{"id":211022,"date":"2019-07-08T02:00:17","date_gmt":"2019-07-08T05:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=211022"},"modified":"2019-07-08T07:12:19","modified_gmt":"2019-07-08T10:12:19","slug":"formato-digital-pode-ser-tiro-no-pe-para-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/formato-digital-pode-ser-tiro-no-pe-para-alunos\/","title":{"rendered":"Formato digital pode ser tiro no p\u00e9 para alunos"},"content":{"rendered":"<p>Vinte computadores defasados e com pouco acesso \u00e0 internet. \u00c9 assim que o diretor do Centro de Ensino M\u00e9dio 404, Felipe de Lemos Cabral, descreve a estrutura de inform\u00e1tica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos alunos da escola, localizada em Santa Maria. Situada a cerca de 30 quil\u00f4metros do centro de Bras\u00edlia, Santa Maria \u00e9 uma das regi\u00f5es administrativas do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Quando perguntado se os estudantes estariam preparados para fazer o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) digital, Cabral diz que nem todos t\u00eam sequer familiaridade com os computadores. &#8220;Hoje o aluno est\u00e1 muito mais inserido via celular. Usam muito a rede social e sabem pouco lidar com o resto da informa\u00e7\u00e3o que a internet disponibiliza. T\u00eam pouco acesso t\u00e9cnico, t\u00eam pouca forma\u00e7\u00e3o do trato com o computador, com coisas simples como formatar um texto, por exemplo.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com o Censo Escolar 2018, 82% das escolas p\u00fablicas de ensino m\u00e9dio regular t\u00eam laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica e 94%, acesso \u00e0 internet. Cabral ressalta, no entanto, que, como ocorre na escola que dirige, nem sempre o equipamento \u00e9 suficiente para atender \u00e0 demanda. Al\u00e9m disso, ele destaca que os professores teriam que ser formados para inserir a tecnologia nas aulas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 m\u00e1 ideia, n\u00e3o seria ruim [o Enem digital], mas acho que teria que ter uma prepara\u00e7\u00e3o maior do sistema para isso&#8221;, diz Cabral. Ele teme que o exame passe a excluir estudantes que n\u00e3o tenham acesso a computadores, que ter\u00e3o mais dificuldade em fazer as provas. &#8220;Pode dificultar o acesso dos alunos ao exame e, com isso, cair o n\u00famero de inscritos&#8221;.<\/p>\n<p>Na semana passada, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) anunciou que o Enem passar\u00e1 a ser feito por computador. Isso ocorrer\u00e1 gradativamente, come\u00e7ando no ano que vem com um grupo de 50 mil estudantes. A digitaliza\u00e7\u00e3o completa est\u00e1 prevista para 2026.<\/p>\n<p>A ideia, que n\u00e3o \u00e9 nova e busca seguir uma tend\u00eancia mundial de moderniza\u00e7\u00e3o, gerou uma s\u00e9rie de questionamentos. Segundo especialistas entrevistados pela Ag\u00eancia Brasil, o MEC ter\u00e1 que enfrentar certos desafios para implementar a digitaliza\u00e7\u00e3o do Enem. Um dos desafios \u00e9 a escassa disponibilidade de infraestrutura das escolas.<\/p>\n<p><strong>Provas criptografadas<\/strong><br \/>\nOutra quest\u00e3o apontada por especialistas \u00e9 a seguran\u00e7a do exame. &#8220;Tem que ter certeza de que todos os sistemas, de ponta a ponta, do momento em que se liga o computador, em que \u00e9 feita a prova, ao momento em que as provas s\u00e3o armazenadas e processadas, essas informa\u00e7\u00f5es sejam criptografadas. E uma criptografia com uma robustez que n\u00e3o permita que, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de outras tecnologias, ela possa ser quebrada&#8221;, alterta o professor Renato Leite, do Data Privacy Brasil.<\/p>\n<p>A criptografia \u00e9 usada hoje, por exemplo, em aplicativos como o WhatsApp. Trata-se de transformar o conte\u00fado em c\u00f3digos e tornar a mensagem imposs\u00edvel de ser lida quando armazenada. Apenas o destinat\u00e1rio final consegue ter acesso ao conte\u00fado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso usar programas de computador confi\u00e1veis. Uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 o uso de softwares livres, cujos c\u00f3digos s\u00e3o abertos e podem ser acessados.<\/p>\n<p>De acordo com fundador e tamb\u00e9m professor do Data Privacy Brasil, Bruno Bioni, \u00e9 preciso ainda garantir a prote\u00e7\u00e3o dos dados dos estudantes. &#8220;Toda vez que o governo se prop\u00f5e a se informatizar, a ser um governo mais eletr\u00f4nico, e isso envolve quantidade significativa de processamento de dados, isso deve ser acompanhado com cuidado. T\u00e3o importante quanto avan\u00e7ar nessas pautas de digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar preocupa\u00e7\u00e3o com os dados dos cidad\u00e3os&#8221;, ressalta Bioni.<\/p>\n<p>Ele destaca que, em agosto do ano que vem, entra em vigor a chamada Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados Pessoais (Lei 13.709\/2018). &#8220;Uma das coisas que a lei procura estabelecer \u00e9 que, quando se est\u00e1 executando uma pol\u00edtica p\u00fablica como essa, deve-se ter todo um programa de governan\u00e7a de dados&#8221;, acrescenta Bioni. Ele alerta que o MEC dever\u00e1 ter transpar\u00eancia quanto ao uso desses dados.<\/p>\n<p><strong>Debate<\/strong><br \/>\nPara o professor Francisco Soares, membro do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), a proposta do MEC precisa ainda ser detalhada e colocada em discuss\u00e3o. Soares era presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), quando, em 2015, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o quis come\u00e7ar a testar o Enem digital. O professor lembra que, na \u00e9poca, foram feitos apenas estudos &#8220;ultrapreliminares&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Enem precisa de mudan\u00e7as. Uma delas \u00e9 trazer mais tecnologia. Eu acho que a iniciativa est\u00e1 em uma dire\u00e7\u00e3o correta, era desejada, e tomara que agora seja implementada&#8221;, diz Soares. O professor considera necess\u00e1rias audi\u00eancias p\u00fablicas para que todos os interessados e especialistas possam contribuir para a elabora\u00e7\u00e3o de um bom exame.<\/p>\n<p>&#8220;Se vamos mudar, a gente devia mudar para melhorar. O computador d\u00e1 a chance de oferecer outro tipo de item. Ter simula\u00e7\u00f5es em itens de ci\u00eancia, por exemplo. Se essa mudan\u00e7a for simplesmente para turbinar o velho, n\u00e3o vai adiantar muito. Ela traz possibilidade de uma coisa de impacto muito muito interessante, mas isso exige tempo&#8221;, destaca Soares.<\/p>\n<p>Para o professor, o exame precisa deixar de apresentar apenas quest\u00f5es de m\u00faltipla escolha e incluir tamb\u00e9m quest\u00f5es discursivas. Al\u00e9m disso, que use recursos digitais, como v\u00eddeos, por exemplo. Isso, de acordo com o conselheiro, vai ajudar a mudar tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o dos estudantes no ensino m\u00e9dio, j\u00e1 que muito do que \u00e9 ensinado nas escolas \u00e9 pautado pelo Enem e por vestibulares.<\/p>\n<p>Soares ressalta tamb\u00e9m que, na fase de transi\u00e7\u00e3o, na qual o Enem ser\u00e1 aplicado no formato digital apenas para alguns alunos, \u00e9 preciso garantir que os estudantes que optem pela prova digital tenham as mesmas chances de ser aprovados em uma universidade que aqueles q fizerem a prova em papel. Para isso, \u00e9 preciso testar os itens em formato digital.<\/p>\n<p>&#8220;Ser\u00e1 que um item espec\u00edfico \u00e9 facilitado ou dificultado pelo fato de o estudante estar respondendo no computador ou no papel e l\u00e1pis? Esta quest\u00e3o \u00e9 important\u00edssima. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica que n\u00e3o tem como ser resolvida depois&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>O Enem \u00e9 elaborado a partir de um banco nacional de itens, que re\u00fane quest\u00f5es feitas por especialistas para as provas. Cada um dos itens \u00e9 pr\u00e9-testado em aplica\u00e7\u00f5es feitas em escolas. O processo \u00e9 sigiloso, e os estudantes n\u00e3o sabem que est\u00e3o respondendo a poss\u00edveis quest\u00f5es do Enem. Isso \u00e9 feito, atualmente, em papel.<\/p>\n<p><strong>Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nEm entrevista coletiva sobre a infraestrutura das escolas, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Abraham Weintraub, disse acreditar que, at\u00e9 2026, a realidade brasileira ter\u00e1 mudado e o acesso a computadores ser\u00e1 mais amplo.<\/p>\n<p>O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, informou que para a aplica\u00e7\u00e3o da prova poder\u00e3o ser usadas estruturas de escolas e universidades, como j\u00e1 \u00e9 feito hoje para o Enem em papel.<\/p>\n<p>O MEC diz que pretende modernizar o exame, que poder\u00e1 utilizar v\u00eddeos, infogr\u00e1ficos e at\u00e9 mesmo seguir a l\u00f3gica dos games. As medidas de seguran\u00e7a que ser\u00e3o tomadas ainda n\u00e3o foram detalhadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinte computadores defasados e com pouco acesso \u00e0 internet. \u00c9 assim que o diretor do Centro de Ensino M\u00e9dio 404, Felipe de Lemos Cabral, descreve a estrutura de inform\u00e1tica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos alunos da escola, localizada em Santa Maria. 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