{"id":206519,"date":"2019-04-08T06:56:27","date_gmt":"2019-04-08T09:56:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=206519"},"modified":"2019-04-09T07:11:04","modified_gmt":"2019-04-09T10:11:04","slug":"ola-bolsonaro-pobre-espera-ma-chance-para-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ola-bolsonaro-pobre-espera-ma-chance-para-viver\/","title":{"rendered":"Ol\u00e1, Bolsonaro! Pobre quer chance para viver"},"content":{"rendered":"<p>A maioria dos brasileiros (88%) diz que o progresso do pa\u00eds est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da desigualdade econ\u00f4mica entre ricos e pobres, e 94% concordam que os imposto pagos pela popula\u00e7\u00e3o devem ser usados em benef\u00edcio dos mais pobres. Os dados s\u00e3o da segunda edi\u00e7\u00e3o da pesquisa encomendada pela Oxfam Brasil \u2013 organiza\u00e7\u00e3o independente e sem fins lucrativos \u2013 ao Datafolha, divulgada nesta segunda-feira (8).<\/p>\n<p>Questionados sobre a tributa\u00e7\u00e3o, 77% dos entrevistados defenderam o aumento dos impostos cobrados das pessoas muito ricas para financiar pol\u00edticas sociais, ante 71% em 2017, quando foi feita a primeira pesquisa.<\/p>\n<p>O presidente do Conselho da Oxfam Brasil, Oded Grajew, diz que as pessoas percebem que os impostos t\u00eam a ver com sua qualidade de vida e que \u00e9 preciso olhar para a tributa\u00e7\u00e3o como uma forma de redistribuir renda. Segundo Grajew, existe percep\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 injusti\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e de que os ricos devem pagar mais: &#8220;\u00c9 uma maneira tamb\u00e9m de reduzir a desigualdade\u201d, disse. Para ele, a pesquisa mostra descompasso entre o que as pessoas consideram importante \u2013 a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade como forma de progresso \u2013 e a exist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas com esse objetivo.<\/p>\n<p>\u201cNas pol\u00edticas p\u00fablicas, n\u00e3o \u00e9 um assunto que realmente ganha relev\u00e2ncia, que seja discutido como eixo central, e que devia ser, porque o Brasil \u00e9 o nono pa\u00eds mais desigual do mundo. Todos os pa\u00edses que melhoraram de vida, que t\u00eam qualidade de vida, todos eles, sem exce\u00e7\u00e3o, t\u00eam a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade como eixo central das pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, afirmou Grajew.<\/p>\n<p>Ele exemplificou com a discuss\u00e3o em torno das reformas fiscal e da Previd\u00eancia. \u201cA \u00fanica coisa que se fala na reforma da Previd\u00eancia \u00e9 reduzir o d\u00e9ficit p\u00fablico, mas n\u00e3o se fala da redu\u00e7\u00e3o ou do aumento da desigualdade. Quando se fala de reforma fiscal e tribut\u00e1ria, fala-se da simplifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se fala da forma de se redistribuir a renda.\u201d Grajew lembrou que a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, na primeira p\u00e1gina, diz que o dever do Estado \u00e9 reduzir desigualdades e que isso n\u00e3o est\u00e1 sendo levado em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A faxineira Ana Rodrigues apontou desigualdade nas oportunidades que tem o jovem que nasce na periferia e o que nasce em um bairro mais rico. \u201cTem mais pobre do que rico. Muito pobre. Brasil \u00e9 um pa\u00eds de desigualdade. Os ricos t\u00eam mais chance, pobre n\u00e3o tem chance, n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ao calcular quanto custa viver na capital paulista, Ana disse que, para sair da pobreza, a renda do trabalhador precisa chegar a R$ 2 mil. \u201cPara deixar de ser pobre, uma pessoa tem que ganhar uns R$ 2 mil e pouco, pelo menos, para comer. A\u00ed d\u00e1 para comer, mas sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o d\u00e1, n\u00e3o\u201d, afirmou a faxineira.<\/p>\n<p>A pesquisa mostrou tamb\u00e9m a baixa ades\u00e3o dos entrevistados ao projeto de um Estado M\u00ednimo para o Brasil, j\u00e1 que 84% consideram obriga\u00e7\u00e3o dos governos diminuir a diferen\u00e7a entre os muito ricos e os muito pobres &#8211; em 2017, o percentual estava em 79%. Al\u00e9m disso, 75% das pessoas consultadas, apoiam a universalidade do ensino p\u00fablico fundamental e m\u00e9dio, e 73% defendem a universalidade para atendimento em postos de sa\u00fade e hospitais.<\/p>\n<p>Para Oded Grajew, a percep\u00e7\u00e3o de que o Estado \u00e9 respons\u00e1vel pela redu\u00e7\u00e3o da desigualdade \u00e9 um sinal positivo, j\u00e1 que o Estado tem essa fun\u00e7\u00e3o de regula\u00e7\u00e3o. \u201cO Estado nasceu para isso. Voc\u00ea tem um mercado em que impera a lei do mais forte e, se deixar solto, aumenta a desigualdade. O Estado nasceu exatamente para reequilibrar a sociedade, para fazer uma sociedade mais justa, por meio das pol\u00edticas p\u00fablicas, da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade para todos, de sa\u00fade, de habita\u00e7\u00e3o e da pol\u00edtica econ\u00f4mica.\u201d<\/p>\n<p>\u201cQuem precisa do Estado s\u00e3o as pessoas mais pobres, que n\u00e3o t\u00eam dinheiro para pagar por um servi\u00e7o particular. Quem usa o SUS [Sistema \u00danico de Sa\u00fade], a escola p\u00fablica, a seguran\u00e7a p\u00fablica, s\u00e3o as pessoas de menor renda. O mercado \u00e9 importante, mas precisa de regula\u00e7\u00e3o do Estado, \u00e9 preciso que o Estado fa\u00e7a com que o mercado atenda \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>De acordo com o vendedor de milho Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Santana, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds desigual e discrimina mulheres e negros. \u201cEscuto falar muito sobre isso. Tem ainda essa diferen\u00e7a. Tem muita gente que, por causa da cor da pele, [\u00e9 discriminada]. E, na verdade, n\u00f3s somos todos iguais.\u201d Para reduzir a desigualdade entre ricos e pobres, Santana disse que \u00e9 preciso investir em educa\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar. Em seguida, em sa\u00fade e emprego. \u201cArrumar um jeito de abrir as portas do emprego.\u201d<\/p>\n<p>Ainda segundo a pesquisa, 64% dos brasileiros afirmam que as mulheres ganham menos s\u00f3 pelo fato de serem mulheres \u2013 em 2017, eram 57%. J\u00e1 aqueles que concordam que a cor da pele interfere no n\u00edvel de rendimentos aumentou de 46% para 52% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a e g\u00eanero, Oded Grajew ressaltou que os brasileiros t\u00eam percep\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 diferencia\u00e7\u00e3o contra mulheres e negros, e \u00e9 importante que a discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja encarada como normalidade.<\/p>\n<p>\u201cAs coisas s\u00f3 mudam quando as pessoas acham que aquilo n\u00e3o \u00e9 normal. Quando havia escravid\u00e3o, as pessoas achavam que aquilo era normal. As mulheres n\u00e3o votarem era normal. [S\u00f3 teve mudan\u00e7a] quando houve uma percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o era normal. \u00c9 normal voc\u00ea ter 20 ministros homens, duas mulheres e nenhum negro, quando a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 mulher e negra? Isso seria inconceb\u00edvel em qualquer pa\u00eds\u201d, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos brasileiros (88%) diz que o progresso do pa\u00eds est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da desigualdade econ\u00f4mica entre ricos e pobres, e 94% concordam que os imposto pagos pela popula\u00e7\u00e3o devem ser usados em benef\u00edcio dos mais pobres. 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