{"id":198392,"date":"2019-01-01T08:47:34","date_gmt":"2019-01-01T10:47:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=198392"},"modified":"2019-01-01T08:47:34","modified_gmt":"2019-01-01T10:47:34","slug":"estupendo-catartico-robusto-e-elba-voar-alto-com-seu-novo-album","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estupendo-catartico-robusto-e-elba-voar-alto-com-seu-novo-album\/","title":{"rendered":"Estupendo, cat\u00e1rtico, robusto. E Elba voar alto com seu novo \u00e1lbum"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos, Elba Ramalho \u00e9 artista independente. Mais precisamente, como a cantora lembra, desde o disco Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?, lan\u00e7ado em 2007 &#8211; e com o qual ganhou seu primeiro Grammy Latino. Ap\u00f3s 40 anos de estrada, a liberdade art\u00edstica lhe traz a doce sensa\u00e7\u00e3o de ser dona de seus pr\u00f3prios rumos. &#8220;O desvinculamento meu dos grandes selos foi para que eu ganhasse a liberdade&#8221;, diz ela, antes de partir para Trancoso, na Bahia, onde mant\u00e9m um projeto de shows intimistas com convidados nessa \u00e9poca do ano.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que artista tem que ser livre. N\u00e3o consigo entender como voc\u00ea pode ficar sempre atendendo \u00e0 necessidade do mercado. N\u00e3o tenho mais que provar nada. \u00c9 aquela velha hist\u00f3ria: eu podia ter continuado a fazer, a cada ano, Banho de Cheiro 2, 3, 4. Foi uma m\u00fasica que pegou, virou um grito do carnaval. Mas n\u00e3o estou preocupada com essa hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>E foi por passar a integrar a cena indie &#8211; mesmo preservando o status de grande nome do mainstream &#8211; que Elba p\u00f4de voar mais longe em termos de sonoridade. Ela pode, sim, fazer frevo, forr\u00f3, entre outros ritmos que marcaram sua carreira, mas se (e quando) quiser. Essas experimenta\u00e7\u00f5es j\u00e1 vinham, n\u00e3o por acaso, desde Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa? e se consolidam agora, em seu novo \u00e1lbum, O Ouro do P\u00f3 da Estrada, o 38.\u00ba da carreira, em que se percebe cristalizada uma observa\u00e7\u00e3o bem colocada por Z\u00e9lia Duncan sobre Elba no material distribu\u00eddo para a imprensa: &#8220;Tem um p\u00e9 no sert\u00e3o da sua terra e o outro no mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Elba tamb\u00e9m percebe dessa forma seu novo trabalho, que tem produ\u00e7\u00e3o de Yuri Queiroga e Tost\u00e3o Queiroga. &#8220;J\u00e1 venho fazendo um pouco isso na minha hist\u00f3ria musical, mas, nesse disco, a gente fincou a estaca no ch\u00e3o mesmo, e a minha maturidade de passear por v\u00e1rios estilos, procurando tamb\u00e9m me renovar no canto, em alguns (momentos) em tons mais baixos, outros em tons mais altos&#8221;, pondera. &#8220;&#8216;O ouro do p\u00f3 da estrada&#8217; \u00e9 o aprendizado, \u00e9 aquilo que voc\u00ea acumula, e acho que acumulei bastante para comemorar 40 anos, me desafiando: &#8216;desacomoda, Elba, se reinventa para voc\u00ea ter motiva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ficar chata como artista cantando a mesma coisa&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Ao longo de suas 13 faixas, O Ouro do P\u00f3 da Estrada, ali\u00e1s, trata muito dessa ideia do caminhar. A come\u00e7ar pela m\u00fasica que abre o disco, Calcanhar, parceria de Yuri Queiroga e Manuca Bandini, com texto incidental de Br\u00e1ulio Tavares, que j\u00e1 tinha sido gravada pela cantora pernambucana Ylana Queiroga, irm\u00e3 de Yuri, e ganhou vers\u00e3o mais &#8220;pesada&#8221; na releitura de Elba. &#8220;\u00c9 uma das minhas m\u00fasicas preferidas. Gosto do resultado sonoro que a gente fez, um bai\u00e3o meio rock n&#8217; roll. Abri com ela, porque acho uma m\u00fasica forte, e \u00e9 a coisa tamb\u00e9m do pisar, do caminhar.&#8221;<\/p>\n<p>Nesse mesmo di\u00e1logo sonoro, mas com uma leve atmosfera de carnaval pernambucano, O Girassol da Caverna vem na sequ\u00eancia, com dueto delicioso de Elba e Ney Matogrosso. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 de Lula Queiroga, e foi gravada no disco Baque Solto, de Lula e Lenine, na d\u00e9cada de 1980. &#8220;Essa m\u00fasica foi um resgate meu, fui buscar l\u00e1 em 83, 84. O Yuri sugeriu que o Ney viesse. Eu disse: que genial, vamos ver se ele topa porque \u00e9 a cara dele, pela letra, pela po\u00e9tica. Ele gostou de cara. E arrasou. \u00c9 a primeira vez que um disco meu tem participa\u00e7\u00e3o do Ney; no palco, j\u00e1 fizemos coisas juntos. Somos amigos h\u00e1 muito tempo.&#8221;<\/p>\n<p>No repert\u00f3rio, O Girassol da Caverna \u00e9 seguida de outra regrava\u00e7\u00e3o, Girassol, can\u00e7\u00e3o que ficou famosa na interpreta\u00e7\u00e3o de Toni Garrido \u00e0 frente do Cidade Negra. Aqui o sucesso recebe nova roupagem, com introdu\u00e7\u00e3o de cordas, e depois transitando entre o reggae e o xote. &#8220;Fiz muitos encontros com o Cidade Negra, muitos shows. Sou muito amiga do Toni. O barato e o prazer de ser int\u00e9rprete \u00e9 exatamente essa possibilidade de resgatar, trazer o (Arthur) Verocai, que veio com esse arranj\u00e3o de cordas, e a levada do Yuri foi pensando na minha alegria, no palco.&#8221;<\/p>\n<p>Mais adiante, h\u00e1 outra aproxima\u00e7\u00e3o interessante no roteiro do disco, entre a can\u00e7\u00e3o Jos\u00e9, de Siba (do Mestre Ambr\u00f3sio) e O Fole Roncou, de Luiz Gonzaga e Nelson Valen\u00e7a, como representa\u00e7\u00f5es de duas gera\u00e7\u00f5es da m\u00fasica nordestina. &#8220;Eu queria essa diversidade de gera\u00e7\u00f5es, novas com antigas, com o que aprendi e com o que convivo.&#8221;<\/p>\n<p>Da mesma forma que \u00e9 reverencial ao mestre Gonzag\u00e3o, no \u00e1lbum, Elba tamb\u00e9m recupera um lado B da obra de Belchior, ao cantar Princesa do Meu Lugar. Como foi essa escolha? &#8220;\u00c9 um chamego meu. Belchior \u00e9 um g\u00eanio. \u00c9 uma m\u00fasica atraente, a gente conseguiu fazer meio um reggaezinho, suave, e fala tamb\u00e9m da hist\u00f3ria dele de ir, da vontade de ir embora&#8221;, diz a cantora. Ela conta que, assim como os outros amigos do compositor, ficou anos sem saber do paradeiro dele. &#8220;Ele sumiu para todos. Com a morte dele, chorei muito, sofri muito.&#8221;<\/p>\n<p>O Ouro do P\u00f3 da Estrada traz outras p\u00e9rolas, como Oxente, m\u00fasica que Marcelo Jeneci finalizou com Chico C\u00e9sar especialmente para o disco; O Mundo, de Andr\u00e9 Abujamra; Se Tudo Pode Acontecer, de Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, Jo\u00e3o Bandeira e Paulo Tatit; Na Areia, de Juliano Holanda, segundo Elba, &#8220;uma das grandes promessas da cena musical de Pernambuco&#8221;. Vale ressaltar que, nesse processo de &#8220;desacomodar&#8221;, os produtores do disco tiveram papel importante, sobretudo Yuri Queiroga, que desafiava Elba e ela, instigada, embarcava em suas ideias. &#8220;Eu como artista quero caminhar. Posso cantar Chico Buarque, ou Lula e Lenine, ou Z\u00e9 Ramalho, in\u00e9ditas, ou s\u00f3 forrozinho simples. A essa altura, acho que posso me dar a esse luxo. A gente quer surpreender.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos, Elba Ramalho \u00e9 artista independente. Mais precisamente, como a cantora lembra, desde o disco Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?, lan\u00e7ado em 2007 &#8211; e com o qual ganhou seu primeiro Grammy Latino. 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