{"id":212633,"date":"2019-08-03T21:43:02","date_gmt":"2019-08-04T00:43:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=212633"},"modified":"2019-08-04T21:42:18","modified_gmt":"2019-08-05T00:42:18","slug":"ideia-de-militares-projeto-rondon-volta-com-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ideia-de-militares-projeto-rondon-volta-com-forca\/","title":{"rendered":"Ideia de militares, Rondon volta com toda for\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Conhecer problemas de munic\u00edpios pequenos no interior do pa\u00eds e propor alternativas para solucion\u00e1-los com a participa\u00e7\u00e3o da comunidade. Este \u00e9 o objetivo do Projeto Rondon que, durante o m\u00eas de julho, realizou duas opera\u00e7\u00f5es: uma no interior do Piau\u00ed e outra no Acre.<\/p>\n<p>O projeto foi crido pelos governos do regime militar p\u00f3s-64. Seguia a inha do marechal Castello Branco &#8211; integrar para n\u00e3o entregar. Hoje o programa envolve a participa\u00e7\u00e3o de estudantes universit\u00e1rios que, ap\u00f3s diagnosticarem as demandas de cada munic\u00edpio, desenvolvem oficinas para serem aplicadas localmente.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o de Barro ocorreu ao longo de duas semanas, em 12 munic\u00edpios do sert\u00e3o do Piau\u00ed: Arraial, Barra D&#8217; Alc\u00e2ntara, Cajazeiras do Piau\u00ed, Dom Expedito Lopes, Francin\u00f3polis, Francisco Ayres, Inhuma, Novo Oriente do Piau\u00ed, Paquet\u00e1, Santa Rosa do Piau\u00ed, S\u00e3o Jos\u00e9 do Piau\u00ed, V\u00e1rzea Grande. Cerca de 250 rondonistas, entre professores e estudantes de universidades de v\u00e1rias partes do pa\u00eds, participaram das atividades.<\/p>\n<p>Com a mesma quantidade de rondonistas e mesmo tempo de dura\u00e7\u00e3o, a Opera\u00e7\u00e3o Vale do Acre atendeu 12 munic\u00edpios do interior do Acre: Acrel\u00e2ndia, Assis Brasil, Brasileia, Bujari, Capixaba, Epitaciol\u00e2ndia, Feij\u00f3, Pl\u00e1cido de Castro, Porto Acre, Senador Guiomard, Tarauac\u00e1 e Xapuri.<\/p>\n<p><strong>O projeto<\/strong><br \/>\nO projeto \u00e9 inspirado em C\u00e2ndido Mariano Rondon, o Marechal Rondon. Personalidade hist\u00f3rica, ele explorou uma parte do pa\u00eds at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida, fez contato com etnias ind\u00edgenas e com suas viagens ajudou a detalhar o mapa do Brasil. O projeto Rondon aconteceu pela primeira vez em 1967, foi extinto em 1989 e voltou a acontecer em 2005, sob coordena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n<p>Desde a retomada at\u00e9 o final destas duas opera\u00e7\u00f5es de julho de 2019, 23.905 rondonistas de mais de 2,4 mil institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do pa\u00eds participaram do projeto atendendo 1.261 munic\u00edpios. Somente na Opera\u00e7\u00e3o Vale do Acre foram emitidos 14.997 certificados para a popula\u00e7\u00e3o local envolvida nas oficinas do Projeto. Na Opera\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o de Barro, no Piau\u00ed, foram 14.437 certificados.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o do ano, as universidades selecionadas para participar das duas opera\u00e7\u00f5es vinham preparando as oficinas que, no m\u00eas de julho, foram aplicadas nas comunidades locais.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o de Barro<\/strong><br \/>\nO estudante de Enfermagem Alexandre Martins Siqueira Filho, da Universidade do Vale do Para\u00edba, de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), foi um dos escolhidos para ir ao Piau\u00ed. \u201cA sele\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com cerca de 170 pessoas para concorrer a oito vagas e, desde fevereiro, praticamente todos os s\u00e1bados a gente se reuniu, participando de din\u00e2micas e entrevistas, para compor uma equipe com diferentes tipos de personalidade, para atravessar o pa\u00eds e viver tudo isso.<\/p>\n<p>Ele conta que al\u00e9m de contribuir com as cidades que receberam o programa, a experi\u00eancia tamb\u00e9m vai contribuir de forma definitiva para seu futuro: \u201c\u00c9 uma experi\u00eancia \u00fanica que a gente vai levar para o resto da vida. Isso vai formando a gente como cidad\u00e3o, isso contribui muito com nosso car\u00e1ter, as nossas atitudes, principalmente o nosso conv\u00edvio na sociedade. Faz a gente n\u00e3o s\u00f3 ter um comportamento diferenciado, faz a gente influenciar positivamente as outras pessoas ao nosso redor\u201d.<\/p>\n<p>Os assuntos tratados nas oficinas s\u00e3o relacionados aos desafios dos munic\u00edpios. Inhuma, no Piau\u00ed, por exemplo, sofre com a seca. Mesmo assim, h\u00e1 pouca consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o da lagoa da cidade, de acordo com o chefe municipal da Defesa Civil, Neto Merc\u00ea. Garrafas de pl\u00e1stico s\u00e3o encontradas com frequ\u00eancia boiando na lagoa. Com base nessa informa\u00e7\u00e3o, que Neto e outras lideran\u00e7as locais passaram aos professores rondonistas durante reuni\u00f5es precursoras, foram montadas oficinas em que os estudantes universit\u00e1rios falaram \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre o aproveitamento de materiais recicl\u00e1veis.<\/p>\n<p>Gabriela Alves Batista, aluna de Pedagogia da Faculdade do Vale do Itapecuru, de Caxias (MA), mostrou aos professores da rede municipal de Inhuma como reutilizar recicl\u00e1veis para educa\u00e7\u00e3o l\u00fadica. \u201cPorque muita coisa hoje \u00e9 desperdi\u00e7ada, coisas que voc\u00ea pode aproveitar e fazer daquilo um recurso did\u00e1tico e levar a diferen\u00e7a para a sala de aula. Eu t\u00f4 muito feliz com a intera\u00e7\u00e3o da comunidade, n\u00f3s fomos muito bem recebidos. E durante a oficina eu percebi o interesse do pessoal, da comunidade\u201d, comemora a universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O coordenador-geral do Projeto Rondon, vice-almirante Luiz Oct\u00e1vio Barros Coutinho, explica que os munic\u00edpios foram escolhidos com base em crit\u00e9rios como baixo \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e popula\u00e7\u00e3o pequena. \u201cGanha o rondonista porque conhece e v\u00ea um Brasil distinto. Ganha a comunidade, que conhece um olhar novo. \u00c0s vezes a pessoa v\u00ea aquela mesma cena durante 20 anos e n\u00e3o percebe o que \u00e9 que pode ser modificado. E \u00e0s vezes um olhar vindo de fora pode dar um ganho muito grande para comunidade\u201d, salienta o vice-almirante.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de S\u00e3o Jos\u00e9 do Piau\u00ed, onde os rondonistas constataram um imenso potencial tur\u00edstico, a Capad\u00f3cia Nordestina, que tem o apelido por causa das paisagens naturais que lembram essa regi\u00e3o da Turquia. Uma das oficinas realizada no munic\u00edpio foi de culin\u00e1ria. A ideia era se inspirar nos sabores regionais e trabalhar com as mulheres da cidade.<\/p>\n<p>\u201cEles t\u00eam um potencial tur\u00edstico muito grande, mas eles n\u00e3o t\u00eam essa percep\u00e7\u00e3o de como trabalhar esse turismo. A gente tem uma realidade das mulheres, principalmente, que elas provem muito do sustento da casa. Porque aqui \u00e9 uma regi\u00e3o de agricultura, ent\u00e3o, na entressafra, os maridos ficam ociosos. Ent\u00e3o, quem leva dinheiro pra casa s\u00e3o as mulheres. Essas s\u00e3o algumas das dificuldades que encontramos aqui na cidade\u201d, conta Paulo Rog\u00e9rio de Arruda, professor de Jornalismo do Centro Universit\u00e1rio M\u00f3dulo de Guaratatuba, litoral de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00e3o Vale do Acre<\/strong><br \/>\nNo Acre, temas de sa\u00fade foram recorrentes nas din\u00e2micas dos rondonistas com a popula\u00e7\u00e3o local, como as consequ\u00eancias do uso de agrot\u00f3xicos para os trabalhadores rurais. Participante de uma das oficinas, a agricultora Luzia Soares, moradora de um assentamento em Porto Acre, conta que o marido dela teve problemas de pele ao mexer com esse tipo de produto. \u201cEle sentiu uma queimadura, criou bolhas nele. E a\u00ed ele n\u00e3o podia sentir o cheiro do veneno que ele sentia dor de cabe\u00e7a. A\u00ed ele teve que ir no hospital. Chegando l\u00e1 os m\u00e9dicos constataram que ele foi intoxicado pelo veneno. Foi muito bom que o Projeto veio mostrando pra gente como se proteger mais, tendo os cuidados pra gente n\u00e3o correr o risco de a gente ficar intoxicado\u201d.<\/p>\n<p>Um dos professores \u00e0 frente das atividades no interior do Acre foi Rafael Salgado Silva, da faculdade de qu\u00edmica da Universidade Federal do Amazonas. Ele considera o Projeto Rondon o maior programa de extens\u00e3o universit\u00e1ria do Brasil. \u201cA extens\u00e3o \u00e9 quando a universidade extrapola o muro e vai para a comunidade, pra gente poder levar a\u00e7\u00f5es para melhorar a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, de baixo \u00edndice de desenvolvimento. E pensando tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o profissional dos alunos da universidade. Quando a gente vai para o Projeto Rondon, a gente encara a realidade do Brasil, que \u00e9 um pa\u00eds do tamanho de um continente e tem realidades que a gente n\u00e3o conhece\u201d, destaca.<\/p>\n<p>O professor foi estudante rondonista em 2011, na Opera\u00e7\u00e3o Rio dos Siris, em Sergipe e, quando soube que como aluno s\u00f3 \u00e9 permitido participar uma \u00fanica vez, ficou ainda mais empenhado em se tornar professor universit\u00e1rio. \u201cEu fiquei com aquele gostinho de quero mais, preciso viver isso de novo, isso n\u00e3o terminou, quero amadurecer mais\u201d, relembra hoje j\u00e1 ao final de sua quarta opera\u00e7\u00e3o, no munic\u00edpio acreano de Porto Acre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhecer problemas de munic\u00edpios pequenos no interior do pa\u00eds e propor alternativas para solucion\u00e1-los com a participa\u00e7\u00e3o da comunidade. 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