{"id":198787,"date":"2019-01-07T00:06:57","date_gmt":"2019-01-07T02:06:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=198787"},"modified":"2019-01-07T08:09:37","modified_gmt":"2019-01-07T10:09:37","slug":"nunca-faltou-tanta-casa-no-brasil-para-o-povo-ter-um-teto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nunca-faltou-tanta-casa-no-brasil-para-o-povo-ter-um-teto\/","title":{"rendered":"Nunca faltou tanta casa no Brasil para o povo que quer um teto"},"content":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito para financiamento de im\u00f3veis, o desemprego em alta a partir dos anos de crise e a queda na renda das fam\u00edlias tornaram o sonho da casa pr\u00f3pria ainda mais distante para milhares de brasileiros. O d\u00e9ficit habitacional do Pa\u00eds, que j\u00e1 era elevado, aumentou em mais de 220 mil im\u00f3veis entre 2015 e 2017, batendo recorde.<\/p>\n<p>Um levantamento feito pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Incorporadoras Imobili\u00e1rias (Abrainc) em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) aponta que o d\u00e9ficit de moradias cresceu 7% em apenas dez anos, de 2007 a 2017, tendo atingido 7,78 milh\u00f5es de unidades habitacionais em 2017.<\/p>\n<p>&#8220;Chegamos ao recorde da s\u00e9rie hist\u00f3rica de d\u00e9ficit habitacional. Hoje, ele ocorre, sobretudo, pela inadequa\u00e7\u00e3o da moradia &#8211; fam\u00edlias que dividem a mesma casa, moram em corti\u00e7os, favelas &#8211; e pelo peso excessivo que o aluguel passou a ter no or\u00e7amento das fam\u00edlias no \u00faltimos anos&#8221;, afirma Robson Gon\u00e7alves, da FGV.<\/p>\n<p>Ele explica que a maior parte do d\u00e9ficit \u00e9 formada por fam\u00edlias que ganham at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos por m\u00eas, mas a demanda por moradias tamb\u00e9m atinge consumidores de rendas intermedi\u00e1rias, que viram o mercado de trabalho ficar inst\u00e1vel nos \u00faltimos anos e o cr\u00e9dito imobili\u00e1rio mais escasso.<\/p>\n<p>&#8220;As fam\u00edlias querem ter a pr\u00f3pria casa, mas as incertezas dos \u00faltimos anos tornaram essa vontade mais distante para a maior parte&#8221;, afirma Gon\u00e7alves. &#8220;O brasileiro que n\u00e3o perdeu o seu emprego ficou com medo de ficar desempregado e adiou a compra da casa; e muitos dos que ficaram sem trabalho tiveram de interromper um financiamento no meio.&#8221;<\/p>\n<p>No ano passado, mesmo com o in\u00edcio da recupera\u00e7\u00e3o da economia, o desemprego ainda alto e a falta de confian\u00e7a do consumidor fizeram a concess\u00e3o de cr\u00e9dito andar de lado. Em 12 meses at\u00e9 setembro, o cr\u00e9dito imobili\u00e1rio concedido era a metade dos recursos emprestados \u00e0s pessoas f\u00edsicas em 2014.<\/p>\n<p>Apesar dos resultados ainda t\u00edmidos, a expectativa das construtoras e incorporadoras \u00e9 de que, passadas as elei\u00e7\u00f5es, o mercado de trabalho mantenha uma trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o este ano e a busca por im\u00f3veis volte a crescer. O levantamento FGV\/Abrainc tamb\u00e9m aponta que, para atender \u00e0 demanda por moradia no Pa\u00eds nos pr\u00f3ximos dez anos, seria necess\u00e1rio construir 1,2 milh\u00e3o de im\u00f3veis por ano.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma oportunidade para o mercado, s\u00e3o poucos os pa\u00edses do mundo que t\u00eam uma demanda t\u00e3o expressiva&#8221;, diz Alexandre Frankel, presidente da Vitacon. &#8220;Vemos um novo ciclo se formando no setor e, se tudo correr bem na economia, os pr\u00f3ximos dois anos podem ser de retorno a um momento melhor do mercado imobili\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Temos de olhar com otimismo para o mercado, que \u00e9 saud\u00e1vel e tem uma forte demanda, n\u00e3o s\u00f3 dos consumidores de baixa renda. A demanda \u00e9 grande entre os que dependem de financiamento com recursos da poupan\u00e7a tamb\u00e9m&#8221;, avalia o presidente da MRV, Eduardo Fischer. Ele lembra que os juros b\u00e1sicos est\u00e3o em um patamar baixo, a 6,5% ao ano, o que alivia na hora de contratar um financiamento imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m espera lan\u00e7ar mais empreendimentos este ano do que em 2018, e quer aproveitar o aquecimento da demanda para voltar a vender im\u00f3veis de padr\u00e3o mais alto, de olho nas fam\u00edlias de classe m\u00e9dia que adiaram a compra da casa pr\u00f3pria durante a recess\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 o superintendente da Trisul, Lucas Ara\u00fajo, estima que a demanda habitacional s\u00f3 na cidade de S\u00e3o Paulo aumente em 25 mil moradias por ano. Ele diz que as dificuldades do setor para zerar esse d\u00e9ficit passam pela dificuldade de se tomar cr\u00e9dito e a demora na aprova\u00e7\u00e3o de projetos nas prefeituras.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos falando de um mercado em que a demanda por moradias \u00e9 crescente. Mesmo durante a crise, as construtoras focadas no p\u00fablico de baixa renda tiveram um bom desempenho e o consumidor que n\u00e3o p\u00f4de financiar um im\u00f3vel n\u00e3o desistiu de comprar sua casa, s\u00f3 adiou.&#8221;<\/p>\n<p>Gon\u00e7alves, da FGV, alerta, por\u00e9m, que o novo governo ainda n\u00e3o foi claro se pretende dar um novo uso para os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), importantes para financiar o setor imobili\u00e1rio, e sobre o futuro do programa Minha Casa, Minha Vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito para financiamento de im\u00f3veis, o desemprego em alta a partir dos anos de crise e a queda na renda das fam\u00edlias tornaram o sonho da casa pr\u00f3pria ainda mais distante para milhares de brasileiros. 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