{"id":205351,"date":"2019-03-23T10:07:31","date_gmt":"2019-03-23T13:07:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=205351"},"modified":"2019-03-23T10:07:31","modified_gmt":"2019-03-23T13:07:31","slug":"homens-desiludidos-encontram-motivacao-para-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/homens-desiludidos-encontram-motivacao-para-viver\/","title":{"rendered":"Homens desiludidos encontram motiva\u00e7\u00e3o para viver"},"content":{"rendered":"<p>Faltou cadeira para todo mundo \u2013 a coletiva de Le Grand Bain, o longa dirigido pelo ator Gilles Lellouche que estreou na quinta, 21, no Brasil, como Um Banho de Vida, reuniu tanta gente no Festival de Cannes, no ano passado, que virou um dos happenings do evento. Lellouche \u2013 nenhum parentesco com Claude Lelouche \u2013 e seus amigos, Mathieu Amalric, Guillaume Canet, Beno\u00eet Poelvoorde, Philippe Katherine, Jean-Hugues Anglade, F\u00e9lix Moati, Marina Fo\u00efs, Le\u00efla Bekhti, Virginie Efira e No\u00e9e Abita fariam, a seguir, uma ruidos\u00edssima mont\u00e9e des marches, a tradicional subida da escadaria, pelo tapete vermelho.<\/p>\n<p>Um Banho de Vida n\u00e3o foi recompensado, nem poderia ser \u2013 passou fora de concurso. Como evento midi\u00e1tico, foi 10. Como filme, \u00e9 bom, e at\u00e9 muito bom. O elenco ajuda \u2013 \u201cvestiu a sunga\u201d, como disse o diretor. Um filme sobre nado sincronizado masculino? \u201c\u00c9 coisa de mulher\u201d, surgem alguns coment\u00e1rios, quando o personagem de Amalric anuncia o que est\u00e1 praticando na piscina. Lellouche agrega cenas da lend\u00e1ria Esther Williams na piscina da Metro \u2013 coreografia do grande Busby Berkeley \u2013, mas seu filme procura justamente desmontar estere\u00f3tipos, e n\u00e3o apenas os de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Um Banho de Vida foi um megassucesso nas bilheterias francesas no ano passado, faturando 4,1 milh\u00f5es de espectadores. Cravou dez indica\u00e7\u00f5es no C\u00e9sar, o Oscar franc\u00eas, empatando com o grande vencedor da festa \u2013 o drama conjugal Cust\u00f3dia, de Xavier Legrand. Levou apenas uma, a de melhor ator coadjuvante para Philippe Katherine, e ele est\u00e1 realmente sensacional. H\u00e1 algo de Ou Tudo ou Nada, de Peter Cattaneo, nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Lembram-se dos desempregados brit\u00e2nicos que formavam um clube de strip-tease? S\u00e3o substitu\u00eddos aqui por um bando de desajustados, a come\u00e7ar pelo protagonista, Bertrand, personagem de Amalric. Embora seja um astro na Fran\u00e7a, Lellouche preferiu permanecer atr\u00e1s das c\u00e2meras, concentrando-se no trabalho de dire\u00e7\u00e3o. Bertrand est\u00e1 numa crise medonha. Desempregado h\u00e1 dois anos, n\u00e3o faz mais sexo com a mulher \u2013 a paciente Marina Fo\u00efs \u2013 h\u00e1 quase tanto tempo. Perdeu o respeito dos filhos. Nesse quadro de desalento, ao levar a filha \u00e0 nata\u00e7\u00e3o ele v\u00ea um an\u00fancio. H\u00e1 uma vaga na equipe de nado sincronizado masculino da escola da garota \u2013 equipe que ele nem sabia existir.<\/p>\n<p>Bertrand inscreve-se e \u00e9 aceito no desastrado grupo. Entre um treino e outro, os nadadores fazem sauna \u2013 e bebem. Contam-se os problemas, e todos os t\u00eam. A instrutora, Virginia Efira, tamb\u00e9m est\u00e1 em crise \u2013 \u00e9 alco\u00f3latra. \u00c9 salva pela ex-parceira, Le\u00efla Bekhti, quando o grupo, contra todas as possibilidades, se inscreve no campeonato mundial da categoria.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a chance? Nenhuma. Foi justamente o que atraiu Lellouche no roteiro de Ahmed Hamidi e Julien Lambroschini, que ele retrabalhou com a dupla, para torn\u00e1-lo mais adequado ao seu elenco. \u201cUma hist\u00f3ria como essa, de transforma\u00e7\u00e3o pessoal e supera\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos, me pareceu ter tudo a ver com o momento dif\u00edcil que vivemos. Em todo o mundo h\u00e1 desalento, tens\u00f5es raciais e sociais, desconfian\u00e7a com os imigrantes. Ent\u00e3o, um filme agregador, das pessoas, dos g\u00eaneros, das etnias, me pareceu ter tudo a ver\u201d, disse o diretor na coletiva.<\/p>\n<p>E seu astro, Amalric. \u201cBertrand \u00e9 desenhado no roteiro com economia. Os elementos est\u00e3o ali, mas n\u00e3o chegam a ser aprofundados porque a promessa do filme \u00e9 ser light, abordando temas graves. Isso nos permitiu, e agora n\u00e3o falo s\u00f3 de mim, mas em nome de todos, preencher as lacunas e enriquecer nossos personagens. Lellouche nos agradeceu, dizendo que tornamos o filme muito mais denso e profundo. \u00c9 o que ocorre com os personagens. Naquela piscina eles descobrem um novo batismo, uma nova possibilidade de vida.\u201d<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de g\u00eanero \u00e9 sutilmente colocada \u2013 Virginia faz a instrutora fragilizada, entra em cena a durona Le\u00efla. O ritmo passa a ser outro, at\u00e9 com um tanto de incorre\u00e7\u00e3o, porque a personagem de Le\u00efla est\u00e1 presa a uma cadeira de rodas e os marmanjos, num determinado momento, tiram proveito. \u201c\u00c9 o lado Intoc\u00e1veis de nossa hist\u00f3ria. Omar Sy e Fran\u00e7ois Cluzet j\u00e1 mostraram que se pode fazer humor sobre a dificuldade mais pessoal. O importante \u00e9 evitar a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito\u201d, diz o diretor e corroteirista.<\/p>\n<p>Embora seja uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o, Um Banho de Vida procura evitar o excesso de otimismo. \u201cNo final, nada est\u00e1 completamente resolvido, mas a vida deu uma tr\u00e9gua a todos os nossos personagens. Eles passam a confiar mais nele. At\u00e9 o sexo sorri para Bertrand\u201d, comemora Amalric, que tamb\u00e9m tem uma bem-sucedida carreira como diretor.<\/p>\n<p>Philippe Katherine, que responde pelos melhores momentos c\u00f4micos da trama, irrompeu no cinema franc\u00eas como Philippe Blanchard. Trocar o nome fez-lhe muito bem. Al\u00e9m de ator e at\u00e9 diretor (Peau de Cochon, de 2005), \u00e9 cantor e compositor, com mais de dez \u00e1lbuns no curr\u00edculo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faltou cadeira para todo mundo \u2013 a coletiva de Le Grand Bain, o longa dirigido pelo ator Gilles Lellouche que estreou na quinta, 21, no Brasil, como Um Banho de Vida, reuniu tanta gente no Festival de Cannes, no ano passado, que virou um dos happenings do evento. 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