{"id":197924,"date":"2018-12-24T09:57:14","date_gmt":"2018-12-24T11:57:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=197924"},"modified":"2018-12-24T12:38:52","modified_gmt":"2018-12-24T14:38:52","slug":"ai-que-saudade-que-da-do-abraco-apertado-dos-parentes-no-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ai-que-saudade-que-da-do-abraco-apertado-dos-parentes-no-natal\/","title":{"rendered":"Ai que saudade que d\u00e1 do abra\u00e7o apertado dos parentes no Natal"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ano, quando havia acabado de trocar o Brasil pela It\u00e1lia, o cientista da computa\u00e7\u00e3o Claudenir Morais Fonseca, de 26 anos, passou um Natal de apertar o cora\u00e7\u00e3o. Era a primeira vez que celebrava o fim de ano no exterior &#8211; de quebra, estava longe da fam\u00edlia na gelada Bolzano, norte da It\u00e1lia, onde cursa o doutorado.<\/p>\n<p>&#8220;Mudei em busca de uma oportunidade de doutorado, de um grupo de excel\u00eancia em minha \u00e1rea&#8221;, conta ele. &#8220;Era tudo novo, ent\u00e3o eu acabei bem perdido. Naquele momento, estava de fato sozinho e tentei me integrar com colegas. Mas a maior parte deles tamb\u00e9m foi passar as festividades com suas fam\u00edlias, em outras regi\u00f5es &#8221;<\/p>\n<p>Este ano, as perspectivas s\u00e3o melhores. Isso porque, desde mar\u00e7o, Fonseca n\u00e3o est\u00e1 mais sozinho. Sua mulher, Danielly, finalmente se mudou para a It\u00e1lia e, este ano, os planos para o Natal est\u00e3o por conta das expectativas dela. &#8220;Ela est\u00e1 muito ansiosa, principalmente para viver um Natal com neve, coisa de filme&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Em uma \u00e9poca do ano em que todos costumam se voltar mais para as fam\u00edlias, \u00e9 natural que as saudades apertem mais dentro daqueles que escolheram &#8211; ou precisaram escolher &#8211; viver longe do Brasil.<\/p>\n<p>Decis\u00e3o esta cada vez mais comum, ali\u00e1s. De acordo com os dados mais recentes da Receita, em 2017 mais de 21 mil brasileiros fizeram a declara\u00e7\u00e3o de sa\u00edda definitiva do Brasil &#8211; em 2013, para efeitos de compara\u00e7\u00e3o, foram menos de 10 mil.<\/p>\n<p>A advogada Angela Lindemberg, de 24 anos, tomou esta decis\u00e3o recentemente. H\u00e1 quatro meses, ela saiu de Fortaleza, no Cear\u00e1, para viver em Toronto, no Canad\u00e1. Mora sozinha e, por enquanto, est\u00e1 focando os esfor\u00e7os em um curso de ingl\u00eas voltado para neg\u00f3cios. &#8220;Vai ser a primeira e gelada vez que passo o fim de ano longe da fam\u00edlia&#8221;, afirma. &#8220;A expectativa? \u00c9 chorar um bocado, tentar ficar no celular falando com minha m\u00e3e&#8230; Espero deixar um &#8216;Eu te amo, m\u00e3e&#8217;, bem brega, em n\u00edvel nacional.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Natal d\u00e1 uma dor, uma saudadezinha maior, n\u00e9&#8221;, afirma a jornalista Karla Andrade Savoi, de 32 anos, que h\u00e1 seis meses se mudou de Belo Horizonte, Minas, para a It\u00e1lia &#8211; e vive em Mil\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo com o aperto no cora\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o se arrepende da decis\u00e3o. &#8220;Vim porque o Brasil est\u00e1 muito violento. Isso me levou a buscar uma vida melhor&#8221;, diz<\/p>\n<p>J\u00e1 o soci\u00f3logo Bruno Hermes de Oliveira Santos, de 29 anos, se mudou para a It\u00e1lia em setembro para fazer p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana de Roma, e vai passar o Natal longe de casa pela primeira vez. &#8220;Se as saudades ser\u00e3o maiores no fim de ano? \u00c9 poss\u00edvel, mas s\u00f3 vou ter certeza no dia do Natal&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edzes criadas<\/strong> &#8211; Se um Natal longe da P\u00e1tria \u00e9 novidade para muitos, h\u00e1 tamb\u00e9m os brasileiros que j\u00e1 est\u00e3o habituados. H\u00e1 cinco anos em Liubliana, capital da Eslov\u00eania, a psic\u00f3loga carioca Marta Helena dos Santos Berglez, de 48 anos, gosta de aproveitar a tranquilidade do centro de sua cidade para caminhar \u00e0 noite e admirar as luzes natalinas. &#8220;Tudo muito seguro e agrad\u00e1vel&#8221;, frisa.<\/p>\n<p>Marta se lembra muito bem do primeiro fim de ano que passou l\u00e1. &#8220;A temperatura chegou a 10 graus negativos e mesmo com toda a roupa que tinha me senti congelando aos poucos&#8221;, conta ela, que foi com amigos ver a queima de fogos no castelo. Na Eslov\u00eania, ela fundou o Projeto Sementeira, que mant\u00e9m e promove a l\u00edngua portuguesa e a cultura brasileira.<\/p>\n<p>O administrador de empresas paulistano Renato Guido Monteiro, de 30 anos, tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 habituado a passar o fim de ano longe. H\u00e1 tr\u00eas anos, ele mora em Pequim. &#8220;Costumo comemorar com amigos brasileiros e outros estrangeiros. Mas eu diria que as saudades s\u00e3o, sim, maiores nesta \u00e9poca.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ano, quando havia acabado de trocar o Brasil pela It\u00e1lia, o cientista da computa\u00e7\u00e3o Claudenir Morais Fonseca, de 26 anos, passou um Natal de apertar o cora\u00e7\u00e3o. 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