{"id":198167,"date":"2018-12-29T12:05:01","date_gmt":"2018-12-29T14:05:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=198167"},"modified":"2018-12-29T12:28:04","modified_gmt":"2018-12-29T14:28:04","slug":"brasil-testa-com-sucesso-missil-que-afunda-navios-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-testa-com-sucesso-missil-que-afunda-navios-de-guerra\/","title":{"rendered":"Brasil testa com sucesso m\u00edssil que afunda navios de guerra"},"content":{"rendered":"<p>Fazia sol e calor, um c\u00e9u sem nuvens e mar calmo, muito calmo \u2013 \u201cquase um lago\u201d, diria depois um tripulante da corveta V34 Barroso. Nesse cen\u00e1rio a Marinha do Brasil lan\u00e7ou pela primeira vez o m\u00edssil nacional antinavio Mansup, de longo alcance. Foi h\u00e1 pouco menos de um m\u00eas, a 300 km do litoral sul do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Disparado a partir da corveta, o m\u00edssil, que mede 5,7 metros e pesa 860 quilos, voou a 1000 km\/hora bem pr\u00f3ximo da superf\u00edcie, acompanhando o movimento da \u00e1gua do mar. Caiu no ponto central das coordenadas programadas. Havia um alvo, o casco do G-27 Maraj\u00f3, um navio-tanque de 13 mil toneladas, desativado h\u00e1 dois anos. Era s\u00f3 uma refer\u00eancia na opera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o houve explos\u00e3o.<\/p>\n<p>O Mansup do teste levava uma carga de sensores eletr\u00f4nicos para fazer medi\u00e7\u00f5es de telemetria. Em um ataque real, estaria recheado com at\u00e9 180 quilos de explosivos de alto rendimento \u2013 o suficiente para afundar, por exemplo, uma fragata de 5 mil toneladas.<\/p>\n<p>O Mansup \u00e9 o primeiro modelo de uma fam\u00edlia. A sequ\u00eancia prev\u00ea o Mansub, lan\u00e7ado por submarinos submersos a partir do mesmo tubo dos torpedos, e o Manaer, para avi\u00f5es de combate e helic\u00f3pteros pesados. O arranjo mais ambicioso, diz um especialista do Centro de Tecnologia da Marinha, \u00e9 o Mansub.<\/p>\n<p>O m\u00edssil \u00e9 acomodado dentro de uma c\u00e1psula, ejetada por uma carga de ar comprimido. Quando chega a superf\u00edcie, um sensor digital reconhece essa condi\u00e7\u00e3o e faz a igni\u00e7\u00e3o do motor. Os quatro novos submarinos diesel-el\u00e9tricos brasileiros da classe do S-40 Riachuelo \u2013 recebido pela For\u00e7a h\u00e1 duas semanas \u2013 e a tamb\u00e9m a variante nuclear, v\u00e3o incorporar o sistema.<\/p>\n<p>O programa de desenvolvimento come\u00e7ou h\u00e1 apenas dez anos. At\u00e9 agora consumiu R$ 380 milh\u00f5es. No dia do ensaio, uma zona de exclus\u00e3o com o dobro de extens\u00e3o do alcance m\u00e1ximo do m\u00edssil fora declarada com v\u00e1rios dias de anteced\u00eancia para garantir aus\u00eancia de tr\u00e1fego mar\u00edtimo durante a prova.<\/p>\n<p>A bordo, na sala do controle de fogo, a tripula\u00e7\u00e3o seguiu os protocolos de uma situa\u00e7\u00e3o real. Ilumina\u00e7\u00e3o reduzida, prote\u00e7\u00e3o extra, times completos. No \u2018zero\u2019 da contagem de disparo, apenas uma palavra, \u201cMansup!\u201d, seguida da abertura do tubo de lan\u00e7amento e do rugido do motor prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Mansup funciona em duas fases: um acelerador, o \u2018booster\u2019, dinamiza a etapa do ganho inicial de velocidade por poucos e intensos segundos at\u00e9 que entre em a\u00e7\u00e3o o propulsor principal. A navega\u00e7\u00e3o e o direcionamento s\u00e3o estabelecidos por meio de uma caixa de guiagem inercial, com radar interno ativo na etapa final da trajet\u00f3ria para afinar a precis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao objetivo.<\/p>\n<p>O m\u00edssil n\u00e3o \u00e9 de cruzeiro, busca um alvo marcado, ou seja, n\u00e3o faz navega\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria at\u00e9 o impacto. Todavia, h\u00e1 pesquisas em andamento nos EUA e na China para permitir alguma capacidade desse g\u00eanero aos modelos Harpoon e Drag\u00e3o de Seda, expandindo as possibilidades de emprego.<\/p>\n<p>A Marinha pretende liberar o Mansup para vendas internacionais. O empreendimento, sob a dire\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias oficiais, est\u00e1 sendo executado por quatro empresas do setor privado. A expectativa \u00e9 de que ao menos dez na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica, \u00c1sia e Oceania considerem a substitui\u00e7\u00e3o dos antigos Exocet B1 e B2. O pre\u00e7o comercial do m\u00edssil ainda n\u00e3o foi definido.<\/p>\n<p>O dom\u00ednio do pacote de conhecimento sens\u00edvel necess\u00e1rio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis antinavio coloca a ind\u00fastria brasileira de equipamentos de defesa, de emprego militar, em meio a um clube formado por dez pa\u00edses. Os mais influentes est\u00e3o l\u00e1, como os Estados Unidos, a R\u00fassia e a China. Fran\u00e7a e Su\u00e9cia, parceiros das For\u00e7as Armadas, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O Mansup \u00e9 inspirado nos modelos franceses que custam at\u00e9 US$ 2 milh\u00f5es. \u00c9 a\u00ed que o Mansup vai ter de encontrar espa\u00e7o no mercado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazia sol e calor, um c\u00e9u sem nuvens e mar calmo, muito calmo \u2013 \u201cquase um lago\u201d, diria depois um tripulante da corveta V34 Barroso. Nesse cen\u00e1rio a Marinha do Brasil lan\u00e7ou pela primeira vez o m\u00edssil nacional antinavio Mansup, de longo alcance. 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