{"id":204760,"date":"2019-03-15T00:00:35","date_gmt":"2019-03-15T03:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=204760"},"modified":"2019-03-15T07:11:11","modified_gmt":"2019-03-15T10:11:11","slug":"loyola-brandao-o-novo-imortal-da-academia-de-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/loyola-brandao-o-novo-imortal-da-academia-de-letras\/","title":{"rendered":"Loyola Brand\u00e3o, o novo imortal da Academia de Letras"},"content":{"rendered":"<p>Em 2016, \u00e0s v\u00e9speras de completar 80 anos, Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o ganhou o Pr\u00eamio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras a um escritor pelo conjunto da obra. Seu nome logo surgiu como um poss\u00edvel candidato a uma eventual vaga na ABL \u2013 mas ele n\u00e3o quis. De l\u00e1 para c\u00e1, tr\u00eas escritores, um cineasta e um jurista foram eleitos imortais. A institui\u00e7\u00e3o tem 40 membros e uma nova elei\u00e7\u00e3o \u00e9 convocada quando um deles morre.<\/p>\n<p>\u201cEu nunca tinha pensado em me candidatar, achava que n\u00e3o era para mim. Mas \u00e9 para mim, tamb\u00e9m. Quero abra\u00e7ar o mundo com as m\u00e3os, com os p\u00e9s. N\u00e3o sei quanto tempo mais eu tenho, mas sinto uma vontade t\u00e3o grande de chegar l\u00e1 em cima e esse era mais um passo, mais um degrau subido. E se vierem outros eu vou subindo, nem que sejam os da Penha\u201d, brincou o escritor em entrevista ao Estado assim que soube que tinha sido eleito, por unanimidade, aos 82 anos, o novo imortal da Academia Brasileira de Letras.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o foi realizada na tarde desta quinta-feira, 14, e Loyola Brand\u00e3o concorreu com outros 11 candidatos \u2013 nenhum com sua trajet\u00f3ria reconhecida pela cr\u00edtica e pelo p\u00fablico \u2013 \u00e0 vaga do jurista Helio Jaguaribe, morto em setembro.<\/p>\n<p>\u201cEu abri caminho para muita gente nova e chegou este momento em que pensei: por que n\u00e3o ser reconhecido pelo que fiz e pelo que estou fazendo?\u201d, comentou o escritor que nasceu em Araraquara em 1936.<\/p>\n<p>Ele estreou na literatura em 1965 com o os contos de Depois do Sol, e seu livro preferido \u00e9 Dentes ao Sol (1976), seu \u201cmaior fracasso\u201d. O reconhecimento maior veio com os romances Zero (1975), censurado na ditadura militar e publicado primeiro na It\u00e1lia \u2013 e que vendeu, aqui, cerca de 900 mil exemplares \u2013, e N\u00e3o Ver\u00e1s Pa\u00eds Nenhum (1981), seu best-seller, com 1 milh\u00e3o de c\u00f3pias comercializadas. Ele \u00e9 autor, ainda, de Bebel Que a Cidade Comeu (1968) e de Obscenidades Para Uma Dona de Casa (1981), entre outras obras.<\/p>\n<p>No ano passado, depois de uma d\u00e9cada sem publicar fic\u00e7\u00e3o, o escritor voltou ao romance e lan\u00e7ou Desta Terra Nada Vai Sobrar, a N\u00e3o Ser o Vento Que Sopra Sobre Ela \u2013 uma obra que nasce de sua observa\u00e7\u00e3o do \u201cmomento confuso atual do Brasil\u201d. O livro, apocal\u00edptico, \u00e9 ambientado num tempo incerto e retrata, por meio de viagens de Felipe e Clara, os protagonistas, um Brasil ca\u00f3tico, com 1.080 partidos pol\u00edticos. A obra acaba de ganhar sua primeira reimpress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um livro que mais do que nunca est\u00e1 representando esse Brasil de hoje\u201d, ressaltou. \u201cJ\u00e1 me perguntaram: onde est\u00e1 o livro realista? \u00c9 imposs\u00edvel ser realista diante de uma atitude t\u00e3o absurda como essa que estamos vivendo. O \u00fanico caminho que vejo \u00e9 o da chamada distopia. No meu livro tem um presidente que n\u00e3o tem mais cora\u00e7\u00e3o, outro que n\u00e3o tem mais sangue e outro que nem existe.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do reconhecimento e prest\u00edgio, Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o tem outro motivo para comemorar sua entrada na Academia Brasileira de Letras. \u201cEstou muito feliz porque a minha gera\u00e7\u00e3o chegou aqui: Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro, Moacyr Scliar, N\u00e9lida Pi\u00f1on, Antonio Torres e agora eu. Uma gera\u00e7\u00e3o 1960-1970 que batalhou muito pelo Pa\u00eds, e que batalhou numa \u00e9poca muito dif\u00edcil \u2013 e que estamos entrando em outra igual\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cNosso papel, aqui, vai ser o de defender a liberdade \u2013 a liberdade para a arte, a liberdade de imprensa \u2013 e continuar a retratar, como eu fiz at\u00e9 hoje, esse Brasil. Eu nunca deixei de acreditar, nunca deixei de fazer. Sou pequeno e magrinho, mas nunca perdi a for\u00e7a\u201d, completou.<\/p>\n<p>Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 autor de uma s\u00e9rie de colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas \u2013 a maioria publicada pelo Estado. Os volumes mais recentes s\u00e3o Se For Para Chorar, Que Seja de Alegria (2016) e O Mel de Ocara \u2013 Ler, Viajar, Comer (2013). Toda sua obra \u00e9 publicada pela Global, com exce\u00e7\u00e3o de alguns infantis, como O Menino Que Vendia Palavras (Companhia das Letras), vencedor do Pr\u00eamio Jabuti, e Os Olhos Cegos dos Cavalos Loucos (Moderna), um pedido de desculpas tardio ao av\u00f4 por causa de uma arte feita na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cImagina: sair de Araraquara e chegar aonde cheguei. Estou muito feliz. Nem acredito\u201d, disse o novo escritor imortal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2016, \u00e0s v\u00e9speras de completar 80 anos, Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o ganhou o Pr\u00eamio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras a um escritor pelo conjunto da obra. Seu nome logo surgiu como um poss\u00edvel candidato a uma eventual vaga na ABL \u2013 mas ele n\u00e3o quis. 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