{"id":210487,"date":"2019-06-30T00:23:50","date_gmt":"2019-06-30T03:23:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=210487"},"modified":"2019-06-30T08:08:00","modified_gmt":"2019-06-30T11:08:00","slug":"bom-sucesso-fala-sobre-morte-para-falar-sobre-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bom-sucesso-fala-sobre-morte-para-falar-sobre-vida\/","title":{"rendered":"\u2018Bom Sucesso\u2019 fala sobre morte para falar sobre vida"},"content":{"rendered":"<p>Uma costureira faz um exame qualquer, por uma quest\u00e3o trabalhista, e ao receber o resultado descobre que tem apenas seis meses de vida. M\u00e3e de tr\u00eas filhos, ela surta: joga uma pedra na vidra\u00e7a da loja em que trabalha, rasga o vestido de uma cliente, canta sofr\u00eancia no trem, liga para seu primeiro amor e diz que sempre o amou, desabafa no botequim e vai para a cama com um desconhecido. E poucos dias depois, claro, descobre que seu exame havia sido trocado com o de outra pessoa. Assim come\u00e7a Bom Sucesso, a pr\u00f3xima novela das 19h, da Globo, com estreia prevista para 29 de julho.<\/p>\n<p>Aliviada e com a vida destru\u00edda, ela tem a exata no\u00e7\u00e3o de que viveu mais nesse breve per\u00edodo do que antes; sabe tamb\u00e9m que nunca se sentiu t\u00e3o livre. Ela ent\u00e3o decide procurar a pessoa que vai morrer em seu lugar, achando que ele poder\u00e1 entender o que ela sentiu, e est\u00e1 sentindo, e o encontro entre Paloma (Grazi Massafera) e o carrancudo Alberto (Ant\u00f4nio Fagundes) \u00e9 a trama principal da novela. Quem conta isso tudo \u00e9 Rosane Svartman, autora de Bom Sucesso ao lado de Paulo Halm.<\/p>\n<p>E aqui entra a literatura. Vivendo em realidades muito diferentes \u2013 ela \u00e9 pobre e ele, rico \u2013, os dois s\u00e3o apaixonados por livros. Os filhos dela t\u00eam nome de personagens importantes da literatura: Alice (do Pa\u00eds das Maravilhas), Gabriela (Cravo e Canela) e Peter (Pan). Ele foi um vendedor de enciclop\u00e9dias porta a porta que virou um editor de sucesso publicando as mesmas enciclop\u00e9dias, livros acad\u00eamicos e tamb\u00e9m cl\u00e1ssicos liter\u00e1rios em edi\u00e7\u00e3o de luxo. A morte os aproximou e, cercados por livros, eles v\u00e3o nutrir uma amizade improv\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cEla vai ensin\u00e1-lo a viver o resto do tempo que ele tem de uma forma n\u00e3o sofredora e sem desespero e vai mostrar a beleza das coisas simples, da vida simples. E ele vai instrumentaliz\u00e1-la para que ela possa conhecer um mundo muito maior do que aquele que ela tinha\u201d, explica Paulo Halm.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Fagundes comenta que antes de seu personagem Alberto conhecer Paloma, ele est\u00e1 amargo \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 pela senten\u00e7a de morte. Era mal-humorado, irasc\u00edvel \u2013 e s\u00f3 amolecia um pouco com a netinha. \u201cO encontro desses dois acaba sendo um hino \u00e0 vida. Ele vai perdendo a amargura e descobrindo uma nova forma de se encaminhar para a morte, que \u00e9 certa\u201d, diz o ator ao Estado \u2013 e estende um livro \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Trata-se de A Morte \u00c9 Um Dia Que Vale a Pena Viver (Sextante), de Ana Claudia Quintana Arantes, que Fagundes e os autores conheceram quando j\u00e1 tinham o argumento da novela, mas que, contam, tem sido de grande ajuda para pensar quest\u00f5es que rodeiam a morte, como os cuidados paliativos. \u201cAlberto est\u00e1 vivendo at\u00e9 o \u00faltimo segundo dele, e o livro fala disso muito bem\u201d, diz Fagundes que, de t\u00e3o encantado, comprou 20 exemplares e os tem distribu\u00eddo por a\u00ed.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 bonito, e que a novela traz para cima, \u00e9 realmente esse hino \u00e0 vida. Vai morrer? Sim, todos n\u00f3s vamos morrer. A diferen\u00e7a \u00e9 que talvez o Alberto saiba um pouquinho mais do que os outros \u2013 e mesmo assim pode ser que qualquer um morra antes dele\u201d, diz Fagundes.<\/p>\n<p>Para o ator, o que Bom Sucesso traz de novo \u00e9 justamente esse modo diferente de encarar a morte. \u201cEla vai tirar o mal-estar que a morte pode provocar. N\u00f3s nos recusamos a falar dela, e quanto mais cedo come\u00e7armos \u00e9 melhor.\u201d<\/p>\n<p>Eles passeiam, desfilam na Sapuca\u00ed, trocam experi\u00eancia, conversam. Ele d\u00e1 livros para ela ler que v\u00e3o dialogando com o momento que ela est\u00e1 vivendo. E ao ler, ela \u00e9 transportada para os cen\u00e1rios da hist\u00f3ria. Enquanto isso, o mundo vai se complicando ao redor da dupla.<\/p>\n<p>O primeiro amor de Paloma volta dos Estados Unidos, onde joga basquete, quando sabe que ela vai morrer. O cara com quem ela passa a noite \u00e9 ningu\u00e9m menos do que o filho do Alberto. E h\u00e1 os problemas cotidianos: ela est\u00e1 desempregada; uma das filhas quer jogar basquete profissionalmente, mas os times femininos s\u00e3o escassos; a outra quer estudar Letras e namora um menino que j\u00e1 se formou e n\u00e3o trabalha (mas gosta de slam) e o ca\u00e7ula quer ser youtuber. Eles vivem em Bom Sucesso, e a escola p\u00fablica local ser\u00e1 outro n\u00facleo da novela \u2013 com uma atriz transg\u00eanero, Gabrielle Joie, escalada para viver uma das estudantes.<\/p>\n<p>Do lado de Alberto, como se j\u00e1 n\u00e3o bastasse todo o problema de sa\u00fade, a fam\u00edlia tenta reerguer a tradicional editora Prado Monteiro. Depois de se consolidar no mercado editorial e viver seu auge, a empresa vive uma grave crise \u2013 fruto, principalmente da postura radical de seu fundador. No mundo inteiro, os grupos editoriais foram criando selos para comportar um cat\u00e1logo heterog\u00eaneo que inclu\u00edsse, por exemplo, um cl\u00e1ssico em edi\u00e7\u00e3o de luxo, a biografia de uma celebridade e um livro derivado de algum canal de sucesso no YouTube. Alberto nunca aceitou isso e sua filha, Nana (Fabiula Nascimento), vem tentando administrar a casa, apesar de seu marido, interpretado por Armando Babaioff, torcer contra. Com a doen\u00e7a, ele recorre tamb\u00e9m a Marcos (Romulo Estrela), seu filho que rompeu com tudo porque o pai nunca considerou suas ideias, foi morar em B\u00fazios e volta agora \u2013 com a mesma paix\u00e3o de Alberto pelos livros, mas com ideias mais arejadas.<\/p>\n<p>Foi na Bienal do Livro do Rio, em 2017, que esse personagem editor come\u00e7ou a surgir na cabe\u00e7a de Rosane Svartman. Naquela edi\u00e7\u00e3o, ela foi curadora da Arena Jovem (e ser\u00e1 de novo agora) e se encantou com este universo. \u201cEu nunca tinha visto 700 mil pessoas procurando livros \u2013 e tamb\u00e9m selfies e celebridades.\u201d Conheceu editores, acompanhou conversas sobre a crise do mercado editorial, sobre o baixo \u00edndice de leitura no Brasil. Viu gente querendo contar hist\u00f3rias e editar livros. E colocou isso tudo em sua novela.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um momento importante para que isso aconte\u00e7a\u201d, diz Fagundes. \u201cEstamos vendo quase um desmanche da cultura \u2013 tudo fechando ou pegando fogo, as verbas cada vez mais reduzidas \u2013 e a gente tendo cada vez menos essa postura de cidad\u00e3o que a cultura proporciona. Colocar isso numa novela, para uma faixa et\u00e1ria mais baixa, \u00e9 reafirmar a for\u00e7a da literatura, da cultura, para a forma\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds\u201d, completa o ator.<\/p>\n<p>Doen\u00e7a, vida, morte, como sobreviver a tempos dif\u00edceis. Esse \u00e9 o tema da novela, que serve, tamb\u00e9m, para discutir outras coisas. \u201cEste \u00e9 um momento muito delicado, de transi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, pol\u00edticas e sociais. Temos de entender que ele pode ir para qualquer lado, para onde a gente quiser. Como a morte. Se voc\u00ea quiser, a morte pode ser extremamente dolorosa. Mas, se fizer um pequeno esfor\u00e7o, ela pode ser digna, uma coisa boa de ser vivida. Estamos nessa encruzilhada. Estamos vivendo um momento em que as coisas podem mudar para melhor ou para pior. Vai depender da nossa vontade. E a nossa vontade passa por isso que a novela prop\u00f5e que \u00e9 um di\u00e1logo. Um di\u00e1logo entre diversas for\u00e7as sociais, tipos de pensamentos e de esperan\u00e7as\u201d, diz Fagundes.<\/p>\n<p>Laborat\u00f3rio em editoras ajudou a criar o n\u00facleo<br \/>\nPara entender melhor os bastidores do mercado editorial e tentar criar um n\u00facleo mais veross\u00edmil para a Editora Prado Monteiro, que ter\u00e1 grande import\u00e2ncia na novela Bom Sucesso, autores, atores e roteiristas fizeram um tour por algumas editoras cariocas, como Leya, Zahar e, principalmente, Sextante \u2013 onde fizeram um laborat\u00f3rio. Al\u00e9m disso, a autora Rosane Svartman conta que se inspirou em dois editores reais, Mariana Zahar (Zahar) e Marcos da Veiga Pereira (Sextante), para dar o nome aos filhos de Alberto.<\/p>\n<p>A novela fala sobre o mercado editorial e toca numa quest\u00e3o atual e dram\u00e1tica: a pior crise de sua hist\u00f3ria, com grandes redes de livraria na corda bamba e editoras lutando para sobreviver. Mas, ainda assim, \u00e9 uma novela. \u201cUsamos tintas fortes, juntamos fun\u00e7\u00f5es. O que queremos \u00e9 mostrar que as hist\u00f3rias s\u00e3o muito legais. \u00c9 dizer: olha que livros bacanas, que hist\u00f3rias incr\u00edveis \u2013 e olha como elas costuram para dentro o que tem a ver com a sua vida. Veja como essa personagem tem a ver com voc\u00ea\u201d, diz Rosane Svartman.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma costureira faz um exame qualquer, por uma quest\u00e3o trabalhista, e ao receber o resultado descobre que tem apenas seis meses de vida. 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