{"id":213420,"date":"2019-08-15T17:17:50","date_gmt":"2019-08-15T20:17:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=213420"},"modified":"2019-08-15T19:21:48","modified_gmt":"2019-08-15T22:21:48","slug":"o-que-medico-nao-faz-benzedeira-resolve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-que-medico-nao-faz-benzedeira-resolve\/","title":{"rendered":"O que m\u00e9dico n\u00e3o faz, benzedeira resolve"},"content":{"rendered":"<p>Nos tempos dos nossos av\u00f3s, benzedeiras eram chamadas para curar doen\u00e7as. As cidades cresceram, essas mulheres tiveram seus grupos reduzidos. Mas sempre se fizeram presentes em comunidades interioranas. Agora voltam a atuar em grades centros, como Bras\u00edlia. E \u00e9 com a b\u00ean\u00e7\u00e3o, ch\u00e1s, folhas de arruda e c\u00e2nticos que muita gente resolve seus problemas de sa\u00fade, sem precisar necessariamente de um atendimento m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Acima de tudo vale a cren\u00e7a. E essas benzedeiras cuidam de espinhela ca\u00edda, quebranto, mau olhado. Quem \u00e9 do interior, provavelmente, j\u00e1 ouviu essas express\u00f5es e, na sequ\u00eancia, um conselho: \u00e9 melhor se benzer. O costume, por\u00e9m, tamb\u00e9m tem seu espa\u00e7o na cidade grande. Uma vez por m\u00eas, tr\u00eas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade (UBS) ficam lotadas de pessoas em busca dos saberes populares.<\/p>\n<p>Acostumada ao benzimento na cidadezinha onde mora, no Esp\u00edrito Santo, a aposentada Dalva Caversan aproveitou a estadia em Bras\u00edlia, onde est\u00e1 para cuidar do neto que acabou de nascer, para levar a fam\u00edlia inteira \u00e0 UBS 2, da 114\/115 Norte, onde cerca de 50 benzedeiras atuam uma vez por m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1, temos o costume de levar as pessoas para ser benzidas quando est\u00e3o com alguma dor, com um machucado, quando estamos bocejando muito ou, ainda, quando a crian\u00e7a est\u00e1 muito agitada\u201d, conta ela. A filha, Nair Ang\u00e9lica, j\u00e1 est\u00e1 acostumada e, agora, levou o pequeno Miguel para receber o que ela teve muito na inf\u00e2ncia. \u201cLembro-me da minha m\u00e3e levando a gente. Sa\u00edmos mais leves\u201d, destaca, ao lado do marido, Vilar Cardozo, benzido pela primeira vez.<\/p>\n<p>O trabalho das benzedeiras come\u00e7a com uma roda, onde fazem uma ora\u00e7\u00e3o entre elas. Em seguida, organizam outro grande c\u00edrculo, desta vez com os presentes, quando fazem a leitura de um texto e explicam a din\u00e2mica do benzimento. Elas ficam na unidade por duas horas, no final da manh\u00e3 ou da tarde. Senhas s\u00e3o distribu\u00eddas ao longo desse tempo e as pessoas s\u00e3o encaminhadas \u00e0s benzedeiras.<\/p>\n<p><strong>Voca\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nCada benzedeira tem seu m\u00e9todo. Algumas usam ter\u00e7os, outras preferem um galho de arruda. H\u00e1 ainda aquelas que usam da conversa, um abra\u00e7o, massagem. O mais importante \u00e9 ter f\u00e9 e conex\u00e3o com quem est\u00e1 buscando este aux\u00edlio.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano e meio atuando como benzedeira, Edna Francischetti diz que, para exercer essa tarefa, \u00e9 preciso ter sintonia com quem precisa ser benzido. \u201cQuando pergunto por que a pessoa veio, j\u00e1 se vai estabelecendo uma conex\u00e3o mais profunda, de muito acolhimento e compreens\u00e3o. Olho no olho, ou\u00e7o e vou-me conectando com o melhor de mim mesma, um amor mais alto. Ent\u00e3o, com base nisso, ou fa\u00e7o uma \u201ccostura\u201d ou benzo com alecrim e \u00e1gua, usando palavras fortes de uma b\u00ean\u00e7\u00e3o muito antiga\u201d, diz ela, sempre calma.<\/p>\n<p>Qualquer um pode se candidatar a ser um benzedor. \u201c\u00c9 preciso ter f\u00e9 e confiar que somos capazes de interceder para o bem-estar de outros, humanos ou animais. Existe uma forma\u00e7\u00e3o que promovemos anualmente para compartilhar nosso caminho e experi\u00eancias, para nos conectarmos com a energia c\u00f3smica de nossos ancestrais\u201d, explica a guardi\u00e3 da Escola de Benzedeiras, Maria Bezerra, respons\u00e1vel por levar o trabalho \u00e0s unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7o<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m da UBS 2, da Asa Sul, as unidades 1, da 612 Sul, e tamb\u00e9m a de n\u00famero 9, do Cruzeiro, recebem o trabalho das benzedeiras uma vez por m\u00eas. Para a gerente da unidade da 114\/115 Sul, Ana Carolina Tardin, primeira a abrir as portas para elas, o espa\u00e7o \u00e9 usado para a cura da alma, de modo a cuidar da ang\u00fastia e dos sofrimentos, o que tamb\u00e9m \u00e9 importante para a manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, abrimos espa\u00e7o para o acalento, criando uma rede de apoio. Muitas pessoas que moram em Bras\u00edlia s\u00e3o de outras cidades e, \u00e0s vezes, t\u00eam dificuldade em se aproximar dos outros por aqui\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Para a benzedeira Edna Francischetti, as unidades de sa\u00fade s\u00e3o lugares dedicados \u00e0s pessoas, o que casa muito bem com o trabalho que ela e o grupo desenvolvem. \u201cSa\u00fade f\u00edsica, emocional e espiritual, no meu entender, s\u00e3o um todo indissoci\u00e1vel. Acolhimento \u00e9 uma boa palavra para falar dessa integra\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel que estamos experimentando\u201d, observa.<\/p>\n<p><strong>Boas energias<\/strong><br \/>\nConforme destaca Maria Bezerra, as pessoas que procuram se benzer saem da unidade em paz, reequilibradas. \u201cCrian\u00e7as t\u00eam apresentado melhora de sono, estados de irritabilidade, diarreias, males estes que s\u00e3o identificados como \u2018quebranto\u2019 e \u2018ventre virado\u2019. Pessoas com tristezas ou sensa\u00e7\u00f5es de negatividade tamb\u00e9m t\u00eam relatado melhoras\u201d, enumera.<\/p>\n<p>Pela primeira vez nessa experi\u00eancia, \u00c2ngela Guimar\u00e3es disse que o pr\u00f3prio ambiente da UBS, onde a pr\u00e1tica \u00e9 feita, j\u00e1 trouxe tranquilidade a ela. \u201cEstou saindo mais leve do que quando cheguei. Com certeza, voltarei outras vezes\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da busca pelo equil\u00edbrio, tem gente que vai para agradecer. \u201cQueria muito engravidar, j\u00e1 tentava h\u00e1 quatro anos e quando estava prestes a fazer uma insemina\u00e7\u00e3o, engravidei naturalmente e veio o Murilo. Ent\u00e3o, eu o trouxe para benzer e agradecer pela vida dele\u201d, conta a m\u00e3e, Mariana Leal.<\/p>\n<p>Os encontros acontecem uma vez por m\u00eas e a agenda \u00e9 divulgada em cada evento.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\nPr\u00f3ximos encontros com benzedeiras:<br \/>\nUBS 1 \u2013 612 Sul<br \/>\nData: 17 de agosto<br \/>\nHor\u00e1rio: 9h30 \u00e0s 11h30<br \/>\nUBS 9 Cruzeiro<br \/>\nData: 27 de agosto<br \/>\nHor\u00e1rio: 16h \u00e0s 17h30<br \/>\nFotos: Mariana Raphael\/Sa\u00fade-DF\u200b<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos tempos dos nossos av\u00f3s, benzedeiras eram chamadas para curar doen\u00e7as. As cidades cresceram, essas mulheres tiveram seus grupos reduzidos. Mas sempre se fizeram presentes em comunidades interioranas. Agora voltam a atuar em grades centros, como Bras\u00edlia. 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