{"id":203246,"date":"2019-02-22T07:00:00","date_gmt":"2019-02-22T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=203246"},"modified":"2019-02-22T07:20:44","modified_gmt":"2019-02-22T10:20:44","slug":"borboletas-voam-de-brasilia-para-o-museu-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/borboletas-voam-de-brasilia-para-o-museu-nacional\/","title":{"rendered":"Borboletas &#8216;voam&#8217; para o Museu Nacional do Rio"},"content":{"rendered":"<p>A sala de jantar do m\u00e9dico Luiz Cl\u00e1udio Stawiarski est\u00e1 tomada por insetos. Sobre a mesa, quadros entomol\u00f3gicos exibem as mais variadas formas de aranhas, besouros e lib\u00e9lulas. Um m\u00f3vel de madeira posicionado ao lado da mesa re\u00fane gavetas de borboletas e mariposas. Ao todo, s\u00e3o 2 mil insetos que, neste s\u00e1bado (23) ser\u00e3o doados ao Museu Nacional do Rio de Janeiro para ajudar na reconstru\u00e7\u00e3o do acervo, destru\u00eddo por um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es, em setembro do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cVejam, borboletas de asas verdes, elas s\u00e3o muito raras. E esta, a maior esp\u00e9cie de mariposa encontrada no Brasil\u201d, diz Luiz Cl\u00e1udio, enquanto exibe orgulhoso a cole\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 filho de Victor Stawiarski, professor de biologia, que por 30 anos, a partir de 1940, deu aula no Museu Nacional. Os insetos, paix\u00e3o do pai que faleceu em 1979, foram coletados tanto pelo pesquisador quanto pelo m\u00e9dico no Rio de Janeiro, Paran\u00e1 e Par\u00e1. O acervo t\u00eam hoje, portanto, entre 30 e 40 anos.<\/p>\n<p>O material que est\u00e1 na casa do m\u00e9dico era usado pelo pai nas aulas que dava. Al\u00e9m desses, o bi\u00f3logo havia coletado centenas de outros, que faziam parte do acervo do Museu Nacional. \u201cFoi a minha filha que deu a ideia de fazer a doa\u00e7\u00e3o. Aqui, o material ficava guardado, tudo bagun\u00e7ado. N\u00e3o vou dizer que ele vai voltar para o lugar de onde n\u00e3o deveria ter sa\u00eddo, porque se n\u00e3o tivesse sa\u00eddo, teria queimado\u201d.<\/p>\n<p>A doa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita no nome do Victor Stawiarski: \u201cCerteza que de onde ele estiver, ele estar\u00e1 feliz com isso\u201d. Luiz Cl\u00e1udio conta que, por meses, dedicou-se a organizar o material. Colou partes quebradas e reposicionou alfinetes que haviam se soltado do isopor da base dos quadros e gavetas.<\/p>\n<p>O principal objetivo de expor os insetos \u00e9 despertar o amor \u00e0 natureza. \u201cQuem conhece, respeita. Meus filhos nunca mataram um bicho. Se acham um inseto, v\u00e3o soltar l\u00e1 fora. Voc\u00ea passa a se sentir mais um ser vivo, n\u00e3o \u00e9 superior a ningu\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ao lado do marido, Luiza Stawiarski, concorda. Professora aposentada, ela fez cursos com o sogro, no Rio de Janeiro. Dele, ganhou dois quadros. O preferido exibe insetos que se camuflam na natureza. Entre eles, uma borboleta com olhos de coruja nas asas e outras com asas que imitam folhas secas. \u201cElas t\u00eam inclusive partes que parecem folhas quebradas\u201d, mostra Luiza. Os quadros tamb\u00e9m ser\u00e3o doados.<\/p>\n<p>O preferido de Luiz Cl\u00e1udio \u00e9 outro, o dos besouros: alguns grandes, quase do tamanho de um punho fechado, e outros pequenos, menores que a falange de um dedo. O que encanta neles, explica o m\u00e9dico, n\u00e3o \u00e9 a armadura, mas a leveza que escondem. \u201cVoc\u00ea custa a imaginar que eles possam voar. A parte de fora parece uma armadura. Mas quando levanta, voc\u00ea v\u00ea a asa, fininha. Isso \u00e9 um contrassenso, como \u00e9 que se sustenta?\u201d, intriga-se.<\/p>\n<p>Segundo a professora do departamento de entomologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcela Monne, o acervo de insetos do Museu Nacional era refer\u00eancia no pa\u00eds e internacionalmente. N\u00e3o h\u00e1 um n\u00famero exato de insetos, mas a estimativa \u00e9 de que a cole\u00e7\u00e3o reunia entre 5 e 10 milh\u00f5es de pe\u00e7as. Apenas uma pequena parte escapou do inc\u00eandio, 42 mil exemplares de moscas e mosquitos.<\/p>\n<p>Foi com Marcela que Stawiarski entrou em contato para fazer a doa\u00e7\u00e3o. A professora explica que o acervo doado, quando chegar ao Rio de Janeiro, ser\u00e1 analisado quanto a qualidade e dever\u00e1 ser disponibilizado como acervo cient\u00edfico, usado para pesquisa. Amanh\u00e3, um caminh\u00e3o do Museu Nacional buscar\u00e1 o material na casa de Luiz Cl\u00e1udio e a viagem ser\u00e1 feita por terra.<\/p>\n<p>\u201cAs doa\u00e7\u00f5es t\u00eam vindo n\u00e3o s\u00f3 de insetos, mas de materiais, como alfinetes, que precisamos para a reconstru\u00e7\u00e3o do acervo\u201d, conta a professora. Outras pessoas que desejem doar algum acervo de interesse da institui\u00e7\u00e3o podem entrar em contato com o Museu pelo site. Outro canal para doa\u00e7\u00f5es \u00e9 via Sociedade Brasileira de Zoologia, que incentiva institui\u00e7\u00f5es nacionais a doarem exemplares de suas cole\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde o inc\u00eandio, Marcela conta que recebe mensagens de pessoas que querem aprender a coletar insetos para ajudar a reconstruir o acervo. Ela esclarece, no entanto, que a coleta n\u00e3o pode ser feita por amadores. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio ter autoriza\u00e7\u00e3o do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade. \u201cO pesquisador s\u00f3 recebe autoriza\u00e7\u00e3o para coletar o animal ou a planta com a qual ele trabalha, [na \u00e1rea] em que \u00e9 especialista\u201d, explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sala de jantar do m\u00e9dico Luiz Cl\u00e1udio Stawiarski est\u00e1 tomada por insetos. Sobre a mesa, quadros entomol\u00f3gicos exibem as mais variadas formas de aranhas, besouros e lib\u00e9lulas. Um m\u00f3vel de madeira posicionado ao lado da mesa re\u00fane gavetas de borboletas e mariposas. 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