{"id":210245,"date":"2019-06-26T07:35:13","date_gmt":"2019-06-26T10:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=210245"},"modified":"2019-06-26T07:35:13","modified_gmt":"2019-06-26T10:35:13","slug":"festa-junina-e-aula-de-gastronomia-e-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/festa-junina-e-aula-de-gastronomia-e-historia\/","title":{"rendered":"Festa junina \u00e9 aula de gastronomia e hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Um passeio entre as barracas de comida dos &#8220;arrai\u00e1s&#8221; juninos pode render algumas calorias e, aos glut\u00f5es caipiras mais curiosos, algum conhecimento sobre a forma\u00e7\u00e3o cultural brasileira e a nossa culin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Quem explica \u00e9 a professora de gastronomia Luiza Buscariolli, que leciona no Senac-DF e no UniCeub e ensinou aos leitores da Ag\u00eancia Brasil dois pratos t\u00edpicos do S\u00e3o Jo\u00e3o. Segundo ela, os quitutes guardam a hist\u00f3ria dos portugueses e dos povos amer\u00edndios que habitavam o pa\u00eds antes dos nossos colonizadores.<\/p>\n<p>\u201cA gente sabe que havia algumas festas neste m\u00eas de junho que os ind\u00edgenas faziam. Quando os jesu\u00edtas estiveram no Brasil [a partir de 1549], aproveitaram dessas festas para trazer a tradi\u00e7\u00e3o [europeia] de festas juninas, que por sua vez eram uma apropria\u00e7\u00e3o das antigas festas pag\u00e3s por causa do solst\u00edcio de ver\u00e3o, que no hemisf\u00e9rio sul \u00e9 solst\u00edcio de inverno\u201d, revela.<\/p>\n<p>Enquanto prepara uma por\u00e7\u00e3o do prato Maria Isabel, comida t\u00edpica da regi\u00e3o hoje conhecida como o Estado do Piau\u00ed, que mistura arroz com carne-de-sol, Buscariolli lembra que a iguaria guarda rela\u00e7\u00e3o com o ciclo de gado iniciado pelos portugueses no Brasil (s\u00e9culo 16). A atividade pecu\u00e1ria foi introduzida por Tom\u00e9 de Souza, primeiro governador-geral (1549 a 1553) ainda no tempo das capitanias heredit\u00e1rias, para transporte e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O prato Maria Isabel, assim como a pa\u00e7oca de carne de sol tamb\u00e9m do Nordeste; o arroz carreteiro (com charque ou carne seca) do Sul e o feij\u00e3o tropeiro (com torresmo e lingui\u00e7a) dos sert\u00f5es de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Goi\u00e1s (esse no s\u00e9culo 17), s\u00e3o comidas que podiam ser armazenadas e transportadas em longas viagens.<\/p>\n<p>\u201cA l\u00f3gica \u00e9 tudo seco, porque se conseguia colocar em uma bolsa [de couro]\u201d. Na hora da fome, a carne era picada e misturada. \u201cPodiam usar \u00e1gua para fazer reidrata\u00e7\u00e3o\u201d, assinala a professora de gastronomia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da prote\u00edna animal, outros ingredientes desses pratos comp\u00f5em nossa hist\u00f3ria. O arroz, do Maria Isabel, foi trazido da \u00c1sia pelos colonizadores portugueses. A farinha de mandioca tem origem ind\u00edgena, e o feij\u00e3o, ingerido pelo homem desde a antiguidade, tem esp\u00e9cies aut\u00f3ctones no Brasil e outros pa\u00edses americanos.<\/p>\n<p>Assim como a mandioca, usada na produ\u00e7\u00e3o da farinha e do beiju, os ind\u00edgenas trouxeram ao card\u00e1pio junino os pratos a base de milho. Iguarias provadas durante as festas, como a espiga cozida, curau, pamonha e canjica foram ensinados aos colonizadores pelos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cPara os portugueses, milho era comida de animal. Foi muito dif\u00edcil aceitarem. Passaram a comer porque n\u00e3o tinha outra coisa\u201d, explica Luiza Buscariolli ao preparar um bolo de milho com goiabada para a Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>A conforma\u00e7\u00e3o desses pratos teve in\u00edcio antes do ciclo do a\u00e7\u00facar (come\u00e7ado ainda no s\u00e9culo 16), que ajudou a ado\u00e7ar muitas iguarias juninas, e bem antes do ciclo da minera\u00e7\u00e3o (s\u00e9culo 18) que se notabilizam pelo intenso uso de m\u00e3o de obra escrava violentamente traficada da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Luiza Buscariolli sublinha que na condi\u00e7\u00e3o de escravo, eram restritas a autonomia dessas pessoas at\u00e9 para se alimentar. \u201cA possibilidade de escolher o que cozinhar e com que alimento vem depois [do fim] da escravid\u00e3o. Ela nota, no entanto, que os negros ap\u00f3s o fim da escravid\u00e3o ir\u00e3o se ocupar de preparar e vender alimentos nas ruas em tabuleiros, como aqueles que ainda hoje vendem cocadas em \u00e1reas do litoral brasileiro &#8211; \u201cuma conserva de coco\u201d, como sabiam fazer os portugueses sob influ\u00eancia francesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um passeio entre as barracas de comida dos &#8220;arrai\u00e1s&#8221; juninos pode render algumas calorias e, aos glut\u00f5es caipiras mais curiosos, algum conhecimento sobre a forma\u00e7\u00e3o cultural brasileira e a nossa culin\u00e1ria. 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