{"id":201625,"date":"2019-02-06T08:18:33","date_gmt":"2019-02-06T10:18:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=201625"},"modified":"2019-02-06T08:19:53","modified_gmt":"2019-02-06T10:19:53","slug":"carnaval-vem-ai-e-criancas-prometem-dar-aula-de-samba-nos-desfiles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/carnaval-vem-ai-e-criancas-prometem-dar-aula-de-samba-nos-desfiles\/","title":{"rendered":"Carnaval vem a\u00ed e crian\u00e7as prometem dar aula de samba"},"content":{"rendered":"<p>Uni\u00e3o \u00e9 a palavra-chave das escolas de samba mirins do Rio de Janeiro para botar na avenida o carnaval 2019. Numa \u00e1rea embaixo do viaduto da Avenida Trinta e Um de Mar\u00e7o, no Catumbi, regi\u00e3o central da cidade, 11 das 16 agremia\u00e7\u00f5es, que comp\u00f5em o grupo, transformaram o local em um barrac\u00e3o improvisado. \u00c9 ali que tentam juntar as doa\u00e7\u00f5es para preparar as poucas alegorias que far\u00e3o parte dos desfiles no dia 5 de mar\u00e7o, ter\u00e7a-feira de carnaval, na Passarela do Samba. Pelo regulamento, cada uma pode levar para o desfile at\u00e9 dois carros aleg\u00f3ricos.Es<\/p>\n<p>Os presidentes da Inocentes da Caprichosos, Jefferson Rocha, e da Golfinhos do Rio, Val\u00e9ria Pires, trocaram alegorias de carnavais passados, inclusive as que receberam de doa\u00e7\u00e3o de escolas de outros grupos. Depois de restauradas, ser\u00e3o levadas \u00e0 avenida.<\/p>\n<p>Os integrantes da Petizes da Penha, instalada na comunidade da Vila Cruzeiro, na zona norte, v\u00e3o desfilar com fantasias confeccionadas com tecidos que, no ano passado, foram usados nas fantasias das baianas de outra escola. A presidente da Petizes, Patr\u00edcia dos Santos, contou que viu na doa\u00e7\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para produzir as fantasias das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O trabalho, que ser\u00e1 feito por costureiras que se formaram em um dos projetos da escola para capacita\u00e7\u00e3o profissional, conta ainda a participa\u00e7\u00e3o de pais e componentes antigos e amigos da escola. \u201cA gente tem trabalhado muito, mas vai fazer um carnaval bonito\u201d.<\/p>\n<p>A falta de recursos causa impacto tamb\u00e9m no n\u00famero de componentes. \u201cSempre levei 2 mil crian\u00e7as. Ano passado, cheguei a 900 e, este ano, acho que n\u00e3o chego nem a 500, porque cada \u00f4nibus custa R$ 1.300. Eu preciso de 15 \u00f4nibus\u201d, conta a presidente da Golfinhos do Rio de Janeiro, Val\u00e9ria Pires.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco carnavais no comando da Filhos da \u00c1guia, Celsinho de Andrade, disse que as doa\u00e7\u00f5es chegam da escola m\u00e3e, a Portela. \u201cSempre passo para o carnavalesco o enredo do carnaval do ano seguinte para ele ver na Portela o que a gente pode utilizar e at\u00e9 para reciclar. Ele \u00e9 criativo, e do lixo ele faz o luxo\u201d, afirmou. Este ano houve refor\u00e7o no apoio da Portela que ofereceu a m\u00e3o de obra para a recupera\u00e7\u00e3o dos carros aleg\u00f3ricos. \u201cNo abre-alas, vamos ter at\u00e9 tr\u00eas filhotes em um ninho embaixo da \u00c1guia.\u201d<\/p>\n<p>A maioria dos componentes do grupo das mirins \u00e9 de comunidades da regi\u00e3o metropolitana do Rio. As idades variam entre 5 e 18 anos e, justamente por isso, as escolas precisam bancar os custos de lanche, bebidas e \u00f4nibus para o transporte at\u00e9 o Samb\u00f3dromo.<\/p>\n<p>A exig\u00eancia para desfilar \u00e9 estar estudando. Para desfilar, cada crian\u00e7a precisa ter o documento de autoriza\u00e7\u00e3o do juizado de menores e, na avenida, os componentes s\u00e3o acompanhados pelos diretores de harmonia das agremia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O vice-presidente da Ainda Existe Crian\u00e7a na Vila Kennedy, Artur Cardoso, que segue o caminho da av\u00f3, dona Turquinha, presidente da escola e ex-presidente da associa\u00e7\u00e3o, disse que vale todo o sacrif\u00edcio para n\u00e3o deixar o samba n\u00e3o morrer. \u201cN\u00f3s vamos resistir. Mesmo com poucos ou sem recursos estamos unidos para n\u00e3o deixar o samba acabar. As escolas de samba mirins v\u00e3o manter o seu trabalho de qualquer forma\u201d, disse. Segundo ele, cerca de 2 mil crian\u00e7as da comunidade v\u00e3o para a avenida este ano.<\/p>\n<p>Juliana Pires tem 7 anos e est\u00e1 acostumada com ambiente de carnaval. Com poucos dias de vida acompanhou a m\u00e3e que precisou ir para a avenida cuidar dos \u00faltimos detalhes de um carro aleg\u00f3rico na avenida. Hoje, Juliana \u00e9 rainha de bateria da Golfinhos do Rio de Janeiro, escola em que a av\u00f3 \u00e9 presidente. \u201cEu nasci dentro da escola\u201d, contou. O irm\u00e3o de Juliana \u00e9 diretor de bateria.<\/p>\n<p>As escolas mirins tamb\u00e9m fazem carnaval de inclus\u00e3o. A Filhos da \u00c1guia desfila com 100 crian\u00e7as e adolescentes especiais: autistas, surdos, com s\u00edndrome de down, cadeirantes. J\u00e1 \u00e9 uma marca da escola. Este ano ter\u00e1 uma novidade. Por meio de uma parceria com uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental, a escola vai desfilar com meninas em situa\u00e7\u00e3o de rua e gr\u00e1vidas. Al\u00e9m disso, est\u00e1 em conversas com o Instituto Benjamin Constant, institui\u00e7\u00e3o de ensino de deficientes visuais, para ter alunos tamb\u00e9m desfilando na escola. \u201cAntes a gente tinha duas ou tr\u00eas alas com crian\u00e7as especiais, hoje a gente mescla. Este ano, a ala das baianas ser\u00e1 com 30 meninas especiais.\u201d<\/p>\n<p>A prefeitura do Rio ainda n\u00e3o liberou os recursos para as escolas de samba mirins prepararem os desfiles deste ano. Faltando menos de um m\u00eas para se apresentarem no Samb\u00f3dromo, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro (AESM-Rio), Edson Marinho, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, que os dirigentes das agremia\u00e7\u00f5es est\u00e3o tensos.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica verba que as escolas t\u00eam vem da prefeitura, por meio da Riotur. N\u00e3o tem nenhum tipo de arrecada\u00e7\u00e3o extra. N\u00e3o trabalhamos com bebida alco\u00f3lica nos ensaios, a fantasia \u00e9 gratuita. Estamos aguardando a boa vontade do prefeito para assinar o contrato e liberar a verba\u201d, contou em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Marinho conta que a subven\u00e7\u00e3o da prefeitura caiu de R$ 840 mil recebidos no \u00faltimo ano da administra\u00e7\u00e3o do prefeito Eduardo Paes, em 2016, para R$ 640 mil no primeiro ano de Marcello Crivella. De acordo com a Riotur, empresa de turismo da cidade, em 2018 foram pagos cerca de R$ 600 mil \u00e0s escolas mirins e, agora, o \u00f3rg\u00e3o aguarda uma defini\u00e7\u00e3o da Casa Civil sobre a data para a libera\u00e7\u00e3o do dinheiro e de quanto ser\u00e1 o valor.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o ocorre, segundo o presidente da AESM-Rio, os dirigentes recorrem a cartas de cr\u00e9dito para a compra dos materiais. \u201cA dificuldade de conseguir um patroc\u00ednio \u00e9 n\u00e3o ter a mesma visibilidade do grupo especial, por\u00e9m, tem um p\u00fablico expressivo que vai \u00e0 Sapuca\u00ed para ver as crian\u00e7as\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uni\u00e3o \u00e9 a palavra-chave das escolas de samba mirins do Rio de Janeiro para botar na avenida o carnaval 2019. 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