{"id":199697,"date":"2019-01-17T02:40:40","date_gmt":"2019-01-17T04:40:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=199697"},"modified":"2019-01-17T08:44:06","modified_gmt":"2019-01-17T10:44:06","slug":"museu-nacional-reabre-portas-mostrado-fosseis-da-antartica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/museu-nacional-reabre-portas-mostrado-fosseis-da-antartica\/","title":{"rendered":"Museu Nacional reabre portas mostrando f\u00f3sseis da Ant\u00e1rtica"},"content":{"rendered":"<p>O Museu Nacional inaugurou a primeira exposi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o inc\u00eandio de setembro, que consumiu sua sede hist\u00f3rica, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A mostra inclui 160 pe\u00e7as do projeto Paleoantar, dedicado a a coletar e estudar rochas e f\u00f3sseis da Ant\u00e1rtica. Entre elas, h\u00e1 oito pe\u00e7as que foram resgatadas dos escombros do pr\u00e9dio, al\u00e9m de ossos e r\u00e9plicas de animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>A iniciativa, apenas quatro meses ap\u00f3s a trag\u00e9dia, tornou-se poss\u00edvel com um convite do Museu da Casa da Moeda do Brasil, que cedeu duas salas de seu edif\u00edcio, no centro da capital fluminense, para a exposi\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as. Curiosamente, esse mesmo edif\u00edcio foi a primeira sede do Museu Nacional no s\u00e9culo 19, quando este ainda era denominado de Museu Real.<\/p>\n<p>A partir desta quinta (17), a exposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 aberta ao p\u00fablico e poder\u00e1 ser visitada nos pr\u00f3ximos quatro meses, de ter\u00e7a-feira a s\u00e1bado, das 10h as 16h, e no domingo, das 10h \u00e0s 15h. Segundo o diretor do Museu Nacional, o paleont\u00f3logo Alexander Kellner, as pe\u00e7as apresentadas s\u00e3o de import\u00e2ncia internacional e o objetivo \u00e9 que outras cidades possam acolh\u00ea-las depois de 17 de maio. &#8220;Estamos j\u00e1 buscando parceiros para fazer com que a exposi\u00e7\u00e3o viaje. O Museu Nacional continua vivo. N\u00f3s estamos trabalhando&#8221;, disse Kellner.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o, intitulada Quando Nem Tudo Era Gelo &#8211; Novas Descobertas no Continente Ant\u00e1rtico, busca mostrar que a Ant\u00e1rtica nem sempre foi como \u00e9 hoje e j\u00e1 abrigou florestas de con\u00edferas, com fauna e flores exuberantes e clima bem mais ameno. H\u00e1 r\u00e9plicas de um mosassauro e de um plesiossauro. O p\u00fablico poder\u00e1 ver tamb\u00e9m um fragmento de osso de pterossauro (r\u00e9ptil voador), o segundo j\u00e1 encontrado em toda a Ant\u00e1rtica. Ele \u00e9 considerado o mais importante achado da equipe de pesquisadores do Museu Nacional.<\/p>\n<p>Est\u00e3o expostos ainda f\u00f3sseis de r\u00e9pteis, baleias, lagostas, pinha e samambaias. No percurso, os vistantes tamb\u00e9m poder\u00e3o ver como \u00e9 o trabalho dos paleont\u00f3logos, quais ferramentas eles usam, como se abrigam e como se locomovem.<\/p>\n<p>A curadoria da exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de Juliana Say\u00e3o, paleont\u00f3loga da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora cedida ao Museu Nacional. &#8220;Nunca nenhuma popula\u00e7\u00e3o humana habitou a Ant\u00e1rtica. Ent\u00e3o, \u00e9 um continente que traz essa assinatura de ter informa\u00e7\u00e3o pura no seu conte\u00fado&#8221;, disse Juliana. Segundo ela, a pesquisadora, a exposi\u00e7\u00e3o ajuda a mostrar como uma mudan\u00e7a no clima traz impactos para vida. &#8220;Mexendo no clima, voc\u00ea mexe na diversidade. Mexe na flora, mexe na fauna, mexe na cadeia alimentar.&#8221;<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava sendo planejada antes do inc\u00eandio e era estimada para outubro de 2018. Embora a mostra tenha sa\u00eddo do papel, 99% do que est\u00e1 exposto n\u00e3o fazia parte da proposta original. A maior parte do acervo apresentado foi selecionada a partir do que estava em um pr\u00e9dio anexo ou emprestado para outras institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. A curadora afirmou que n\u00e3o houve perda de qualidade, j\u00e1 que foram encontradas pe\u00e7as compat\u00edveis com as que estavam previstas inicialmente. &#8220;Temos pe\u00e7as bel\u00edssimas e exclusivas&#8221;, acrescentou Juliana.<\/p>\n<p>Entre as oito pe\u00e7as expostas que foram recuperadas dos escombros edif\u00edcio do Museu Nacional, h\u00e1 um fragmento de rocha vulc\u00e2nica e um tronco fossilizado de 70 milh\u00f5es a 80 milh\u00f5es de anos que se encontra com aspecto metalizado devido ao impacto de um arm\u00e1rio que derreteu no inc\u00eandio. A ideia \u00e9 mant\u00ea-lo desse jeito, como uma testemunha da trag\u00e9dia. &#8220;F\u00f3ssil \u00e9 algo raro e, na Ant\u00e1rtica, mais raro ainda. Mas dentro do que costumamos coletar l\u00e1, troncos s\u00e3o mais comuns. Se fosse um osso, possivelmente ir\u00edamos trabalhar para retirar a apar\u00eancia metalizada&#8221;, disse Alexander Kellner.<\/p>\n<p>De acordo com Kellner, os trabalhos de resgate ainda est\u00e3o no in\u00edcio e outras pe\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o sendo recuperadas, e a expectativa \u00e9 de que muita coisa ainda seja encontrada. &#8220;Por exemplo, os dentes de tubar\u00e3o. T\u00ednhamos uma cole\u00e7\u00e3o maravilhosa. E estava em uma sala em que ainda n\u00e3o entramos.&#8221; Kellner informou ainda que j\u00e1 est\u00e1 se movimentando para buscar o apoio do governo do presidente Jair Bolsonaro ao Museu Nacional. &#8220;Queremos mostrar nosso plano a ele. O Museu Nacional n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 deriva. E a maior prova \u00e9 esta exposi\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>O Paleoantar \u00e9 um projeto do Museu Nacional vinculado ao Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro (Proantar). Voltado para explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do continente gelado, o programa existe desde 1982 e \u00e9 desenvolvido com apoio operacional da Marinha e financiamento do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es e de institui\u00e7\u00f5es de fomento \u00e0 pesquisa.<\/p>\n<p>A primeira vez que pesquisadores do Paleoantar participaram de uma expedi\u00e7\u00e3o do Proantar foi em 2006. Somente 10 anos depois, os paleont\u00f3logos do Museu Nacional voltaram \u00e0 Ant\u00e1rtica, mas, desde 2016, todos os anos, o Paleoantar tem integrado as expedi\u00e7\u00f5es do Proantar. Os trabalhos de campo t\u00eam sido realizados nas ilhas James Ross, Snow e Vega, na pen\u00ednsula ant\u00e1rtica. Neste momento, h\u00e1 uma equipe por l\u00e1.<\/p>\n<p>Kellner afirma que o investimento neste tipo de pesquisa \u00e9 de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica. O Paleoantar \u00e9 financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). &#8220;A Ant\u00e1rtica \u00e9 objeto de cobi\u00e7a de v\u00e1rios pa\u00edses. Somente v\u00e3o opinar sobrr o que vai acontecer futuramente com o continente aqueles pa\u00edses que tiverem pesquisa l\u00e1&#8221;, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu Nacional inaugurou a primeira exposi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o inc\u00eandio de setembro, que consumiu sua sede hist\u00f3rica, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A mostra inclui 160 pe\u00e7as do projeto Paleoantar, dedicado a a coletar e estudar rochas e f\u00f3sseis da Ant\u00e1rtica. Entre elas, h\u00e1 oito pe\u00e7as que foram resgatadas dos escombros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":199699,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-199697","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199697"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199697\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":199701,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199697\/revisions\/199701"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/199699"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}