{"id":200158,"date":"2019-01-22T04:00:24","date_gmt":"2019-01-22T06:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=200158"},"modified":"2019-01-21T22:22:06","modified_gmt":"2019-01-22T00:22:06","slug":"bolsonaro-comeca-teste-de-fogo-jogado-na-cova-dos-leoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bolsonaro-comeca-teste-de-fogo-jogado-na-cova-dos-leoes\/","title":{"rendered":"Bolsonaro come\u00e7a teste de fogo, jogado na cova dos le\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Jair Bolsonaro est\u00e1 na Su\u00ed\u00e7a, no famoso e chiqu\u00e9rrimo F\u00f3rum de Davos. A pequena esta\u00e7\u00e3o de esqui se torna o centro do mundo empresarial de alt\u00edssimo n\u00edvel todos os anos no fim do m\u00eas de janeiro, desde 1971. Criada por um professor de economia do pa\u00eds alpino, a semana de semin\u00e1rios, reuni\u00f5es e encontros junta endinheirados de todos os pontos do globo, que, com o passar dos anos, falam mais de pol\u00edtica de que de economia.<\/p>\n<p>\u00c9 que h\u00e1 um consenso entre os participantes: s\u00e3o todos liberais, adeptos do menos estado e mais iniciativa privada. Jair Bolsonaro \u00e9 a estrela entre os l\u00edderes pol\u00edticos mundiais presentes ao evento. Porque sua elei\u00e7\u00e3o foi uma surpresa nos meios empresariais que n\u00e3o o conhecem. Porque a m\u00eddia internacional, particularmente a europeia, o apresentou como um bronco de extrema-direita nacionalista e ultraconservador. E tamb\u00e9m porque estar\u00e3o ausentes Donald Trump, Vladimir Putin, Xi Ping, Theresa May e Emmanuel Macron. Cada um com um problema diferente em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o Brasil ser\u00e1 a estrela da meca do liberalismo: o ent\u00e3o presidente Lula, em 2003, esteve em Davos. E fez um discurso \u201cde paz\u201d para o mercado, garantindo que n\u00e3o atacaria o capitalismo, que respeitaria os contratos, que buscaria o equil\u00edbrio econ\u00f4mico&#8230; M\u00fasica para os ouvidos dos portadores de ternos Armani ou Hugo Boss sob medida, que respiraram aliviados. Afinal, o l\u00edder barbudo era considerado quase uma encarna\u00e7\u00e3o do Mal. Lula, anos depois, n\u00e3o pouparia o F\u00f3rum de suas cr\u00edticas, responsabilizando essa \u201celite\u201d pela crise de 2008, mas a\u00ed os contratos, concess\u00f5es e investimentos j\u00e1 estavam feitos.<\/p>\n<p>Jair Bolsonaro, num outro registro, tamb\u00e9m n\u00e3o chega com a priori positivo. Dono de PIB significativo, o Brasil despenca no ranking quando se trata de competitividade. Seu mercado ainda \u00e9 muito fechado, 22% de sua riqueza prov\u00e9m do com\u00e9rcio internacional. Os investidores querem mais oportunidades, mais abertura, menos reserva de mercado. E mais estabilidade jur\u00eddica tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A constante interven\u00e7\u00e3o de um juiz Federal paulista na atual negocia\u00e7\u00e3o entre Boeing e Embraer, por exemplo, representa um caso incompreens\u00edvel para os davosianos. Acostumados com o sistema estadunidense, eles n\u00e3o entendem como um magistrado de primeira inst\u00e2ncia pode tomar decis\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0s das inst\u00e2ncias superiores. \u00c9 para esclarecer este e outros \u201cmist\u00e9rios\u201d que o presidente brasileiro levou a tiracolo seu ministro da Justi\u00e7a, S\u00e9rgio Moro, que poder\u00e1 explicar qual ser\u00e1 seu entendimento sobre o card\u00e1pio de privatiza\u00e7\u00f5es que a outra estrela da comitiva, o ministro da Economia Paulo Guedes, vai propor aos \u00e1vidos investidores.<\/p>\n<p>Jair Bolsonaro, que pronunciar\u00e1 o primeiro discurso, fato in\u00e9dito para um brasileiro na hist\u00f3ria do F\u00f3rum, tamb\u00e9m ter\u00e1 que pelo menos evocar o tema da reuni\u00e3o 2019: Globaliza\u00e7\u00e3o 4.0 \u2013 os desafios em torno da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e as amea\u00e7as que a tecnologia representa para a seguran\u00e7a e o emprego. Quase ausente do debate pol\u00edtico na elei\u00e7\u00e3o 2018 no Brasil, o meio-ambiente \u00e9 o assunto n\u00famero 1 em particular na Europa.<\/p>\n<p>Cada vez mais distanciado pelos norte-americanos e agora pelos chineses na tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e de dados, o velho continente espera voltar \u00e0 vanguarda passando pelo verde. E se prepara para mudar de paradigma econ\u00f4mico: v\u00e1rias correntes pol\u00edticas j\u00e1 evocam uma necess\u00e1ria atualiza\u00e7\u00e3o dos indicadores.<\/p>\n<p>A eterna busca pelo crescimento est\u00e1 deixando uma legi\u00e3o cada vez maior de habitantes \u00e0 margem da sociedade de consumo como se vivia nos anos 60 e 70. Comprar menos para viver melhor, um lema que est\u00e1 se alastrando. Mas que vai na contram\u00e3o da pol\u00edtica industrial mundial dos dois \u00faltimos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Davos n\u00e3o perdeu sua import\u00e2ncia, mas bastante de seu brilho. A ostenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz mais sonhar como antes. A classe m\u00e9dia empobrece enquanto os ultraricos parecem n\u00e3o ter limites para cima.<\/p>\n<p>A ONG Oxfram, que publica anualmente um relat\u00f3rio sobre a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza no mundo, indicou nesta segunda-feira, 21, que, em 2019, 26 pessoas f\u00edsicas possuem o equivalente \u00e0 metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial, ou seja 3,8 bilh\u00f5es de pessoas. Em 2016, eram 62 neste clube. A concentra\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o para como ela acelera. Mas isto n\u00e3o ser\u00e1 tema de discuss\u00e3o na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jair Bolsonaro est\u00e1 na Su\u00ed\u00e7a, no famoso e chiqu\u00e9rrimo F\u00f3rum de Davos. A pequena esta\u00e7\u00e3o de esqui se torna o centro do mundo empresarial de alt\u00edssimo n\u00edvel todos os anos no fim do m\u00eas de janeiro, desde 1971. 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