{"id":208907,"date":"2019-05-29T17:12:41","date_gmt":"2019-05-29T20:12:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=208907"},"modified":"2019-05-29T17:12:41","modified_gmt":"2019-05-29T20:12:41","slug":"moda-que-desafia-barreira-do-genero-cria-proprio-selo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/moda-que-desafia-barreira-do-genero-cria-proprio-selo\/","title":{"rendered":"Moda que desafia barreira do g\u00eanero cria pr\u00f3prio selo"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;O amor n\u00e3o tem sexo&#8221;, diz a estampa de uma camiseta da Omnia, uma marca de roupa &#8220;sem g\u00eanero&#8221; que duas jovens chilenas criaram no Instagram e cuja primeira cole\u00e7\u00e3o esgotou em minutos .<\/p>\n<p>A tend\u00eancia da roupa sem g\u00eanero, neutra ou unissex se destacou nos \u00faltimos anos nas passarelas de Mil\u00e3o a Nova York, apesar de suas origens remontarem a Coco Chanel na d\u00e9cada de 1920 e at\u00e9 mesmo aos rebeldes &#8220;flappers&#8221;.<\/p>\n<p>Essa corrente, de modelos soltos ou ajustada para se adaptar a qualquer silhueta, ganha impulso com seus pr\u00f3prios referentes na Am\u00e9rica Latina, num momento de efervesc\u00eancia feminista e reivindica\u00e7\u00e3o da diversidade sexual.<\/p>\n<p>Designers na Argentina, Brasil, Chile e M\u00e9xico, entre outros, apagam de suas cria\u00e7\u00f5es os limites do tradicional para se aventurar em um estilo ligado \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>&#8220;Foi importante para fazer uma marca que estava em contato com seus clientes, para lutar pelas coisas que eles tamb\u00e9m lutam. N\u00f3s sentimos que era a base da nossa marca&#8221;, diz a designer Monserrat Gongora, 23 anos, que criou Omnia (&#8220;tudo&#8221;, em latim) juntamente com Bernadette Dan\u00fas, 22 anos, uma estudante de engenharia comercial.<\/p>\n<p>As amigas tornaram-se s\u00f3cias, aproveitaram os mais de 54 mil seguidores que Dan\u00fas tem nas redes e projetam a expertise de G\u00f3ndora para desafiar preconceitos.<\/p>\n<p>Hoje elas est\u00e3o se preparando para o segundo lan\u00e7amento voltado para a gera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-mil\u00eanio, para a qual as fronteiras que dividem o masculino do feminino est\u00e3o cada vez mais borradas.<\/p>\n<p>Com sua proposta urbana, Mancandy, destacada pela Vogue no M\u00e9xico, \u00e9 tamb\u00e9m um expoente desse conceito que se consolida na regi\u00e3o. As roupas projetadas por Andr\u00e9s Jim\u00e9nez, em sua maioria &#8220;superdimensionadas&#8221; ou muito grandes, representam mais do que tecidos cortados dessa ou daquela maneira.<\/p>\n<p>&#8220;A mensagem principal \u00e9 liberdade, liberdade de vestir o que voc\u00ea gosta, liberdade de ser quem voc\u00ea quer ser&#8221;, explica o designer, que busca o conforto de quem usa seus projetos &#8220;com seus corpos e com quem est\u00e1 dentro&#8221;.<\/p>\n<p>Em anos de experi\u00eancia, a marca &#8211; entre as transgress\u00f5es que um lan\u00e7amento de temporada registra no metr\u00f4 da capital mexicana &#8211; passou de avant-garde para um reflexo da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Emiliano Blanco, da empresa argentina Kostume, prefere definir o conceito subjacente de &#8220;multig\u00eanero&#8221;, em vez de &#8220;semg\u00eanero&#8221;, em busca de um termo que ele considera mais inclusivo.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m n\u00e3o fala de um momento da moda, mas de uma mudan\u00e7a do outro lado, de acordo com sua experi\u00eancia na marca local que criou com Camila Milessi na capital argentina em 2001: &#8220;Com o passar dos anos come\u00e7amos a perceber de uma maneira muito clara: os clientes n\u00e3o estavam mais interessados na distin\u00e7\u00e3o de g\u00eanero em cabides, na \u00e9poca percebemos que n\u00e3o seria uma tend\u00eancia, mas uma evolu\u00e7\u00e3o do consumidor&#8221;.<\/p>\n<p>O grande mercado brasileiro tamb\u00e9m se aventura nas \u00e1guas navegadas por Chanel, Kenzo ou Salvatore Ferragamo. Uma refer\u00eancia \u00e9 a Pair em S\u00e3o Paulo, que desde a sua cria\u00e7\u00e3o buscou a &#8220;democratiza\u00e7\u00e3o&#8221; da moda e reuniu um volume de pe\u00e7as que cruzam barreiras de g\u00eanero.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas n\u00e3o se encaixam mais nos padr\u00f5es finitos, somos infinitas e sentimos o desejo de transbordar nossa pessoa em nossas roupas&#8221;, diz a diretora, Carla de Lima Ribeiro.<\/p>\n<p>Com desenhos minimalistas e cores b\u00e1sicas &#8211; a maioria branca, preta e cinza &#8211; a Pair surgiu da necessidade de atender a um p\u00fablico mais amplo que renegou o que foi estabelecido. &#8220;Eu considero a liberdade de express\u00e3o como o futuro da moda, roupas sem g\u00eanero s\u00e3o uma resposta para isso&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>No mercado mundial, n\u00e3o apenas marcas de luxo usavam suas cole\u00e7\u00f5es unissex. Outros &#8220;fast fashion&#8221; e pre\u00e7os acess\u00edveis, como a espanhola Zara e a sueca H &amp; M, tamb\u00e9m ecoaram a mudan\u00e7a nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sem controv\u00e9rsia, essa expans\u00e3o abriu o caminho para que essa moda alcan\u00e7asse um p\u00fablico mais amplo. Mesmo a latino-americana, cujas manifesta\u00e7\u00f5es adquiriram uma relev\u00e2ncia crescente.<\/p>\n<p>&#8220;Todas as marcas de roupas devem ser unissex&#8221;, diz G\u00f3ngora, para quem o futuro da moda \u00e9 aquele em que n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre um g\u00eanero ou outro. Algo que para ela, seu parceiro e muitos de seus colegas \u00e9 algo quase \u00f3bvio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O amor n\u00e3o tem sexo&#8221;, diz a estampa de uma camiseta da Omnia, uma marca de roupa &#8220;sem g\u00eanero&#8221; que duas jovens chilenas criaram no Instagram e cuja primeira cole\u00e7\u00e3o esgotou em minutos . 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