{"id":198242,"date":"2018-12-30T09:41:07","date_gmt":"2018-12-30T11:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=198242"},"modified":"2018-12-30T12:46:40","modified_gmt":"2018-12-30T14:46:40","slug":"comer-na-casa-dos-outros-vira-moda-saudavel-e-e-mais-barato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/comer-na-casa-dos-outros-vira-moda-saudavel-e-e-mais-barato\/","title":{"rendered":"Comer na casa dos outros vira moda saud\u00e1vel e \u00e9 mais barato"},"content":{"rendered":"<p>O card\u00e1pio escrito \u00e0 m\u00e3o, no capricho, circula pelas redes sociais. Desde 2017 que Dede Sendyk, de 51 anos, deixou a vista enevoada de um escrit\u00f3rio na Avenida Lu\u00eds Carlos Berrini, na zona sul paulistana, para se dedicar s\u00f3 \u00e0 fuma\u00e7a das alcachofras. Toda semana, ela transforma a sala de seu apartamento em um restaurante. E recebe conhecidos e desconhecidos para almo\u00e7os e jantares pagos.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia vem na esteira de outros servi\u00e7os no mesmo modelo, como os de hospedagem em casa. Em comum, quem cozinha \u201cpara dentro\u201d tem amor pelo fog\u00e3o, gosta de receber convidados e quer garantir renda com o que faz de melhor. Quem vai procura ambientes mais intimistas e novas viv\u00eancias gastron\u00f4micas.<\/p>\n<p>No caso de Dede, a clientela \u00e9 formada, na maioria, por amantes da alcachofra, especialidade do apartamento. \u201cMas tamb\u00e9m vem muito casal. Tem pessoas que n\u00e3o gostam da impessoalidade do restaurante.\u201d A reserva no Daded\u00e9 deve ser feita um dia antes. O ap\u00ea em Santa Cec\u00edlia, regi\u00e3o central, comporta at\u00e9 seis pessoas &#8211; o que cabe na mesa de jantar. A refei\u00e7\u00e3o, por pessoa, custa R$ 130, com bebidas \u00e0 parte.<\/p>\n<p>O grupo escolhe entre algumas op\u00e7\u00f5es do menu &#8211; a chef sugere o vinho e tem at\u00e9 sobremesa. O pagamento \u00e9 feito ali mesmo, em dinheiro ou cart\u00e3o. Para Dede, que n\u00e3o descarta ter um restaurante no futuro, esse \u00e9 um bom treino. \u201cA maneira como trato os alimentos e sirvo por\u00e7\u00f5es melhora a cada jantar. Isso me estimula a continuar.\u201d<\/p>\n<p>Amiga de amigos da chef, a muse\u00f3loga Eug\u00eania Esmeraldo, de 71 anos, foi uma vez, voltou e quer ir de novo. Atra\u00edda pela comida, gostou tamb\u00e9m da experi\u00eancia. \u201cEstou aberta a tudo o que \u00e9 novidade e acho legal dividir o espa\u00e7o.\u201d Levou dois casais que nem se conheciam e, no fim, viraram amigos.<\/p>\n<p>O formato costuma agradar, mas os \u201cchefs de casa\u201d reconhecem n\u00e3o ser unanimidade. \u201cTem pessoas que n\u00e3o est\u00e3o a fim de vir para minha casa. Tenho certeza de que tenho amigos que s\u00f3 est\u00e3o esperando eu abrir um restaurante para comer minha comida\u201d, diz Dede.<\/p>\n<p>Abrir um restaurante n\u00e3o est\u00e1 nos planos de Fl\u00e1via Pinto, de 42 anos. Isso porque atender a clientela em casa foi o jeito que achou de conciliar cuidados com o filho e o amor pela culin\u00e1ria baiana. N\u00e3o \u00e0 toa seu restaurante em casa se chama Quitutes de Mainha, alcunha que ela pronuncia com gosto e o saboroso sotaque.<\/p>\n<p>Em sua casa no Cambuci, regi\u00e3o central, moquecas e acaraj\u00e9s enchem a mesa de cores. \u201cA casa vira de pernas para o ar para receber.\u201d Baiana acostumada com casa cheia, barulho e fartura, n\u00e3o foi dif\u00edcil para ela abrir as portas. O desafio ficou para o marido. Paulistano discreto, teve de \u201cabaianar\u201d para dar conta da mudan\u00e7a. Hoje, faz sala para convidados enquanto Fl\u00e1via finaliza pratos. A dose da pimenta varia de acordo com o grupo.<\/p>\n<p>O cuidado com o tempero \u00e9 ainda maior quando a visita vem de longe. Turistas dos Estados Unidos, Canad\u00e1 e at\u00e9 L\u00edbano j\u00e1 foram conhecer a comida de mainha. \u201cTrouxe o mundo para minha casa\u201d, diz. Quando o idioma dificulta &#8211; ela n\u00e3o fala ingl\u00eas -, o sabor d\u00e1 uma m\u00e3o. &#8220;A comida tem sua pr\u00f3pria linguagem.&#8221;<\/p>\n<p>Interessados n\u00e3o s\u00f3 em comer, mas em conhecer o processo at\u00e9 a mesa posta, clientes dos restaurantes em casa elogiam a chance de bisbilhotar a cozinha, algo raro em espa\u00e7os convencionais. \u201cVoc\u00ea pode levantar e falar com ele na cozinha. Permite interagir mais com o chef\u201d, diz o banc\u00e1rio Affonso Taciro, de 47 anos, sobre a casa de Gustavo Ara\u00fajo, de 36, na Vila Mariana, zona sul.<\/p>\n<p>A Casa do Ara\u00fajo abre toda sexta e s\u00e1bado \u00e0 noite. Convidados fazem reserva e se espalham por sala, ed\u00edcula e quintal &#8211; o mesmo que, em dias normais, \u00e9 usado para estender a roupa da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Publicit\u00e1rio e m\u00fasico, ele serve por\u00e7\u00f5es para compartilhar &#8211; de R$ 25 a R$ 65 &#8211; e h\u00e1 at\u00e9 25 lugares. Come\u00e7ou antes de virar moda, h\u00e1 sete anos, com amigos e parentes. \u201cA maior preocupa\u00e7\u00e3o era se iam gostar da comida.\u201d Quem vai hoje foge de filas e da \u2018frieza\u201d de restaurantes. \u201cS\u00e3o pessoas rom\u00e2nticas, no sentido mais amplo.\u201d<\/p>\n<p>Para conectar quem cozinha em casa e comensais, Fl\u00e1vio Estevam criou h\u00e1 3 anos, uma esp\u00e9cie de \u201cAirbnb dos restaurantes em casa\u201d. O Dinneer, como \u00e9 chamada a plataforma, ajudou a concretizar cerca de 20 mil jantares desde ent\u00e3o. \u201c80% dos anfitri\u00f5es n\u00e3o trabalham com gastronomia, mas a maioria tem vontade de montar um restaurante\u201d, explica Estevam.<\/p>\n<p>Na plataforma, \u00e9 poss\u00edvel escolher uma experi\u00eancia gastron\u00f4mica, indicar o n\u00famero de pessoas que v\u00e3o participar e, ent\u00e3o, \u00e9 feito o pagamento. Um quinto do valor vai para a plataforma e o restante fica com o anfitri\u00e3o. Quando ocorre o \u201cmatch\u201d entre o cliente e o cozinheiro, o Dinneer cria um grupo de WhatsApp com todos eles e ajuda a resolver impasses como atrasos.<\/p>\n<p>Hoje, est\u00e3o conectados \u00e0 plataforma brasileiros de todos os Estados e estrangeiros de mais de 40 nacionalidades, diz Estevam. Op\u00e7\u00f5es regionais fazem sucesso, mas, segundo o empres\u00e1rio, as experi\u00eancias n\u00e3o se restringem ao menu. \u201cSempre tem algo a mais. Tem um casal de anfitri\u00f5es em que um toca piano enquanto o cozinheiro serve.\u201d<\/p>\n<p>Para Let\u00edcia Menegon, coordenadora do Centro de Empreendedorismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), movimentos como os restaurantes em casa se inserem no contexto de crescimento da economia compartilhada no Brasil e no mundo. \u201cAs pessoas est\u00e3o baseando seu comportamento no compartilhamento de recursos que podem ser os mais variados.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Let\u00edcia, o movimento n\u00e3o \u00e9 exclusivo dos jovens \u201cGanhou for\u00e7a muito mais pela capacidade de as pessoas se unirem nas redes sociais.\u201d As grandes capitais, diz ela, s\u00e3o terreno f\u00e9rtil para o surgimento. \u201cElas s\u00e3o mais abertas \u00e0 diversidade. \u00c9 um caldeir\u00e3o efervescente.\u201d Mas, antes de empreender dentro de casa, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 para que se fa\u00e7a um avalia\u00e7\u00e3o cuidadosa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso observar se voc\u00ea tem uma infraestrutura m\u00ednima para receber, uma cozinha com higiene adequada, mobili\u00e1rio m\u00ednimo para que as pessoas consigam usufruir do espa\u00e7o e que consigam fazer isso em grupo, n\u00e3o individualmente\u201d, diz Let\u00edcia. Os convidados, por sua vez, devem se esfor\u00e7ar para que a experi\u00eancia seja agrad\u00e1vel para todos. Evitar atrasos e respeitar os hor\u00e1rios estipulados pelo dono da casa para o fim da reuni\u00e3o, por exemplo, s\u00e3o algumas dicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O card\u00e1pio escrito \u00e0 m\u00e3o, no capricho, circula pelas redes sociais. Desde 2017 que Dede Sendyk, de 51 anos, deixou a vista enevoada de um escrit\u00f3rio na Avenida Lu\u00eds Carlos Berrini, na zona sul paulistana, para se dedicar s\u00f3 \u00e0 fuma\u00e7a das alcachofras. Toda semana, ela transforma a sala de seu apartamento em um restaurante. 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