{"id":201393,"date":"2019-02-03T16:20:53","date_gmt":"2019-02-03T18:20:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=201393"},"modified":"2019-02-03T16:22:24","modified_gmt":"2019-02-03T18:22:24","slug":"tem-diplomado-sem-emprego-porque-o-salario-e-baixo-fazer-o-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tem-diplomado-sem-emprego-porque-o-salario-e-baixo-fazer-o-que\/","title":{"rendered":"Tem diplomado sem emprego porque o sal\u00e1rio \u00e9 baixo. Fazer o qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p>Desde que o Brasil entrou oficialmente em recess\u00e3o, em 2014, o desalento &#8211; quando o trabalhador desiste de procurar emprego simplesmente por achar que n\u00e3o vai mais conseguir encontrar uma vaga &#8211; subiu a pir\u00e2mide social. O n\u00famero de trabalhadores com maior n\u00edvel de escolaridade que entrou nessa categoria aumentou exponencialmente.<\/p>\n<p>No terceiro trimestre do ano passado, o total de pessoas que estudaram por dez anos ou mais (que \u00e9 o equivalente a ter ao menos iniciado do o ensino m\u00e9dio) e tinham parado de buscar trabalho era de 1,66 milh\u00e3o, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (Pnad) Cont\u00ednua. No terceiro trimestre de 2014, esse n\u00famero era de 394 mil pessoas.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que mais de 1,27 milh\u00e3o de trabalhadores bem qualificados, em plena idade produtiva, ca\u00edram no desalento de 2014 at\u00e9 setembro do ano passado, pelos n\u00fameros da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), compilados pela consultoria IDados. Em 2012, o primeiro ano da Pnad, os trabalhadores com maior forma\u00e7\u00e3o eram 26% dos desalentados. Agora, eles j\u00e1 chegam a 35%.<\/p>\n<p>O porcentual de brasileiros mais escolarizados que desistiram de buscar um emprego come\u00e7ou a crescer em 2015 e avan\u00e7ou sete pontos porcentuais em apenas tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, esse movimento \u00e9 ruim porque indica que mesmo as pessoas com maior qualifica\u00e7\u00e3o est\u00e3o pessimistas com o mercado de trabalho. Um dos motivos para esse des\u00e2nimo \u00e9 que, na sa\u00edda da recess\u00e3o, as vagas de emprego criadas s\u00e3o, em sua maioria, de baixa remunera\u00e7\u00e3o, muitas vezes informais &#8211; foi isso que sustentou a pequena queda da taxa de desemprego no ano passado. Puxada exatamente pelo aumento da informalidade, a desocupa\u00e7\u00e3o caiu de 13,1%, no in\u00edcio do ano, para 11,6%, no fim de dezembro.<\/p>\n<p><strong>Padr\u00e3o<\/strong> &#8211; Al\u00e9m disso, como esses trabalhadores que acumularam anos de estudo tinham sal\u00e1rios maiores antes do desemprego, quando o desalento chega a esse grupo, a renda familiar \u00e9 mais prejudicada, analisa Bruno Ottoni, da IDados. &#8220;S\u00e3o pessoas mais qualificadas e com um padr\u00e3o de vida melhor, que desistiram em algum momento de procurar emprego.&#8221;<\/p>\n<p>Por estarem em uma situa\u00e7\u00e3o mais fr\u00e1gil no mercado de trabalho, ganharem menos e estarem mais sujeitos a perder o emprego, os brasileiros com menor forma\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o a maioria em situa\u00e7\u00e3o de desalento, mas a presen\u00e7a deles entre os que desanimaram de procurar uma vaga caiu de 73%, no terceiro trimestre de 2014, para 65% no terceiro trimestre do ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Cansei de esperar o mercado melhorar&#8221;, resume a engenheira Adriana Mello, de 28 anos. &#8220;Parece que agora est\u00e1 mais f\u00e1cil de arrumar um emprego, mas s\u00f3 parece. N\u00e3o voltei a procurar o dia inteiro, como fazia antes, porque as vagas que aparecem t\u00eam remunera\u00e7\u00e3o de R$ 3 mil, quando o piso \u00e9 tr\u00eas vezes mais. Querem que voc\u00ea tenha as mesmas responsabilidades de antes, sem ganhar o suficiente.&#8221;<\/p>\n<p>Desde que Adriana perdeu o emprego, em maio do ano passado, ela passou a usar o tempo livre para fazer cursos e melhorar o ingl\u00eas. Mas as contas, que eram divididas com o marido, pesam mais. &#8220;De 2015 para c\u00e1, o mercado piorou. Quem ganhava R$ 7 mil, agora topa ganhar R$ 3 mil. E quem pode esperar, aproveita para voltar ao mercado com mais forma\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, o n\u00famero de desalentados &#8211; os trabalhadores que pararam de buscar emprego por um tempo &#8211; com maior forma\u00e7\u00e3o deve cair lentamente, j\u00e1 que, na sa\u00edda da crise, as vagas que t\u00eam surgido s\u00e3o de remunera\u00e7\u00e3o mais baixa.<\/p>\n<p>O desalentado \u00e9 o brasileiro que gostaria de estar trabalhando, mas n\u00e3o tem incentivo para procurar trabalho por um per\u00edodo, seja pela dificuldade em se recolocar no mercado de trabalho ou porque as oportunidades que aparecem agora n\u00e3o s\u00e3o atrativas e ele pode esperar que as coisas melhorem.<\/p>\n<p>&#8220;Ele faz parte da for\u00e7a de trabalho potencial&#8221;, explica o economista Bruno Ottoni, pesquisador da consultoria IDados. &#8220;Em geral, o desalento cresce em um mercado de trabalho que n\u00e3o est\u00e1 funcionando direito. E na sa\u00edda da crise, o n\u00famero de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o cresce porque as poucas vagas que reapareceram no mercado agora pagam pouco.&#8221;<\/p>\n<p>Ele lembra que o trabalhador, muitas vezes, acaba preferindo ficar em casa ou come\u00e7ar a fazer algum curso, fica mais ou menos em um compasso de espera at\u00e9 que surjam oportunidades.&#8221;<\/p>\n<p>O tamb\u00e9m engenheiro Diogo Dutra da Silva, de 29 anos, est\u00e1 fora do mercado de trabalho desde a conclus\u00e3o das obras de um edif\u00edcio em 2017. &#8220;Trabalhava em uma construtora que viu as obras rarearem durante a crise. Em 2015, come\u00e7ou a diminuir a quantidade de projetos e o n\u00famero de funcion\u00e1rios da empresa. Quando o pr\u00e9dio ficou pronto, perdi o emprego.&#8221;<\/p>\n<p>Ele concorda que as vagas que surgiram entre o ano passado e o in\u00edcio de 2019 t\u00eam remunera\u00e7\u00e3o baixa demais, a ponto de compensar esperar mais um pouco. &#8220;Sempre fui de gastar pouco e durante o per\u00edodo de emprego farto, guardei dinheiro. Essa poupan\u00e7a me ajuda agora a n\u00e3o precisar aceitar qualquer vaga que for aparecendo&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong>Baixa expectativa<\/strong> &#8211; Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou que os brasileiros que ca\u00edram no desalento atingiram m\u00e9dia de 4,736 milh\u00f5es &#8211; 13,4% acima de 2017 Nessa conta, entram os que se achavam jovens ou idosos demais, pouco experientes ou acreditavam que n\u00e3o encontrariam uma boa oportunidade de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Tem gente que j\u00e1 consegue encontrar o trabalho com carteira assinada mais facilmente do que h\u00e1 alguns meses, mas as condi\u00e7\u00f5es nem sempre s\u00e3o boas. Se a pessoa pode esperar mais um pouco para conseguir um emprego mais pr\u00f3ximo de suas expectativas, ela acaba se virando, conta com as economias ou ajuda de parentes e espera&#8221;, concorda o economista da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe) Eduardo Zylberstajn.<\/p>\n<p>A expectativa do economista do Insper Renan de Pieri \u00e9 de que o Pa\u00eds gere mais empregos este ano do que em 2018, quando o desemprego cedeu apenas timidamente, e fechou o \u00faltimo trimestre em 11,6% &#8211; ante 13,1% do in\u00edcio do ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a reinser\u00e7\u00e3o dessas pessoas no mercado de trabalho n\u00e3o vai ocorrer rapidamente. O Brasil formou um ex\u00e9rcito de desalentados, quando o mercado melhorar, eles v\u00e3o voltar a procurar por emprego e precisar\u00e3o ser reabsorvidos&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que o Brasil entrou oficialmente em recess\u00e3o, em 2014, o desalento &#8211; quando o trabalhador desiste de procurar emprego simplesmente por achar que n\u00e3o vai mais conseguir encontrar uma vaga &#8211; subiu a pir\u00e2mide social. O n\u00famero de trabalhadores com maior n\u00edvel de escolaridade que entrou nessa categoria aumentou exponencialmente. No terceiro trimestre do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":201394,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-201393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasilia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=201393"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":201397,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201393\/revisions\/201397"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/201394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=201393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=201393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=201393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}