{"id":201085,"date":"2019-01-31T06:43:43","date_gmt":"2019-01-31T08:43:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=201085"},"modified":"2019-01-31T08:46:48","modified_gmt":"2019-01-31T10:46:48","slug":"vice-o-filme-conta-historia-do-vice-que-queria-ser-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vice-o-filme-conta-historia-do-vice-que-queria-ser-rei\/","title":{"rendered":"Vice, o filme, conta hist\u00f3ria do vice que queria ser rei"},"content":{"rendered":"<p>Vice parte da juventude de Dick Cheney para retrat\u00e1-lo como um estroina que bebia demais e n\u00e3o tinha coisa que prestasse na cabe\u00e7a. Sua salva\u00e7\u00e3o, se o termo cabe, deve-se \u00e0 ent\u00e3o noiva e depois esposa, Lynne Vincent. Esta Lady Macbeth dos tempos modernos um dia encurrala o noivo e lhe pergunta se deseja ser algu\u00e9m na vida ou estava conformado em ser um b\u00eabado qualquer. Esse seria o impulso psicol\u00f3gico que faltava para Cheney entrar para a pol\u00edtica e buscar o destaque, sem qualquer outra considera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o o sucesso. \u00c9 uma hip\u00f3tese, claro, mas faz sentido no contexto de um pa\u00eds que coloca o \u00eaxito como objetivo supremo e tem na palavra &#8220;loser&#8221; (perdedor) a sua pior ofensa.<\/p>\n<p>Cheney decide ser um vencedor. E, como tem em Rumsfeld um excelente mestre, aprende a escolher os caminhos certos e trilh\u00e1-lo com o foco permanente na acumula\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de poder. Dessa maneira, seguimos as perip\u00e9cias de Cheney rumo ao topo, e \u00e0 espera de uma grande oportunidade.<\/p>\n<p>Esta surge quando Bush o convida para vice de sua chapa. A princ\u00edpio, Cheney n\u00e3o se mostra disposto. Considera a vice-presid\u00eancia cargo decorativo, vizinho ao poder mas sem exerc\u00ea-lo de fato. A n\u00e3o ser&#8230;<\/p>\n<p>A n\u00e3o ser que consiga convencer o candidato a conceder algumas altera\u00e7\u00f5es nos atributos do cargo. Que tal, por exemplo, dar ao vice o comando das For\u00e7as Armadas e da diplomacia, incluindo-se a\u00ed, \u00e9 claro, a CIA e todas as opera\u00e7\u00f5es, legais ou ilegais, realizadas no exterior? Mas ser\u00e1 algum candidato a presidente tolo o suficiente para abdicar parte consider\u00e1vel do poder que ter\u00e1 caso eleito e transferi-la para seu companheiro de chapa? Na interpreta\u00e7\u00e3o do filme, esse candidato se chama George W. Bush. Cheney teria aceitado concorrer, mesmo se Bush negasse seu pedido? N\u00e3o se sabe; tudo \u00e9 especula\u00e7\u00e3o. Mas, como o jogo do poder \u00e9 parecido com o p\u00f4quer, se Cheney estava blefando, ganhou aquela m\u00e3o, mesmo sem ter \u00f3timas cartas.<\/p>\n<p>Do ponto de vista cinematogr\u00e1fico, esta \u00e9 uma das sequ\u00eancias chave do filme. O p\u00f4quer entre Bush e Cheney, no qual se disputam parcelas de um futuro e hipot\u00e9tico poder. Talvez se possa criticar o jeito um tanto caricato com que Bush \u00e9 interpretado por Sam Rockwell. Seu jeito simpl\u00f3rio, tosco mesmo, diante de um aliado\/advers\u00e1rio a manejar como mestre as artes da ast\u00facia pol\u00edtica. Mas, como se sabe, tanto Bush como Trump e outros pol\u00edticos em outras latitudes fazem de sua falta de refinamento e limita\u00e7\u00e3o cultural trunfos para ganhar o voto do &#8220;homem m\u00e9dio&#8221;, ressentido, anti-intelectual e mais propenso a seguir palavras de ordens que pensamentos complexos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, foi assim que Bush chegou ao poder &#8211; levando com ele Cheney. Quis o destino que a dupla se defrontasse com o grande desafio do 11 de setembro de 2001, o ataque da Al-Qaeda aos Estados Unidos com a destrui\u00e7\u00e3o das Torres G\u00eameas em Nova York. Foi um fato que mudou a hist\u00f3ria da humanidade, para pior provavelmente, logo no alvorecer do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>De acordo com o filme, Cheney teria assumido papel protagonista em uma situa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia bem acima da capacidade de rea\u00e7\u00e3o de Bush Jr. Teria sido o vice, ent\u00e3o, o promotor da implac\u00e1vel ca\u00e7ada \u00e0 Al-Qaeda e ao seu l\u00edder m\u00e1ximo, Osama Bin Laden (que seria encontrado e morto apenas no governo Obama). Teria sa\u00eddo de Cheney a ideia da invas\u00e3o do Iraque e a deposi\u00e7\u00e3o (e depois execu\u00e7\u00e3o) de Saddam Hussein, a pretexto da exist\u00eancia de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. Como se sabe, essas armas jamais seriam encontradas. Mas, ent\u00e3o, a invas\u00e3o do Iraque, riqu\u00edssimo em petr\u00f3leo, j\u00e1 era fato consumado.<\/p>\n<p>Como filme, Vice \u00e9 constru\u00eddo sobre essas manobras de bastidores, em que o poder se move em dire\u00e7\u00e3o a \u00e1reas de interesse, usando pretextos nem sempre cr\u00edveis e poucas vezes \u00e9ticos. Da\u00ed o charme oculto desses manipuladores que, sem ocupar a ribalta, s\u00e3o os que de fato conduzem o jogo.<\/p>\n<p>Mesmo nas democracias, j\u00e1 aprendemos, \u00e0s vezes com muito sofrimento, o poder mant\u00e9m suas zonas de sombra. Nem tudo vem a p\u00fablico, ou vem tarde demais, ou de forma incompleta, a pretexto da &#8220;seguran\u00e7a nacional&#8221;. Sob a forma c\u00f4mica mordaz, Vice reafirma essa opacidade do poder e nos traz alguma coisa a mais. Em tom sarc\u00e1stico, insinua os limites da democracia e sua ilus\u00e3o de transpar\u00eancia, mesmo em pa\u00edses de institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas como os Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vice parte da juventude de Dick Cheney para retrat\u00e1-lo como um estroina que bebia demais e n\u00e3o tinha coisa que prestasse na cabe\u00e7a. Sua salva\u00e7\u00e3o, se o termo cabe, deve-se \u00e0 ent\u00e3o noiva e depois esposa, Lynne Vincent. 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