{"id":204039,"date":"2019-03-04T16:56:29","date_gmt":"2019-03-04T19:56:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=204039"},"modified":"2019-03-04T16:56:29","modified_gmt":"2019-03-04T19:56:29","slug":"terapia-na-escola-combate-depressao-e-automutilacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/terapia-na-escola-combate-depressao-e-automutilacao\/","title":{"rendered":"Terapia na escola combate depress\u00e3o e automutila\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Sarah de Aguiar tinha 13 anos quando come\u00e7ou a se cortar. A automutila\u00e7\u00e3o teria seguido se ela n\u00e3o tivesse sido surpreendida pela m\u00e3e, Weslayne de Aguiar. Depois de prometer \u00e0 m\u00e3e que n\u00e3o se cortaria mais, Sarah pediu ajuda na escola. Foi assim o in\u00edcio do Projeto Asa, implantado em 2014 no Centro Educacional Gesner Teixeira, escola p\u00fablica no Gama.<\/p>\n<p>&#8220;Quando se est\u00e1 nesse mundo, a gente pensa que n\u00e3o tem ningu\u00e9m ao redor que ame a gente\u201d, disse. \u201cEu n\u00e3o comia mais, ficava dentro do quarto, sempre com o celular na m\u00e3o, conversando com essas pessoas em grupos de Facebook e WhatsApp que tratavam do assunto. Achava que elas um dia podiam me ajudar&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>Foi assim at\u00e9 a m\u00e3e a surpreender. Sarah procurou, ent\u00e3o, a orientadora educacional da escola, Raquel Guimar\u00e3es. Mostrou \u00e0 orientadora que o seu caso n\u00e3o era isolado: outros estudantes tamb\u00e9m se cortavam, inclusive dentro do col\u00e9gio. &#8220;Depois que minha m\u00e3e descobriu, eu n\u00e3o fiz mais, porque eu prometi para ela que n\u00e3o ia mais fazer\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A estudante passou a colaborar com o projeto. \u201cEntrei para o projeto e falei para a Raquel que queria ajudar. Trouxe v\u00e1rias meninas que eu conhecia e incentivei a parar.&#8221;<\/p>\n<p>O Projeto Asa reunia esses estudantes em uma terapia de roda. As reuni\u00f5es foram se expandindo e come\u00e7aram a envolver tamb\u00e9m as m\u00e3es e respons\u00e1veis por elas. Al\u00e9m das rodas, as meninas tinham aulas de dan\u00e7a, artesanato e teatro.<\/p>\n<p>A orientadora educacional envolveu a rede de sa\u00fade, preocupada porque as meninas, muitas vezes, compartilhavam as l\u00e2minas, aumentando o risco de contra\u00edrem doen\u00e7as. Raquel tamb\u00e9m procurou a Pol\u00edcia Civil. A apura\u00e7\u00e3o revelou que os grupos online dos quais as meninas participavam tinham maiores de idade que se passavam por menores e as incentivavam a se cortar e a compartilhar as fotos.<\/p>\n<p>A iniciativa deu t\u00e3o certo que, em 2018, as pr\u00e1ticas integrativas em sa\u00fade entraram no projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico da escola. Hoje, em parceria com a Secretaria de Sa\u00fade, a escola oferece tamb\u00e9m medita\u00e7\u00e3o, reiki e automassagem. Em 2017, o Centro Educacional recebeu o Pr\u00eamio Escola de Atitude, promovido pela Controladoria-Geral do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a experi\u00eancia inicial, as rodas foram ampliadas. Come\u00e7aram a participar alunos que precisavam de alguma ajuda, como estudantes com bulimia. Ingressaram tamb\u00e9m estudantes que queriam participar dessa inciativa pelos mais diversos motivos, como a ent\u00e3o t\u00edmida Rebeca Barbosa, que queria dan\u00e7ar. Ela tinha apenas 8 anos quando come\u00e7ou a frequentar o grupo.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o era muito de conversar com as pessoas. Eu era muito t\u00edmida. Agora, eu sou bem aberta\u201d, afirmou Rebeca, que tamb\u00e9m superou problemas com a pr\u00f3pria apar\u00eancia. \u201cHoje em dia, eu me vejo maravilhosa, eu sou linda\u201d.<\/p>\n<p>A escola p\u00fablica fica em um local onde h\u00e1 registros de tr\u00e1fico de drogas e viol\u00eancia e onde isso impacta o cotidiano dos alunos e das fam\u00edlias. \u201cEu tento mostrar que eles podem mudar a realidade deles e que somente eles podem fazer isso\u201d, diz a orientadora educacional da escola.<\/p>\n<p>Esse tipo de cuidado e aten\u00e7\u00e3o melhorou tamb\u00e9m o desempenho dos estudantes. \u201cO foco da escola \u00e9 aprendizagem. O projeto mexeu com a aprendizagem. Incluiu alunos que antes eram invisibilizados\u201d, disse o assessor t\u00e9cnico de inova\u00e7\u00e3o e projetos da Coordena\u00e7\u00e3o Regional de Ensino do Gama, Cleison Leite.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ano passado, ele trabalhava na escola e fez parte da constru\u00e7\u00e3o do projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico. \u201cAspectos emocionais estavam interferindo tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es. Alguns conflitos que existiam na escola passaram a ser mediados. As rodas de terapia, colocaram em foco problemas de relacionamento. Al\u00e9m da automutila\u00e7\u00e3o, as rodas ajudaram nas quest\u00f5es interpessoais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Raquel explica que casos de automutila\u00e7\u00e3o podem, em \u00faltima consequ\u00eancia, levar ao suic\u00eddio e que a depress\u00e3o precisa de aten\u00e7\u00e3o. Algumas das estudantes foram encaminhadas \u00e0 rede de sa\u00fade, quando se percebia que era necess\u00e1rio um acompanhamento psiqui\u00e1trico.<\/p>\n<p>\u201cTodos os casos estavam ligados \u00e0 depress\u00e3o. Pelo que eu constatei, a automutila\u00e7\u00e3o era consequ\u00eancia da depress\u00e3o e esse quadro era gerado por abandono familiar, por casos de abuso sexual\u201d, disse.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 27, a escola abriu as portas para profissionais da sa\u00fade, para educadores e para quem quisesse conhecer a experi\u00eancia. A analista t\u00e9cnica de pol\u00edticas sociais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Marina Rios, estava presente. \u201cA gente veio conhecer, acompanhar, conhecer a iniciativa para poder replicar em outros contextos\u201d, disse a analista, que integra o Comit\u00ea Nacional de Preven\u00e7\u00e3o ao Suic\u00eddio.<\/p>\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o n\u00famero de pessoas que vivem com depress\u00e3o aumentou 18% entre 2005 e 2015. No Brasil, a depress\u00e3o atinge 11,5 milh\u00f5es de pessoas, o equivalente a 5,8% da popula\u00e7\u00e3o. Dist\u00farbios relacionados \u00e0 ansiedade afetam mais de 18,6 milh\u00f5es de brasileiros, ou seja, 9,3% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A depress\u00e3o pode levar a um grande sofrimento e disfun\u00e7\u00e3o no trabalho, na escola ou no meio familiar e pode levar ao suic\u00eddio. Segundo a OMS, cerca de 800 mil pessoas morrem por suic\u00eddio a cada ano em todo o mundo. Trata-se da segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.<\/p>\n<p>\u201cOs jovens est\u00e3o todos na escola. \u00c0s vezes, a gente tem dificuldade de chegar a eles pelo servi\u00e7o de sa\u00fade. A escola tem acesso a todos os casos e pode, inclusive notificar o sistema de sa\u00fade, quando necess\u00e1rio. Pode notificar casos de viol\u00eancia e de tentativa de suic\u00eddio\u201d, disse Marina Rios.<\/p>\n<p>Sarah \u00e9 prova da import\u00e2ncia da escola. \u201cNa \u00e9poca, ningu\u00e9m falava disso. A depress\u00e3o era uma coisa que ningu\u00e9m levava a s\u00e9rio. A escola foi o lugar que mais me abriu fronteiras. Ningu\u00e9m imagina esse como um papel da escola, mas foi maravilhoso\u201d, disse.<\/p>\n<p>Hoje, com 17 anos e j\u00e1 com o ensino m\u00e9dio conclu\u00eddo, ela ainda participa do projeto, ajudando a divulgar a iniciativa e a mostrar aos estudantes que outras pessoas passam pelo que est\u00e3o enfrentando. A estudante conta que n\u00e3o se sente mais s\u00f3 como chegou a se sentir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sarah de Aguiar tinha 13 anos quando come\u00e7ou a se cortar. A automutila\u00e7\u00e3o teria seguido se ela n\u00e3o tivesse sido surpreendida pela m\u00e3e, Weslayne de Aguiar. Depois de prometer \u00e0 m\u00e3e que n\u00e3o se cortaria mais, Sarah pediu ajuda na escola. 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