{"id":200346,"date":"2019-01-23T22:20:36","date_gmt":"2019-01-24T00:20:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=200346"},"modified":"2019-01-23T22:20:36","modified_gmt":"2019-01-24T00:20:36","slug":"sobrou-uns-trocados-para-investir-cuidado-para-nao-perder-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sobrou-uns-trocados-para-investir-cuidado-para-nao-perder-tudo\/","title":{"rendered":"Sobrou uns trocados para investir? Cuidado para n\u00e3o perder tudo"},"content":{"rendered":"<p>Em 2019, a economia brasileira promete tomar um novo rumo, portanto, entender como e onde investir neste ano novo \u00e9 imprescind\u00edvel para quem deseja conquistar seus objetivos financeiros.<\/p>\n<p>O investidor deve ter em mente que, independentemente de qual seja seu objetivo, \u00e9 preciso conhecer as armadilhas do mercado financeiro, a fim de se proteger e beneficiar ao m\u00e1ximo das novas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 o que explica o economista Flavio Terni, nas dicas a seguir:<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Esquecer que o mercado \u00e9 competi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara bater o mercado (e ganhar dinheiro), algu\u00e9m precisa perder. Portanto, quando se decide comprar e vender ativos, deve-se ter em mente contra quem se est\u00e1 competindo: fundos de investimentos, brasileiros e internacionais, com centenas de analistas, infraestrutura adequada, custo de corretagem menor, maior (e melhor) acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e maior experi\u00eancia. \u00c9 necess\u00e1rio pensar racionalmente qual a vantagem competitiva que se possui contra \u201ca outra ponta\u201d antes de investir. Ser\u00e1 que alguns meses de estudo e a leitura de jornais s\u00e3o o suficiente? Existem, obviamente, algumas vantagens em ser pequeno em compara\u00e7\u00e3o a esses investidores. Talvez a principal \u00e9 que o investidor pode \u201centrar e sair\u201d do mercado com muito mais facilidade, dado que fundos precisam aportar milh\u00f5es em uma posi\u00e7\u00e3o \u2013 e isto toma tempo. Por\u00e9m, \u00e9 de suma import\u00e2ncia que a pessoa mantenha a humildade e os p\u00e9s no ch\u00e3o, ou ent\u00e3o ser\u00e1 presa f\u00e1cil para o mercado.<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; N\u00e3o definir seus objetivos<\/strong><br \/>\nSe o investidor n\u00e3o sabe para onde ir, qualquer destino serve. No caso do mercado financeiro, investir sem uma meta clara provavelmente trar\u00e1 preju\u00edzo. \u00c9 necess\u00e1rio ter um objetivo claro de retorno esperado, para ent\u00e3o conseguir dimensionar adequadamente o risco necess\u00e1rio para atingi-lo. Somente com essa informa\u00e7\u00e3o na m\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel decidir se \u00e9 um risco toler\u00e1vel ou n\u00e3o. \u00c9 importante comparar \u201cbanana com banana\u201d. Ouve-se frequentemente hist\u00f3rias de algu\u00e9m que \u201cganhou 30% com a\u00e7\u00f5es\u201d. Este valor, sem contexto, n\u00e3o quer dizer nada. Qual foi o risco (volatilidade) que o investidor incorreu? Quanto rendeu o benchmark? Se o benchmark rendeu 40% com risco de 20%, e o investidor fez 30% com o mesmo risco, al\u00e9m de ter rendido menos que o benchmark (Alpha negativo), ainda foi menos eficiente em termos de risco x retorno (Sharpe menor).<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; N\u00e3o entender conceito de risco<\/strong><br \/>\nCorrer mais risco para ter mais retorno \u2013 essa \u00e9 talvez a frase mais perigosa que existe no mercado financeiro. \u00c9 comum escutar investidores dizendo que a carteira vai render muito porque aumentaram o n\u00edvel de risco dos investimentos, como se risco x retorno fosse uma garantia. Entretanto: risco \u00e9 incerteza. Em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque se est\u00e1 arriscando mais que necessariamente se ir\u00e1 obter um retorno maior (o que parece \u00f3bvio \u2013 n\u00e3o \u00e9). Se o investidor est\u00e1 contando com uma carteira arriscada para atingir um n\u00edvel de rendimento suficiente para suprir suas necessidades b\u00e1sicas para viver, \u00e9 muito prov\u00e1vel que, em algum momento, ir\u00e1 passar por algum sufoco. Antes de montar uma carteira de investimentos e come\u00e7ar a escolher os produtos, a primeira pergunta (de todas) deve ser o risco m\u00e1ximo que se est\u00e1 disposto\/pode correr<\/p>\n<p><strong>4 &#8211; Subestimar a necessidade do mercado<\/strong><br \/>\nNada como a ilus\u00e3o de seguran\u00e7a para deixar qualquer investidor cego. Um mercado secund\u00e1rio \u2013 aquele que permite a troca direta de ativos entre investidores \u2013 \u00e9 extremamente importante para trazer um senso de realidade ao investidor. Quando existe um mercado secund\u00e1rio ativo e com liquidez, os pre\u00e7os dos ativos negociados variam constantemente, como se fossem a\u00e7\u00f5es, e, portanto, refletem exatamente o valor justo dos ativos para os investidores. Ativos sem mercado secund\u00e1rio oferecem as maiores armadilhas para qualquer investidor. Normalmente os investidores v\u00e3o para esses ativos pois tem medo da varia\u00e7\u00e3o (volatilidade) de pre\u00e7os diariamente. Im\u00f3veis, neg\u00f3cios de fam\u00edlia, empresas de capital fechado, cr\u00e9dito, tudo isso deveria vir com um enorme aviso: \u201cCuidado! Comprar um ativo que n\u00e3o possui volatilidade equivale a dirigir vendado. N\u00e3o fuja da volatilidade, ela \u00e9 uma grande aliada: te permite medir risco\u201d. Quando n\u00e3o h\u00e1 oscila\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o, os ativos podem (e s\u00e3o) muitas vezes oferecidos como \u201clivre de risco\u201d, e o investidor, claro, adora. Quem n\u00e3o quer um ativo \u201csem risco\/varia\u00e7\u00e3o\u201d que rende mais que o CDI? No Brasil, alguns dos ativos com mercado secund\u00e1rio il\u00edquido s\u00e3o os produtos de cr\u00e9dito como CDB, LCI\/LCA, Deb\u00eantures e CRI\/CRA. Portanto estes ativos podem mascarar o verdadeiro risco da sua carteira \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio que o assessor investigue a fundo as garantias de cada ativo e fa\u00e7a uma an\u00e1lise cr\u00edtica do risco x retorno.<\/p>\n<p><strong>5 &#8211; N\u00e3o checar custo<\/strong><br \/>\nTodos j\u00e1 ouviram que Fundo Referenciado DI custando 2% \u00e9 perda de dinheiro. Mas um fundo de a\u00e7\u00f5es passivo cobrando 2% tamb\u00e9m \u00e9. Cada fundo tem um prop\u00f3sito, e cada prop\u00f3sito tem um custo. Se o investidor n\u00e3o sabe a diferen\u00e7a entre um fundo ativo e um fundo passivo, provavelmente vai pagar por uma Mercedes e receber um Fusca. Importante: esquecer aquela hist\u00f3ria de \u201cse est\u00e1 dando resultado n\u00e3o interessa o custo\u201d. Para cobrir um custo alto, os gestores precisar\u00e3o tomar mais risco. Nesse caso, o investidor ficar\u00e1 com todo esse excesso de risco, mas o gestor ficar\u00e1 com boa parte do retorno. Ao ignorar o custo o investidor indiretamente corre, desnecessariamente, mais risco.<\/p>\n<p><strong>6 &#8211; &#8220;Diversificar&#8221;<\/strong><br \/>\nQuem n\u00e3o conhece o ditado \u201cnunca coloque os ovos na mesma cesta\u201d? Todo mundo j\u00e1. E, por isso, as pessoas dividem os ovos em v\u00e1rias cestas e, depois\u2026 colocam todas as cestas na mesma bandeja. Resultado: desastre. A verdadeira diversifica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita entre classes de ativos (juros, c\u00e2mbio, bolsa e commodities), geograficamente e entre estilos diferentes (macro, quant, event-driven, l&amp;s, etc.). A quantidade de bancos ou de produtos, por si s\u00f3, n\u00e3o quer dizer nada. \u00c9 preciso lembrar que fundos s\u00e3o apenas ve\u00edculos para viabilizar a compra de ativos. Quando se opta por investir em v\u00e1rios fundos que compram os mesmos ativos, n\u00e3o se estar\u00e1 diversificando. Outro caso \u00e9 comprar ativos cuja varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o \u00e9 similar \u2013 neste caso, quando um ativo desvalorizar, os outros provavelmente perder\u00e3o tamb\u00e9m. Exemplo: Um investidor possui 50% do patrim\u00f4nio no Banco A, investidos igualmente em LCI, CDB e Fundo Imobili\u00e1rio e 50% do patrim\u00f4nio no Banco B, investidos em Fundo REF DI, NTNB-B, Poupan\u00e7a, LCA e CRI. Existe diversifica\u00e7\u00e3o neste caso? Em caso positivo, \u00e9 preciso estudar mais a fundo.<\/p>\n<p><strong>7 &#8211; Focar em produtos individuais e n\u00e3o na carteira geral<\/strong><br \/>\nUm ativo com excelente retorno e baixo risco \u00e9 bom? Depende. Se o investidor est\u00e1 olhando-o isoladamente n\u00e3o quer dizer muita coisa. Qualquer ativo tem que ser analisado no contexto da sua carteira. Ao adicion\u00e1-lo \u00e0 carteira, ela melhora ou piora? Todos os ativos possuem uma determinada correla\u00e7\u00e3o entre eles. \u00c9 importante sempre levar em considera\u00e7\u00e3o a somat\u00f3ria final de retorno e risco da carteira. Para uma carteira que investe pesado em LTN e NTN-B, adicionar no portf\u00f3lio um fundo imobili\u00e1rio provavelmente ser\u00e1 uma p\u00e9ssima jogada, dada a correla\u00e7\u00e3o alta que existe entre movimenta\u00e7\u00f5es da taxa de juros futura e esses ativos. Importante: uma varia\u00e7\u00e3o deste pensamento e um dos principais vieses comportamentais do ser humano \u00e9 a tend\u00eancia de separar o pr\u00f3prio patrim\u00f4nio em \u201ccaixas\u201d, cada uma com um prop\u00f3sito: temos a caixa da faculdade dos filhos, a caixa da aposentadoria, a caixa das viagens, a caixa do risco (onde est\u00e3o os produtos agressivos). Cuidado. No final do dia, o que interessa \u00e9 a soma do retorno (e risco) de todas as caixas. Quando se separa, fica muito mais dif\u00edcil ver o panorama geral e \u00e9 muito mais prov\u00e1vel que a carteira total n\u00e3o performar\u00e1 bem.<\/p>\n<p><strong>8 &#8211; Superestimar racionalidade e emo\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO investidor humano, seja ele profissional ou n\u00e3o, est\u00e1 sujeito a uma s\u00e9rie de vieses comportamentais que afetam a decis\u00e3o racional. Quem nunca comprou um ativo que perdeu valor e, ao inv\u00e9s de vender, preferiu segur\u00e1-lo at\u00e9 que ele \u201cvoltasse para o pre\u00e7o original de compra\u201d? Isto \u00e9 um cl\u00e1ssico erro de racioc\u00ednio, conhecido como ancoragem. O fato de um ativo ter tido um pre\u00e7o no passado em nada garante que o mesmo voltar\u00e1 para aquele valor, e o mercado n\u00e3o tem nenhum motivo para levar o seu pre\u00e7o pessoal de compra em considera\u00e7\u00e3o. Outros vieses s\u00e3o muito comuns, como o de confirma\u00e7\u00e3o. O investidor estuda uma a\u00e7\u00e3o e se convence de que \u00e9 um bom investimento. A partir deste momento, seu c\u00e9rebro vira um radar \u00e0 procura de informa\u00e7\u00f5es que confirmem suas cren\u00e7as ou hip\u00f3teses iniciais, ignorando fatos que n\u00e3o estejam alinhados com sua hip\u00f3tese. Dificilmente se ir\u00e1 atr\u00e1s de informa\u00e7\u00f5es que invalidem sua cren\u00e7a inicial, simplesmente porque \u00e9 contra a sua pr\u00f3pria natureza buscar informa\u00e7\u00f5es que lhe mostrem que est\u00e1 errado.<\/p>\n<p><strong>9 &#8211; Focar no hist\u00f3rico e n\u00e3o no processo<\/strong><br \/>\n\u201cRetorno passado n\u00e3o \u00e9 garantia de retorno futuro\u201d. Esta frase j\u00e1 \u00e9 bem conhecida. Entretanto, um longo hist\u00f3rico de alta performance \u00e9, sim, um bom indicador inicial para pesquisar um produto com maior profundidade, em especial um fundo de investimento. No caso de um fundo de investimento, o hist\u00f3rico deve servir como filtro inicial na escolha da gestora. O mais importante, por\u00e9m, \u00e9 averiguar se a equipe de gest\u00e3o e o processo de investimento que foram respons\u00e1veis pela performance no passado se mant\u00e9m. \u00c9 comum a mudan\u00e7a da equipe de gest\u00e3o ou a troca no processo de investimentos em uma gestora. Neste caso, aquele hist\u00f3rico n\u00e3o vale nada, pois reflete o sucesso obtido por uma equipe ou processo que n\u00e3o existe mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2019, a economia brasileira promete tomar um novo rumo, portanto, entender como e onde investir neste ano novo \u00e9 imprescind\u00edvel para quem deseja conquistar seus objetivos financeiros. 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