{"id":207222,"date":"2019-04-21T08:34:07","date_gmt":"2019-04-21T11:34:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=207222"},"modified":"2019-04-21T10:31:43","modified_gmt":"2019-04-21T13:31:43","slug":"coelho-da-pascoa-existe-e-papai-noel-fada-do-dente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/coelho-da-pascoa-existe-e-papai-noel-fada-do-dente\/","title":{"rendered":"Coelho da P\u00e1scoa existe? E Papai Noel, Fada do Dente&#8230;?"},"content":{"rendered":"<p>Coelho da P\u00e1scoa, papai Noel, fada do dente. O que todos esses personagens t\u00eam em comum? Al\u00e9m das hist\u00f3rias fofas contadas de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas \u2018d\u00e3o presentes\u2019 nas respectivas datas comemorativas. E os pais avisam: \u2018Somente as crian\u00e7as que s\u00e3o boazinhas s\u00e3o presenteadas\u2019.<\/p>\n<p>\u00c9 assim na casa de Cristina Sussmann. M\u00e3e da Adrielly, de 9 anos, da Daniela, de 7, do Arthur, de 2, e da pequena Helo\u00edsa, de 11 meses, ela cresceu acreditando em todos esses personagens e decidiu manter a tradi\u00e7\u00e3o. \u201cNo Natal, n\u00f3s \u00edamos dormir cedo e, no dia seguinte, meus pais colocavam os presentes embaixo da \u00e1rvore. Na P\u00e1scoa, ou eles escondiam os ovos ou colocavam os ovos em frente \u00e0 porta de casa. Com meus filhos, a gente esconde os ovos no guarda roupa, no quintal, nos arm\u00e1rios, vai escondendo os ovos de cada um para entrar na brincadeira com as crian\u00e7as. A gente vai colocando as patinhas de coelhinho. Elas se divertem\u201d, conta.<\/p>\n<p>Sobre o questionamento dos filhos se papai Noel existe ou coelho da P\u00e1scoa, Cristina tem um argumento: \u201cOs ovos que est\u00e3o no mercado s\u00e3o os que os pais compram para seus filhos, mas o coelhinho da P\u00e1scoa tamb\u00e9m d\u00e1 ovo para a crian\u00e7a que \u00e9 obediente. A gente compra ovo caseiro para ficar mais realista. Meu irm\u00e3o fazia ovo com a esposa e meus filhos ajudavam. A\u00ed cont\u00e1vamos que eles eram \u2018ajudantes de coelhinho\u2019 porque, afinal de contas, s\u00e3o crian\u00e7as\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Marcelo Nunes dos Reis \u00e9 pai da pequena Rafaela, de tr\u00eas anos. Ele garante que ainda acredita em papai Noel e coelho da P\u00e1scoa. \u201cAinda que jamais tenha visto, sei que de alguma forma, encarnada ou n\u00e3o, eles existem. Ao meu ver, a falta de magia na mente das nossas crian\u00e7as, em conjunto com outras mudan\u00e7as f\u00edsicas, ps\u00edquicas, qu\u00edmicas, fizeram com que nosso \u201cnovo\u201d mundo se tornasse mais chato e perigoso. Hoje n\u00e3o vemos mais ruas decoradas, campeonato da casa ou apartamento mais decorado e bonito, com a esperan\u00e7a de ver o Papai Noel chegando na noite de Natal, as pegadas do coelhinho da P\u00e1scoa dentro de nossa casa, a busca pelos ovinhos&#8230;mundo chato\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Se um dia Rafaela o perguntar sobre a exist\u00eancia desses personagens, Marcelo j\u00e1 tem resposta: \u201cAqueles ovos de P\u00e1scoa s\u00f3 est\u00e3o nas prateleiras dos mercados porque ali \u00e9 o local onde os coelhinhos armazenam os ovos que ser\u00e3o dados \u00e0s crian\u00e7as. O mesmo com o papai Noel no shopping, pois ali \u00e9 o \u00fanico local onde ele recebe as cartinhas contendo os pedidos e tiram foto\u201d.<\/p>\n<p>Na inf\u00e2ncia, assim como os irm\u00e3os, Arthur Ankerkrone sempre acreditou nos personagens como papai Noel e coelho da P\u00e1scoa. Sandra Miranda n\u00e3o. Hoje, eles s\u00e3o pais de Marcos, de 8 anos, Maria, 4, e Luiz, de apenas oito meses. Apesar de hist\u00f3ricos de vida diferentes, entraram em acordo em como lidar com assunto com as crian\u00e7as. \u201cN\u00f3s os deixamos viver a fantasia, n\u00e3o faz mal e \u00e9 divertido. No Natal a log\u00edstica do aparecimento dos presentes \u00e0s vezes d\u00e1 trabalho, mas creio que nos divertimos tanto quanto as crian\u00e7as\u201d, ressalta Sandra.<\/p>\n<p>Arthur conta que o filho mais velho come\u00e7ou a lan\u00e7ar perguntas. \u201cEle tem um pensamento muito l\u00f3gico e veio nos questionar sobre Papai Noel. Para ele, n\u00e3o fazia muito sentido a distribui\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de presentes em todo o mundo. Perto da P\u00e1scoa, deduziu ser imposs\u00edvel a exist\u00eancia de um coelho misterioso botando ovos de chocolate nas casas e assim \u2018desmascarou\u2019 os dois personagens. Em compensa\u00e7\u00e3o, agora nos ajuda a manter a fantasia para os irm\u00e3os mais novos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os filhos de Cristina, do in\u00edcio da reportagem, acreditam tamb\u00e9m na exist\u00eancia da fada do dente. \u201cSempre que cai um dente, elas colocam embaixo do travesseiro e, durante \u00e0 noite, eu recolho e coloco uma moeda. No dia seguinte, elas acordam felizes ao encontrar a moeda que a fada deixou\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Mas, \u00e0s vezes, a fada do dente pode \u2018esquecer\u2019 a recompensa. \u201cTeve uma noite que esqueci de recolher o dente da Adrielly. Ela ficou triste. Eu disse que a fada deveria ter muitos dentes para recolher, tadinha. Na noite seguinte, fiz a troca e ficou ela super feliz\u201d, afirma Cristina.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula para lidar com os filhos e os personagens como papai Noel ou coelho da P\u00e1scoa. Na an\u00e1lise da psic\u00f3loga Tauane Gehm, a maior parte das fam\u00edlias vai ou n\u00e3o manter a tradi\u00e7\u00e3o, dependendo do hist\u00f3rico de vida de cada um. \u201cAl\u00e9m disso, algumas fam\u00edlias descrevem esses personagens como figuras de bondade e amor e, com isso, os filhos aprendem a v\u00ea-los dessa forma. Tamb\u00e9m h\u00e1 pais que os descrevem como figuras que monitoram o bom comportamento das crian\u00e7as e que podem, porventura, deixar de dar presentes quando estas \u201cn\u00e3o merecerem\u201d. Com isso, seus filhos passam a encarar os personagens dessa forma\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Muita gente acredita que manter a fantasia pode ser saud\u00e1vel para o desenvolvimento infantil. Por\u00e9m, Tauane Gehm lembra que n\u00e3o h\u00e1 estudo cient\u00edfico que comprove: \u201cNos anos 2000, foram realizados alguns estudos avaliando a express\u00e3o facial das crian\u00e7as e dos cuidadores ap\u00f3s o contato da crian\u00e7a com um papai Noel no shopping. Os resultados apontaram que mais da metade das crian\u00e7as saia desse contato com indiferen\u00e7a, enquanto mais de 80% dos cuidadores demonstrava sinais de felicidade. Ou seja, a manuten\u00e7\u00e3o de uma cultura que acredita em coelhinho da P\u00e1scoa e papai Noel se d\u00e1, entre outras coisas, porque essa tradi\u00e7\u00e3o agrada n\u00e3o apenas crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m a fam\u00edlia. De fato, a escolha de manter a tradi\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o \u00e9 muito individual\u201d.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga tamb\u00e9m afirma que, com o desenvolvimento do racioc\u00ednio l\u00f3gico, as crian\u00e7as come\u00e7am a questionar a exist\u00eancia de seres que destoam da realidade. \u201cElas come\u00e7am a fazer perguntas como \u201cPor que o papai Noel desse shopping \u00e9 diferente daquele que vimos ontem?\u201d, \u201cComo o coelhinho da P\u00e1scoa consegue fazer chocolate para tanta gente e passar em tantas casas em um \u00fanico dia?\u201d, \u201cPor que os mercados vendem ovos de P\u00e1scoa se \u00e9 o coelhinho quem faz e entrega os ovos?\u201d, \u201cComo as renas do papai Noel conseguem voar?\u201d. Essas perguntas s\u00e3o importantes para o desenvolvimento cognitivo. Sendo assim, \u00e9 importante que os pais deem espa\u00e7o para que a crian\u00e7a desenvolva esse tipo de racioc\u00ednio quando for a hora, ao inv\u00e9s de criar justificativas m\u00e1gicas que mantenham a tradi\u00e7\u00e3o. O que geralmente acontece \u00e9 que, ao descobrir que os personagens n\u00e3o s\u00e3o reais, a crian\u00e7a se sente muito esperta e chega, em muitos casos, a ficar feliz por ter descoberto\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea for bonzinho o ano todo, o papai Noel vai te dar aquele game que voc\u00ea tanto quer\u201d. Quem nunca disse essa frase \u00e0 um filho no Natal, que atire a primeira pedra. Condicionar a oferta de presentes ou ovos de P\u00e1scoa a bom comportamento ou notas boas na escola pode ser saud\u00e1vel? A psic\u00f3loga infantil Tauane Gehm responde: \u201cComo essa \u00e9 uma estrat\u00e9gia que pode funcionar a curto prazo, \u00e9 compreens\u00edvel que muitos pais apelem para isso, sobretudo se considerarmos a sobrecarga a qual est\u00e3o expostos em seu dia-a-dia. Por\u00e9m, \u00e9 importante que os pais desenvolvam estrat\u00e9gias de educa\u00e7\u00e3o que permitam que os filhos aprendam a ter bons comportamentos a despeito dos presentes que ganhar\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 importante que os pais se coloquem como as principais figuras de autoridade, sem transferir esse lugar para figuras como Coelhinho da P\u00e1scoa e Papai Noel\u201d.<\/p>\n<p>Muitos pais dizem que esse tipo de cren\u00e7a \u00e9 ben\u00e9fica ao desenvolvimento por estimular o mundo da fantasia. Por\u00e9m, essa n\u00e3o \u00e9 uma evid\u00eancia cient\u00edfica, na an\u00e1lise da psic\u00f3loga Tauane Gehn: \u201cMas quando a gente vai olhar para pesquisas que foram feitas, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias que constate isso. Algumas pesquisas mostram os benef\u00edcios da fantasia em brincadeiras de faz de conta em que a crian\u00e7a sabe que o que ela est\u00e1 encenando n\u00e3o \u00e9 real. E a\u00ed a crian\u00e7a aprende a se colocar no lugar dos personagens, aprende a conseguir ser emp\u00e1tica,aprende a lidar com racioc\u00ednio abstrato. Mas papai Noel e coelhinho n\u00e3o s\u00e3o personagens que a crian\u00e7a encena e, al\u00e9m disso, s\u00e3o reais para a crian\u00e7a. Nesse sentido, a gente n\u00e3o sabe se essa fantasia traz benef\u00edcios\u201d.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 muito dif\u00edcil haver um adulto que tem um trauma pelo fato de os pais terem defendido a exist\u00eancia desses personagens.<\/p>\n<p>Em \u00e9pocas como P\u00e1scoa ou Natal, os alunos costumam realizar diversas atividades voltadas para esses personagens. Mas a coordena\u00e7\u00e3o deve ter cautela na hora de organizar o evento, na opini\u00e3o da psicopedagoga Cristine Calazans, psicopedagoga. \u201cMuitas escolas de educa\u00e7\u00e3o infantil contratam personagens nestas datas e fazem uma grande comemora\u00e7\u00e3o, tiram fotos, filmam e compartilham com os pais os melhores momentos. A grande quest\u00e3o \u00e9 que mesmo conhecendo bem a crian\u00e7a ningu\u00e9m sabe qual ser\u00e1 a sua rea\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea, adulto j\u00e1 encontrou um grande \u00eddolo num local inesperado? Como se sentiu neste momento? Conseguiu pensar em algo para dizer para ele, gaguejou, tremeu, ficou inseguro? Como se sentiria se algu\u00e9m o obrigasse a se aproximar dele s\u00f3 para uma foto? Os pais e educadores precisam estar preparados para qualquer rea\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, dar escolhas, acolher, conversar antes, explicar que ela pode escolher se aproximar ou n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A neuroeducadora acrescenta que, se a escola optar pelos personagens vivos, \u00e9 preciso preparar toda a equipe escolar, explicando sobre acolhimento, respeito e evitar surpresas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coelho da P\u00e1scoa, papai Noel, fada do dente. O que todos esses personagens t\u00eam em comum? Al\u00e9m das hist\u00f3rias fofas contadas de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas \u2018d\u00e3o presentes\u2019 nas respectivas datas comemorativas. 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