{"id":208960,"date":"2019-05-30T00:33:12","date_gmt":"2019-05-30T03:33:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=208960"},"modified":"2019-05-30T00:33:12","modified_gmt":"2019-05-30T03:33:12","slug":"credito-estudantil-pode-salvar-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/credito-estudantil-pode-salvar-ensino-superior\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9dito estudantil pode salvar ensino superior"},"content":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00f5es de ensino superior privadas apostam no cr\u00e9dito estudantil para atrair e manter estudantes. A porcentagem de calouros matriculados no ensino superior que usam algum financiamento ofertado pelas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es de ensino quase duplicou em tr\u00eas anos, passando de 14,4% em 2014 para 28,3% em 2017.<\/p>\n<p>Os dados, baseados no Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), foram apresentados hoje (29) pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ofertar financiamento pr\u00f3prio, as institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m concedem descontos. Em m\u00e9dia, a mensalidade dos cursos superiores no Brasil custa R$ 444, segundo o levantamento. O desconto m\u00e9dio aplicado no pa\u00eds \u00e9 de 20,4%.<\/p>\n<p>O ensino superior privado re\u00fane a maior parte dos estudantes; cerca de 75% deles est\u00e3o matriculados em institui\u00e7\u00f5es particulares.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Herm\u00ednio Ometto (FHO), localizada em Araras (SP), foi uma das pioneiras na concess\u00e3o do cr\u00e9dito pr\u00f3prio. Em 2008, a FHO lan\u00e7ava o Pagf\u00e1cil, que permite aos estudantes pagar at\u00e9 50% da mensalidade ap\u00f3s conclu\u00edrem o curso. Se um curso dura quatro anos, por exemplo, o aluno vai passar oito anos \u2013 os quatro do curso e mais quatro ap\u00f3s concluir a gradua\u00e7\u00e3o \u2013 pagando o equivalente \u00e0 metade da mensalidade. O pagamento do cr\u00e9dito \u00e9 feito apenas com os reajustes anuais das mensalidades, sem a incid\u00eancia de qualquer taxa ou juros.<\/p>\n<p>\u201cA gente identificou que o cr\u00e9dito estudantil no Brasil era \u00ednfimo quando comparado com outros pa\u00edses como os Estados Unidos e isso veio junto com uma mudan\u00e7a muito grande do perfil de aluno, com um acesso das classes C e D ao ensino superior, que antes n\u00e3o tinha. E os estudantes t\u00eam necessidades diferentes\u201d, disse o diretor Administrativo-financeiro da Funda\u00e7\u00e3o Herm\u00ednio Ometto, Francisco El\u00edseo Fernandes Sanches.<\/p>\n<p>Segundo ele, cerca de 80% dos estudantes da institui\u00e7\u00e3o v\u00eam de escolas p\u00fablicas. Atualmente 60% dos alunos s\u00e3o beneficiados pelo cr\u00e9dito. \u201cDe fato tivemos sucesso. Desde ent\u00e3o tivemos um crescimento significativo das matr\u00edculas e temos \u00edndices de evas\u00e3o inferiores \u00e0 m\u00e9dia do mercado\u201d. Sanches ressalta que o cr\u00e9dito \u00e9 um dos fatores que levou a esses resultados. Al\u00e9m disso, a institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fez investimentos pedag\u00f3gicos que ajudaram a atrair mais alunos.<\/p>\n<p>Diante de um or\u00e7amento familiar apertado, o pre\u00e7o das institui\u00e7\u00f5es e os incentivos que oferecem \u00e9 fundamental na hora de escolher uma faculdade. Outro estudo, o Panorama do Ensino Superior Privado do Brasil 2018, do Quero Bolsa, plataforma online em que estudantes podem obter descontos em institui\u00e7\u00f5es de ensino, mostra que o valor das mensalidades \u00e9 o principal fator, tanto na escolha da institui\u00e7\u00e3o de ensino \u2013 os estudantes acabam escolhendo a institui\u00e7\u00e3o com base no pre\u00e7o \u2013, quanto de abandono do curso, quando n\u00e3o conseguem mais pagar os estudos. Cerca de 50% dos estudantes apontaram a quest\u00e3o financeira como motivo de ingresso ou de evas\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato quando a escolha \u00e9 feita apenas pelo custo, \u00e9 mais f\u00e1cil o estudante desistir antes de concluir os estudos. \u201cQuando o estudante ingressa com a quest\u00e3o do dinheiro resolvida e n\u00e3o tem que escolher s\u00f3 por conta do pre\u00e7o, ele acaba evadindo menos, porque escolhe melhor o curso. S\u00f3 tem efeitos positivos\u201d, diz. Nesse sentido, os incentivos s\u00e3o importantes para que se tenha um melhor aproveitamento e ingresso.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa feita pelo Quero Bolsa, a maior parte dos estudantes de gradua\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 classe B ou C. A renda per capita varia entre uma m\u00e9dia de R$ 1.563,78 na regi\u00e3o Sul e R$ 806,19, na regi\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m de oferecer cr\u00e9dito pr\u00f3prio, \u00e9 o financiamento com uma chamada entidade externa, como o PRAVALER, que \u00e9 um correspondente banc\u00e1rio. As institui\u00e7\u00f5es firmam um contrato com a entidade e, a partir da\u00ed, os estudantes podem pleitear financiamentos. Em 65% dos financiamentos, de acordo com o PRAVALER, as institui\u00e7\u00f5es pagam 100% dos juros e os estudantes arcam apenas com a mensalidade, cuja metade pode ser paga ap\u00f3s o t\u00e9rmino dos estudos. Nos demais casos, as institui\u00e7\u00f5es arcam parcialmente com os juros.<\/p>\n<p>Essas entidades, de acordo com o levantamento divulgado pelo Semesp, financiam 2,1% dos calouros. Elas j\u00e1 tiveram um peso maior, financiando 4,2% dos estudantes, em 2015.<\/p>\n<p>Segundo o Superintendente de Marketing do PRAVALER, F\u00e1bio Castro, as institui\u00e7\u00f5es externas ajudam tamb\u00e9m as institui\u00e7\u00f5es com os cr\u00e9ditos pr\u00f3prios. A vantagem, segundo ele, \u00e9 a expertise da entidade com financiamento, o que evita altas taxas de inadimpl\u00eancia, que estavam ocorrendo em algumas institui\u00e7\u00f5es que optaram pelo cr\u00e9dito pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Segundo Capelato, o aumento dos cr\u00e9ditos pr\u00f3prios e dos descontos deve-se tamb\u00e9m a uma redu\u00e7\u00e3o do financiamento p\u00fablico. \u201cA crise toda do setor e principalmente no Fies [Fundo de Financiamento Estudantil], faz com que cres\u00e7a o parcelamento pr\u00f3prio, que \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda que os alunos est\u00e3o tendo. Ou o setor privado oferece isso ou aluno n\u00e3o tem como ingressar\u201d, diz Capelato.<\/p>\n<p>O problema, segundo Capelato, \u00e9 que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam capacidade financeira para ampliar os cr\u00e9ditos estudantis a longo prazo. O Semesp defende, como forma de otimizar os recursos p\u00fablicos ainda existentes, que sejam criadas linhas de cr\u00e9dito subsidiadas e a administra\u00e7\u00e3o seja feita diretamente pelas institui\u00e7\u00f5es de ensino e n\u00e3o por agentes financeiros. \u201cAs institui\u00e7\u00f5es sabem lidar com os estudantes e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de inadimpl\u00eancia\u201d, defende.<\/p>\n<p>Os dados apresentados pelo Semesp mostram que, em 2014, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ofertado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), chegou a liderar o cr\u00e9dito obtido pelos estudantes. Nesse ano, 21,3% dos ingressantes tinham a mensalidade financiada pelo governo. Em 2017, essa porcentagem caiu para 5,7%.<\/p>\n<p>A partir de 2015, o Fies passou por uma s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es. O programa, que chegou a financiar em 2014 mais de 730 mil contratos, oferece hoje 100 mil vagas na modalidade juro zero, voltado para estudantes de baixa renda.<\/p>\n<p>Em audi\u00eancia p\u00fablica na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o, na C\u00e2mara dos Deputados, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Abraham Weintraub, criticou o Fies dizendo que \u00e9 uma pol\u00edtica equivocada da forma como \u00e9 executada. Ele ressaltou o alto n\u00edvel de inadimpl\u00eancia no Fies, que, de acordo com ele, chega a 50%. \u201cPrecisamos de pol\u00edtica mais calibrada para financiar esses jovens\u201d. Ele garantiu, no entanto, que o financiamento aos estudantes est\u00e1 mantido.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas o setor privado est\u00e1 sentindo os efeitos or\u00e7ament\u00e1rios. As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas federais tiveram tamb\u00e9m um contingenciamento de 3,4% dos R$ 49,6 bilh\u00f5es para 2019. Atualmente, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) tem R$ 5,8 bilh\u00f5es contingenciados, valor estabelecido pelo Decreto n\u00ba 9.741, de 29 de mar\u00e7o. O valor representa 3,9% do or\u00e7amento do MEC de R$ 149,7 bilh\u00f5es para 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00f5es de ensino superior privadas apostam no cr\u00e9dito estudantil para atrair e manter estudantes. A porcentagem de calouros matriculados no ensino superior que usam algum financiamento ofertado pelas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es de ensino quase duplicou em tr\u00eas anos, passando de 14,4% em 2014 para 28,3% em 2017. 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