{"id":212714,"date":"2019-08-04T14:14:23","date_gmt":"2019-08-04T17:14:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=212714"},"modified":"2019-08-04T19:16:56","modified_gmt":"2019-08-04T22:16:56","slug":"dindin-transforma-habilidade-em-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/dindin-transforma-habilidade-em-dinheiro\/","title":{"rendered":"Dindin transforma habilidade em dinheiro"},"content":{"rendered":"<p>A necessidade de estar mais perto dos filhos fez Juliana Barbosa dos Santos, de 39 anos, deixar o mercado formal de trabalho e desenvolver a sua pr\u00f3pria empresa. H\u00e1 quatro anos, ela deu uma nova cara para o dindin \u2013 conhecido tamb\u00e9m como geladinho ou sacol\u00e9, e hoje vende o produto em feiras, clubes, festas infantis e at\u00e9 casamentos.<\/p>\n<p>\u201cA minha m\u00e3e j\u00e1 fazia h\u00e1 muito tempo para ajudar nas despesas da casa, com o tempo eu fui desenvolvendo a ideia e inovando um pouco mais. Temos v\u00e1rios sabores, de frutas, chocolates e at\u00e9 alco\u00f3licos para festas de adultos\u201d, contou. A Vila do Dindin nasceu quando seu filho mais novo tinha um ano. \u201cNasceu dessa necessidade de estar perto deles, que, \u00e0s vezes, trabalhando fora eu n\u00e3o conseguia. E est\u00e1 dando certo\u201d, disse ela, que \u00e9 m\u00e3e de tr\u00eas filhos.<\/p>\n<p>Juliana participou neste domingo (4) de uma feira de mulheres empreendedoras, em Bras\u00edlia, promovida pela rede Maternativa, primeira startup (pequena empresa focada em tecnologia para novos modelos de neg\u00f3cios) de impacto social voltada ao empreendedorismo materno no Brasil. Cerca de 20 mulheres apresentaram seus produtos e servi\u00e7os durante o evento, que aconteceu no Espa\u00e7o Renato Russo.<\/p>\n<p>Esta foi a terceira edi\u00e7\u00e3o da feira, que j\u00e1 passou por Recife (PE) e S\u00e3o Paulo (SP), com workshops e palestras gratuitas para as m\u00e3es empreendedoras. \u201cPrecisamos mostrar para a sociedade que mulheres m\u00e3es est\u00e3o \u00e0 frente dos mais diversos tipos de neg\u00f3cios e que quando voc\u00ea direciona sua compra para uma m\u00e3e empreendedora, voc\u00ea est\u00e1 fomentando uma economia extremamente colaborativa\u201d, explicou Vivian Abukater, s\u00f3cia da Maternativa.<\/p>\n<p>Segundo ela, mulheres m\u00e3es que t\u00eam dinheiro e independ\u00eancia financeira investem na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, no cuidado e bem-estar da fam\u00edlia. \u201cA ideia \u00e9 promover em Bras\u00edlia esse pensamento, de fortalecer essa economia e ajudar as mulheres m\u00e3es a encontrar independ\u00eancia financeira\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A dificuldade que teve durante a amamenta\u00e7\u00e3o do filho, fez a enfermeira Juliana Gomes, de 28 anos, desenvolver sua pr\u00f3pria consultoria em amamenta\u00e7\u00e3o, a Seio Materno. Formada h\u00e1 quatro anos, ela ainda busca um trabalho no mercado formal, mas espera agregar renda com o novo neg\u00f3cio. \u201cNa primeira semana de nascimento do meu filho tive problemas e uma pessoa me auxiliou e me abriu esse olhar para a consultoria de amamenta\u00e7\u00e3o, que eu nem sabia que existia. Fiz o curso e me especializei\u201d, disse, contando que o trabalho flex\u00edvel tamb\u00e9m pode ser conciliado com a maternidade.<\/p>\n<p>Neg\u00f3cios com alimentos org\u00e2nicos, como a CSA Flor de Lotus, artesanato, como da BiJuCaf\u00e9, vestu\u00e1rio, cosm\u00e9ticos, gastronomia e espa\u00e7o para crian\u00e7as fizeram parte da edi\u00e7\u00e3o da feira da Maternavita deste domingo.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano e meio, a funcion\u00e1ria p\u00fablica Moara Giasson, de 40 anos, teve seu primeiro filho e, com o esposo, desenvolveu a Moaral\u00ea Saboaria Natural. O casal usa \u00f3leos e extratos do Cerrado e compra a mat\u00e9ria-prima de extrativistas e agricultores familiares, buscando valorizar essa cadeia com produtos de qualidade a pre\u00e7os acess\u00edveis.<\/p>\n<p>O novo neg\u00f3cio tamb\u00e9m foi um ref\u00fagio para Moara durante a licen\u00e7a maternidade. \u201cNo in\u00edcio a crian\u00e7a demanda 100% do seu tempo, mas ter essa outra responsabilidade era um momento de estar pensando em mim, apesar de ser a empresa, de sair desse ciclo de ser s\u00f3 a provedora [do filho]. \u00c0s vezes, eu fazia m\u00eddia social na madrugada, enquanto estava amamentando\u201d, contou.<\/p>\n<p>Empreendedorismo<br \/>\nEm entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, a s\u00f3cia da Maternativa, Vivan Abukater, citou pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas que mostra que 48% das mulheres deixa o mercado de trabalho antes do filho completar um ano de idade. Por outro lado, pesquisa da Rede Mulher Empreendedora aponta que 75% das mulheres que empreendem fazem isso depois que os filhos chegam.<\/p>\n<p>De acordo com Vivian, esse \u00e9 um empreendedorismo de necessidade, n\u00e3o de oportunidade, e por isso nem sempre elas t\u00eam o conhecimento necess\u00e1rio para gerir o novo neg\u00f3cio. \u201cDentro da rede Maternativa, elas desenvolvem com outras m\u00e3es todas aquelas coisas que est\u00e3o faltando\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A rede nasceu em 2015, quando duas amigas come\u00e7aram a enfrentar dificuldade, j\u00e1 durante a gesta\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao mercado de trabalho. Elas, ent\u00e3o, organizaram um grupo na rede social Facebook para trocar experi\u00eancias sobre o assunto. Em um m\u00eas reuniram 600 mulheres. Hoje s\u00e3o 24 mil. \u201cNaquele momento ficou muito claro que existe uma penalidade materna quando a gente olha para o mercado de trabalho e que n\u00e3o era quest\u00e3o privada delas, era uma quest\u00e3o p\u00fablica e sist\u00eamica\u201d, explicou Vivian.<\/p>\n<p>No grupo, as mulheres trocam informa\u00e7\u00f5es sobre empreendedorismo materno e como \u00e9 poss\u00edvel se manter ativa no mercado de trabalho conciliando maternidade e carreira. \u201cQuando uma mulher se torna m\u00e3e, ela leva essa pot\u00eancia da maternidade para todas as \u00e1reas da vida dela, inclusive para o trabalho\u201d, disse Vivian, que \u00e9 m\u00e3e e ex-executiva de uma grande empresa.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, a Maternativa ganhou um pr\u00eamio do Facebook como uma das 100 comunidades com maior impacto social do mundo. \u201cApesar de n\u00e3o sermos um grupo muito grande, enquanto a m\u00e9dias de outros grupos \u00e9 de 8% a 10% de engajamento, o nosso tem 80% de engajamento, ent\u00e3o essa \u00e9 a riqueza, \u00e9 uma troca, quem faz a Maternativa existir s\u00e3o as mulheres m\u00e3es\u201d, ressaltou Vivian.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de promover a troca de conhecimento e experi\u00eancia entre as m\u00e3es no ambiente virtual e presencial, com feiras e palestras, o modelo de neg\u00f3cio da Maternativa busca engajar a iniciativa privada no processo de transforma\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho para as mulheres e na redu\u00e7\u00e3o da penalidade materna. As organizadoras da rede prestam consultoria, palestra e desenvolvem conte\u00fado para marcas e empresas.<\/p>\n<p>De acordo com Vivan, cada vez mais est\u00e3o surgindo comit\u00eas de igualdade e g\u00eanero dentro das empresas, onde o mercado come\u00e7a a discutir a quest\u00e3o da penalidade materna, da barreira que as m\u00e3es t\u00eam para crescer profissionalmente e ocupar cargos de lideran\u00e7a. A s\u00f3cia da Maternativa destaca, entretanto, que, quando se torna m\u00e3e, a mulher fortalece v\u00e1rias habilidades.<\/p>\n<p>\u201cA mulher se torna altamente focada, ela vira detector de bobagem, tudo que n\u00e3o \u00e9 importante ela tira da frente e foca no que \u00e9 importante\u201d, explicou. A capacidade de liderar e trabalhar em equipe, a autonomia, proatividade e empatia com as equipes s\u00e3o outras habilidades que as m\u00e3es levam para o seu ambiente de trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A necessidade de estar mais perto dos filhos fez Juliana Barbosa dos Santos, de 39 anos, deixar o mercado formal de trabalho e desenvolver a sua pr\u00f3pria empresa. 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