{"id":203691,"date":"2019-02-28T07:38:12","date_gmt":"2019-02-28T10:38:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=203691"},"modified":"2019-02-28T07:38:12","modified_gmt":"2019-02-28T10:38:12","slug":"dancin-days-sobe-ao-palco-depois-do-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/dancin-days-sobe-ao-palco-depois-do-carnaval\/","title":{"rendered":"Dancin Days sobe ao palco depois do carnaval"},"content":{"rendered":"<p>Jornalista, cr\u00edtico, produtor, Nelson Motta n\u00e3o estava satisfeito com o musical que escrevia, cuja produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava garantida pela sua filha, Joana. &#8220;O texto estava jornal\u00edstico demais, eu me preocupava em respeitar os detalhes hist\u00f3ricos e a trama n\u00e3o avan\u00e7ava&#8221;, conta ele, que aceitou de bom grado a vinda de uma conhecida colaboradora, Patr\u00edcia Andrade. Em pouco tempo, o projeto deslanchou e se transformou em O Fren\u00e9tico Dancin&#8217; Days, musical que, depois de uma temporada de sucesso no Rio, chega ao Teatro Opus, no Shopping Villa-Lobos, no dia 15. &#8220;Patr\u00edcia acertou ao inventar personagens e n\u00e3o se importar tanto com a veracidade.&#8221;<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de Motta se justifica, pois ele \u00e9 um dos principais personagens do espet\u00e1culo &#8211; O Fren\u00e9tico Dancin&#8217; Days conta a hist\u00f3ria da discoteca de mesmo nome que, durante sua curta vida de quatro meses (entre agosto e dezembro de 1976), reproduziu no Rio uma experi\u00eancia de alegria e liberdade de express\u00e3o em meio a um ferrenho governo militar, que na \u00e9poca sufocava anseios e criatividade. &#8220;O Dancin&#8217; Days foi uma ilha de liberdade e alegria. Est\u00e1vamos j\u00e1 vivendo 12 anos de ditadura e precis\u00e1vamos mesmo soltar as feras e cair na gandaia&#8221;, relembra Motta, que fundou a discoteca ao lado dos amigos Scarlet Moon, Leonardo Netto, Dom Pepe e Djalma Limongi, depois de aceitar o convite de um empres\u00e1rio para ocupar temporariamente um espa\u00e7o no ent\u00e3o nov\u00edssimo Shopping da G\u00e1vea.<\/p>\n<p>Foi um tremendo sucesso &#8211; em seus quatro meses de funcionamento, o espa\u00e7o reuniu famosos e an\u00f4nimos, hippies e comunistas, todas as tribos com o \u00fanico objetivo de celebrar a vida. Artistas como Rita Lee (ainda com o Tutti-Frutti), Raul Seixas, Gilberto Gil fizeram apresenta\u00e7\u00f5es. A pista da boate fervia ao som de Lady Zu, Banda Black in Rio, Tim Maia, al\u00e9m de hits internacionais como I Love the Nightlife, You Make me Feel Might Real, We Are Family, Y.M.C.A. e Stayin\u2019 Alive, entre outros. Mas o grande feito dos propriet\u00e1rios da boate foi permitir que suas gar\u00e7onetes Leiloca, Sandra Pera, Lidoca, Edyr, Dhu Moraes e Regina Chaves fizessem breves apresenta\u00e7\u00f5es durante a madrugada. Arrasaram tanto que logo abandonaram as bandejas e criaram o grupo Fren\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Curiosamente, um de seus grandes hits, Dancin&#8217; Days, foi usado como tema de uma novela do mesmo nome que a Globo exibiu em 1978 e que ajudou a consagrar a atriz S\u00f4nia Braga. &#8220;Mas o musical n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a novela&#8221;, frisa Deborah Colker, que assina a dire\u00e7\u00e3o-geral do espet\u00e1culo. &#8220;Nossa inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas a boate.&#8221; Consagrada como uma das principais core\u00f3grafas do Pa\u00eds (no ano passado, foi premiada na R\u00fassia com o Prix Benois de la Danse, considerado o Oscar da Dan\u00e7a), Deborah estreia no comando de um musical, tarefa que resistiu at\u00e9 aceitar.<\/p>\n<p>&#8220;Para mim, era imposs\u00edvel levantar um espet\u00e1culo em apenas dois meses, que era o tempo que eu tinha &#8211; com minha companhia de dan\u00e7a, chego a trabalhar at\u00e9 durante um ano&#8221;, explica. Mas a core\u00f3grafa logo cedeu ao convite, seduzida por dois detalhes: a incr\u00edvel hist\u00f3ria daqueles cinco amigos e a possibilidade de fazer um musical essencialmente brasileiro. &#8220;Mais que isso, um espet\u00e1culo autoral, com personalidade e seguindo nossa tradi\u00e7\u00e3o de misturar assuntos.&#8221;<\/p>\n<p>Com isso, Deborah, que j\u00e1 trabalhara antes com coreografias que narravam uma hist\u00f3ria (como Tatyana e Belle), manteve seu estilo e se encarregou de dar personalidade aos personagens, municiando os movimentos de inten\u00e7\u00f5es e sentidos. A novidade est\u00e1 no seu preciso timing para a narrativa teatral, alternando dan\u00e7a e dramatiza\u00e7\u00e3o para manter o equil\u00edbrio entre fic\u00e7\u00e3o e fato hist\u00f3rico. &#8220;Desde o in\u00edcio, mantive o desejo do Nelson e da Patr\u00edcia de n\u00e3o criar um espet\u00e1culo \u00e0 la Broadway, mas trazer um olhar do mundo sob a nossa perspectiva.&#8221;<\/p>\n<p>De fato, Motta buscava para o espet\u00e1culo a ess\u00eancia das chanchadas, aqueles filmes de enorme sucesso no Brasil entre as d\u00e9cadas de 1930 e 60 e que uniam muita m\u00fasica e um humor burlesco. &#8220;Oferecemos uma chanchada disco, sem nenhum compromisso com o realismo nem com a tradi\u00e7\u00e3o da dramaturgia, mas com o descompromisso do teatro de revista, costurando tramas simples com cenas de com\u00e9dia e n\u00fameros de m\u00fasica e dan\u00e7a&#8221;, explica. &#8220;Nosso musical n\u00e3o \u00e9 baseado na Broadway, mas na Atl\u00e2ntida.&#8221;<\/p>\n<p>Nesse sentido, Deborah foi rigorosa no processo de sele\u00e7\u00e3o do elenco &#8211; n\u00e3o bastava apenas cantar bem e dan\u00e7ar divinamente: era preciso saber atuar. Seguindo esse racioc\u00ednio, ela deixou grandes nomes de fora para unir um punhado de atores afiados e bem preparados. Para o papel de Nelson, por exemplo, a diretora buscava um int\u00e9rprete que apresentasse o ecletismo do jornalista &#8220;Ele tanto l\u00ea muito como faz uma ponte com a rua, como gostar de carnaval.&#8221; Da\u00ed sua escolha recair sobre Bruno Fraga, ator dono de uma voz potente e sedutora, al\u00e9m de conseguir traduzir no palco toda a ternura e a energia de Nelson Motta.<\/p>\n<p>&#8220;Assisti a muitos v\u00eddeos da \u00e9poca, buscando detalhes como forma de falar e gestos&#8221;, conta o ator, que era bombardeado por informa\u00e7\u00f5es pelas pessoas que conhecem o jornalista h\u00e1 muito tempo, como Deborah e a filha dele, Joana. &#8220;No in\u00edcio, era desesperador, mas, aos poucos, fui trazendo o texto para mim at\u00e9 encontrar o jeito de ser do Nelson, sua alegria, tranquilidade, docilidade. Ele n\u00e3o \u00e9 um personagem com caracter\u00edsticas fortes como Cazuza ou Tim Maia, que j\u00e1 inspiraram musicais, mas tem um detalhe aqui, outro ali que o tornam especial.&#8221; A certeza do caminho certo foi dada pelo pr\u00f3prio Nelson Motta, que o cumprimentou logo no primeiro ensaio.<\/p>\n<p>Com um elenco de 17 atores e seis bailarinos (a novidade \u00e9 a presen\u00e7a de \u00c9rico Bras no papel antes defendido por Andr\u00e9 Ramiro), O Fren\u00e9tico Dancin\u2019 Days surpreende por n\u00e3o contar com uma banda, mas com uma arrojada tecnologia de edi\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o de samples e loopings orquestradas por Alexandre Elias e que resulta em um som impressionante, capaz de acompanhar a pulsa\u00e7\u00e3o dos atores e bailarinos. &#8220;No come\u00e7o, era estranho cantar sem a presen\u00e7a de um maestro, mas logo nos acostumamos&#8221;, conta Fraga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista, cr\u00edtico, produtor, Nelson Motta n\u00e3o estava satisfeito com o musical que escrevia, cuja produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava garantida pela sua filha, Joana. &#8220;O texto estava jornal\u00edstico demais, eu me preocupava em respeitar os detalhes hist\u00f3ricos e a trama n\u00e3o avan\u00e7ava&#8221;, conta ele, que aceitou de bom grado a vinda de uma conhecida colaboradora, Patr\u00edcia Andrade. 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