{"id":208619,"date":"2019-05-23T09:56:37","date_gmt":"2019-05-23T12:56:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=208619"},"modified":"2019-05-23T09:56:37","modified_gmt":"2019-05-23T12:56:37","slug":"poder-de-aladdin-para-mudar-a-vida-ao-seu-redor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/poder-de-aladdin-para-mudar-a-vida-ao-seu-redor\/","title":{"rendered":"Poder de Aladdin para mudar a vida ao seu redor"},"content":{"rendered":"<p>Hollywood sempre foi fascinada pelas \u2018arabian nights\u2019 e pelos contos das 1001 noites. Belas princesas, vizires ambiciosos (e malvados), l\u00e2mpadas m\u00e1gicas e o ladr\u00e3o de Bagd\u00e1 ati\u00e7aram a imagina\u00e7\u00e3o do p\u00fablico por d\u00e9cadas. A primeira vers\u00e3o da f\u00e1bula foi dirigida em 1924 pelo jovem Raoul Walsh, com o lend\u00e1rio Douglas Fairbanks.<\/p>\n<p>Quase um s\u00e9culo depois, continua a ser um dos mais criativos filmes do cinema mudo, e os sets criados por William Cameron Menzies ainda provocam maravilhamento. Passaram-se 16 anos e, na Inglaterra, o trio William Berger\/Tim Whelan\/Michael Powell recontou a hist\u00f3ria com ainda mais magia e efeitos avan\u00e7ados para a \u00e9poca. O filme venceu o Oscar de fotografia, um trabalho magistral de Georges Perinal, tinha a trilha gloriosa de Miklos Rosza e aquele elenco \u2013 Sabu, o expressionista (de O Gabinete do Dr. Caligari) Conrad Veidt como o vizir e Rex Ingram como o g\u00eanio.<\/p>\n<p>Passaram-se mais de 50 anos e a Disney se reapossou da hist\u00f3ria numa das primeiras anima\u00e7\u00f5es computadorizadas. Aladdin, de Ron John Muskier e Ron Clemens, beneficiava-se enormemente da trilha de John Mencken e da can\u00e7\u00e3o (A Whole New World) vencedoras do Oscar, mas o que realmente fazia a diferen\u00e7a era Robin Williams como o g\u00eanio. O sucesso foi t\u00e3o grande que inspirou o musical da Broadway, t\u00e3o pr\u00f3digo em efeitos que o p\u00fablico ia, e ia de novo para tentar identificar o mecanismo que mantinha o tapete voando.<\/p>\n<p>Aladdin ganha agora uma vers\u00e3o live action com g\u00eanio (Will Smith), tapete (um verdadeiro personagem) e um jovem casal de cortar o f\u00f4lego, de t\u00e3o bonitos \u2013 o eg\u00edpcio-canadense Mena Massoud e a brit\u00e2nica Naomi Scott. Nessa era de demoniza\u00e7\u00e3o do mundo \u00e1rabe, n\u00e3o representa pouca coisa que um rato das ruas, o ladr\u00e3o de Bagd\u00e1, seja celebrado como o mais puro dos homens. Foi o que, com toda certeza, atraiu o diretor Guy Ritchie.<\/p>\n<p>Faz tempo que o nome dele vinha sempre acompanhado de um aposto \u2013 o ex de Madonna. Como diretor, Ritchie come\u00e7ou numa pegada tarantinesca, com filmes como Jogos, Trapa\u00e7as e Dois Canos Fumegantes e Snatch \u2013 Porcos e Diamantes. N\u00e3o \u00e9, nunca foi, um grande diretor, mas \u00e9 poss\u00edvel divertir-se com as bossas de montagem de Sherlock Holmes e O Agente da U.N.C.L.E. Com o seu Rei Arthur \u2013 A Lenda da Espada, reabriu a vertente arthuriana, mas o fez por um vi\u00e9s muito particular.<\/p>\n<p>Segundo a lenda, s\u00f3 o mais nobre dos homens poderia desembainhar da pedra a espada m\u00e1gica de Excalibur. O Arthur de Guy Ritchie \u2013 o poderoso Charlie Hunnam \u2013 passou a inf\u00e2ncia num bordel, entre prostitutas e rufi\u00f5es, e nem por isso deixou de ser um homem nobre. Essa mesma prefer\u00eancia pelos marginalizados o levou a Aladdin. O vizir procura algu\u00e9m de cora\u00e7\u00e3o puro que lhe traga, das profundezas daquela caverna, a l\u00e2mpada m\u00e1gica. Basta esfreg\u00e1-la que, de dentro, sai um g\u00eanio, capaz de realizar tr\u00eas pedidos, e ao vizir s\u00f3 interessa um. Deixar de ser o segundo para se tornar o primeiro \u2013 para reinar.<\/p>\n<p>Na trama cl\u00e1ssica, Aladdin apaixona-se pela princesa Jasmine, que confunde com uma aia do pal\u00e1cio. Da caverna, ele sai como pr\u00edncipe \u2013 Ali \u2013, para pleitear a m\u00e3o da garota. Ela j\u00e1 vive nesse mundo do cinema p\u00f3s-Mulher-Maravilha. Reivindica o direito de governar, mas seu pai, preso \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, exige que se case com um pr\u00edncipe, e ele sentar\u00e1 no trono. O g\u00eanio, que negocia com Aladdin cada um de seus pedidos, sonha ser livre, mesmo sabendo que s\u00f3 um cora\u00e7\u00e3o puro poderia desistir do poder conferido pela l\u00e2mpada.<\/p>\n<p>A novidade \u00e9 que, sendo Aladdin um musical, toda essa hist\u00f3ria \u00e9 contada com canto e dan\u00e7a. Como ocorre com frequ\u00eancia nas produ\u00e7\u00f5es animadas da Disney, o al\u00edvio c\u00f4mico \u00e9 proporcionado por animais. O macaquinho (Abu) de Aladdin, o papagaio demon\u00edaco do vizir. S\u00e3o muito engra\u00e7ados. Um personagem muito especial \u00e9 o tapete, que usa as guirlandas em suas extremidades como m\u00e3os para expressar afeto.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00e3o, m\u00fasica, humor \u2013 e magia. E aqui, por mais encantador que possa ser o filme, mesmo para quem n\u00e3o \u00e9 louco por musicais, pode estar o problema. Os efeitos nas cenas com o tapete s\u00e3o impec\u00e1veis, mas o g\u00eanio permanece atado \u00e0 l\u00e2mpada por um cord\u00e3o umbilical que \u00e9 esquisito. O reparo n\u00e3o invalida o filme, mas permite lembrar que o rei Arthur tamb\u00e9m seria muito melhor, se no segmento final Charlie Hunnam n\u00e3o tivesse de enfrentar o monstro em que se transformava o vil\u00e3o Jude Law (como aqui o vizir).<\/p>\n<p>Na era dos efeitos em Hollywood, Guy Ritchie, homem do seu tempo, talvez esteja querendo passar um recado. O mecanismo pelo qual Aladdin muda as vidas de todos \u2013 reino, princesa e do g\u00eanio +\u2013 interessa-lhe muito mais do que a l\u00e2mpada. Mas a l\u00e2mpada, relegada \u00e0 caverna profunda, n\u00e3o ser\u00e1 o pr\u00f3prio cinema? Imperfei\u00e7\u00f5es \u00e0 parte, Aladdin reafirma a magia \u00e1rabe de Hollywood.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hollywood sempre foi fascinada pelas \u2018arabian nights\u2019 e pelos contos das 1001 noites. Belas princesas, vizires ambiciosos (e malvados), l\u00e2mpadas m\u00e1gicas e o ladr\u00e3o de Bagd\u00e1 ati\u00e7aram a imagina\u00e7\u00e3o do p\u00fablico por d\u00e9cadas. A primeira vers\u00e3o da f\u00e1bula foi dirigida em 1924 pelo jovem Raoul Walsh, com o lend\u00e1rio Douglas Fairbanks. 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