{"id":208396,"date":"2019-05-18T12:16:56","date_gmt":"2019-05-18T15:16:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=208396"},"modified":"2019-05-18T12:16:56","modified_gmt":"2019-05-18T15:16:56","slug":"biodegradavel-torna-consumo-de-moda-menos-poluente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/biodegradavel-torna-consumo-de-moda-menos-poluente\/","title":{"rendered":"Biodegrad\u00e1vel torna consumo de moda menos poluente"},"content":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o excessiva de lixo e a contamina\u00e7\u00e3o dos oceanos com pl\u00e1sticos est\u00e3o levando a sociedade a repensar seus h\u00e1bitos de consumo. O canudinho se tornou um \u00edcone desse movimento, no entanto ainda \u00e9 necess\u00e1rio olhar para muitos outros itens que compramos e usamos diariamente. Uma pe\u00e7a de roupa, por exemplo, demora em m\u00e9dia 50 anos para se decompor; essa informa\u00e7\u00e3o mostra que olhar para o pr\u00f3prio guarda-roupa \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, sabemos que 85% do produto t\u00eaxtil do mundo vai parar no aterro sanit\u00e1rio; 20% de toda \u00e1gua de res\u00edduo de processo fabril carrega subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, ou seja, a ind\u00fastria da moda \u00e9 muito poluente&#8221;, diz Bruna Ortega, especialista em beleza e moda da WGSN. Por outro lado, a empresa de tend\u00eancias tamb\u00e9m identificou que quase metade dos consumidores com 18 anos ou mais preferem consumir marcas ecologicamente conscientes.<\/p>\n<p>Chiara Gadaleta, especialista em sustentabilidade e consumo consciente, concorda que mais pessoas est\u00e3o se engajando para pensar em roupas mais sustent\u00e1veis no fim de sua vida \u00fatil. No entanto, a fundadora do Movimento Ecoera e apresentadora do Menos \u00e9 Demais, no canal Discovery Home and Health, alerta: uma pe\u00e7a que demore mais de 20 anos para se decompor n\u00e3o pode ser considerada biodegrad\u00e1vel. &#8220;O consumidor final precisa questionar quando uma marca diz que \u00e9 biodegrad\u00e1vel. Porque nem todo produto sustent\u00e1vel \u00e9 biodegrad\u00e1vel no Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria da moda tem ouvido o desejo por produtos de menor impacto ambiental. &#8220;Come\u00e7amos a ver que, al\u00e9m da demanda do consumidor, as empresas est\u00e3o se mexendo para trazer sustentabilidade de uma forma muito mais fashion, muito mais moderna&#8221;, afirma a executiva da WGSN.<\/p>\n<p>Algumas companhias como Pantys, Lupo e Renner foram influenciadas por esse movimento e est\u00e3o vendendo pe\u00e7as biodegrad\u00e1veis que s\u00e3o produzidas a partir da fibra de poliamida Amni Soul Eco, desenvolvida no Brasil pelo Grupo Solvay, da Rhodia. Um item feito desse material mais sustent\u00e1vel se decomp\u00f5e em tr\u00eas anos no aterro sanit\u00e1rio; ou seja, 47 anos a menos para se dissolver do que os tecidos tradicionais. &#8220;Temos uma grande ambi\u00e7\u00e3o de em cinco anos tornar todos os fios biodegrad\u00e1veis&#8221;, afirma Mayra Montel, marketing e branding da Rhodia.<\/p>\n<p>Recentemente, em abril, calcinhas, suti\u00e3s, biqu\u00ednis e mai\u00f4s da Pantys passaram a ser produzidos com a poliamida biodegrad\u00e1vel da Rhodia. Ap\u00f3s essa mudan\u00e7a, apenas o shorts de uso noturno e o forro absorvente das demais pe\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o biodegrad\u00e1veis. Entretanto, j\u00e1 foi um avan\u00e7o para a empresa de roupas \u00edntimas que nasceu para acabar com o uso de absorventes descart\u00e1veis. Segundo Emily Ewell, CEO da Pantys, a companhia tamb\u00e9m est\u00e1 trabalhando com sua cadeia de fornecedores para rever todos os materiais usados e no futuro poder colocar no mercado pe\u00e7as com el\u00e1sticos e outros componentes totalmente biodegrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Saindo do departamento de roupas \u00edntimas e indo para a se\u00e7\u00e3o esportiva, 20% da produ\u00e7\u00e3o de camisetas esportivas da Lupo \u00e9 de tecido biodegrad\u00e1vel. &#8220;Nesse momento, nosso foco est\u00e1 nas camisetas, porque \u00e9 um produto que tem um descarte mais r\u00e1pido, pois as pessoas utilizam mais, fica mais exposto durante o uso, tem mais trocas, mais lavagens&#8221;, explica a coordenadora da linha Lupo Sport, Roberta Lucia.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o biodegrad\u00e1vel para a ind\u00fastria da moda \u00e9 a fibra EcoVero, do grupo austr\u00edaco Lenzing. O material t\u00eaxtil \u00e9 produzido a partir de fontes sustent\u00e1veis de madeira e demora de um a cinco meses para se decompor na natureza. Com essa alternativa, as marcas Lunender e Lez Lez, do grupo Lunelli, oferecem h\u00e1 um ano pe\u00e7as confeccionadas com essa viscose de menor impacto ambiental. Os produtos de viscose EcoVero representam 10% do total da produ\u00e7\u00e3o da companhia Lunelli.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das fibras biodegrad\u00e1veis mais tecnol\u00f3gicas, o algod\u00e3o org\u00e2nico certificado \u00e9 uma mat\u00e9ria-prima que sobrecarrega menos o meio ambiente. Nessa linha, de acordo com Samuel Eichstaedt, diretor de produto do Grupo Lunelli, em dois anos todo o algod\u00e3o usado pela empresa ser\u00e1 sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O gerente s\u00eanior de sustentabilidade da Lojas Renner, Eduardo Ferlauto, afirma que a varejista tamb\u00e9m planeja passar a utilizar apenas algod\u00e3o certificado at\u00e9 2021. Al\u00e9m dessa material, a Renner tamb\u00e9m confecciona pe\u00e7as de poliamida biodegrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>A C&amp;A oferece uma linha de camisetas de algod\u00e3o identificadas por etiquetas Cradle to Cradle, certifica\u00e7\u00e3o que reconhece materiais sustent\u00e1veis. Ao final da vida \u00fatil, as pe\u00e7as se decomp\u00f5em em 12 semanas ou podem ser colocadas em composteiras, para se tornarem adubo para estimular o crescimento de plantas e restaurar a vitalidade do solo.<\/p>\n<p>Dar prefer\u00eancia a pe\u00e7as biodegrad\u00e1veis \u00e9 uma decis\u00e3o consciente para reduzir o impacto do seu consumo. Comprar roupas usadas e preferir pe\u00e7as de maior qualidade que v\u00e3o durar mais s\u00e3o outras atitudes positivas. &#8220;Tentar aumentar ao m\u00e1ximo a vida \u00fatil da pe\u00e7a e evitar o descarte prematuro&#8221;, indica Chiara Gadaleta.<\/p>\n<p>Quando a pe\u00e7a deixa de ser \u00fatil para voc\u00ea, ela ainda pode ser usada por outras pessoas pr\u00f3ximas ou podem ser destinadas a iniciativas como a Campanha do Agasalho. A C&amp;A tamb\u00e9m facilita a destina\u00e7\u00e3o dessas pe\u00e7as. Em 80 lojas da rede, existem urnas que recebem doa\u00e7\u00f5es de roupas usadas. A iniciativa chamada Movimento ReCiclo faz uma triagem das pe\u00e7as, que podem ser de qualquer marca, e as encaminha para parceiros que podem recicl\u00e1-las ou do\u00e1-las para ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Apenas ap\u00f3s esgotar todas essas possibilidades, \u00e9 que deve se pensar em descartar uma pe\u00e7a de roupa. E ainda assim \u00e9 fundamental fazer isso com responsabilidade; afinal, quando &#8216;joga-se fora&#8217;, o &#8216;fora&#8217; ainda \u00e9 aqui no meio ambiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o excessiva de lixo e a contamina\u00e7\u00e3o dos oceanos com pl\u00e1sticos est\u00e3o levando a sociedade a repensar seus h\u00e1bitos de consumo. O canudinho se tornou um \u00edcone desse movimento, no entanto ainda \u00e9 necess\u00e1rio olhar para muitos outros itens que compramos e usamos diariamente. 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