{"id":198857,"date":"2019-01-08T08:30:50","date_gmt":"2019-01-08T10:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=198857"},"modified":"2019-01-08T08:47:38","modified_gmt":"2019-01-08T10:47:38","slug":"de-cada-10-mulheres-que-morrem-tres-apanhavam-do-marido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/de-cada-10-mulheres-que-morrem-tres-apanhavam-do-marido\/","title":{"rendered":"De cada 10 mulheres que morrem, tr\u00eas apanhavam do marido"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas entre cada dez mulheres que morreram por causas ligadas \u00e0 viol\u00eancia j\u00e1 eram agredidas frequentemente, revela estudo in\u00e9dito do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O levantamento foi feito com base no cruzamento entre registros de \u00f3bitos e atendimentos na rede p\u00fablica de 2011 a 2016.<\/p>\n<p>\u201cVimos que essas mulheres j\u00e1 tinham recorrido aos servi\u00e7os de sa\u00fade, apresentando ferimentos de agress\u00f5es\u201d, diz a diretora do Departamento de Vigil\u00e2ncia de Doen\u00e7as e Agravos N\u00e3o Transmiss\u00edveis da pasta, Maria de F\u00e1tima Marinho Souza, que coordenou o trabalho.<\/p>\n<p>Para ela, o resultado deixa claro o car\u00e1ter cr\u00f4nico e perverso dessa viv\u00eancia e a necessidade de se refor\u00e7ar a rede de assist\u00eancia. \u201cSe medidas de prote\u00e7\u00e3o tivessem sido adotadas, talvez boa parte desses \u00f3bitos pudesse ter sido evitada.\u201d<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia da viol\u00eancia frequente fica evidente na pesquisa. O trabalho comparou o risco de morte por causas violentas entre mulheres que haviam procurado em algum momento servi\u00e7os de sa\u00fade por causa de agress\u00f5es e entre aquelas que n\u00e3o tinham hist\u00f3rico. As diferen\u00e7as foram relevantes. No caso de adolescentes, por exemplo, o risco de morrer por suic\u00eddio ou homic\u00eddio foi 90 vezes maior entre as adolescentes com notifica\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Os dados representam hist\u00f3rias como a de Jerusa, de 37 anos, identificada pelo minist\u00e9rio. Em junho de 2015, ela procurou o hospital p\u00fablico com les\u00f5es ap\u00f3s ser espancada por seu companheiro, Jo\u00e3o. O registro feito na \u00e9poca j\u00e1 indicava que as viol\u00eancias ocorriam repetidamente. Mas ap\u00f3s o atendimento e a notifica\u00e7\u00e3o, nada mudou.<\/p>\n<p>Jerusa continuou vivendo com o companheiro, que permaneceu impune. Oito meses depois, foi morta pelo marido.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros gerais tamb\u00e9m impressionam. No per\u00edodo analisado, morreram no Brasil, por dia, tr\u00eas mulheres que j\u00e1 haviam dado entrada em hospitais, unidades de pronto atendimento (Upas) ou ambulat\u00f3rios p\u00fablicos em busca de tratamento para hematomas, fraturas e outros tipos de les\u00f5es associados \u00e0 viol\u00eancia. \u201cOs dados d\u00e3o uma dimens\u00e3o, mas certamente s\u00e3o ainda maiores. Aqui n\u00e3o contamos, por exemplo, os atendimentos em servi\u00e7os particulares\u201d, disse Maria de F\u00e1tima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas entre cada dez mulheres que morreram por causas ligadas \u00e0 viol\u00eancia j\u00e1 eram agredidas frequentemente, revela estudo in\u00e9dito do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. 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