{"id":213553,"date":"2019-08-17T19:02:43","date_gmt":"2019-08-17T22:02:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=213553"},"modified":"2019-08-17T19:14:13","modified_gmt":"2019-08-17T22:14:13","slug":"atencao-produtor-rual-fertilizante-tem-novas-regras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/atencao-produtor-rual-fertilizante-tem-novas-regras\/","title":{"rendered":"Nova regra de fertilizante para uso na agricultura"},"content":{"rendered":"<p>O C\u00f3digo Internacional de Conduta para Uso Sustent\u00e1vel e Manejo de Fertilizantes, aprovado na 41\u00aa Confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), em junho passado, come\u00e7a agora a ser internalizado nos pa\u00edses signat\u00e1rios. Isso significa que o c\u00f3digo j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel para utiliza\u00e7\u00e3o pelos governos. O Brasil, no entanto, se antecipou ao c\u00f3digo e j\u00e1 tem normativa sobre o assunto.<\/p>\n<p>O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Solos, Vinicius Benites, \u00fanico brasileiro que participou da elabora\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo, disse que a ado\u00e7\u00e3o das diretrizes n\u00e3o \u00e9 uma ordem, ou seja, ela n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria. \u201cO c\u00f3digo \u00e9 mais uma recomenda\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas\u201d no sentido de minimizar os impactos do uso de fertilizantes pelos governos, academia e ind\u00fastrias, explicou o pesquisador, que tamb\u00e9m \u00e9 secret\u00e1rio-executivo do portf\u00f3lio de nutrientes para a agricultura brasileira.<\/p>\n<p>Segundo Benites, um ponto importante na discuss\u00e3o \u00e9 a vis\u00e3o que o mundo tem a respeito do uso de fertilizantes. Como os pa\u00edses europeus t\u00eam um peso muito forte na FAO, os fertilizantes s\u00e3o vistos na Europa mais como agentes poluentes do que como insumos. \u201cComo os solos deles s\u00e3o mais ricos, eles encaram os fertilizantes como poluentes, muito diferente do que ocorre no Brasil e em alguns pa\u00edses da \u00c1frica porque, para a gente, o fertilizante ainda \u00e9 um insumo important\u00edssimo\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a participa\u00e7\u00e3o do Brasil foi decisiva para a ratifica\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo internacional pela FAO, uma vez que n\u00e3o havia representantes da \u00c1frica na reuni\u00e3o. No encontro, Benites colocou que o fertilizante ainda \u00e9 um insumo importante no Brasil para a sustentabilidade do sistema e para garantir seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Nutriente n\u00e3o t\u00f3xico<br \/>\nO pesquisador da Embrapa Solos deixou claro que fertilizante \u00e9 diferente de agrot\u00f3xico. \u201cS\u00e3o coisas muito distintas\u201d. O agrot\u00f3xico \u00e9 um produto qu\u00edmico, desenvolvido em laborat\u00f3rio, enquanto o fertilizante \u00e9 um nutriente n\u00e3o t\u00f3xico, que inclui fertilizantes org\u00e2nicos e industriais que n\u00e3o oferecem periculosidade para o homem.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o quarto consumidor mundial de fertilizantes, atr\u00e1s da China, \u00cdndia e dos Estados Unidos. Benites disse que a agricultura brasileira, principalmente a agricultura empresarial, voltada para a produ\u00e7\u00e3o de commodities (produtos agr\u00edcolas e minerais comercializados no mercado internacional) como soja, milho, cana, caf\u00e9, algod\u00e3o, depende muito de fertilizantes. O cultivo desses produtos consome 80% dos fertilizantes usados no Brasil. \u201cE a gente importa pr\u00f3ximo de 80% dos fertilizantes que consome\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Vinicius Benites, o Brasil vai continuar sendo dependente de fertilizantes para o resto da vida, porque tem um clima tropical sujeito a chuvas, apresenta solos pobres e a agricultura \u00e9 voltada para a exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os. \u201cA gente exporta o nutriente dentro do gr\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria-prima<br \/>\nO Brasil n\u00e3o produz fertilizantes porque esses nutrientes dependem de mat\u00e9ria-prima geol\u00f3gica, informou Vinicius Benites. Uma dessas mat\u00e9rias-primas \u00e9 o pot\u00e1ssio, que o Brasil importa 92% do que usa. Em rela\u00e7\u00e3o ao f\u00f3sforo, Benites afirmou que o Brasil possui essa mat\u00e9ria-prima, mas ela \u00e9 de baixa qualidade. \u201cO f\u00f3sforo do mundo est\u00e1 concentrado no Norte da \u00c1frica. \u00c9 o petr\u00f3leo do futuro\u201d, disse.<\/p>\n<p>Como o Brasil n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas para produzir fertilizantes e o custo \u00e9 muito alto, o m\u00ednimo que tem de fazer, estrategicamente, \u00e9 adotar boas pr\u00e1ticas de uso. \u201c\u00c9 n\u00e3o jogar fora, \u00e9 usar de forma parcimoniosa, \u00e9 trabalhar com reciclagem, \u00e9 criar tecnologias para que a coisa seja feita da forma mais otimizada poss\u00edvel. E o c\u00f3digo prev\u00ea isso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O pesquisador salientou que o c\u00f3digo leva em conta n\u00e3o s\u00f3 os efeitos ambientais e poss\u00edveis contamina\u00e7\u00f5es que os pesticidas podem causar, mas tamb\u00e9m o uso racional, porque as reservas mundiais s\u00e3o limitadas. No mundo tropical em especial, do qual o Brasil faz parte, o c\u00f3digo aponta a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas para minimizar os gastos com a importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Normativas<br \/>\nO titular da Coordena\u00e7\u00e3o Geral de Conserva\u00e7\u00e3o do Solo e \u00c1gua do Minist\u00e9rio da Agricultura (MAPA), Jef\u00e9 Le\u00e3o Ribeiro, esclareceu que o Brasil j\u00e1 tem uma normativa que regula o uso de fertilizantes, motivo pelo qual o novo c\u00f3digo internacional n\u00e3o tem um impacto t\u00e3o grande como ter\u00e1 em outros pa\u00edses que n\u00e3o tratam essa quest\u00e3o em suas legisla\u00e7\u00f5es. \u201cO Brasil se antecipou\u201d, disse Ribeiro. \u201cEsse tema, no Brasil, j\u00e1 est\u00e1 saneado, por meio de leis que j\u00e1 existiam\u201d, insistiu.<\/p>\n<p>O Brasil participa da Alian\u00e7a Global pelo Solo (GSP, do nome em ingl\u00eas), buscando interferir onde houver necessidade. Em mar\u00e7o deste ano, por exemplo, a FAO realizou simp\u00f3sio sobre eros\u00e3o do solo, atendendo a demanda brasileira. \u201cO Brasil tem defendido o que \u00e9 importante para a agricultura nacional, como o plantio direto, que \u00e9 uma tecnologia que busca uma produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel que retire carbono da atmosfera\u201d, informou.<\/p>\n<p>Jef\u00e9 Le\u00e3o Ribeiro disse que o minist\u00e9rio tem mapeado algumas jazidas de fertilizantes mas, no momento, por uma quest\u00e3o comercial das empresas, permanece dependente da importa\u00e7\u00e3o. \u201cEm uma perspectiva a longo prazo, \u00e9 estrat\u00e9gico importar\u201d, mencionou. O t\u00e9cnico do MAPA argumentou que se a maioria dos produtores brasileiros passar a usar fertilizantes, do ponto de vista da sustentabilidade isso \u00e9 um \u00f3timo neg\u00f3cio, porque evita que os produtores avancem sobre novas \u00e1reas. \u201cSe ele recupera essa \u00e1rea degradada com aduba\u00e7\u00e3o, ele consegue voltar a ter produtividades muito boas nessas \u00e1reas\u201d. Ribeiro sustentou que o Brasil precisa usar mais fertilizantes, ao contr\u00e1rio do que ocorre na Europa, para que tenha mais produtividade e melhore a sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O C\u00f3digo Internacional de Conduta para Uso Sustent\u00e1vel e Manejo de Fertilizantes, aprovado na 41\u00aa Confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), em junho passado, come\u00e7a agora a ser internalizado nos pa\u00edses signat\u00e1rios. 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