{"id":212771,"date":"2019-08-05T18:54:14","date_gmt":"2019-08-05T21:54:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=212771"},"modified":"2019-08-05T18:54:14","modified_gmt":"2019-08-05T21:54:14","slug":"guerra-comercial-china-eua-derruba-bolsas-mundiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/guerra-comercial-china-eua-derruba-bolsas-mundiais\/","title":{"rendered":"Guerra comercial China-EUA derruba bolsas mundiais"},"content":{"rendered":"<p>A economia mundial est\u00e1 prestes a entrar em colapso em fun\u00e7\u00e3o da guerra comercial entre China e Estados Unidos, agravada nesta segunda-feira, 5, com a decis\u00e3o de Pequim de usar sua moeda, o yuan, como arma para enfrentar as medidas adotadas peelo governo norte-americano. Como primeira consequ\u00eancia, as bolsas fecharam em queda em todo o mundo. No Brasil o \u00edndice Bovespa recuou quase tr\u00eas pontos percentuais.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que intriga analistas financeiros \u00e9 saber se Pequim vai usar totalmente sua moeda como arma, permitindo que ela se enfraque\u00e7a de forma significativa em valor em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar americano. Isso poderia provocar uma resposta dura dos altos funcion\u00e1rios do governo Trump, que j\u00e1 alertaram a China quanto a isso.<\/p>\n<p>Ao meso tempo, outros pa\u00edses que cometem com a China tamb\u00e9m podem pensar em desvalorizar suas moedas. Caso isso aconte\u00e7a, o mundo assistir\u00e1 a uma espiral de desvaloriza\u00e7\u00e3o de soma zero que prejudicaria o crescimento global e levaria a ainda mais protecionismo comercial, amea\u00e7ando a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 extremamente significativo, pois eles est\u00e3o fazendo uma clara escolha para adotar tal medida\u201d, disse Michael Every, chefe de pesquisa de mercados financeiros na \u00c1sia para o Rabobank, referindo-se ao banco central da China. \u201cIsso vai escalar r\u00e1pida e gravemente.\u201d<\/p>\n<p>A moeda da China tem meios de cair com sucesso antes de tornar-se uma arma eficaz. Mas, nesta segunda-feira, Pequim deu a entender que poderia estar disposta a ir adiante.<\/p>\n<p>O Banco Popular da China, o banco central do pa\u00eds, permitiu que sua moeda rigidamente controlada, o iuane, enfraquecesse pela primeira vez desde o ponto psicologicamente importante de 7 iuanes em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar norte-americano pela primeira vez desde 2008. A medida foi amplamente vista como um sinal de que Pequim n\u00e3o recuaria de uma briga com o presidente Donald Trump. Poucos dias antes, Trump amea\u00e7ou impor uma nova rodada de tarifas sobre as importa\u00e7\u00f5es chinesas para for\u00e7\u00e1-lo a fechar um acordo.<\/p>\n<p>No geral, o iuane enfraqueceu em cerca de 1% em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, um movimento que n\u00e3o \u00e9 necessariamente significativo por si s\u00f3. Mas o fato de Pequim ter permitido que ele rompesse um n\u00edvel que era considerado um ponto a n\u00e3o ser ultrapassado levantou quest\u00f5es sobre se o governo chin\u00eas estava se engajando em atitude de risco ou abandonando qualquer esperan\u00e7a de um acordo no curto prazo.<\/p>\n<p>Em uma declara\u00e7\u00e3o excepcionalmente contundente na segunda-feira, o Banco Popular da China (PBOC) atribuiu a culpa pela queda da moeda ao \u201cunilateralismo e medidas de protecionismo comercial de Trump e a imposi\u00e7\u00e3o de aumento de tarifas sobre a China\u201d.<\/p>\n<p>O banco central tamb\u00e9m disse que manter\u00e1 o iuane \u201cfundamentalmente est\u00e1vel em n\u00edvel razo\u00e1vel e equilibrado\u201d. Mas n\u00e3o especificou qual seria esse n\u00edvel.<\/p>\n<p>Especialistas viram a medida como uma amea\u00e7a deliberada dos principais l\u00edderes da China, que provavelmente teriam de dar permiss\u00e3o ao banco central para deixar que sua moeda ca\u00edsse al\u00e9m de um n\u00edvel simbolicamente t\u00e3o perigoso.<\/p>\n<p>\u201cA moeda \u00e9 controlada em grande parte pelo banco central chin\u00eas, mas o PBOC n\u00e3o tem independ\u00eancia para decidir por conta pr\u00f3pria o n\u00edvel do renminbi\u201d, disse Michael Pettis, professor de finan\u00e7as da Escola Guanghua de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de Pequim, referindo-se ao banco central e usando o nome alternativo para o iuane. \u201cEsta foi claramente uma decis\u00e3o tomada nos altos escal\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>A queda da moeda chinesa na segunda-feira reverberou nos mercados globais, fazendo com que os principais \u00edndices na \u00c1sia ca\u00edssem cerca de 2% ou mais. \u00cdndices europeus foram inferiores em 1,5% ou mais. Moedas, mais fracas em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar americano depois que o Federal Reserve cortou as taxas pela primeira vez em uma d\u00e9cada, ca\u00edram ainda mais.<\/p>\n<p>A escalada da guerra comercial j\u00e1 amea\u00e7a encerrar o que parecia ser uma expans\u00e3o global modesta. A economia dos EUA parece estar crescendo num ritmo saud\u00e1vel e a Europa est\u00e1 mostrando sinais de renova\u00e7\u00e3o. Mas o crescimento da China foi atingido pela guerra comercial, que agravou alguns dos seus problemas internos. Outros pa\u00edses que dependem da voraz m\u00e1quina econ\u00f4mica da China, como o Jap\u00e3o, tamb\u00e9m foram atingidos. Uma guerra cambial poderia intensificar esse dano.<\/p>\n<p>Pa\u00edses com moedas mais fracas podem desfrutar de grandes vantagens quando vendem seus produtos em outros lugares. Isso pode ajud\u00e1-los a reduzir pre\u00e7os ou ser mais competitivos do que concorrentes em pa\u00edses com moedas fortes. Trump e grande n\u00famero de legisladores americanos h\u00e1 muito criticam a China por ter tomado esse rumo com a moeda, algo que Pequim nega sistematicamente.<\/p>\n<p>Se a China desvalorizar ainda mais sua moeda, os pa\u00edses que competirem em setores semelhantes, como a Coreia do Sul ou as na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico, poder\u00e3o enfrentar press\u00f5es para desvalorizar suas pr\u00f3prias moedas. Essas espirais de desvaloriza\u00e7\u00e3o podem levar a uma infla\u00e7\u00e3o mais alta, reduzir os gastos das fam\u00edlias e abalar as mudan\u00e7as de dinheiro que cruzam as fronteiras. Eles tamb\u00e9m podem levar a mais tarifas ou outras medidas comerciais restritivas.<\/p>\n<p>Uma desvaloriza\u00e7\u00e3o significativa tamb\u00e9m poderia prejudicar a pr\u00f3pria China. Muitas de suas maiores e mais endividadas empresas, em setores que v\u00e3o desde o imobili\u00e1rio at\u00e9 a ind\u00fastria pesada, tomaram emprestados grandes volumes em d\u00f3lares americanos. Um iuane mais fraco faz com que pagar essa d\u00edvida fique mais caro. Tamb\u00e9m pode prejudicar empresas que dependem de commodities, como o petr\u00f3leo, cotado em d\u00f3lares, e podem estimular chineses ricos a tirar seu dinheiro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por essas raz\u00f5es, as desvaloriza\u00e7\u00f5es deixam os investidores nervosos. Quatro anos atr\u00e1s, quando a China desvalorizou sua moeda por uma quantia mais dr\u00e1stica, seguiu-se uma queda no mercado global. Desta vez, a amea\u00e7a imediata depende da resposta de Trump. Uma desvaloriza\u00e7\u00e3o ajuda a amenizar o custo de suas tarifas.<\/p>\n<p>A \u00faltima amea\u00e7a de Trump de um adicional de 10% sobre US$ 300 bilh\u00f5es de importa\u00e7\u00f5es chinesas por ano teria, em geral, o mesmo efeito que uma valoriza\u00e7\u00e3o de 1% a 1,5% do iuane em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, estima Pettis, da Universidade de Pequim. Para compensar tais tarifas, acrescentou o professor, a China poderia permitir que sua moeda se depreciasse em um n\u00edvel similar.<\/p>\n<p>Isso s\u00f3 poderia levar Trump a impor mais tarifas ou elev\u00e1-las mais sobre os produtos fabricados na China, o que poderia levar a uma retalia\u00e7\u00e3o ainda maior de Pequim, disse Ned Rumpeltin, diretor de estrat\u00e9gia de c\u00e2mbio europeia da TD Securities.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que estamos em uma situa\u00e7\u00e3o muito olho por olho\u201d, disse ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A economia mundial est\u00e1 prestes a entrar em colapso em fun\u00e7\u00e3o da guerra comercial entre China e Estados Unidos, agravada nesta segunda-feira, 5, com a decis\u00e3o de Pequim de usar sua moeda, o yuan, como arma para enfrentar as medidas adotadas peelo governo norte-americano. 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