{"id":199648,"date":"2019-01-16T21:33:28","date_gmt":"2019-01-16T23:33:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=199648"},"modified":"2019-01-16T21:35:08","modified_gmt":"2019-01-16T23:35:08","slug":"bandidagem-mira-posse-de-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bandidagem-mira-posse-de-armas\/","title":{"rendered":"Bandidagem mira posse de armas"},"content":{"rendered":"<p>A d\u00e9cada de 2000 no Brasil foi marcada pelas pol\u00edticas de desarmamento. N\u00e3o s\u00f3 as p\u00fablicas, como o pr\u00f3prio Estatuto, mas tamb\u00e9m por uma sociedade que identificava as armas de fogo como principal causa da viol\u00eancia crescente. Atingido patamares quase guerreiros, a taxa de homic\u00eddios tinha subido inexoravelmente.<\/p>\n<p>Acima de 25 por 100 mil habitantes, a solu\u00e7\u00e3o parecia ser matem\u00e1tica e l\u00f3gica: menos armas em circula\u00e7\u00e3o, menos chances de ser morto. Ainda mais porque o cidad\u00e3o \u201cde bem\u201d n\u00e3o sendo profissional (contrariamente ao bandido e \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a), seu manuseio era mais temer\u00e1rio.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas mostram que a rea\u00e7\u00e3o a um assalto \u00e9 fator agravante quanto ao desfecho do crime. A imprensa seguiu a mesma linha, e links ao vivo mostrando entregas volunt\u00e1rias de armas pelo Brasil se multiplicaram. Na esteira das passeatas pela paz, com roupa branca de praxe.<\/p>\n<p>Houve mesmo uma baixa dos homic\u00eddios, em 2007, um ano ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do plebiscito que pedia a proibi\u00e7\u00e3o total das armas e que foi recha\u00e7ado pela popula\u00e7\u00e3o, de Norte a Sul, com relevantes percentuais. E apesar de grande campanha dos governos, da m\u00eddia, dos pol\u00edticos (exce\u00e7\u00e3o not\u00e1vel de Alberto Fraga em Bras\u00edlia), dos universit\u00e1rios, dos \u201cformadores de opini\u00e3o\u201d. Enfim, da parte da sociedade que vive em condom\u00ednios fechados e se desloca em carros blindados, quando n\u00e3o acompanhados de guarda-costas.<\/p>\n<p>O caminho apontado para a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia era a educa\u00e7\u00e3o. E ainda \u00e9, sem d\u00favida. Mas quais foram as medidas de fato implementadas? O sistema escolar ficou cada vez mais violento, os professores hoje temem at\u00e9 por suas vidas em certos col\u00e9gios. O tema Seguran\u00e7a P\u00fablica se politizou, trazendo v\u00e1rias teorias e muitas boa inten\u00e7\u00f5es. Que raramente sa\u00edram do papel.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2008, a taxa de homic\u00eddios voltou a subir. E n\u00e3o para mais desde ent\u00e3o. A conscientiza\u00e7\u00e3o funcionou, o rigor da lei tamb\u00e9m&#8230; mas n\u00e3o para a bandidagem. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o entregaram nem as pistolas de \u00e1gua, como entraram numa escalada que os faz hoje ostentar armas de guerra.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios bairros das grandes cidades, mas tamb\u00e9m em \u00e1reas rurais, o pr\u00f3prio Poder P\u00fablico confessa n\u00e3o estar em condi\u00e7\u00f5es nem de entrar. Muito menos controlar qualquer coisa, \u00e9 claro. Fernando Haddad publicou no Twitter uma mensagem que come\u00e7a por \u201cpouca gente sabe, mas a seguran\u00e7a \u00e9 dos primeiros direitos assegurados pelo Estado moderno\u201d. S\u00f3 que n\u00e3o est\u00e1. A popula\u00e7\u00e3o fez sua parte, e o Estado?<\/p>\n<p>Jair Bolsonaro fez do rearmamento uma de suas bandeiras de campanha. Era de se esperar movimentos neste sentido ap\u00f3s sua posse. A flexibiliza\u00e7\u00e3o da posse pode n\u00e3o ser o \u00faltimo, o novo Congresso Nacional teve um incremento significativo de parlamentares que advogam, desde o ano passado, pela libera\u00e7\u00e3o do porte.<\/p>\n<p>Os mesmos te\u00f3ricos da d\u00e9cada passada podem at\u00e9 arguir que a taxa de mortes violentas subiu em percentual menor que antes, que teriam (no condicional, \u00e9 claro) sido poupadas mais de 120 mil vidas desde 2003. Os belos discursos dificilmente servem de consolo para as fam\u00edlias dos mais 63 mil mortos em 2017 (os n\u00fameros de 2018 ainda n\u00e3o est\u00e3o consolidados). O dobro de 2003, uma taxa de mais de 30 mortos por 100 mil habitantes. Trinta vezes mais que na Europa. E nem serve para as milh\u00f5es de v\u00edtimas de assaltos, roubos ou estupros realizados com cano de arma de fogo na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>O tema da seguran\u00e7a p\u00fablica ultrapassa a si pr\u00f3prio. Ele tamb\u00e9m tem a ver com educa\u00e7\u00e3o, emprego, desigualdade, transporte e at\u00e9 urbanismo. Sem esquecer a sa\u00fade, que h\u00e1 de tratar com os feridos traum\u00e1ticos todo dia. E \u00e9 certo que uma solu\u00e7\u00e3o duradoura passa por um conjunto de a\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 preciso que eles saiam do programa eleitoral ou das teses de mestrado para realmente julgar de suas efic\u00e1cias. Enquanto isso, os comerciantes se cercam de grades, os passageiros de \u00f4nibus rezam quando est\u00e3o indo para casa, os motoristas n\u00e3o param no sinal vermelho \u00e0 noite.<\/p>\n<p>H\u00e1 perigos na libera\u00e7\u00e3o da posse de armas. Muitos s\u00e3o conhecidos, e alguns s\u00e3o v\u00e1lidos. Outros s\u00e3o meras previs\u00f5es alarmistas. Mas os conselheiros de hoje n\u00e3o podem negar que, nesta batalha, o Estado perdeu. Tomara que seja s\u00f3 uma batalha. Porque a bandidagem j\u00e1 come\u00e7ou a guerra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A d\u00e9cada de 2000 no Brasil foi marcada pelas pol\u00edticas de desarmamento. N\u00e3o s\u00f3 as p\u00fablicas, como o pr\u00f3prio Estatuto, mas tamb\u00e9m por uma sociedade que identificava as armas de fogo como principal causa da viol\u00eancia crescente. Atingido patamares quase guerreiros, a taxa de homic\u00eddios tinha subido inexoravelmente. 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