{"id":20446,"date":"2014-08-22T19:11:00","date_gmt":"2014-08-22T22:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=20446"},"modified":"2014-08-22T19:12:06","modified_gmt":"2014-08-22T22:12:06","slug":"povo-ocupa-area-central-em-ato-contra-genocidio-de-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/povo-ocupa-area-central-em-ato-contra-genocidio-de-negros\/","title":{"rendered":"Povo ocupa \u00e1rea central em ato contra genoc\u00eddio de negros no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Um protesto contra o genoc\u00eddio de negros no Brasil reuniu nesta sexta 22, no centro da capital federal, cerca de 400 pessoas, conforme c\u00e1lculo da Pol\u00edcia Militar do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Foi a primeira vez que o Distrito Federal participou da Marcha Internacional contra o Genoc\u00eddio do Povo Negro, que est\u00e1 na segunda edi\u00e7\u00e3o. A marcha reuniu representantes de movimentos sociais e grupos religiosos, artistas, pessoas que sentem o racismo na pele e simpatizantes da causa.<\/p>\n<p>Com cartazes e cruzes brancas nas m\u00e3os, o grupo percorreu as ruas que cortam a rodovi\u00e1ria de Bras\u00edlia, um dos lugares mais movimentados da cidade, de onde saem \u00f4nibus para as demais regi\u00f5es administrativas do DF e cidades do entorno.<\/p>\n<p>&#8220;O objetivo da marcha \u00e9 dar visibilidade \u00e0 quest\u00e3o. Quem est\u00e1 marchando aqui s\u00e3o as pessoas da periferia, dos assentamentos. Queremos dar vez para aqueles que est\u00e3o \u00e0 margem, que n\u00e3o falam&#8221;, disse uma das organizadoras da marcha, Layla Marisandra, do F\u00f3rum da Juventude Negra. &#8220;No DF, n\u00e3o \u00e9 diferente dos outros estados. Aqui temos um cord\u00e3o invis\u00edvel que divide as asas [Sul e Norte] do entorno e das [cidades] sat\u00e9lites. Tem uma popula\u00e7\u00e3o que s\u00f3 vem ao centro para trabalhar.&#8221;<\/p>\n<p>A marcha \u00e9 realizada simultaneamente em 18 estados brasileiros e em 15 pa\u00edses, informou a coordena\u00e7\u00e3o da campanha \u201cReaja ou ser\u00e1 morto (a)\u201d, que convocou o ato. Juntos, os movimentos querem dar\u00a0 visibilidade \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e fortalecer a luta por pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam direitos, como acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo o Mapa da Viol\u00eancia 2014, a vitimiza\u00e7\u00e3o de negros \u00e9 bem maior que a de brancos. Morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil em 2012, em situa\u00e7\u00f5es como homic\u00eddios, acidentes de tr\u00e2nsito ou suic\u00eddio. Entre 2002 e 2012, a vitimiza\u00e7\u00e3o mais que duplicou, diz o estudo.<\/p>\n<p>Na marcha, as hist\u00f3rias de viol\u00eancia e preconceito eram muitas. A t\u00e9cnica de enfermagem Lourdes Pereira, de 49 anos, teve o sobrinho Fl\u00e1vio Rog\u00e9rio, de 20 anos, assassinado pela pol\u00edcia, em Teresina. &#8220;Meu sobrinho morreu por um pr\u00e9-julgamento da pol\u00edcia. Esse julgamento \u00e9 um racismo disfar\u00e7ado&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 moradora da Cidade Ocidental, munic\u00edpio goiano no entorno de Bras\u00edlia. Negra, Lourdes disse que &#8220;sente na pele a diferen\u00e7a. Quando vamos procurar emprego, por exemplo, e n\u00e3o somos escolhidas e a diferen\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 no curr\u00edculo.&#8221;<\/p>\n<p>O <em>rapper <\/em>Divino Monteiro, o Dino Black, traduz o sentimento em versos. &#8220;Meus irm\u00e3os s\u00f3 marcam presen\u00e7a l\u00e1 se for para lavar banheiros ou lavar o ch\u00e3o. Me d\u00f3i em pensar em tanta explora\u00e7\u00e3o. Tem preto ot\u00e1rio achando que acabou a escravid\u00e3o. Pode crer que n\u00e3o&#8221;, diz na m\u00fasica<em> Onde Estamos<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o negro entra, \u00e9 o primeiro suspeito. Isso acontece comigo: basta eu entrar em um \u00f4nibus que todos me olham, basta entrar em uma loja que acham que eu vou roubar alguma coisa&#8221;, diz o <em>rapper<\/em>, que \u00e9 morador da Candangol\u00e2ndia, regi\u00e3o administrativa do Distrito Federal.<\/p>\n<p><strong>Mariana Tokarnia, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um protesto contra o genoc\u00eddio de negros no Brasil reuniu nesta sexta 22, no centro da capital federal, cerca de 400 pessoas, conforme c\u00e1lculo da Pol\u00edcia Militar do Distrito Federal. Foi a primeira vez que o Distrito Federal participou da Marcha Internacional contra o Genoc\u00eddio do Povo Negro, que est\u00e1 na segunda edi\u00e7\u00e3o. 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