{"id":213130,"date":"2019-08-10T18:33:58","date_gmt":"2019-08-10T21:33:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=213130"},"modified":"2019-08-10T18:33:58","modified_gmt":"2019-08-10T21:33:58","slug":"lava-jato-cola-no-bolsonarismo-contra-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lava-jato-cola-no-bolsonarismo-contra-lula\/","title":{"rendered":"Lava Jato &#8216;cola&#8217; no bolsonarismo contra Lula"},"content":{"rendered":"<p>A Lava Jato tenta reagir e investe contra Lula, como de costume, fundindo-se cada vez mais ao bolsonarismo. Mas s\u00f3 h\u00e1 espa\u00e7o para um l\u00edder e, neste processo, Bolsonaro coloca Moro no bolso. De outra parte, a esquerda tenta esbo\u00e7ar uma rea\u00e7\u00e3o, colocando na pauta educa\u00e7\u00e3o, emprego e Previd\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> Lava Jato e bolsonarismo, unidos num s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o. Cada vez mais, o bolsonarismo e o lavajatismo, dois grupos que tinham os mesmos objetivos, mas com m\u00e9todos diferentes, est\u00e3o se tornando uma \u00fanica coisa. Depois de um per\u00edodo de turbul\u00eancias no governo, fruto da verborragia de Bolsonaro, era preciso reagrupar as tropas. E nada une mais lavajatistas e bolsonaristas do que Lula. A decis\u00e3o da ju\u00edza federal Carolina Lebbos de transferir Lula para uma unidade prisional em S\u00e3o Paulo foi acompanhada do tradicional ataque das mil\u00edcias virtuais ao STF, que j\u00e1 havia se iniciado no fim de semana e era uma esp\u00e9cie de contra-ataque \u00e0 rea\u00e7\u00e3o do STF aos os ataques provocados por Deltan Dallagnol. Al\u00e9m disso, lembra Reinaldo Azevedo, como Edson Fachin seria o relator do pedido feito pelo PT para evitar a transfer\u00eancia, a Lava Jato queria saber se o \u201cFachin ainda \u00e9 nosso\u201d.<\/p>\n<p>A medida teve efeito contr\u00e1rio e resultou na forma\u00e7\u00e3o de uma frente \u00fanica de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Lava Jato, e acabou com o STF vetando a transfer\u00eancia por 10 votos a 1. N\u00e3o \u00e9 de hoje que ministros do STF e parlamentares nutrem profunda rejei\u00e7\u00e3o seja aos autoritarismos, seja \u00e0 megalomania da Rep\u00fablica de Curitiba. Se antes, bater era mais dif\u00edcil, os tempos agora s\u00e3o outros e STF e Congresso n\u00e3o perder\u00e3o a oportunidade.<\/p>\n<p>O primeiro na linha de tiro \u00e9 Deltan Dallagnol, que enfrenta dez pedidos de investiga\u00e7\u00e3o no Conselho Nacional do MP, agravadas pela as revela\u00e7\u00f5es que mostram deliberadamente conspirando contra o STF, desta vez usando o partido Rede Sustentabilidade para atacar Gilmar Mendes. Nesta semana, ainda, Gilmar Mendes tamb\u00e9m concedeu medida cautelar que impede que autoridades responsabilizem o jornalista Glenn Greenwald pela divulga\u00e7\u00e3o das mensagens da Vaza Jato, frustrando o sonho das hordas bolsonaristas de uma deporta\u00e7\u00e3o ou pris\u00e3o como retalia\u00e7\u00e3o \u00e0s den\u00fancias da Vaza Jato.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se lavajatismo e bolsonarismo se fundem num s\u00f3 corpo na base, s\u00f3 comporta uma cabe\u00e7a, a de Bolsonaro. Antes beneficiado pela Lava Jato, agora ele tamb\u00e9m enxerga o momento de fragilidade e que Moro precisa mais dele do que ao contr\u00e1rio. Bolsonaro n\u00e3o perde a oportunidade de enfraquecer o seu ministro e mant\u00ea-lo ref\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o. Em Bras\u00edlia, s\u00e3o variados os relatos de atritos entre Bolsonaro e Moro, que estaria em processo de fritura: no centro da quest\u00e3o estaria ainda a defesa do Coaf por Moro justo quando Bolsonaro tenta salvar a pele do filho Fl\u00e1vio.<\/p>\n<p>Em tempo: nesta tentativa de rea\u00e7\u00e3o da Lava Jato, \u00e9 interessante observar que nesta semana em que a \u201cfor\u00e7a-tarefa\u201d mais esteve nas cordas, pipocaram informa\u00e7\u00f5es na imprensa contra o PT, da indefect\u00edvel dela\u00e7\u00e3o do Palocci at\u00e9 uma grava\u00e7\u00e3o de um l\u00edder do PCC.<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong> A ditadura comunista no Brasil. Voc\u00eas viram? Incomodado com cr\u00edticas dos jornais, Lula editou uma MP que desobriga empresas de publicarem seus balan\u00e7os em jornais impressos. Em atrito com governadores do Sul, Lula disse que s\u00f3 vai repassar verba da Uni\u00e3o se os governadores exaltarem seu nome. Mas Lula foi ainda mais longe e mostrou como o PT usa o Estado em nome de seu projeto de poder. Ap\u00f3s atacar o presidente da OAB, mandou a Petrobras cancelar um contrato que mantinha com o advogado Felipe Santa Cruz, que inclusive livrou a estatal de um processo bilion\u00e1rio. Enquanto isso, Tarso Genro, seu ministro da Justi\u00e7a, pediu investiga\u00e7\u00e3o contra o presidente da OAB por t\u00ea-lo chamado de \u201cchefe de quadrilha\u201d.<\/p>\n<p>Tudo isso depois de Lula ter exonerado o diretor do Inpe e colocado um dirigente sindical no seu lugar, ter mandado um renomado ocean\u00f3grafo do ICMBio de Fernando de Noronha para o sert\u00e3o pernambucano, ter vinculado a escolha do novo procurador-geral da Rep\u00fablica \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um segundo escal\u00e3o de petistas e ter mais uma vez anunciado que a Ancine s\u00f3 vai financiar filmes de esquerda. Al\u00e9m do mais, o filho de Lula j\u00e1 avisou que cargos como a Procuradoria Geral n\u00e3o podem ser ocupados \u201cpor gente que n\u00e3o pensa como a gente\u201d. A sanha persecut\u00f3ria contagia os demais ministros: Fernando Haddad anda endossando a\u00e7\u00f5es violentas contra manifestantes de direita nas universidades. O autoritarismo tamb\u00e9m se espraia nos estados governados pelos partidos de esquerda. Em S\u00e3o Paulo, um torcedor do Corinthians foi detido porque xingou a Dilma no est\u00e1dio.<\/p>\n<p>J\u00e1 a PM fez uma estranha abordagem a uma reuni\u00e3o do PSDB. No Rio, o governador quis proibir um debate do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal sobre a necessidade de mais guerra \u00e0s drogas. E Kim Kataguiri foi impedido de dar uma palestra no Paran\u00e1. Para encerrar a semana, Lula voltou a homenagear um torturador. Quem sabe assim, invertendo os nomes, as institui\u00e7\u00f5es passem a funcionar novamente e a grande imprensa a se indignar com o rumo dos acontecimentos. Por enquanto, n\u00e3o \u00e9 o que acontece, e as falas e a\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias de Bolsonaro continuam sendo tratadas como arroubos de um presidente fanfarr\u00e3o, ignorando-se os estragos que a escalada autorit\u00e1ria j\u00e1 provoca nas ruas e rinc\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> At\u00e9 onde vai a estrat\u00e9gia? Cerca de um ter\u00e7o dos brasileiros t\u00eam opini\u00e3o similar a do presidente em aspectos como o golpe de 1964, demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas e pol\u00edtica ambiental. \u00c9 o que revelam os mais recentes levantamentos do Datafolha, que avaliaram a percep\u00e7\u00e3o dos brasileiros em diferentes assuntos, antes da mais recente onda de ataques verbais do presidente.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, tamb\u00e9m representam um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o os que, segundo a \u00faltima pesquisa, avaliam o governo Bolsonaro como \u00f3timo ou bom: s\u00e3o 33% com essa percep\u00e7\u00e3o. O levantamento, feito em julho, apresentou basicamente o mesmo resultado daquele registrado em abril, quando 32% aprovavam o presidente. Uma reportagem da Folha mostra aquilo que temos enfatizado aqui no Ponto: a ofensividade de Bolsonaro \u00e9 uma forma de manter a base mobilizada, assim como faz Trump. A diferen\u00e7a \u00e9 que nos Estados Unidos a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica colabora.<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong> Uma sa\u00edda \u00e0 esquerda. Nem o oportunismo do centr\u00e3o, nem debate de costumes. Os governadores do Nordeste encontraram um caminho muito mais eficiente para fazer a oposi\u00e7\u00e3o ao governo Bolsonaro: debater emprego, sa\u00fade e seguran\u00e7a. A atua\u00e7\u00e3o do Cons\u00f3rcio Nordeste envolve compras coletivas para baixar pre\u00e7os, a possibilidade de um programa de sa\u00fade nos moldes do Mais M\u00e9dicos com profissionais cubanos e coopera\u00e7\u00e3o na atua\u00e7\u00e3o de for\u00e7as policiais.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o Cons\u00f3rcio corresponde a 14% do PIB brasileiro (R$ 889 bilh\u00f5es) e uma popula\u00e7\u00e3o de quase 60 milh\u00f5es de habitantes. Em novembro, a iniciativa far\u00e1 sua primeira viagem internacional para quatro pa\u00edses da Europa e possivelmente se estendendo a \u00c1sia; recursos para industrializa\u00e7\u00e3o e saneamento est\u00e3o na pauta da viagem. Percebendo que bater boca em rede social \u00e9 infrut\u00edfero, o PT deve apoiar a iniciativa com entusiasmo e sugere que o cons\u00f3rcio seja um n\u00facleo central de oposi\u00e7\u00e3o ao governo. Ao mesmo tempo, o partido anunciou um Plano Emergencial de Emprego e Renda que prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de 7 milh\u00f5es de vagas de trabalho a curto prazo.<\/p>\n<p><strong>5.<\/strong> Reforma da Previd\u00eancia no Senado. Uma semana antes da anunciada mobiliza\u00e7\u00e3o nacional contra a reforma da Previd\u00eancia, a C\u00e2mara aprovou o texto em segundo turno sem altera\u00e7\u00f5es. Foram rejeitados os destaques da oposi\u00e7\u00e3o, que tentava reduzir danos. A proposta segue agora para vota\u00e7\u00e3o do Senado, tamb\u00e9m em dois turnos.<\/p>\n<p>Tasso Jereissati ser\u00e1 o relator e a previs\u00e3o do presidente Davi Alcolumbre \u00e9 de que a vota\u00e7\u00e3o seja encerrada em 60 dias. Rodrigo Maia sugeriu que o Senado inclua Estados e munic\u00edpios na reforma, o que faria o texto retornar para vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara. Para aprovar a reforma da Previd\u00eancia na C\u00e2mara, o governo deve liberar cerca de R$ 3 bilh\u00f5es em emendas parlamentares, sendo que quase R$ 1 bilh\u00e3o deve afetar diretamente a Educa\u00e7\u00e3o. Agora, a C\u00e2mara deve continuar na sua \u201cagenda pr\u00f3pria\u201d que ajuda Bolsonaro a manter o apoio do mercado financeiro: reforma tribut\u00e1ria, privatiza\u00e7\u00f5es e independ\u00eancia do Banco Central est\u00e3o na agenda dos deputados.<\/p>\n<p><strong>6.<\/strong> A volta do tsunami. Enquanto d\u00e1 dinheiro para que parlamentares aprovem a reforma da Previd\u00eancia e possam fazer an\u00fancios em suas bases eleitorais, o governo mant\u00e9m o corte sobre \u00e1reas como a Educa\u00e7\u00e3o. Um projeto de lei encaminhado na ter\u00e7a (6) pelo Executivo transforma em corte o que antes era bloqueio: o MEC perde R$ 926 milh\u00f5es, de acordo com o texto. Al\u00e9m disso, no final de julho o governo anunciou novo bloqueio, de R$ 348 milh\u00f5es do MEC como parte de um contingenciamento maior, de R$ 1,442 bilh\u00e3o, referente ao terceiro bimestre de 2019.<\/p>\n<p>Pois muito bem: o corte atinge em cheio a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, que era apontada como prioridade do MEC. Ao todo, a pasta bloqueou R$ 348 milh\u00f5es na &#8220;produ\u00e7\u00e3o, aquisi\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de livros e materiais did\u00e1ticos e pedag\u00f3gicos para educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica&#8221;. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dr\u00e1stica na maioria das universidades federais. A UFRJ afirma que n\u00e3o conseguir\u00e1 pagar suas despesas de custeio em agosto, a UFPE decidiu vetar o uso de ar-condicionado e a UFPel anunciou que est\u00e1 com o caixa raspado, para ficarmos em apenas tr\u00eas exemplos. Trinta e sete universidades federais disseram ao Estad\u00e3o que n\u00e3o tem recursos suficientes para chegar ao final do ano.<\/p>\n<p>Agora o que resta \u00e9 o dia 13. Na pr\u00f3xima ter\u00e7a, haver\u00e1 um grande dia de mobiliza\u00e7\u00e3o com duas frentes de a\u00e7\u00e3o. Os estudantes puxam a defesa das institui\u00e7\u00f5es federais de ensino, enquanto movimentos sociais e entidades sindicais protestam contra a reforma da Previd\u00eancia. O ministro Weintraub sabe que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o calcanhar de Aquiles do governo e o terreno mais f\u00e9rtil at\u00e9 agora para oposi\u00e7\u00e3o ao governo, tanto que j\u00e1 pediu prote\u00e7\u00e3o da For\u00e7a Nacional para o pr\u00e9dio do MEC.<\/p>\n<p><strong>7.<\/strong> Amaz\u00f4nia. N\u00e3o adianta o governo demitir o mensageiro, os dados do INPE falam por si s\u00f3: em julho, o desmatamento da Amaz\u00f4nia cresceu 278% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado. E se a preocupa\u00e7\u00e3o de Bolsonaro \u00e9 que os dados se tornassem propaganda negativa do Brasil, tinha raz\u00e3o: o cientista alem\u00e3o Hans-Otto Portner, do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), declarou que as a\u00e7\u00f5es do governo brasileiro contradizem todas as recomenda\u00e7\u00f5es para combate do desmatamento.<\/p>\n<p>Mesmo nos Estados Unidos e na NASA, portanto nada das ONGs europeias que Bolsonaro v\u00ea embaixo da cama, a demiss\u00e3o do diretor do INPE foi considerada \u201calarmante pela forma como o governo brasileiro encara a ci\u00eancia\u201d, como declarou o diretor da ag\u00eancia espacial americana e professor em Harvard Douglas Morton. E depois da The Economist, foi a vez da revista Foreign Policy criticar a pol\u00edtica ambiental. No artigo do tamb\u00e9m professor de Harvard Stephen M. Walt, a revista afirma que as pol\u00edticas de Bolsonaro colocam em risco a maior floresta tropical do mundo, respons\u00e1vel por grande parte da absor\u00e7\u00e3o de carbono do planeta, e provoca: &#8220;Quem vai invadir o Brasil para salvar a Amaz\u00f4nia?&#8221;<\/p>\n<p><strong>8.<\/strong> Olho no Paraguai. Aparentemente, depois das candidaturas laranja, o PSL tem exportado seu senso de oportunidade com a onda bolsonarista. E causando crise pol\u00edtica em pa\u00eds vizinho. Embora com poucas chances de avan\u00e7ar, a oposi\u00e7\u00e3o ao presidente paraguaio Mario Abdo protocolou um pedido de impeachment na ter\u00e7a (6), o segundo pedido de impedimento apresentado pela oposi\u00e7\u00e3o desde que foram revelados os termos do acordo entre Paraguai e Brasil que pretendia aumentar os custos de energia para a estatal energ\u00e9tica paraguaia, a ANDE. O pedido foi motivado pela revela\u00e7\u00e3o de mensagens em que o presidente paraguaio pressiona o presidente da ANDE pela assinatura do contrato.<\/p>\n<p>O curioso nessa hist\u00f3ria \u00e9 que o acordo, que acabou sendo suspenso por Bolsonaro para ajudar seu colega paraguaio, beneficiaria uma empresa de um senador suplente do PSL. A empresa Leros teria o monop\u00f3lio pela revenda, no Brasil, da energia excedente do Paraguai. Para conseguir esse feito, o empres\u00e1rio Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olimpio (PSL-SP), teria usado sua proximidade com a fam\u00edlia Bolsonaro. O PT quer que a PGR investigue o caso e tamb\u00e9m direciona sua artilharia contra Eduardo Bolsonaro, filho do presidente e chanceler informal do Brasil, por suspeita de ter feito lobby pela Leros. O deputado, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Defesa da C\u00e2mara, negou ter participado em mar\u00e7o de uma suposta reuni\u00e3o na embaixada do Paraguai em Bras\u00edlia com representantes do governo de Assun\u00e7\u00e3o e do grupo Leros.<\/p>\n<p><strong>9.<\/strong> Ponto final: nossas recomenda\u00e7\u00f5es de leitura<\/p>\n<p>\u201cComo o presidente de uma Rep\u00fablica pode seguir repetidas vezes louvando um criminoso que reconhecidamente matou e torturou? Vamos ter que encarar e responder essa pergunta se n\u00e3o quisermos ser c\u00famplices de uma escalada autorit\u00e1ria que pode levar ao assassinato da democracia\u201d, escreve Tatiana Merlino, no artigo \u201cO homem que Bolsonaro chama de &#8216;her\u00f3i nacional&#8217; torturou e matou meu tio&#8221;, no Blog do Sakamoto, sobre a idolatria de Bolsonaro ao Coronel Ustra.<\/p>\n<p>O jornalista \u00c1lvaro Miranda \u201cresponde\u201d ao texto de Eliane Brum que recomendamos na semana passada. Miranda pede que se veja tamb\u00e9m a outra face da quest\u00e3o: as pessoas, que em vez de \u201cadoecerem\u201d, est\u00e3o reagindo, criando, escrevendo, militando, pesquisando, denunciando, fiscalizando e arriscando novas formas de lidar com a conjuntura. \u201cO problema \u00e9 que, como normalmente a agenda p\u00fablica \u00e9 pautada pelo governo, num bizarro esquema de tergiversa\u00e7\u00e3o dos problemas, e seguido pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o destacam em suas manchetes o que acontece extraoficialmente, fica a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo est\u00e1 dominado pelos neofascistas numa sociedade emparedada. Isso n\u00e3o corresponde, felizmente, \u00e0 realidade dos fatos\u201d, provoca.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da usina de Belo Monte, no Par\u00e1, est\u00e1 diretamente relacionada ao aumento da criminalidade, surgimento de fac\u00e7\u00f5es criminosas e at\u00e9 os massacres em pres\u00eddios, decorrentes da superlota\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria e uma unidade penitenci\u00e1ria nunca entregue pela empreiteira. \u201cPor induzir a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada e falhar em reduzir os impactos que imp\u00f4s, Belo Monte contribuiu com a forma\u00e7\u00e3o do barril de p\u00f3lvora que explodiu no final de julho\u201d, analisa Andr\u00e9 Aroeira no The Intercept.<\/p>\n<p>O torcedor do Corinthians detido por xingar Bolsonaro durante uma partida d\u00e1 seu relato \u00e0 ag\u00eancia Ponte, contrariando a vers\u00e3o da Pol\u00edcia Militar de que teria sido algemado e retirado das arquibancadas para sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a. \u201cMe jogaram no ch\u00e3o nessa sala, eu n\u00e3o conseguia me mexer porque as algemas estavam muito apertadas. Entrava um, sa\u00eda outro e todos me humilhando. Voc\u00ea n\u00e3o gosta de xingar autoridade, de xingar o presidente?\u2019\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lava Jato tenta reagir e investe contra Lula, como de costume, fundindo-se cada vez mais ao bolsonarismo. Mas s\u00f3 h\u00e1 espa\u00e7o para um l\u00edder e, neste processo, Bolsonaro coloca Moro no bolso. De outra parte, a esquerda tenta esbo\u00e7ar uma rea\u00e7\u00e3o, colocando na pauta educa\u00e7\u00e3o, emprego e Previd\u00eancia. 1. 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