839) dos munic\u00edpios brasileiros decretaram situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia ou estado de calamidade p\u00fablica entre 2003 e 2017. No total, foram quantificados 2.551 eventos de seca associados a danos humanos, quase quatro vezes mais que os de cheias (661). Fazendo um retrospecto dos \u00faltimos cinco anos, 2017 foi o mais cr\u00edtico quanto aos impactos da seca sobre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cheias, o documento informa que, dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros, 2.680 (48%) decretaram situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia ou estado de calamidade p\u00fablica devido a cheias pelo menos uma vez de 2003 a 2017. Cerca de 89% (2.375) desses munic\u00edpios localizam-se nas regi\u00f5es Nordeste, Sul e Sudeste.<\/p>\n<p>\u201cEm 2017, cerca de 3 milh\u00f5es de pessoas foram afetadas por cheias (alagamentos, enxurradas e inunda\u00e7\u00f5es) no Brasil. O dano humano mais percept\u00edvel em fun\u00e7\u00e3o das cheias \u00e9 a perda da resid\u00eancia das pessoas afetadas. Danos mais graves (\u00f3bitos, desaparecimentos, enfermidades e ferimentos) afetaram menos de 5% dessas pessoas\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O informe da Ag\u00eancia Nacional de Aguas destaca que a precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual do Brasil \u00e9 de 1.760 mil\u00edmetros (mm), mas, por causa das suas dimens\u00f5es continentais, o total anual de chuva varia de menos de 500 mm na regi\u00e3o semi\u00e1rida do Nordeste, a mais de 3.000 mm na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cEm m\u00e9dia, cerca de 260 mil m\u00b3\/s [metros c\u00fabicos por segundo] de \u00e1gua escoam pelo territ\u00f3rio brasileiro. Apesar da abund\u00e2ncia, cerca de 80% desse total encontram-se na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, onde vive a menor parte da popula\u00e7\u00e3o e a demanda de \u00e1gua \u00e9 menor\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O documento diz tamb\u00e9m que os baixos \u00edndices de precipita\u00e7\u00e3o, a irregularidade do seu regime e temperaturas elevadas durante todo ano, entre outros fatores, contribuem para os reduzidos valores de disponibilidade h\u00eddrica observados no Nordeste brasileiro, em particular na regi\u00e3o semi\u00e1rida e no nordeste setentrional (estados do Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, Para\u00edba e Pernambuco), que tem 88% do seu territ\u00f3rio no Semi\u00e1rido.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da ANA mostra que, no ano passado, a retirada total de \u00e1gua estimada foi de 2.083 m\u00b3\/s. A maior parte desse volume foi para a irriga\u00e7\u00e3o (52%), abastecimento humano (23,8%) e ind\u00fastria (9,1%). Juntos, esses setores representaram cerca de 85% da retirada total. Volumes menores foram usados para matar a sede de animais (8,0%), em termel\u00e9tricas (3,8%), para consumo rural (1,7%) e na minera\u00e7\u00e3o (1,6%).<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, a demanda pelo uso da \u00e1gua no Brasil \u00e9 crescente, com um aumento estimado de 80% no total retirado nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. A previs\u00e3o \u00e9 que, at\u00e9 2030, a retirada aumente 24%. \u201cO hist\u00f3rico da evolu\u00e7\u00e3o dos usos da \u00e1gua est\u00e1 diretamente relacionado ao desenvolvimento econ\u00f4mico e ao processo de urbaniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds,\u201d diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>No balan\u00e7o, a ag\u00eancia reguladora ressalta que, diante desse quadro, a discuss\u00e3o sobre re\u00faso de \u00e1gua no Brasil est\u00e1 ganhando for\u00e7a devido \u00e0 necessidade de melhorar a disponibilidade h\u00eddrica, principalmente no Nordeste e nos grandes centros urbanos brasileiros, &#8220;onde o balan\u00e7o h\u00eddrico quali-quantitativo \u00e9 \u201ccr\u00edtico, e pelo crescimento populacional e os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que tendem a aumentar a press\u00e3o sobre os recursos h\u00eddricos. Al\u00e9m disso, considera-se o fato de que o re\u00faso de efluente sanit\u00e1rio tratado \u00e9 uma alternativa comprovada para a melhoria da disponibilidade h\u00eddrica em certos contextos, e j\u00e1 em andamento no Brasil, embora ainda de maneira limitada.&#8221;<\/p>\n<p>Para tanto, o pa\u00eds estabeleceu como meta para o re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel direto de aproximadamente 13 m\u00b3\/s at\u00e9 2030, frente aos quase 2 m\u00b3\/s estimados em 2017. Se esse n\u00famero for alcan\u00e7ado, ele representar\u00e1 4% do total de \u00e1gua reusada no mundo. No m\u00e9dio prazo (cinco a 10 anos), o potencial para re\u00faso planejado de efluente sanit\u00e1rio no Brasil \u00e9 estimado entre 10 e 15 m\u00b3\/s, comparando \u00e0 capacidade instalada atual.<\/p>\n<p>&#8220;No longo prazo, espera-se o alcance de algo em torno de 175 m\u00b3\/s, valor bastante consider\u00e1vel e que ser\u00e1 de grande import\u00e2ncia para o incremento das fontes de abastecimento no pa\u00eds. O total de investimentos antecipados para atingir 10 m\u00b3\/s de \u00e1gua reutilizada at\u00e9 2030 foi estimado entre R$ 4 e 6 bilh\u00f5es, o correspondente a algo entre R$ 300 e 500 milh\u00f5es por ano, em m\u00e9dia, de 2018 at\u00e9 2030\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano passado, quase 38 milh\u00f5es de brasileiros foram atingidos por secas e 2 milh\u00f5es foram afetados por cheias e inunda\u00e7\u00f5es. Os dados constam da d\u00e9cima edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio Conjuntura dos Recursos H\u00eddricos no Brasil \u2013 Informe 2018, divulgado pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA). 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