{"id":205483,"date":"2019-03-25T07:29:04","date_gmt":"2019-03-25T10:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=205483"},"modified":"2019-03-25T07:29:04","modified_gmt":"2019-03-25T10:29:04","slug":"jo-volta-ao-palco-com-leitura-da-sua-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jo-volta-ao-palco-com-leitura-da-sua-vida\/","title":{"rendered":"J\u00f4 volta ao palco com leitura da sua vida"},"content":{"rendered":"<p>Foi a rea\u00e7\u00e3o da plateia, que n\u00e3o arredava p\u00e9 do Teatro Eva Hertz, que deu a primeira dica. \u201cEra para ser o final do evento, quando eu faria alguns coment\u00e1rios relembrando fatos da minha carreira para encerrar a noite\u201d, conta J\u00f4 Soares, relembrando aquela noite de novembro, marcante por ter chovido a c\u00e2ntaros e pela enorme fila que se formou para o lan\u00e7amento de O Livro de J\u00f4 \u2013 Volume 2, no teatro da Livraria Cultura. O p\u00fablico se divertia tanto com aquele improvisado show ao vivo que J\u00f4 sentiu vontade de voltar a um palco. E isso vai se concretizar com a estreia de O Livro ao Vivo, no dia 4 de abril, no Teatro Faap, na capital paulista.<\/p>\n<p>Trata-se de um book tour, ou seja, uma apresenta\u00e7\u00e3o em que J\u00f4 vai contar fatos de sua vasta carreira. \u201cMesmo que as pessoas conhe\u00e7am algumas hist\u00f3rias, a novidade est\u00e1 em ouvi-las com a minha voz, a minha inflex\u00e3o\u201d, explica. \u201cGosto do contato direto com a plateia, especialmente em show solo, o que n\u00e3o fa\u00e7o desde 2003, com Na Mira do Gordo.\u201d<\/p>\n<p>Com a estreia de O Livro ao Vivo, J\u00f4 festeja 50 anos de lan\u00e7amento de seu primeiro one-man show, Todos Amam um Homem Gordo, que aconteceu em abril de 1969, no Teatro da Lagoa, no Rio. L\u00e1, ele fazia um concerto para m\u00e1quina de escrever, narrava um transplante do cora\u00e7\u00e3o como se fosse um locutor esportivo e ainda tocava bong\u00f4, vibrafone e trompete. \u201cPerdia dois quilos por sess\u00e3o\u201d, conta J\u00f4, no livro.<\/p>\n<p>No show que estreia em abril, vai predominar a palavra. \u201cTeremos um roteiro b\u00e1sico, mas o show ser\u00e1 comandado pelo J\u00f4, o que significa ter uma apresenta\u00e7\u00e3o diferente da outra\u201d, observa o jornalista Matinas Suzuki Jr., que auxiliou o humorista na escrita dos dois volumes de sua autobiografia e que tamb\u00e9m subir\u00e1 ao palco da Faap em cada sess\u00e3o. \u201cMas apenas para dar uma dica de hist\u00f3ria, quando o J\u00f4 precisar\u201d, apressa-se em dizer. Para n\u00e3o desviar o foco da plateia, n\u00e3o haver\u00e1 proje\u00e7\u00e3o de imagens tampouco um trilha sonora \u2013 apenas a imagem das capas dos dois livros autobiogr\u00e1ficos ser\u00e1 projetada no fundo do palco. \u201cO que importa \u00e9 a rara oportunidade de acompanhar o J\u00f4 contando, com a verve habitual, as suas hist\u00f3rias\u201d, comenta Matinas.<\/p>\n<p>De fato, a quantidade de fatos curiosos e engra\u00e7ados que marcou a carreira de J\u00f4 Soares \u00e9 tamanha que n\u00e3o coube em um volume s\u00f3, como era originalmente o plano da editora Companhia das Letras. E \u00e9 nesse manancial em que v\u00eam trabalhando, nas \u00faltimas semanas, Matinas, o assistente de dire\u00e7\u00e3o Mauricio Guilherme e o pr\u00f3prio J\u00f4, selecionando as hist\u00f3rias que, narradas ao vivo, resultar\u00e3o em um show de, no m\u00e1ximo, 1h15. \u201cVamos incluir tamb\u00e9m fatos que n\u00e3o entraram no livro, para dar uma pitada de novidade no show\u201d, diz Guilherme.<\/p>\n<p>\u00c9 surpreendente que J\u00f4 tenha deixado mem\u00f3rias de lado, mesmo que, juntos, os dois volumes de sua \u201cautobiografia n\u00e3o autorizada\u201d somem 912 p\u00e1ginas. A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na profus\u00e3o de n\u00fameros que marcam sua carreira, relacionados pelo pr\u00f3prio J\u00f4, no livro 2: \u201cForam sessenta anos de vida profissional, 28 anos de entrevistas, 14.426 conversas, cerca de 1.300 dias de programas de humor na TV, trezentos personagens, 43 anos fazendo one-man shows, dirigi 24 pe\u00e7as de teatro e atuei em onze, foram dez filmes como ator e um como diretor, oito exposi\u00e7\u00f5es como pintor, um show como m\u00fasico e cantor, quinze programas de televis\u00e3o como redator, nove livros, contando com esse\u201d.<\/p>\n<p>Nada, por\u00e9m, que afaste o tradicional nervosismo que ataca qualquer artista, antes de uma estreia. \u201cEspero que d\u00ea certo, que o p\u00fablico goste\u201d, confidenciou J\u00f4 ao Estado, durante uma conversa em seu apartamento, no bairro de Higien\u00f3polis, onde arquiteta seus projetos ao lado de fi\u00e9is escudeiros, como a produtora Claudia Colossi. \u201cNunca se sabe\u201d, completa, ressabiado. Aos 81 anos, completados em 16 janeiro, J\u00f4 continua na ativa, com ideias fervilhando. Ainda que \u00e0s vezes seja acometido por alguma limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u2013 no ano passado, machucou uma perna ao levar um tombo em casa, o que o afastou da pe\u00e7a que dirigia e atuava, A Noite de 16 de Janeiro, e recentemente passou por uma cirurgia ocular para corrigir uma catarata \u2013, ele participa especialmente das homenagens \u00e0 sua carreira.<\/p>\n<p>Como na festa do Pr\u00eamio do Humor, que o comediante F\u00e1bio Porchat organizou no dia 13, em S\u00e3o Paulo, onde J\u00f4 recebeu um trof\u00e9u. Quase uma semana depois, no dia 19, o comediante voltou a ser celebrado, dessa vez pelo Pr\u00eamio Shell, um dos mais respeitados e tradicionais do teatro, por sua contribui\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e0 cena nacional. \u201cFiquei emocionado porque momentos importantes da minha carreira foram lembrados\u201d, disse J\u00f4 que, no agradecimento, aproveitou para fazer uma cr\u00edtica. \u201cUm pa\u00eds s\u00f3 progride com cultura e tecnologia de ponta. O governo tem que cuidar do Pa\u00eds e, para cuidar do Pa\u00eds, tem de investir em tecnologia e cultura. Mas n\u00e3o podemos dar essa guinada t\u00e3o violenta rumo \u00e0 ignor\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p>Com humor sempre afiado, J\u00f4 provocou gargalhadas das pessoas que o cercavam quando foi carinhosamente abordado pela atriz Regina Duarte, que lhe cravou um beijo. \u201cOi, bolsoninha\u201d, brincou J\u00f4 com o fato de a atriz apoiar Jair Bolsonaro. \u201cFala baixo, que tem muito petista aqui\u201d, respondeu ela, tamb\u00e9m gargalhando.<\/p>\n<p>S\u00e3o encontros fortuitos mas cheios de significado, ali\u00e1s, que marcam a biografia de J\u00f4 Soares, hist\u00f3rias que poder\u00e3o entrar no roteiro de O Livro ao Vivo. Afinal, quem pode se vangloriar de conhecer o ateli\u00ea do pintor americano Roy Lichtenstein (1923-1997), um dos papas da arte moderna? \u201cAdoro sua obra e, uma vez em Nova York, procurei seu nome na lista telef\u00f4nica, liguei e ele foi muito gentil ao me receber\u201d, relembra. Ou de ter presenciado in loco a tr\u00e1gica final da Copa de 1950, no Maracan\u00e3? Ou ainda o processo que sofreu durante o per\u00edodo da presid\u00eancia do general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici e do qual foi absolvido gra\u00e7as a um testemunho por escrito do poeta Carlos Drummond de Andrade?<\/p>\n<p>J\u00f4 dever\u00e1 tamb\u00e9m contar a origem de alguns personagens que se tornaram imortais. \u201cNa verdade, s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es que nasceram mais da minha intui\u00e7\u00e3o que de regras profissionais\u201d, explica o humorista que, no livro, destaca a import\u00e2ncia de v\u00e1rios parceiros em sua carreira. \u201cPara quem trabalha com humor, o sucesso come\u00e7a com o parceiro, que deve ser o primeiro a achar gra\u00e7a\u201d, ensina ele, que dividiu a cena com talentos como Paulo Silvino, Agildo Ribeiro, Eliezer Motta, entre outros. \u201cSilvino era maluco no bom sentido, sempre disposto a fazer brincadeiras no camarim. J\u00e1 o Agildo era um humorista imbat\u00edvel: engra\u00e7ad\u00edssimo, sabia como poucos o tempo do humor.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi a rea\u00e7\u00e3o da plateia, que n\u00e3o arredava p\u00e9 do Teatro Eva Hertz, que deu a primeira dica. \u201cEra para ser o final do evento, quando eu faria alguns coment\u00e1rios relembrando fatos da minha carreira para encerrar a noite\u201d, conta J\u00f4 Soares, relembrando aquela noite de novembro, marcante por ter chovido a c\u00e2ntaros e pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":205485,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-205483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205483"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":205486,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205483\/revisions\/205486"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/205485"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}