{"id":210599,"date":"2019-07-02T09:19:34","date_gmt":"2019-07-02T12:19:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=210599"},"modified":"2019-07-02T09:19:34","modified_gmt":"2019-07-02T12:19:34","slug":"devagar-com-a-malhacao-excesso-nunca-e-bom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/devagar-com-a-malhacao-excesso-nunca-e-bom\/","title":{"rendered":"Devagar com a malha\u00e7\u00e3o; excesso nunca \u00e9 bom"},"content":{"rendered":"<p>A pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos intensos sem o tempo de recupera\u00e7\u00e3o adequado provoca altera\u00e7\u00f5es negativas em estruturas vitais do organismo, como cora\u00e7\u00e3o, f\u00edgado e sistema nervoso central, revela pesquisa desenvolvida na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p>Antes, j\u00e1 era sabido que esse tipo de treinamento intenso sem intervalos necess\u00e1rios levava \u00e0 s\u00edndrome do overtraining, desencadeando sintomas como depress\u00e3o, ins\u00f4nia, irritabilidade, queda na imunidade, perda de apetite e de peso.<\/p>\n<p>O trabalho mostra que os preju\u00edzos v\u00e3o al\u00e9m da queda do rendimento.<\/p>\n<p>O professor Adelino Sanchez Ramos da Silva, da Escola de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Esporte, disse que a s\u00edndrome de overtraioning era explicada, at\u00e9 ent\u00e3o, pelo fato de que les\u00f5es no tecido musculoesquel\u00e9tico causadas pelo exerc\u00edcio excessivo induziriam \u00e0 libera\u00e7\u00e3o na corrente sangu\u00ednea de subst\u00e2ncias pr\u00f3-inflamat\u00f3rias (prote\u00ednas produzidas por c\u00e9lulas de defesa e conhecidas como citocinas), que desencadeariam os efeitos sist\u00eamicos.<\/p>\n<p>A pesquisa, coordenada por ele, comprovou essa hip\u00f3tese, formulada h\u00e1 20 anos, e mostrou que h\u00e1 outras altera\u00e7\u00f5es negativas em \u00f3rg\u00e3os vitais.<\/p>\n<p>\u201cO diferencial dos nossos estudos, que v\u00eam sendo desenvolvidos h\u00e1 10 anos, \u00e9 que, al\u00e9m dessas altera\u00e7\u00f5es, n\u00f3s verificamos, em estudos com camundongos, que o desequil\u00edbrio entre o excesso de exerc\u00edcio f\u00edsico e o per\u00edodo destinado \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 associado a uma inflama\u00e7\u00e3o em m\u00fasculos esquel\u00e9ticos, sangue, hipot\u00e1lamo, cora\u00e7\u00e3o e f\u00edgado\u201d, explicou Silva.<\/p>\n<p><strong>Subida e descida<\/strong><br \/>\nForam feitos testes com camundongos, submetidos a diferentes pr\u00e1ticas de overtraining, como corrida no plano, na subida e na descida, durante oito semanas.<\/p>\n<p>Todos os protocolos de exerc\u00edcios em excesso provocaram preju\u00edzo na sinaliza\u00e7\u00e3o da insulina no tecido musculoesquel\u00e9tico, ou seja, as c\u00e9lulas musculares ficaram com mais dificuldade de captar a glicose que circula no sangue.<\/p>\n<p>\u201cEssa dificuldade foi compensada tanto pelo cora\u00e7\u00e3o quanto pelo f\u00edgado, que aumentaram os estoques de glicog\u00eanio\u201d, disse Silva.<\/p>\n<p>Ele acrescentou que o cora\u00e7\u00e3o apresentou sinais de fibrose e tamb\u00e9m sinais moleculares de hipertrofia patol\u00f3gica. O f\u00edgado teve aumento da gordura que ocorre, por exemplo, em doen\u00e7as como diabetes e obesidade.<\/p>\n<p>A inflama\u00e7\u00e3o no hipot\u00e1lamo foi associada \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do apetite e do peso corporal dos camundongos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante frisar que, ap\u00f3s duas semanas de recupera\u00e7\u00e3o total, em que os animais n\u00e3o foram submetidos a nenhuma sess\u00e3o de treinamento, as altera\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias no m\u00fasculo esquel\u00e9tico, no soro e no hipot\u00e1lamo retornaram aos valores normais, no entanto, o desempenho dos animais continuou diminu\u00eddo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, esse resultado sugere que outros mecanismos, al\u00e9m da citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias, estejam envolvidos na diminui\u00e7\u00e3o do desempenho em resposta ao desequil\u00edbrio entre o excesso de exerc\u00edcio f\u00edsico e o per\u00edodo destinado \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs pr\u00f3ximos passos da nossa pesquisa ser\u00e3o avaliar animais que apresentam defici\u00eancia dessa citocinas, que s\u00e3o conhecidos como animais nocaute, para que possamos averiguar qual o real papel dessas citocinas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica<\/strong><br \/>\nSilva destacou que o exerc\u00edcio f\u00edsico &#8211; feito de forma regular e moderada e sob orienta\u00e7\u00e3o de um profissional de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica &#8211; \u00e9 uma estrat\u00e9gia \u201cn\u00e3o farmacol\u00f3gica extremamente eficiente para a preven\u00e7\u00e3o e tratamento de diversas patologias\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs nossos resultados servem como alerta para os indiv\u00edduos que treinam em excesso e n\u00e3o respeitam um per\u00edodo adequado de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse per\u00edodo varia muito em rela\u00e7\u00e3o a sess\u00f5es de treinamento e ao n\u00edvel inicial de condicionamento do praticante.<\/p>\n<p>De forma geral, n\u00f3s podemos dizer que um per\u00edodo entre 24 horas e 48 horas \u00e9 suficiente para a recupera\u00e7\u00e3o\u201d, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos intensos sem o tempo de recupera\u00e7\u00e3o adequado provoca altera\u00e7\u00f5es negativas em estruturas vitais do organismo, como cora\u00e7\u00e3o, f\u00edgado e sistema nervoso central, revela pesquisa desenvolvida na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em Ribeir\u00e3o Preto. 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