{"id":197867,"date":"2018-12-23T21:05:17","date_gmt":"2018-12-23T23:05:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=197867"},"modified":"2018-12-24T06:39:29","modified_gmt":"2018-12-24T08:39:29","slug":"poluicao-e-maus-tratos-ameacam-a-vida-dos-nossos-rios-de-colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/poluicao-e-maus-tratos-ameacam-a-vida-dos-nossos-rios-de-colapso\/","title":{"rendered":"Polui\u00e7\u00e3o e maus tratos amea\u00e7am a vida dos nossos rios de colapso"},"content":{"rendered":"<p>Com an\u00e1lise com cem por cento fo triod brasileiros indicam que eles est\u00e3o contaminados por polui\u00e7\u00e3o, e 99%, completamente assoreados, j\u00e1 n\u00e3o se prestam \u00e0 navega\u00e7\u00e3o. Outro problema dram\u00e1tico \u00e9 a falta de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Das classes mais abastadas, portanto em condi\u00e7\u00f5es de se informar, \u00e0s mais baixas, quase todos jogam lixo nas ruas, riachos, rios, ou espa\u00e7os p\u00fablicos como praias. O resultado \u00e9 assustador, r\u00e9quiem para os rios brasileiros.<\/p>\n<p><strong>Rio Grande do Sul<\/strong><br \/>\nO grande corpo d\u2019\u00e1gua do estado \u00e9 o lago Gua\u00edba. E o Gua\u00edba des\u00e1gua na Laguna dos Patos que, por sua vez, despeja suas \u00e1guas no mar, portanto entra na lista. Com bons e maus exemplos.<\/p>\n<p><strong>Formadores do Lago Gua\u00edba<\/strong><br \/>\nEle \u00e9 formado pelo Jacu\u00ed (o maior dos formadores), al\u00e9m dos rios Sinos, Ca\u00ed e Gravata\u00ed. De onde come\u00e7a e at\u00e9 onde termina, ao se encontrar com a Laguna dos Patos, n\u00e3o tem mais que 25 milhas. E sofre o \u201cefeito seiche\u201d que, segundo o professor Luiz Fernando Cybis, do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, \u201cpoucos corpos d\u2019\u00e1gua no planeta apresentam\u201d. Mais uma vez o problema foi polui\u00e7\u00e3o, especialmente a urbana, mas n\u00e3o somente. Estima-se que haja no entorno da bacia do Gua\u00edba 1.445.889 mil habitantes. Deste total apenas 1,2% s\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es rurais. S\u00f3 Porto Alegre gera todos os dias 955 toneladas de res\u00edduo s\u00f3lido (lixo). Viam\u00e3o entra com 123 t, e Canoas com 100 t\/dia, para citar os mais importantes. E al\u00e9m disso, tem a contamina\u00e7\u00e3o\u2026 Alguns estudos mostram que o mexilh\u00e3o-dourado foi introduzido no Brasil em 1998 (Mansur et all 1999), no Lago Gua\u00edba, atrav\u00e9s da \u00e1gua de lastro de navios mercantes vindos da \u00c1sia. Segundo a bi\u00f3loga Maria Cristina Mansur, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em pouco mais de dois anos o mexilh\u00e3o alterou a paisagem no lago Gua\u00edba diminuindo a flora rip\u00e1ria (plantas das margens), sufocando a fauna bent\u00f4nica (organismos dos corpos aqu\u00e1ticos) e transformando nossas praias arenosas e as margens vegetadas por juncos, em amontoados de conchas enegrecidas\u2026 Ao longo da bacia calcula-se que cerca de duas mil empresas se instalaram, 350 com potencial poluidor, e 15 apontadas pelo Comit\u00ea do Lago Gua\u00edba como respons\u00e1veis por 23% de todos os poluentes lan\u00e7ados. Mesmo sendo minoria a agricultura \u00e9 a principal atividade econ\u00f4mica para v\u00e1rios munic\u00edpios do entorno. \u00c9 o caso do cultivo de fumo em in\u00fameros deles, reflorestamentos para a celulose em outros e, finalmente, o cultivo de arroz nos munic\u00edpios da margem direita. E eles usam herbicidas\u2026<\/p>\n<p><strong>O bom exemplo do Gua\u00edba<\/strong><br \/>\nA \u201cdemanda da popula\u00e7\u00e3o fez o Estado tomar a iniciativa\u201d, disse a Secret\u00e1ria de Meio Ambiente, Vera Callegari (entrevista ao site em 2007). O movimento Pr\u00f3-Gua\u00edba (criado oficialmente em 1995), e o Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Lago Gua\u00edba nasceram da\u00ed (Decreto Estadual 38.989, de outubro de 1998). O governo fez um acordo com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e 220 milh\u00f5es de d\u00f3lares- 60% da institui\u00e7\u00e3o e 40% do governo- foram investidos. US 120 milh\u00f5es foram gastos na cria\u00e7\u00e3o de duas novas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua, primeira parte de um ambicioso programa de despolui\u00e7\u00e3o previsto para quatro m\u00f3dulos e uns bons pares de anos pela frente. Antes do investimento, apenas 5% dos esgotos dos v\u00e1rios munic\u00edpios eram tratados. Agora (2007) a porcentagem aumentou para 9%, sendo que Porto Alegre tem 25% das resid\u00eancias com o benef\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Resultado da equa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nMas, como tudo no pa\u00eds de Macuna\u00edna, tem sempre um \u2018mas\u2019. Neste caso \u00e9 a fal\u00eancia do estado por gestores que fazem da coisa p\u00fablica, a sua \u2018coisa p\u00fablica\u2019, quebram o estado roubando o eleitor. E as obras param. Com isso, a quantidade de polui\u00e7\u00e3o despejada no mar n\u00e3o \u00e9 pouca coisa, ao contr\u00e1rio. Esta podrid\u00e3o vai se acumulando desde os formadores, passando pelo Gua\u00edba, entrando na Lagoa dos Patos e, por fim, despejando o caldo f\u00e9tido e mort\u00edfero no mar.<\/p>\n<p><strong>Santa Catarina<\/strong><br \/>\nO vale do Ararangua. N\u00e3o se deixe impressionar pela beleza. As \u00e1guas do rio est\u00e3o podres. Um dos maiores, se n\u00e3o o maior rio do estado, \u00e9 o Ararangu\u00e1. Pesquisando sobre a\u00e7\u00f5es do Comit\u00ea de Bacias, encontram-se platitudes como esta\u2026 Vamos desenvolver capacita\u00e7\u00f5es, recupera\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o, buscar t\u00e9cnicas de solu\u00e7\u00e3o para as fontes de polui\u00e7\u00e3o existentes, a identifica\u00e7\u00e3o de contaminantes nos rios\u2026 Ah\u00e3, ent\u00e3o t\u00e1. Estamos no s\u00e9culo 21, \u00e9 hora do bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1 ir pro saco. A hora \u00e9 agora! O Brasil pede a\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>O rio Tubar\u00e3o<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m do Ararangu\u00e1, h\u00e1 outro rio importante no estado, o Tubar\u00e3o. A seguir relato que fiz na primeira, e minuciosa, viagem do Mar Sem Fim. No passado ele era estreito e sinuoso (o rio Tubar\u00e3o) depois, no final dos anos 70, seu curso foi alterado (em raz\u00e3o de enchentes). Ent\u00e3o ficou largo e reto, quase um canal. E foi dragado diversas vezes\u2026 Toda a bacia do Tubar\u00e3o est\u00e1 comprometida, degradada pelos rejeitos da extra\u00e7\u00e3o e beneficiamento do carv\u00e3o, atividade comum no sul de Santa Catarina, e tamb\u00e9m pela polui\u00e7\u00e3o industrial. A cor da \u00e1gua \u00e9 de um marrom leitoso e, em suas margens, quase n\u00e3o h\u00e1 mata ciliar substitu\u00edda por pastos e fazendas de camar\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O rio Ararangu\u00e1 \u00e9 ainda pior<\/strong><br \/>\nO rio serpenteia por entre um vale muito verde at\u00e9 a altura da praia. Ent\u00e3o faz uma curva para o norte quando seu curso segue paralelo \u00e0 faixa de areia uns bons 500 metros, at\u00e9 desviar para a direita, cortando a praia ao meio, para seu encontro com o mar. A polui\u00e7\u00e3o do Ararangu\u00e1 se intensifica na regi\u00e3o de Crici\u00fama, onde h\u00e1 grandes minas de carv\u00e3o. A \u00e1gua usada para lavar o mineral ou, \u201crejeitos perigosos\u201d, \u00e9 jogada no Ararangu\u00e1. Acrescento que o Ararangu\u00e1 teve sua mata ciliar decepada o que gerou eros\u00e3o e assoreamento. O rio, que antes recebia barcos de porte m\u00e9dio, hoje n\u00e3o pode nem com jangadas\u2026<\/p>\n<p><strong>Paran\u00e1<\/strong><br \/>\nA ba\u00eda de Paranagu\u00e1 \u00e9 o acidente geogr\u00e1fico mais not\u00e1vel da costa deste estado e, como todos os outros corpos d\u2019\u00e1gua que des\u00e1guam no mar, est\u00e1 comprometida. Fabian S\u00e1, doutorando em Geoqu\u00edmica Ambiental, da UFPR, nos falou da contamina\u00e7\u00e3o da ba\u00eda de Paranagu\u00e1 por metais pesados, ars\u00eanico e n\u00edquel. As duas subst\u00e2ncias, ele constatou, apresentaram n\u00edveis acima dos da Resolu\u00e7\u00e3o do Conama, que trata a quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Paranagu\u00e1<\/strong><br \/>\nO segundo ponto not\u00e1vel da costa do estado \u00e9 a ba\u00eda de Guaratuba, tamb\u00e9m contaminada\u2026 A ba\u00eda de Guaratuba \u00e9 pequena, se comparada a Paranagu\u00e1. S\u00e3o \u201capenas\u201d 52 km de estu\u00e1rio e, de acordo com Rangel Angelotti, da Universidade Federal do Paran\u00e1, o maior conflito, e press\u00e3o, diz respeito ao crescimento populacional das cidades do entorno. Como sempre o saneamento b\u00e1sico \u00e9 p\u00edfio, o crescimento desordenado das cidades, uma constante, e o Estado, que nunca tem tempo de planejar, segue atr\u00e1s, correndo contra o preju\u00edzo, assim definiu o professor Rangel. O Lagamar \u00e9 um gigantesco estu\u00e1rio cercado pelo maior trecho cont\u00ednuo de mata atl\u00e2ntica do Brasil. Ligando os dois extremos, Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo, h\u00e1 uma s\u00e9rie de canais que come\u00e7am em Iguape, sul de S\u00e3o Paulo, e seguem at\u00e9 Paranagu\u00e1, no norte do Paran\u00e1 recebendo a \u00e1gua do mar por v\u00e1rias \u201caberturas\u201d, ou barras. O interior dos canais e ba\u00edas s\u00e3o cercados dos dois lados por imensos manguezais, um dos mais importantes ecossistemas marinhos: v\u00e1rias esp\u00e9cies de peixes, crust\u00e1ceos e moluscos, al\u00e9m de uma infinidade de aves marinhas que usam suas copas como habitat, dependem dele para seu ciclo de vida. O grande vil\u00e3o \u00e9 o Canal do Valo Grande, esp\u00e9cie de \u201catalho\u201d feito pelo homem no rio Ribeira de Iguape em 1852.<\/p>\n<p><strong>Valo Grande<\/strong><br \/>\nDesde ent\u00e3o a cidade de Iguape literalmente naufragou. O canal, que deveria ter no m\u00e1ximo 40 metros, sofreu os efeitos da eros\u00e3o provocada pela vaz\u00e3o do rio. Hoje tem mais de 300 metros de largura. Grande parte da cidade foi tragada. Junto com a enorme vaz\u00e3o vieram toneladas de sedimentos e muita \u00e1gua doce. Os sedimentos assorearam o Mar Pequeno e a barra de Icapara, inviabilizando o porto. E a \u00e1gua doce, que continua a fluir livremente at\u00e9 hoje, est\u00e1 matando o manguezal e provocando o fechamento de bocas de rios com capim.<\/p>\n<p><strong>Ba\u00eda de Guanabara<\/strong><br \/>\nPassamos pelo v\u00e3o da ponte Rio-Niter\u00f3i e navegamos para a Ilha do Fund\u00e3o, podendo ver no fundo da ba\u00eda uma cena sinistra: uma esp\u00e9cie de cemit\u00e9rio de navios. S\u00e3o imensos cascos, alguns ainda com o conv\u00e9s de p\u00e9, antigos, abandonados, adernando enferrujados \u00e0 espera da morte. Como \u00e9 caro desmont\u00e1-los, eles ficam ali aguardando n\u00e3o sei qual desastre para se desintegrarem de vez, provocando mais um problema ecol\u00f3gico na maltratada Ba\u00eda de Guanabara. Na ilha do Fund\u00e3o novas cenas de terror. A polui\u00e7\u00e3o nesta parte (lado Oeste) \u00e9 tamanha que flagramos pescadores passando a rede na praia e recolhendo dela tr\u00eas camar\u00f5es, um siri, um p\u00e9 de t\u00eanis, v\u00e1rios copos e muitos sacos de pl\u00e1stico. Degradante. Nove milh\u00f5es de pessoas vivem no entorno da ba\u00eda, e h\u00e1 duas refinarias dentro dela: a Duque de Caxias, da Petrobr\u00e1s, e outra privada, do Grupo Peixoto de Castro. Tr\u00eas portos, diversos estaleiros, milhares de oficinas clandestinas; 15.000 litros por segundo de esgoto dom\u00e9stico jogado in natura (Eliane Canedo de Freitas Pinheiro, livro \u201cBa\u00eda de Guanabara)\u2026<\/p>\n<p><strong>A foz do Para\u00edba do Sul<\/strong><br \/>\nEm nossa primeira viagem pela costa brasileira, 2005 -2007, a situa\u00e7\u00e3o do Para\u00edba do Sul j\u00e1 era catastr\u00f3fica. Eis o registro de nosso di\u00e1rio de bordo: \u00c0s tr\u00eas da tarde chegamos no munic\u00edpio de Atafona, onde fica a foz do Para\u00edba do Sul, uma beleza de lugar. Este rio nasce em S\u00e3o Paulo, \u00e9 um dos afluentes do Para\u00edbuna. Ele cruza o sudoeste de Minas Gerais e entra pelo Rio de Janeiro. Na regi\u00e3o metropolitana carioca, abastece dez milh\u00f5es de pessoas. Ao longo de seus 1.150 quil\u00f4metros recebe UM Bilh\u00e3o de litros de esgoto dom\u00e9stico (fonte: SEIVAP, Comit\u00ea de Integra\u00e7\u00e3o do Para\u00edba do Sul) todos os dias, por causa da falta de saneamento b\u00e1sico das cidades ribeirinhas. Do total de sua mata ciliar, restam apenas onze por cento.<\/p>\n<p><strong>Colapso capixaba<\/strong><br \/>\nHavia o Rio Doce. Havia. A Samarco, a Vale e a BHP deram cabo dele. O rio est\u00e1 morto, o cen\u00e1rio \u00e9 o pior poss\u00edvel, disse Luciano Magalh\u00e3es, diretor do Saae (Servi\u00e7o Aut\u00f4nomo de \u00c1gua e Esgoto), de Baixo Guandu (ES). Morte anunciada em raz\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o frouxa e inexist\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00e3o, portanto, mais uma vez, co-autoria do poder p\u00fablico. Al\u00e9m da Samarco, propriedade da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, o governo federal tamb\u00e9m deveria ser punido.<\/p>\n<p><strong>Bahia<\/strong><br \/>\nA maioria dos rios \u00e9 de pequeno porte, exce\u00e7\u00e3o ao Jequitinhonha, cuja extens\u00e3o \u00e9 de cerca de mil quil\u00f4metros. O rio nasce em Minas Gerais, no Pico do Itamb\u00e9, na Serra do Espinha\u00e7o. Como quase todos os grandes rios que des\u00e1guam na costa, o Jequitinhonha recebeu duas barragens para a gera\u00e7\u00e3o de energia. A primeira, em 1944, e a segunda, em 2006, ambas em Gr\u00e3o Mogol, MG. A gera\u00e7\u00e3o de energia h\u00eddrica tem dois lados que devem ser analisados. Um, positivo, \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de energia limpa; outro, negativo, \u00e9 o que isso significa para o meio ambiente. As barragens acabam com v\u00e1rias esp\u00e9cies de peixes, que n\u00e3o podem mais cumprir seu ciclo de vida fazendo a piracema. Elas tamb\u00e9m afetam a flora, e a fauna.<\/p>\n<p><strong>O vale do Jequitinhonha<\/strong><br \/>\nO vale do Jequitinhonha tem 79 mil Km2, abriga 900 mil pessoas, e \u00e9 extremamente pobre. Os 75 munic\u00edpios n\u00e3o contam com servi\u00e7o de coleta e tratamento de lixo, muito menos esgotos tratados, que s\u00e3o despejados in natura no leito do rio. Outra amea\u00e7a s\u00e3o os garimpos ilegais, altamente poluentes. A corrida do ouro come\u00e7ou ainda no s\u00e9culo XVII, e n\u00e3o parou at\u00e9 hoje. O Diagn\u00f3stico Ambiental da Bacio do rio Jequitinhonha, de autoria do IBGE, diz que pelas caracter\u00edsticas f\u00edsicas regulares de clima e relevo associadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas, sobretudo de saneamento b\u00e1sico, a bacia do Jequitinhonha configura-se um desafio \u00e0s pol\u00edticas governamentais.<\/p>\n<p><strong>Caos em Sergipe<\/strong><br \/>\nH\u00e1 dois rios importantes no estado, o Vaza Barris, e o rio Sergipe. O primeiro nasce na Bahia e tem 450 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. O rio n\u00e3o tem barragens para gerar energia, mas tem uma para a constru\u00e7\u00e3o do a\u00e7ude Cocorob\u00f3, perto da foz. O rio \u00e9 hist\u00f3rico. A constru\u00e7\u00e3o deste a\u00e7ude afogou Canudos que, na descri\u00e7\u00e3o de Euclides da Cunha, era uma tapera dentro de uma furna. A \u00e1gua do Vaza Barris \u00e9 quase uma exce\u00e7\u00e3o entre os rios que des\u00e1guam na costa. Ela foi considerada \u201cregular\u201d em an\u00e1lise feita pela SOS Mata Atl\u00e2ntica. O rio Sergipe \u00e9 menor em extens\u00e3o, apenas 210 quil\u00f4metros mas, assim como o Vaza Barris, nasce na Bahia, e atravessa Sergipe no sentido oeste\/leste at\u00e9 desaguar no Atl\u00e2ntico, entre os munic\u00edpios de Aracaju e Barra dos Coqueiros. Os principais problemas h\u00eddricos e ambientais da bacia s\u00e3o: lixeiras a c\u00e9u aberto; defici\u00eancia de sistema de esgoto; desmatamento; contamina\u00e7\u00e3o por fontes diversas e irregularidades no abastecimento de \u00e1gua; m\u00e1 qualidade da \u00e1gua; uso intensivo de agrot\u00f3xicos; desperd\u00edcio de \u00e1gua; explora\u00e7\u00e3o de areia e de argila; queimadas; defici\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o ambiental; pesca e ca\u00e7a predat\u00f3rias e enchentes<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Francisco<\/strong><br \/>\nA foz do S\u00e3o Francisco \u00e9 a divisa dos estados &#8211; Sergipe e ASlagoas. Infelizmente, o \u201crio da integra\u00e7\u00e3o nacional\u201c, t\u00e3o importante na hist\u00f3ria do Brasil, \u00e9 um eloquente exemplo do que n\u00e3o se deve fazer em rios. Entre 2008 e 2012 uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Jos\u00e9 Alves Siqueira, da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf), em Petrolina, promoveu 212 expedi\u00e7\u00f5es ao longo e no entorno do S\u00e3o Francisco. Era o tempo da divulga\u00e7\u00e3o da transposi\u00e7\u00e3o do rio\u2026 Em seguida o estudo foi reunido no livro \u201cFlora das caatingas do Rio S\u00e3o Francisco: hist\u00f3ria natural e conserva\u00e7\u00e3o\u201d (Andrea Jakobsson Est\u00fadio). O trabalho \u00e9 considerado o mais profundo estudo sobre a Caatinga, \u00fanico bioma exclusivo do Brasil. O t\u00edtulo do primeiro cap\u00edtulo \u00e9 emblem\u00e1tico:<\/p>\n<p><strong>A extin\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco<\/strong><br \/>\nOs problemas s\u00e3o in\u00fameros mas, talvez, os mais graves sejam as cinco grandes barragens para a produ\u00e7\u00e3o de energia (Tr\u00eas Marias, Sobradinho, Itaparica, Paulo Afonso e Xing\u00f3) que geram 15% da energia produzida no Pa\u00eds e, agora, a megal\u00f4mana obra de transposi\u00e7\u00e3o de suas \u00e1guas or\u00e7ada inicialmente em 4,5 bilh\u00f5es de reais, n\u00famero que j\u00e1 supera os 8 bilh\u00f5es! At\u00e9 1992 a vila do Cabe\u00e7o e o Farol do Cabe\u00e7o ficavam em terra firme\u2026 H\u00e1 muitos outros problemas, entre eles a quantidade imensa de esgotos n\u00e3o tratados jogados no leito, ao longo de seus quase tr\u00eas mil quil\u00f4metros da nascente at\u00e9 a foz. As barragens impedem a piracema. Como os peixes n\u00e3o podem mais subir o rio para se reproduzirem, o decl\u00ednio das esp\u00e9cies e cardumes \u00e9 evidente. O livro mostra que restou apenas 4% da vegeta\u00e7\u00e3o original das margens do S\u00e3o Francisco. Sem mata ciliar a eros\u00e3o toma conta das margens contribuindo para o assoreamento do leito. Mas, talvez o pior seja a \u00faltima novidade descoberta no Velho Chico: o rio est\u00e1 infestado pelo mexilh\u00e3o- dourado.<\/p>\n<p><strong>Em Pernambuco<\/strong><br \/>\nEste estado n\u00e3o se notabiliza por grandes rios. Existem alguns, como o Formoso, Sirinha\u00e9m, e Jaboat\u00e3o, no litoral Sul; e os dois rios que cortam Recife, o Capibaribe, e o Beberibe. Finalmente, no litoral norte h\u00e1 o rio Jaguaribe, bem maior que os demais. Curiosamente o Capibaribe recebe forte carga de res\u00edduos qu\u00edmicos lan\u00e7ados pelas ind\u00fastrias t\u00eaxteis do munic\u00edpio de Toritama, distante 167 quil\u00f4metros de Recife. Um estudo apresentado na 61\u00aa reuni\u00e3o da SBPC informou as provid\u00eancias. Diante dessa realidade, em 2003 a CPRH constatou que nenhuma das 56 lavanderias vistoriadas possu\u00eda alvar\u00e1 de funcionamento. Em 2004, foram firmados Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) entre as lavanderias, \u00d3rg\u00e3o Ambiental e o Minist\u00e9rio P\u00fablico, com o objetivo de enquadramento \u00e0s normas ambientais vigentes. As pesquisas mostram que o tratamento de esgotos na regi\u00e3o metropolitana de Recife deixa a desejar. Apenas 42% do volume de \u00e1gua consumido s\u00e3o tratados, segundo dados do estudo. Os munic\u00edpios de Jaboat\u00e3o dos Guararapes, Olinda e Paulista, que representam 1,3 milh\u00e3o de habitantes, apresentaram uma piora em todos os tr\u00eas \u00edndices entre 2000 e 2010. Nas cidades litor\u00e2neas da RMR, 549 mil resid\u00eancias n\u00e3o contam com cobertura de esgoto. A \u00fanica cidade da regi\u00e3o a apresentar melhora nos \u00edndices foi Recife, mas ainda assim apresenta um d\u00e9ficit de quase 60% na coleta de esgoto. O rio Jaguaribe n\u00e3o foge \u00e0 sina dos outros. Pesquisas mostram que, \u00e9\u00a0bastante not\u00f3rio o alto grau de desmatamento da bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Jaguaribe, podendo-se afirmar que 80% desta, pelo menos, j\u00e1 n\u00e3o conta com qualquer tipo de vegeta\u00e7\u00e3o\u2026 o que faz aumentar as taxas de evapora\u00e7\u00e3o e rebaixamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, gerando eros\u00f5es nas camadas superficiais do solo\u2026Os materiais oriundos destas eros\u00f5es s\u00e3o levados para a calha do rio, causando o seu assoreamento.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o da Para\u00edba<\/strong><br \/>\nO rio Para\u00edba \u00e9 o mais importante do estado seja por sua extens\u00e3o, 300 quil\u00f4metros, seja pela relev\u00e2ncia econ\u00f4mica. A bacia do Para\u00edba tem 18.000 quil\u00f4metros quadrados, e ocupa 32% da \u00e1rea do estado. E mais uma vez, a situa\u00e7\u00e3o se repete. Vejamos o que diz um estudo da Universidade Federal da Para\u00edba: As \u00e1guas do Rio Para\u00edba, na \u00e1rea correspondente \u00e0 sede urbana do munic\u00edpio de Cara\u00fabas, PB, est\u00e3o recebendo uma elevada carga org\u00e2nica, devido principalmente aos efluentes dom\u00e9sticos, que n\u00e3o s\u00e3o tratados adequadamente, contaminando as \u00e1guas superficiais e tamb\u00e9m as reservas h\u00eddricas subterr\u00e2neas\u2026Os impactos ambientais nesse ecossistema tamb\u00e9m foram identificados pela ocorr\u00eancia de processos erosivos e constru\u00e7\u00f5es de empreendimentos nas margens do rio\u2026<\/p>\n<p><strong>Rio Mamanguape<\/strong><br \/>\nFinalmente, no litoral Norte do estado h\u00e1 o rio Mamanguape, o segundo em import\u00e2ncia, pela extens\u00e3o. Como se sabe, nos prim\u00f3rdios da coloniza\u00e7\u00e3o os rios brasileiros eram as estradas da \u00e9poca. Atrav\u00e9s deles o colonizador penetrava o sert\u00e3o. O Mamanguape tem 170 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Como quase todos os outros rios brasileiros, perdeu sua mata ciliar entrando em seguida no ciclo do assoreamento. Buscando a atender as necessidades de uma sociedade que cada vez mais faz uso indiscriminado dos seus recursos naturais e aceitando um modelo de desenvolvimento devastador que prioriza a produ\u00e7\u00e3o em escala industrial, sem se preocupar com os impactos ambientais ocasionados pelo rejeite inadequado de poluentes no meio ambiente. Infelizmente escrever sobre os rios brasileiros que des\u00e1guam na costa se torna um trabalho mon\u00f3tono e repetitivo. O diagn\u00f3stico se repete de norte ao sul do pa\u00eds. \u00c9 lament\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Norte<\/strong><br \/>\nGrandes rios n\u00e3o s\u00e3o o forte do Nordeste brasileiro, ao contr\u00e1rio, muitos deles s\u00e3o intermitentes. Aparecem e desaparecem em fun\u00e7\u00e3o das chuvas. O mais importante \u00e9 o Piranhas-A\u00e7u, que des\u00e1gua no mar na altura da cidade de Macau. O Potengi tamb\u00e9m \u00e9 importante, especialmente porque banha a capital, e \u00e9 onde se localiza o Porto de Natal. O Rio Grande do Norte tem mais alguns rios, entre eles o Cunha\u00fa, o Cear\u00e1-Mirim, o Jacu, o rio Trairi,o Serid\u00f3 e, finalmente, o Curimata\u00fa.<\/p>\n<p><strong>Quadro dos cearenses<\/strong><br \/>\nO Cear\u00e1 tem v\u00e1rios rios menores. O maior, e mais importante \u00e9 o Jaguaribe. Depois, seguindo a ordem Leste-Oeste, o rio Cear\u00e1 que, se n\u00e3o banhasse a capital do estado, nem mereceria ser citado. Em seguida, o rio Munda\u00fa, depois o Camocim e, finalmente, na fronteira com o Piau\u00ed temos mais dois, o Timonha e o rio Ubatuba, sendo que o \u00faltimo j\u00e1 \u00e9 Piau\u00ed. O Jaguaribe foi detonado em sua foz pela famigerada carcinicultura que, al\u00e9m de poluir, extirpou o manguezal que protegia a foz do rio. Foi um massacre impiedoso. Custo a acreditar que as autoridades do estado deixaram o rio entregue a aventureiros, at\u00e9 porque ele \u00e9 o mais importante, o mais extenso, com 633 Km, e ainda abastece a regi\u00e3o metropolitana de Fortaleza.<\/p>\n<p><strong>Piau\u00ed sem sa\u00edda<\/strong><br \/>\nO estado tem v\u00e1rios rios menores mas, o maior, e mais importante, \u00e9 o Parna\u00edba. Ele \u201cnasce como uma riacho na Chapada das Mangabeiras, banha 22 munic\u00edpios, serve como divisa entre Piau\u00ed e Maranh\u00e3o, e tem 1.485 Km de extens\u00e3o\u201c. O Parna\u00edba \u00e9 um dos mais importantes rios do Nordeste e, assim como os outros, est\u00e1 na UTI. Os esgotos, e o assoreamento est\u00e3o deixando o rio cada vez mais raso\u201d. O motivo principal \u00e9 que a capital, Teresina, tem uma baixa cobertura sanit\u00e1ria, \u201cs\u00e3o apenas 17% de todo o esgoto da capital que \u00e9 coletado para tratamento, o restante vai parar nos fundos dos rios Parna\u00edba e Poti\u201d. Como se v\u00ea, o Parna\u00edba \u00e9 mais um rio condenado, impr\u00f3prio para a navega\u00e7\u00e3o, impr\u00f3prio para a vida marinha, que despeja esgotos da capital, Teresina, e dos 22 munic\u00edpios que atravessa, diretamente no mar.<\/p>\n<p><strong>Rede maranhense<\/strong><br \/>\nA rede hidrogr\u00e1fica maranhense \u00e9, em sua maior parte, pertencente \u00e0 bacia do Norte e Nordeste. Entre os principais rios do Estado se encontra o Parna\u00edba, dividido com o Piau\u00ed na regi\u00e3o fronteiri\u00e7a entre os dois Estados. Outros rios que banham o territ\u00f3rio do Maranh\u00e3o s\u00e3o o Gurupi (zona de fronteira com o Par\u00e1), o Tocantins (zona de fronteira do Maranh\u00e3o com Tocantins), Turia\u00e7u, Itapecuru, Pindar\u00e9, Graja\u00fa e Mearim. Vamos abordar o Gurupi, fronteira norte. Nosso objetivo na mat\u00e9ria \u00e9 mostrar as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias dos rios que des\u00e1guam na costa, por isso n\u00e3o vamos falar do Tocantins, cuja bacia \u00e9 a segunda em import\u00e2ncia para o estado. Ainda assim, saibam que o Tocantins \u00e9 outro rio que est\u00e1 morrendo. O Gurupi faz fronteira entre o Maranh\u00e3o e o Par\u00e1. O rio Gurupi \u00e9 cen\u00e1rio constante de garimpo proibido. Estive l\u00e1, gravando programas da s\u00e9rie de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, naveguei pelo rio e conversei com os nativos. \u00c9 s\u00f3 a fiscaliza\u00e7\u00e3o dar moleza e voltam os garimpos, a contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario, etc. Mas a tese que encontrei elenco outros problemas: Os principais problemas ambientais s\u00e3o decorrentes da extra\u00e7\u00e3o de madeira, desmatamento e queimadas. Ainda assim, parece que este ainda \u00e9 um rio saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Mundo de \u00e1gua no Paran\u00e1<\/strong><br \/>\nChegamos ao maior rio brasileiro, e do mundo, o Amazonas. Ele \u00e9 o \u00fanico rio ainda naveg\u00e1vel, entre todos que des\u00e1guam na costa. Todo o esgoto dom\u00e9stico de Macap\u00e1 vai direto para o rio. O presidente da Companhia de \u00c1gua e Esgoto da Amap\u00e1, Caesa, Ruy Smith Neves, afirmou ao G1 que apenas 3% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 servida por rede de coleta de esgoto em Macap\u00e1. O resto vai direto pro rio. Macap\u00e1 tem cerca de 370 mil habitantes. Portanto, \u00e9 enorme a quantidade de esgotos jogados na foz do grande rio. De acordo com Ruy. A polui\u00e7\u00e3o \u00e9 tamanha que a ONG Instituto Amigos em A\u00e7\u00e3o considera ter sido de uma irresponsabilidade imensur\u00e1vel deixar o rio chegar nessas condi\u00e7\u00f5es. A prefeitura de Macap\u00e1 [deve responder] em rela\u00e7\u00e3o ao lixo, e \u00e0 Caesa, quanto ao esgoto despejado no rio. Lixo e esgoto s\u00e3o os dois maiores poluidores.<\/p>\n<p><strong>Amap\u00e1, o mais diante<\/strong><br \/>\nO estado tem 4 rios que des\u00e1guam no mar: o Oiapoque, o Cacipor\u00e9, o Cal\u00e7oene, e o rio Araguari. Todos, sem exce\u00e7\u00e3o, est\u00e3o polu\u00eddos com metais pesados, especialmente o merc\u00fario, usado no garimpo. A maioria ainda conserva parte significativa de sua mata ciliar, mas o desmatamento continua a avan\u00e7ar; e a polui\u00e7\u00e3o dos rios \u00e9 tida como um dos maiores problemas do estado. Na internet \u00e9 poss\u00edvel encontrar mat\u00e9rias alarmantes como \u201crio Amazonas vira dep\u00f3sito de lixo a c\u00e9u aberto\u201c. Outras dizem que a polui\u00e7\u00e3o do rio Cassipor\u00e9 \u00e9 t\u00e3o intensa que as tartarugas-da-amaz\u00f4nia podem desaparecer.<\/p>\n<p><strong>Resultado final<\/strong><br \/>\nDe todos os rios que des\u00e1guam na costa s\u00f3 o Amazonas \u00e9 naveg\u00e1vel para qualquer tipo de embarca\u00e7\u00e3o. Todos os outros sofreram tamanho assoreamento que alguns s\u00f3 s\u00e3o naveg\u00e1veis por canoas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 polui\u00e7\u00e3o, o diagn\u00f3stico \u00e9 bem pior: todos, sem exce\u00e7\u00e3o, est\u00e3o contaminados. Alguns, como o S\u00e3o Francisco; o Ararangu\u00e1, em Santa Catarina; a ba\u00eda de Guanabara, no Rio de Janeiro; o Potengi, no Rio Grande do Norte; o Beberibe, e o Capibaribe, em Recife, est\u00e3o em estado terminal.<\/p>\n<p>At\u00e9 50, 60 anos atr\u00e1s, todos os rios citados na mat\u00e9ria eram limpos e naveg\u00e1veis. Em menos de meio s\u00e9culo, detonamos todos eles deixando uma dura pegada para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Elas encontrar\u00e3o dificuldade em reconhecer a beleza, e biodiversidade brasileira; e ter\u00e3o como desafio conseguir \u00e1gua para abastecer as grandes cidades e a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por que deixei este por \u00faltimo, e por que usei o verbo no passado, \u201cdesaguava\u201d? Porque, como disse, nada se compara a ele. E se n\u00e3o abrirmos os olhos, se n\u00e3o pressionarmos o poder p\u00fablico, todos os outros s\u00e3o candidatos a serem os pr\u00f3ximos Salgadinhos. Isso n\u00e3o \u00e9 rio, \u00e9 um filme de horror.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com an\u00e1lise com cem por cento fo triod brasileiros indicam que eles est\u00e3o contaminados por polui\u00e7\u00e3o, e 99%, completamente assoreados, j\u00e1 n\u00e3o se prestam \u00e0 navega\u00e7\u00e3o. Outro problema dram\u00e1tico \u00e9 a falta de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. 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