{"id":197734,"date":"2018-12-21T06:30:16","date_gmt":"2018-12-21T08:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=197734"},"modified":"2018-12-21T06:30:16","modified_gmt":"2018-12-21T08:30:16","slug":"diamantino-que-ja-esta-nas-telonas-e-um-ovni-cinematografico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/diamantino-que-ja-esta-nas-telonas-e-um-ovni-cinematografico\/","title":{"rendered":"&#8216;Diamantino&#8217;, que j\u00e1 est\u00e1 nas telonas, \u00e9 um \u00f3vni cinematogr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<p>No Festival de Cinema de Cannes, em maio, havia jornalistas inconformados porque Diamantino, da dupla Gabriel Abrantes\/Daniel Schmidt, integrava a sele\u00e7\u00e3o da mostra paralela Semana da Cr\u00edtica, e n\u00e3o a competi\u00e7\u00e3o. Diamantino venceu o pr\u00eamio da Semana. Teria sido uma Palma de Ouro mais ousada e criativa que a de Assunto de Fam\u00edlia, do japon\u00eas Hirokazu Kore-eda, que venceu o pr\u00eamio. Diamantino n\u00e3o \u00e9 o que se chama de diamante bruto \u2013 \u00e9 muito bem lapidado pela dupla de autores. E \u00e9 um \u00f3vni, um daqueles filmes dif\u00edceis de classificar que, volta e meia, aterrissam num cinema perto de voc\u00ea para fazer a festa dos cin\u00e9filos.<\/p>\n<p>Diamantino pretende ser uma s\u00e1tira da fama. Est\u00e1 no topo da vida, da carreira, mas a\u00ed tudo come\u00e7a a dar errado. Ele comete um vacilo numa final de campeonato, tem duas irm\u00e3s \u2018do mal\u2019 que o usam para promover a extrema-direita em Portugal e afastar o pa\u00eds da comunidade europeia. E o filme ainda tem uma policial (negra), que se faz passar por garoto, e refugiado, para investigar o affair. O que ainda falta dizer para estimular sua vontade de ver o filme \u2013 uma coprodu\u00e7\u00e3o franco\/portuguesa\/brasileira?<\/p>\n<p>Ah, sim \u2013 Diamantino, o personagem, \u00e9 interpretado por Carloto Cotta, o belo que substituiu Louis Garrel na prefer\u00eancia de todos os sexos e tend\u00eancias de amantes da s\u00e9tima arte. Cotta estrelou dois filmes de Miguel Gomes \u2013 Tabu e Mil e Uma Noites, mais o m\u00e9dia de Eugene Green, Como Fernando Pessoa Salvou Portugal, que, a despeito da dura\u00e7\u00e3o, talvez tenha sido o melhor filme da Mostra de S\u00e3o Paulo, em outubro. Em novembro, a dupla de diretores veio ao Brasil, mais exatamente, ao Festival do Rio. Encontraram \u2013 Abrantes e Schmidt \u2013 a reportagem do Estado. Estavam felic\u00edssimos com a acolhida internacional a seu filme.<\/p>\n<p>S\u00f3 o fato de que se tenham encontrado \u2013 em 2006 \u2013 e vivam e produzam juntos j\u00e1 \u00e9 um desses pequenos milagres da vida. Abrantes, portugu\u00eas, foi estudar em Nova York numa escola gratuita, com bolsa de perman\u00eancia \u2013 a Cooper Union for the Advancement of Science and Arts. Schmidt, muito bem-nascido, estudou numa escola de artes podre de chique, e cara. Seus caminhos se cruzaram, eles se identificaram e trabalham juntos.<\/p>\n<p>J\u00e1 que se trata de um \u00f3vni, a pergunta que n\u00e3o quer calar \u2013 Diamantino \u00e9 o qu\u00ea? Thriller, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, relato pol\u00edtico? \u201cVoc\u00ea nos diga, porque at\u00e9 agora tamb\u00e9m estamos tentando descobrir\u201d, diz Abrantes. E Schmidt \u2013 \u201cIndependentemente do que seja, o que nos une \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 o humor pode nos ajudar a entender o absurdo da vida, e do mundo.\u201d<\/p>\n<p>Uma inspira\u00e7\u00e3o foi o ensaio do escritor norte-americano David Foster Wallace sobre o tenista Roger Federer. E, claro, o m\u00edtico Cristiano Ronaldo, atualmente na Juventus, de Turim, com quem Carloto Cotta, de alguma forma, terminou por se assemelhar fisicamente. \u201cCarlotto superou nossa expectativa. Al\u00e9m de ser um belo homem e um grande ator, sua dedica\u00e7\u00e3o ao personagem o levou a uma prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica intensa.\u201d<\/p>\n<p>Embora a ideia inicial n\u00e3o fosse satirizar o mito do grande jogador, a persona de Cristiano Ronaldo terminou por projetar sua sombra sobre o filme. \u201cEle \u00e9 hoje o maior \u00edcone do pa\u00eds e sua trajet\u00f3ria tem aspectos que seriam particulares se n\u00e3o ocorressem aqui no Brasil tamb\u00e9m. Cristiano veio de um meio pobre e ficou milion\u00e1rio com esse esporte que \u00e9 o grande amor lusitano, o futebol. Sab\u00edamos que a compara\u00e7\u00e3o seria inevit\u00e1vel\u201d, disse Abrantes.<\/p>\n<p>Diamantino, o homem, tem no filme uma dimens\u00e3o ing\u00eanua muito forte. \u00c9 meio Forrest Gump, lembrando o personagem famoso de Tom Hanks no filme que Robert Zemeckis adaptou do livro de Winston Groom. Ser\u00e1 um (outro) idiota? \u201cDiamantino pode ser um ignorante, mas n\u00e3o \u00e9 idiota. Preferimos v\u00ea-lo com um simpl\u00f3rio\u201d, diz Schmidt. E Abrantes, que chega um pouquinho atrasado para a entrevista, acrescenta \u2013 \u201cNosso interesse era criar um personagem basicamente simples, por meio do qual pud\u00e9ssemos exercitar um olhar novo sobre temas da maior relev\u00e2ncia. Veja que estamos abordando aqui a situa\u00e7\u00e3o dos refugiados, que \u00e9 hoje a maior trag\u00e9dia da Europa.\u201d<\/p>\n<p>Na trama, Diamantino falha no que seria o gol de uma partida decisiva. Entra em crise, e para agravar participa de um programa de TV, no qual deve responder \u00e0s perguntas da entrevistadora dizendo apenas \u2018Sim\u2019 ou \u2018N\u00e3o\u2019. \u00c9 hil\u00e1rio, mas o melhor ainda est\u00e1 por vir. As irm\u00e3s autorizam que Diamantino seja submetido a um experimento gen\u00e9tico com o objetivo de clonar seu g\u00eanio esportivo, mas que, na verdade, \u2018feminiliza\u2019 seu corpo. E \u00e9 isso que promove sua aproxima\u00e7\u00e3o da policial negra, pintada como l\u00e9sbica no come\u00e7o da hist\u00f3ria, e que vai se envolver com esse novo Diamantino, mais \u2018feminino\u2019, menos \u2018viril\u2019.<\/p>\n<p>Justamente a trama \u2018rom\u00e2ntica\u2019 de Diamantino termina por ser a homenagem dos diretores \u00e0 grande tradi\u00e7\u00e3o das com\u00e9dias de Hollywood. \u201cAcho que foi o que nos aproximou inicialmente. Ambos gostamos muito de Preston Sturges, de Leo McCarey, mas principalmente de Howard Hawks e de Bringing Up Baby\/Levada da Breca, seu cl\u00e1ssico com Cary Grant e Katharine Hepburn\u201d, conta Schmidt.<\/p>\n<p>\u201cAtingir aquele timing foi algo a que nos dedicamos com empenho. Por toda parte temos tido uma resposta muito boa para o humor do filme. As pessoas se encantam. Mas n\u00e3o \u00e9 humor pelo humor, s\u00f3 para rir. \u00c9 a nossa forma de encarar a crise contempor\u00e2nea.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Festival de Cinema de Cannes, em maio, havia jornalistas inconformados porque Diamantino, da dupla Gabriel Abrantes\/Daniel Schmidt, integrava a sele\u00e7\u00e3o da mostra paralela Semana da Cr\u00edtica, e n\u00e3o a competi\u00e7\u00e3o. Diamantino venceu o pr\u00eamio da Semana. 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