{"id":199499,"date":"2019-01-15T11:00:31","date_gmt":"2019-01-15T13:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=199499"},"modified":"2019-01-15T11:01:02","modified_gmt":"2019-01-15T13:01:02","slug":"milhares-caes-vindos-do-mar-desembarca-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/milhares-caes-vindos-do-mar-desembarca-em-brasilia\/","title":{"rendered":"&#8216;Milhares de C\u00e3es Vindos do Mar&#8217; chega a Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>O espet\u00e1culo Aqui Estamos com Milhares de C\u00e3es Vindos do Mar estreia em Bras\u00edlia na pr\u00f3xima semana, percorrendo emo\u00e7\u00f5es dos seres humanos. Tendo como base 14 cenas escritas pelo dramaturgo romeno Mat\u00e9i Visniec em momentos distintos, a montagem, dirigida por Rodrigo Spina, se prop\u00f5e a trazer \u00e0 tona temas que subjazem o texto original e que podem ser percebidos no Brasil de hoje, como o conceito de p\u00e1tria, a automa\u00e7\u00e3o da sociedade, os direitos humanos e o pesar.<\/p>\n<p>&#8220;Ele [Visniec] \u00e9 romeno, s\u00f3 que j\u00e1 foram feitas muitas montagens [adaptadas de seus textos], e a maneira como fala das coisas \u00e9 muito parecido com o Brasil. \u00c9 um di\u00e1logo muito aproximado&#8221;, diz o diretor. &#8220;Na nossa pe\u00e7a h\u00e1, em uma das cenas, uma m\u00e3e tentando atravessar a fronteira com seu filho. Ela se depara com uma sentinela, que \u00e9 uma m\u00e1quina, que n\u00e3o consegue reconhecer seu discurso. A m\u00e3e fala que ela \u00e9 livre como o vento e a neve e indaga: &#8216;Ent\u00e3o, que direito voc\u00ea tem de me barrar?&#8217;. A m\u00e1quina quer o documento v\u00e1lido para deix\u00e1-la passar. H\u00e1 o m\u00e1ximo da liberdade, a natureza, e a m\u00e1quina, criada pelo homem. Ele [Visniec] brinca muito com isso.&#8221;<\/p>\n<p>Spina conta que voltou sua aten\u00e7\u00e3o \u00e0s cria\u00e7\u00f5es de Visniec por acaso, quando buscava, em um esfor\u00e7o conjunto de membros da companhia Os Barulhentos, ventilar ideias que trouxessem uma nova inspira\u00e7\u00e3o. Nascido na Rom\u00eania em 1956, desde crian\u00e7a, Visniec se dedicou a escritos, tendo apre\u00e7o por autores como Franz Kafka, Edgar Allan Poe e Fi\u00f3dor Dostoi\u00e9vski. Depois de ter obras censuradas nos palcos &#8211; embora continuassem presentes nos c\u00edrculos liter\u00e1rios &#8211; o dramaturgo, em 1987, teve seu pedido por asilo pol\u00edtico aceito pelo governo da Fran\u00e7a, onde encena diversas pe\u00e7as de sua autoria e vive at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&#8220;A gente [eu e Visniec] j\u00e1 se conheceu pessoalmente. Ele \u00e9 muito carinhoso e disse: &#8216;Obrigado por dizer as minhas palavras'&#8221;, comenta Spina. &#8220;Come\u00e7ou com [a com\u00e9dia] Muito Barulho por Nada e a gente foi atr\u00e1s de um segundo texto para montar a pe\u00e7a. Queria algo mais contempor\u00e2neo, in\u00e9dito no pa\u00eds, e descobri a obra dele numa livraria. Li alguns textos e fiquei fascinado. Na \u00e9poca, ia montar A mulher-alvo e seus dez amantes. Me deparei tamb\u00e9m com a colet\u00e2nea Cuidado com as velhinhas carentes e solit\u00e1rias e, quando levei para o grupo, decidimos, na hora, mudar, por ser mais plural o alcance. As discuss\u00f5es, as cenas sobre relacionamento a dois. Tem uma cena em que soldados discutem querendo voltar para a p\u00e1tria depois da guerra. H\u00e1 quest\u00f5es da macropol\u00edtica e do microssocial, da rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas. \u00c9 mais interessante.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Spina, a companhia alinhava toda a estrutura da pe\u00e7a em torno do que chama de realismo deslocado, adotando recursos cenogr\u00e1ficos, crom\u00e1ticos e de figurino que real\u00e7am sentimentos como a consterna\u00e7\u00e3o e o vazio, uma das marcas da pe\u00e7a, vencedora do pr\u00eamio Melhor Espet\u00e1culo 2015 pela Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Artes (APCA). &#8220;O cen\u00e1rio da pe\u00e7a \u00e9 real. Voc\u00ea tem uma cena de gar\u00e7onete no balc\u00e3o e tem um liquidificador, uma cama de casal. S\u00f3 que queria que tudo gerasse um certo estranhamento. Ent\u00e3o, a gente fez tudo em cinza. No cinema, voc\u00ea [enquanto espectador] nota que h\u00e1 um filtro na c\u00e2mera. No teatro, voc\u00ea duvida da sua vis\u00e3o&#8221;, pontua o diretor, formado em audiovisual.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel tamb\u00e9m pela sonoplastia, em parceria com Maria Claudia Mesquita, Spina credita aos efeitos sonoros grande import\u00e2ncia quanto ao influxo emocional que a pe\u00e7a visa transmitir. &#8220;A gente fez uma pesquisa de algo as m\u00fasicas s\u00e3o de tribos africanas, m\u00fasicas americanas dos anos 1950. Tirando a Dream a Little Dream of Me, que a gente usa em uma cena com soldados, elas s\u00e3o de qualquer lugar. A gente quis buscar uma universalidade.&#8221;<\/p>\n<p>A pe\u00e7a, que teve a estreia em 2015, ap\u00f3s um ano de processo de cria\u00e7\u00e3o, j\u00e1 teve temporadas em S\u00e3o Paulo &#8211; interior e capital -, Rio de Janeiro e Curitiba. A partir de 2016, ap\u00f3s uma apresenta\u00e7\u00e3o em Campinas, a companhia Os Barulhentos decidiu incorporar um servi\u00e7o de audiodescri\u00e7\u00e3o, oferecendo, desde ent\u00e3o, acesso \u00e0s pessoas com defici\u00eancia visual.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\nAqui Estamos com Milhares de C\u00e3es Vindos do Mar<br \/>\nData: 24 a 27 de janeiro<br \/>\nHor\u00e1rio: Quinta-feira a s\u00e1bado, \u00e0s 20h, e domingo, \u00e0s 19h<br \/>\nLocal: Caixa Cultural &#8211; Teatro da Caixa (SBS Quadra 4 \u2013 Lotes 3\/4 &#8211; Asa Sul)<br \/>\nDura\u00e7\u00e3o: 110 minutos<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o: 14 anos<br \/>\nCapacidade: 406 lugares (8 para cadeirantes)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O espet\u00e1culo Aqui Estamos com Milhares de C\u00e3es Vindos do Mar estreia em Bras\u00edlia na pr\u00f3xima semana, percorrendo emo\u00e7\u00f5es dos seres humanos. 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